Reforma Agrária na Rede

March 20th, 2010

No ar, o blog da reforma agrária

O blog de comunicadores que defendem a reforma agrária no Brasil está no ar. O manifesto de lançamento:

Denuncie a ofensiva dos setores conservadores contra a reforma agrária!

Está em curso uma ofensiva conservadora no Brasil contra a reforma agrária, e contra qualquer movimento que combata a desigualdade e a concentração de terra e renda. E você não precisa concordar com tudo que o MST faz para compreender o que está em jogo.

Uma campanha orquestrada foi iniciada por setores da chamada “grande imprensa brasileira” - associados a interesses de latifundiários/as, grileiros/as - e parcelas do Poder Judiciário. E chegou rapidamente ao Congresso Nacional, onde uma CPMI foi aberta com o objetivo de constranger aqueles/as que lutam pela reforma agrária.

A imagem de um trator a derrubar laranjais no interior paulista, numa fazenda grilada, roubada da União, correu o país no fim do ano passado, numa campanha claramente orquestrada. Agricultores/as miseráveis foram presos, humilhados. Seriam os/as responsáveis pelo “grave atentado”. A polícia trabalhou rápido, produzindo um espetáculo que foi parar nas telas da TV e nas páginas dos jornais. O recado parece ser: quem defende reforma agrária é “bandido/a”, é “marginal”. Exemplo claro de “criminalização” dos movimentos sociais.

Quem comanda essa campanha tem dois objetivos: impedir que o governo federal estabeleça novos parâmetros para a reforma agrária (depois de três décadas, o governo planeja rever os “índices de produtividade” que ajudam a determinar quando uma fazenda pode ser desapropriada); e “provar” que os que derrubaram pés de laranja são responsáveis pela “violência no campo”.

Leia o Manifesto completo clicando abaixo.

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Trata-se de grave distorção.

Comparando, seria como se, na África do Sul do Apartheid, um manifestante negro atirasse uma pedra contra a vitrine de uma loja onde só brancos podiam entrar. A mídia sul-africana iniciaria então uma campanha para provar que a fonte de toda a violência não era o regime racista, mas o pobre manifestante que atirou a pedra.

No Brasil, é nesse pé que estamos: a violência no campo não é resultado de injustiças históricas que fortaleceram o latifúndio, mas é causada por quem luta para reduzir essas injustiças. Não faz o menor sentido?

A violência no campo tem um nome: latifúndio. Mas isso você dificilmente vai ver na TV. A violência e a impunidade no campo podem ser traduzidas em números: mais de 1500 agricultores foram assassinados nos últimos 25 anos. Detalhe: levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostra que dois terços dos homicídios no campo nem chegam a ser investigados. Mandantes (normalmente grandes fazendeiros) e seus pistoleiros permanecem impunes.

Uma coisa é certa: a reforma agrária interessa ao Brasil. Interessa a todo o povo brasileiro, aos movimentos sociais do campo, aos/as trabalhadores rurais e ao MST. A reforma agrária interessa também aos/as que se envergonham com os acampamentos de lona na beira das estradas brasileiras: ali, vive gente expulsa da terra, sem um canto para plantar - nesse país imenso e rico, mas ainda dominado pelo latifúndio.

A reforma agrária interessa, ainda, a quem percebe que a violência urbana se explica - em parte - pelo deslocamento desorganizado de populações que são expulsas da terra e obrigadas a viver em condições medievais, nas periferias das grandes cidades.

Por isso, repetimos: independente de concordarmos ou não com determinadas ações daqueles que vivem anos e anos embaixo da lona preta na beira de estradas, estamos em um momento decisivo e precisamos defender a reforma agrária.

Se você é um democrata, talvez já tenha percebido que os ataques coordenados contra o MST fazem parte de uma ofensiva maior contra qualquer entidade ou cidadão que lutem por democracia e por um Brasil mais justo.

Se você pensa assim, compareça ao Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, no próximo dia 11 de março, e venha refletir com a gente:

- por que tanto ódio contra quem pede, simplesmente, que a terra seja dividida?

- como reagir a essa campanha infame no Congresso e na mídia?

- como travar a batalha da comunicação, para defender a reforma agrária no Brasil?

É o convite que fazemos a você.

