Canudo da ilusão
 


                                               
 Por Pablo Luis Furlanetto
                                                                                    
 Imagem: Reprodução

 

 


 


 
Quem disse que se dar bem na vida é fácil? Nunca foi e, creio, dificilmente será. As universidades estão abarrotadas de jovens estudantes que sonham em ser “alguém”. Estudam horas e horas, deixam o lazer e a família de lado. Tudo por um futuro melhor.


  E existe recompensa?


  Eu respondo. Na maioria das vezes, NÃO!


  Você deve estar achando que sou um pessimista nato, daqueles que não confiam nem em si mesmo. Está completamente errado. Tenho meus argumentos, que estão embasados em experiências vivenciadas por mim mesmo. A realidade é triste. Ou você não estuda e fica como “peão” a vida inteira (ao menos que tenha nascido em “berço de ouro”), ou dá duro nos estudos, priva-se de tudo para buscar algo incerto.


  Hoje, milhões de jovens deixam suas cidades pequenas e sem futuro rumo às grandes metrópoles. Na bagagem, o sonho da conquista. A qualidade de vida, a família, os amigos, as paixões, tudo fica para trás, em prol do estudo, do conhecimento. Tudo ilusão.


  Após um pequeno período na “cidade grande”, muitos se deparam com a solidão que, como consequência, ocasiona a depressão. Aliado a isso estão o alto custo de vida, que faz pais se privarem de muitas coisas para manterem os filhos, os perigos que acercam os grandes centros, a falta de tempo para o lazer e, o pior, a falta de reconhecimento dos empregadores.


  Conheço colegas que estão quase se formando e ainda não conseguiram emprego na área. Estão há cinco, seis anos longe de casa, se privando de várias coisas por algo que não se concretiza. E, os que arrumaram, obrigam-se a se “orgulhar” com os “grandes” estágios.


  Não que sejam ruins. Aliás, são fundamentais para que os jovens adquiram experiência no ramo que estão seguindo. Mas uma coisa é você estagiar por certo tempo, com uma remuneração justa e, depois de perceberem que você tem talento, te efetivarem com um salário que faça jus às suas capacidades (parece “conto de fadas”). Outra coisa é obrigarem você a trabalhar por seis horas (o que pode chegar a oito, dez) diárias, muitas vezes exercendo outras funções além das suas (“xeroqueiro”, carteiro, administrador, faxineiro, telefonista), com um salário pífio que pode chegar a incríveis R$ 300,00 (sim, conheço gente que ganha isso por 12 horas de trabalho!). E, o pior, após o prenderem por dois anos de contrato, sem direito algum, não o efetivam. Puta sacanagem!


  E aí você está a um passo da formatura e não consegue arrumar mais nenhum estágio. E, depois, como possui para alguns pouca experiência na área, não consegue efetivação em lugar algum. E se, porventura, conseguir, ganhará esmolas que, se somadas por toda sua carreira, não cobrirão os gastos com a faculdade.


  Triste.

 

  Aí, temos que gastar em pós, especializações, mestrados, doutorados. Pra quê?

 

  No Brasil, as grandes fatias estão nas mãos de poucos. O país da “piada pronta” não valoriza quem batalha.


  Por isso me questiono até que ponto vale a pena estudar tanto. Acho que é melhor voltar para minha cidadezinha calma e viver de verdade. E que se explodam o estudo e os canudos!


[ Página Inicial ]