Quem disse que se dar bem na vida é
fácil? Nunca foi e, creio, dificilmente será. As universidades
estão abarrotadas de jovens estudantes que sonham em ser “alguém”.
Estudam horas e horas, deixam o lazer e a família de lado. Tudo
por um futuro melhor.
E existe recompensa?
Eu respondo. Na maioria das vezes, NÃO!
Você deve estar achando que sou um pessimista nato, daqueles que não
confiam nem em si mesmo. Está completamente errado. Tenho meus
argumentos, que estão embasados em experiências vivenciadas por
mim mesmo. A realidade é triste. Ou você não estuda e fica como
“peão” a vida inteira (ao menos que tenha nascido em “berço de
ouro”), ou dá duro nos estudos, priva-se de tudo para buscar algo
incerto.
Hoje, milhões de jovens deixam suas cidades pequenas e sem futuro rumo às
grandes metrópoles. Na bagagem, o sonho da conquista. A qualidade
de vida, a família, os amigos, as paixões, tudo fica para trás, em
prol do estudo, do conhecimento. Tudo ilusão.
Após um pequeno período na “cidade grande”, muitos se deparam com a
solidão que, como consequência, ocasiona a depressão. Aliado a
isso estão o alto custo de vida, que faz pais se privarem de
muitas coisas para manterem os filhos, os perigos que acercam os
grandes centros, a falta de tempo para o lazer e, o pior, a falta
de reconhecimento dos empregadores.
Conheço colegas que estão quase se formando e ainda não conseguiram
emprego na área. Estão há cinco, seis anos longe de casa, se
privando de várias coisas por algo que não se concretiza. E, os
que arrumaram, obrigam-se a se “orgulhar” com os “grandes”
estágios.
Não que sejam ruins. Aliás, são fundamentais para que os jovens adquiram
experiência no ramo que estão seguindo. Mas uma coisa é você
estagiar por certo tempo, com uma remuneração justa e, depois de
perceberem que você tem talento, te efetivarem com um salário que
faça jus às suas capacidades (parece “conto de fadas”). Outra
coisa é obrigarem você a trabalhar por seis horas (o que pode
chegar a oito, dez) diárias, muitas vezes exercendo outras funções
além das suas (“xeroqueiro”, carteiro, administrador, faxineiro,
telefonista), com um salário pífio que pode chegar a incríveis R$
300,00 (sim, conheço gente que ganha isso por 12 horas de
trabalho!). E, o pior, após o prenderem por dois anos de contrato,
sem direito algum, não o efetivam. Puta sacanagem!
E aí você está a um passo da formatura e não consegue arrumar mais nenhum
estágio. E, depois, como possui para alguns pouca experiência na
área, não consegue efetivação em lugar algum. E se, porventura,
conseguir, ganhará esmolas que, se somadas por toda sua carreira,
não cobrirão os gastos com a faculdade.
Triste.
Aí, temos que gastar em pós, especializações, mestrados,
doutorados. Pra quê?
No Brasil, as grandes fatias estão nas mãos de poucos. O país da
“piada pronta” não valoriza quem batalha.
Por isso me questiono até que ponto vale a pena estudar tanto. Acho que é
melhor voltar para minha cidadezinha calma e viver de verdade. E
que se explodam o estudo e os canudos!
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