Assinam:

- Alcimir do Carmo

- Aloisio Milani

- Altamiro Borges

- Ana Facundes

- André de Oliveira

- André Freire

- Antonio Biondi

- Antonio Martins

- Bia Barbosa

- Breno Altman

- Conceição Lemes

- Cristina Charão

- Cristovão Feil

- Danilo Cerqueira César

- Dênis de Moraes

- Emiliano José

- Emir Sader

- Flávio Aguiar

- Gilberto Maringoni

- Giuseppe Cocco

- Hamilton Octavio de Souza

- Henrique Cortez

- Igor Fuser

- Jerry Alexandre de Oliveira

- Joaquim Palhares

- João Brant

- João Franzin

- Jonas Valente

- Jorge Pereira Filho

- José Arbex Jr.

- José Augusto Camargo

- José Carlos Torves

- José Reinaldo de Carvalho

- Ladislau Dowbor

- Laurindo Lalo Leal Filho

- Leonardo Sakamoto

- Lilian Parise

- Lúcia Rodrigues

- Luiz Carlos Azenha

- Márcia Nestardo

- Marcia Quintanilha

- Miryám Hess

- Nilza Iraci

- Otávio Nagoya

- Paulo Lima

- Paulo Zocchi

- Pedro Pomar

- Rachel Moreno

- Raul Pont

- Renata Mielli

- Renato Rovai

- Rita Casaro

- Rita Freire

- Rodrigo Savazoni

- Rodrigo Vianna

- Rose Nogueira

- Sandra Mariano

- Sérgio Amadeu da Silveira

- Sérgio Gomes

- Sérgio Murilo de Andrade

- Soraya Misleh

- Tatiana Merlino

- Terezinha Vicente

- Vânia Alves

- Venício A. de Lima

- Verena Glass

- Vito Giannotti

- Wagner Nabuco

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No blog, que fica aqui, ficamos sabendo que Sergio Guerra, o presidente do PSDB, está entre os que defendem a reforma agrária.

{Vi o Mundo}

MnF!!! [XII]

March 19th, 2010

(…) Raise you head, raise your face your eyes (…)

La Razón “De Unos” Y La Fe “De Otros”

March 19th, 2010

Aborto: de la fe a Hitler

por Arnoldo Kraus

Los tiempos obligan. ¿En qué creer?: ¿en el azar?, ¿en la ciencia?, ¿en el destino?, ¿en la justicia?, ¿en Dios?, ¿en la maleficencia?, o, ¿acaso no es válido creer en el tenue interludio que separa la nada del escepticismo? Los que creen en Dios tienen resueltos muchos problemas. Primero: la fe no requiere de la razón. Segundo: los fundamentalistas religiosos responden de acuerdo con su nivel de intolerancia. Tercero: cuando algún suceso carece de explicación no es necesario hurgar: Dios sabe los porqués. La fe ciega y la intolerancia son sordas.

Los ateos, en cambio, tienen vidas más complejas: apelar a la razón conlleva muchos sinsabores. Demasiadas circunstancias no son explicadas ni por la ciencia, ni por la las actitudes del ser humano, ni por la sabiduría dedicada a entender los movimientos de la naturaleza (sismos, tsunamis, etcétera). Quienes buscan comprender la vida y explicarse a sí mismos por medio de la razón tienen que admitir, con frecuencia, que son miríada las acciones carentes de lógica; aceptar la “imposibilidad de la razón”, es, en muchas circunstancias, buena pócima.

El juego entre la razón “de unos” y la fe “de otros” es muy complejo. Situaciones límite, como la eutanasia activa, el aborto, la fertilización in vitro o la clonación exponen el divorcio entre la fe como dogma y la razón como guía. Cualquier persona que se precie en meditar situaciones complejas encuentra cada vez más groseras y peligrosas algunas de las actitudes de los grupos antiabortistas. El problema de esas actitudes es su virulencia, su peligrosidad y su alta contagiosidad (el affaire universal de los sacerdotes pederastas no está determinado genéticamente: proviene de actitudes propias de la congregación y de lo que entre ellos se platican y se recomiendan). La conducta reciente de algunos creyentes polacos ejemplifica bien los peligros de la fe.

En Poznan, Polonia, un cartel muestra a Hitler junto a varios fetos cubiertos de sangre. “El aborto fue introducido para las mujeres polacas por Hitler el 9 de marzo de 1943”, reza la leyenda inscrita. La campaña promovida por Pro, un grupo antiabortista radical, recuerda la política nazi en favor de que las mujeres polacas abortasen. No explica los detalles del dictum hitleriano ni se detiene en reflexionar acerca de la universalidad de tan siniestra política.

El mensaje de los fundamentalistas católicos es claro y peligroso: los crímenes perpetrados por los nazis son similares a la interrupción voluntaria del embarazo. El peligro es enorme. La lectura e interpretación del cartel invita a la violencia: los nazis mataban, los médicos que practican abortos asesinan, ergo: para terminar con el nazismo fue necesario eliminar a los nazis, por lo que, de acuerdo con la filosofía del grupo Pro, matar a los médicos que efectúan abortos es lícito (ignoro cuántos médicos han sido asesinados en el mundo, pero, de cuando en cuando, la prensa da cuenta de esos sucesos). Los ultrafanáticos no requieren muchos permisos para actuar. Basta repasar lo que sucede actualmente en demasiados rincones del mundo.

La fe ciega suele ser pésima consejera. Es suficiente seguir sus dictados, afiliarse a grupos ultras que apoyen ciertas conductas, arroparse por filosofías radicales y actuar. Actuar colocando carteles, descartando (o matando) a quien atente contra los principios Pro o sembrando sinrazón ilimitadamente, como es el caso polaco. La intolerancia como bandera y la fe ciega como forma de vida es la religión de esos grupos.

Los antiabortistas suelen navegar en aguas muy turbulentas y con frecuencia expresan su intolerancia postulando ideas enfermas que pueden devenir todo tipo de violencia. Exponer en las calles de una ciudad la imagen de Hitler con fetos ensangrentados rebasa esa peligrosidad. Igualar la filosofía nazi con el ideario antiabortista es siniestro. ¿Qué sucederá sí algún miembro Pro decide eliminar a un médico que practique abortos? ¿Qué dirá la Iglesia? ¿Callará al igual que lo hizo durante el nazismo?

{La Jornada}

Homem, Natureza, Capitalismo…

March 19th, 2010

Economia e meio ambiente

por Concessa Vaz de Macedo e Ari de Oliveira Zenha

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“Que tempos são esses, em que falar de árvores é quase um crime, pois implica silenciar sobre tantas barbaridades?”
 
(Bertold Brecht , Aos que vão nascer)

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No intuito de se entender a relação entre economia e meio ambiente, é necessário e importante se esclarecer, ainda que de forma breve, o significado da relação entre o homem e a natureza através do trabalho.

A relação homem/natureza sempre existiu, pois “nem a natureza objetivamente nem a natureza subjetivamente existem de modo imediatamente adequado ao ser humano” (Karl Marx). Sendo assim, a natureza há que ser transformada pela ação humana, pelo trabalho humano que a submete e a ajusta às suas necessidades essenciais.

Portanto, como afirma Vázquez, “o homem só existe na relação prática com a natureza. Na medida em que está - e não pode deixar de estar - nessa relação ativa, produtiva, com ela, a natureza se lhe oferece como objeto de matéria de sua atividade, ou como resultado desta, isto é, como natureza humanizada…”.

Com o advento do capitalismo, esta relação fundamental entre o homem e a natureza sofre uma profunda transformação. A lógica do lucro, inerente a esse regime de propriedade privada dos meios de produção, faz do homem e da natureza fontes de seu contínuo e crescente crescimento e reprodução. Os rudimentares instrumentos de trabalho são substituídos por novos e permanentemente aperfeiçoados métodos e implementos de produção, aumentando a capacidade produtiva do trabalho e, portanto, a forma de apropriação da natureza, de maneira jamais experimentada em outras épocas. Transformados em forças produtivas do e para o capital, os meios de produção modernos não mais servem apenas de meios para retirar da natureza os meios de subsistência humana, antes passam a ser utilizados intensivamente para produzir os excedentes apropriados, na forma de lucro, pelo capital.

É sob essa conformação estrutural que aparece a relação entre economia e meio ambiente, uma relação que denota o efeito predatório da produção capitalista sobre a natureza e/ou sobre o meio ambiente.

Tanto a agricultura explorada sob a forma capitalista como a indústria, em seu processo de crescimento e de concentração, participam da busca incessante de lucros, desencadeando e intensificando, para tanto, métodos deletérios à natureza onde atuam.

A mecanização acelerada, os agrotóxicos e outros elementos químicos utilizados no manejo da terra e no trato dos animais são exemplos de métodos nocivos - ao homem e ao meio ambiente - predominantes na agricultura capitalista. Na indústria, as tecnologias empregadas ao longo dos duzentos anos do sistema fabril já causaram danos irreparáveis à natureza e à existência humana.

As condições degradantes a que o meio ambiente foi e ainda é submetido resultam dessa exploração predatória empreendida pelo capital em sua interação com a natureza, constituindo uma ameaça permanente ao equilíbrio ecológico.

A questão do meio ambiente - a ecologia -, portanto, não pode ser abordada e/ou compreendida independentemente de sua vinculação com a estrutura do regime capitalista de produção. Se não for assim, as análises e proposições decorrentes serão inúteis e ineficazes, pois que não partem dos alicerces do modo de produção do capital que engendra, na sua busca obstinada de lucro, os efeitos destrutivos sobre o meio ambiente. Tratar o meio ambiente isoladamente, fora de sua íntima conexão com a economia de base capitalista, é o mesmo que navegar na superfície dos fenômenos sem atingir a sua essência, ou seja, as particularidades inerentes e distintivas do modo de produção capitalista.

É sob essa ótica da relação intrínseca entre a economia (capitalista) e o meio ambiente que devem ser tratadas questões fartamente divulgadas, mas não enfocadas em suas raízes. Entre tantas outras questões, podem-se nominar: o aquecimento global; a camada de ozônio; o lixo nuclear; os transgênicos; a devastação das florestas; a poluição ambiental; o uso intensivo e indiscriminado de inseticidas; a emissão de monóxido de carbono; os resíduos industriais e hospitalares; o esgotamento acelerado de matérias-primas não renováveis; os constantes desastres ecológicos provocados por resíduos químicos; a monocultura intensiva; as mudanças climáticas; a pesca predatória; o extermínio da fauna e flora; a ocupação desordenada do campo e das cidades; o surgimento de megalópoles e a crescente favelização mundo afora; o aquecimento dos oceanos; e o comprometimento da biodiversidade.

Ao contrário da relação entre o homem e a natureza descrita inicialmente, onde a natureza é humanizada pela ação do trabalho humano ou, ainda, transformada para a humanidade ao se objetivar em produtos para a satisfação das necessidades do homem, tem-se agora uma relação totalmente desvirtualizada. No capitalismo, a ligação entre o homem e a natureza se estabelece de forma desumanizadora.  Ao invés de objetos de uso para a humanidade, o capital extrai implacavelmente tudo da natureza que possibilita a obtenção de produtos vendáveis e/ou lucrativos para si, de forma crescente e avassaladora, dado o extraordinário desenvolvimento das forças produtivas que ele próprio promove. A natureza se torna, para o capital, um meio de satisfação e realização da ganância de poucos, em detrimento da imensa população de agora e por vir.

{Correio Caros Amigos}

Claque Para os Patrões

March 17th, 2010

Os fariseus e a dignidade

por Emir Sader

O que sabem os leitores dos diários brasileiros sobre Cuba? O que sabem os telespectadores brasileiros sobre Cuba? O que sabem os ouvintes de rádio brasileiros sobre Cuba? O que saberia o povo brasileiro sobre Cuba, se dependesse da mídia brasileira?

O que mais os jornalistas da imprensa mercantil adoram é concordar com seus patrões. Podem exorbitar na linguagem, para badalar os que pagam seu salários. Sabem que atacar ao PT é o que mais agrada a seus patrões, porque é quem mais os perturba e os afeta. Vale até dar espaco para qualquer mercenário publicar calúnias contra o Lula, para depois jogá-lo de volta na lata do lixo.

No circo dessa imprensa recentemente realizado em São Paulo, os relatos dizem que os donos das empresas - Frias, Marinhos - tinham intervenções mais discretas, - ninguém duvida das suas posições de ultra-direita -, mas seus empregados se exibiam competindo sobre quem fazia a declaração mais extremista, mais retumbante, sabendo que seriam recolhidas pela mídia, mas sobretudo buscando sorrisinho no rosto dos patrões e, quem sabe, uns zerinhos a mais no contracheque no fim do mês.

Quem foi informado pela imprensa que há quase 50 anos Cuba já terminou com o analfabetismo, que mais recentemente, com a participação direta dos seus educadores, o analfabetismo foi erradicado na Venezuela, na Bolívia e no Equador? Que empresa jornalística noiticiou? Quais mandaram repórteres para saber como países pobres ou menos desenvolvidos conseguiram o que mais desenvolvidos como os EUA ou mesmo o Brasil, a Argentina, o México, não conseguiram?

Mandaram repórteres saber como funciona naquela ilha do Caribe, pouco desenvolvida economicamente, o sistema educacional e de saúde universal e gratuito para todos? Se perguntaram sobre a comparação feita por Michael Moore no seu filme “SiCKO” sobre os sistemas de saúde - em particular o brutalmente mercantilizado dos EUA e o público e gratuito de Cuba?

Essas empresas privadas da mídia fizeram reportagens sobre a Escola Latinoamericana de Medicina que, em Cuba, já formou mais de cinco gerações de médicos de todos os países da América Latina e inclusive dos EUA, gratuitamente, na melhor medicina social do mundo? Foi despertada a curiosidade de algum jornalista, econômico, educativo ou não, sobre o fato de que Cuba, passando por grandes dificuldades econômicas - como suas empresas não deixam de noticiar - não fechou nenhuma vaga nem nas suas escolas tradicionais, nem na Escola Latinoamericana de Medicina, nem fechou nenhum leito em hospitais?

Se dependesse dessas empresas, se trataria de um regime “decrépito”, governado por dois irmãos há mais de 50 anos, um verdadeiro “goulag tropical”, uma ilha transformada em prisão.

Alguém tentou explicar como é possivel conviver esse tipo de sociedade igualitária com a base naval de Guantánamo? Se noticiam regularmente as barbaridades que ocorrem lá, onde presos sob simples suspeita, são interrogados e torturados - conforme tantas testemunhas que a imprensa se nega em publicar - em condições fora de qualquer jurisdição internacional?

Noticiam que, como disse Raúl Castro, sim, se tortura naquela ilha, se prende, se julga e se condena da forma mais arbitrária possível, detidos em masmorras, como animais, mas isso se passa sob responsabilidade norte-americana, desse mesmo governo que protesta por uma greve de fome de uma pessoa que - apesar da ignorância de cronistas da família Frias - não é um preso, mas está livre, na sua casa?

Perguntam-se por que a maior potência imperial do mundo, derrotada por essa pequena ilha, ainda hoje tem um pedaco do seu territorio? Escandalizam-se, dizendo que se “passou dos limites”, quando constatam que isso se dá há mais de um século, sob os olhos complacentes da “comunidade internacional”, modelo de “civilização”, agentes do colonialismo, da escravidão, da pirataria, do imperialismo, das duas grandes guerras mundiais, do fascismo?

Comparam a “indignação” atual dos jornais dos seus patrões com o que disseram ou calaram sobre Abu Graib? Sobre os “falsos positivos” (sabem do que se trata?) na Colômbia? Sobre a invasão e os massacres no Panamá, por tropas norte-americanas, que sequestraram e levaram para ser julgado em Miami seu ex-aliado e então presidente eleito do país, Noriega, cujos 30 anos foram completamente desconhecidos pela imprensa? Falam do muro que os EUA construíram na fronteira com o México, onde morre todos os anos mais gente do que em todo tempo de existência do muro de Berlim? A ocupação brutal da Palestina, o cerco que ainda segue a Gaza, é tema de seus espacos jornalísticos ou melhor calar para que os cada vez menos leitores, telespectadores e ouvintes possam se recordar do que realmente é barbarie, mas que cometida pela “civilizada” Israel - que ademais conta com empresas que anunciam regularmente nos orgãos dessas empresas - deve ser escondida? Que protestos fizeram os empregados da empresa que emprestou seus carros para que atuassem os serviços repressivos da ditadura, disfarçaados de jornalistas, para sequestrar, torturar, fuzilar e fazer opositores desaparecerem? Disseram que isso “passou de todos os limites” ou ficaram calados, para não perder seus empregos?

Mas morreu um preso em Cuba. Que horror! Que oportunidade para bajular os seus patrões, mostrando indignação contra um país de esquerda! Que bom poder reafirmar diante deles que se se foi algum dia de esquerda, foi um resfriado, pego por más convivências, em lugares que não frequentam mais; já estão curados, vacinados, nunca mais pegarão esse vírus. (Um empregado da família Frias, casado com uma tucana, orgulha-se de ter ido a todos os Fóruns Econômicos de Davos e a nenhum Fórum Social Mundial. Ali pôde conhecer ricaços e entrevistá-los, antes que estivessem envolvidos em escândalos, quebrassem ou fossem para a prisão. Cada um tem seu gosto, mas não dá para posar como “progressista”, escolhendo Davos a Porto Alegre.).

Não conhecem Cuba, promovem a mentira do silêncio, para poder difamar Cuba. Não dizem o que era na época da ditadura de Batista e em que se transformou hoje. Não dizem que os problemas que têm a ilha é porque não quer fazer o que fez o darling dessa midia, FHC, impondo duro ajuste fiscal para equilibrar as finanças públicas, privatizando, favorecendo o grande capital, financeirizando a economia e o Estado. Cuba busca manter os direitos universais a toda sua população, para o que trata de desenvolver um modelo econômico que não faça com que o povo pague as dificuldades da economia. Mentem silenciando sobre o fato de que, em Cuba, não há ninguém abandonado nas ruas, de que todos podem contar com o apoio do Estado cubano, um Estado que nunca se rendeu ao FMI.

Cuba é a sociedade mais igualitária do mundo, a mais solidária, um país soberano, assediado pelo mais longo bloqueio que a história conheceu, de quase 50 anos, pela maior potência econômica e militar da história. Cuba é vítima privilegiada da imprensa saudosa do Bush, porque se é possivel uma sociedade igualitária, solidária, mesmo que pobre, que maior acusação pode haver contra a sociedade do egoísmo, do consumismo, da mercantilização, em que tudo tem preço, tudo se vende, tudo se compra?

Como disse Celso Amorim, o Ministro de Relações Exteriores do Brasil: os que querem contribuir a resolver a situação de Cuba tem uma fórmula muito simples - terminem com o bloqueio contra a ilha. Terminem com Guantânamo como base de terrorismo internacional, terminem com o bloqueio informativo, dêem aos cubanos o mesmo direito que dão diariamente aos opositores ao regime - o do expor o que pensam. Relatem as verdades de Cuba no lugar das mentiras, do silêncio e da covardia.

Diante de situações como essa, a razão e a atualidade de José Martí:

“Há de haver no mundo certa quantidade de decoro,
como há de haver certa quantidade de luz.
Quando há muitos homens sem decoro, há sempre outros
que têm em si o decoro de muitos homens.
Estes são os que se rebelam com força terrível
contra os que roubam aos povos sua liberdade,
que é roubar-lhes seu decoro.
Nesses homens vão milhares de homens,
vai um povo inteiro,
vai a dignidade humana…”

 {Agência Carta Maior}

Continuidade, Sem Continuísmo

March 15th, 2010

O governo Lula e os intelectuais

por Paulo Passarinho

Há um enorme esforço de intelectuais que se situam à esquerda - e que apóiam o PT e o governo Lula - para justificar, explicar e defender as opções adotadas a partir de 2002 pelos atuais mandatários do governo federal.

Há alegações de vários tipos. Ganhar um governo não significa chegar ao poder; maioria eleitoral não deve se confundir com hegemonia política; há uma correlação de forças desfavorável a mudanças, pois a hegemonia é conservadora; ao ser eleito, Lula não dispunha do apoio da maioria do Congresso; a maior parte dos governadores eleitos em 2002 era de direita… São algumas das razões apresentadas para se dar respaldo e apoio às decisões que vêm sendo tomadas pelo governo do PT e de seus aliados.

É fato que um processo político que tenha como objetivo a transformação de estruturas políticas, econômicas ou sociais requer base política, capacidade de formulação de diagnósticos e proposições, quadros dirigentes aptos, além de firmeza política e ideológica para enfrentar as naturais resistências e dificuldades, conflitos que inevitavelmente irão surgir.

As propostas que foram sendo amadurecidas no Partido dos Trabalhadores, desde os anos 1980, absorviam com clareza - de maneira formal, ao menos por parte de sua maioria - a necessidade de uma dita estratégia democrático-popular, cujo maior objetivo seria a efetivação de reformas na estrutura do capitalismo brasileiro. Essa estratégia não tinha como objetivo a efetivação de um programa de natureza socialista, mas a criação, dentro do sistema capitalista brasileiro, de um arcabouço jurídico-institucional e de um modelo econômico voltados para o fortalecimento do mundo do trabalho.

Esta proposição ganhou maior relevância e emergência a partir das importantes, e dramáticas, contra-reformas iniciadas no governo Collor e aprofundadas e consolidadas no governo de FHC. Abertura financeira do país; privatizações de empresas estatais e de serviços públicos essenciais, através de pesadas intervenções na ordem legal e de aportes financeiros do próprio Estado e de fundos de pensão de empresas controladas pela União; esvaziamento das funções de planejamento do Estado e flexibilização dos mecanismos regulatórios sobre a atividade econômica; enfraquecimento da dimensão universal das políticas sociais - apesar das obrigações constitucionais do Estado - e a consagração de uma estratégia de focalização dessas políticas são exemplos das mudanças que procuraram sepultar algumas características de um modelo chamado de desenvolvimentista, e que havia se iniciado no país desde os anos 1930.

É importante destacar que esse modelo, que nos embalou até os anos 1980, possuía concepções bastante diferenciadas, da direita à esquerda, e onde o papel a ser conferido ao capital estrangeiro, por exemplo, diferenciava-se de acordo com cada corrente política, assim como a visão de Estado que deveríamos construir.

O choque político representado pelo golpe civil-militar de 1964 é conseqüência direta dessas visões diferenciadas, conflitantes e antagônicas, que conviviam e disputavam a direção do modelo desenvolvimentista.

Quando FHC, em determinado momento de seus dois governos, afirma que “a era Vargas está sepultada”, o que ele indicava era que um novo arcabouço jurídico-institucional e um novo modelo econômico encontrava-se implantado, embora algumas mudanças precisassem ainda ser aprofundadas. É o caso, por exemplo, da legislação trabalhista.

A posição do PT e de seus aliados, naquela conjuntura dos anos 1990, foi extremamente importante. Não para barrar o furor reformista liberal, mas para resistir, denunciar e apontar que a resposta mais adequada ao país, e aos seus trabalhadores, à crise do modelo desenvolvimentista não era a alternativa neoliberal. A alternativa seria justamente o modelo democrático-popular.

A impossibilidade de se barrarem as mudanças em curso no governo FHC estava relacionada a algumas conquistas que haviam sido conseguidas, ainda no governo Itamar. O lançamento do Plano Real, com a redução expressiva do quadro inflacionário que marcava a economia até então, permitiu a primeira eleição de FHC, ao mesmo tempo em que houve uma aliança significativa de amplos setores para a aprovação de uma agenda de reformas de caráter liberalizante.

Contudo, o modelo liberal-periférico que se consolida no primeiro governo de FHC entra em profunda crise, já a partir de 1998, em meio a um quadro de grande instabilidade internacional, especialmente a partir da crise que afeta um conjunto de países da Ásia e a Rússia.

O segundo governo de FHC já se inicia sob o signo da instabilidade e das exigências do FMI de arrocho fiscal e maior controle do Banco Central na gestão econômico-financeira do país. A conseqüência política desse processo foi o início de um profundo desgaste do bloco de forças que sustentava o governo e que culminou com a derrota do candidato governista de 2002, José Serra, para o candidato das forças de oposição, justamente Lula.

Neste momento, contudo, os antigos comandantes da oposição ao neoliberalismo já não mais se colocam como adversários do modelo exigido pelo FMI e assumido por FHC.

Em um quadro de instabilidade financeira, aguçada por uma gestão extremamente temerária da direção do Banco Central na administração da dívida pública, e em nome de uma concepção equivocada de pragmatismo, Lula e seus aliados aceitam os novos termos de um novo acordo com o FMI e, uma vez no governo, tornam-se mais realistas do que o próprio rei: adotam um arrocho fiscal mais duro do que o acertado com o FMI e praticado por FHC; elevam as taxas de juros; prosseguem as mudanças constitucionais na área previdenciária; aprofundam a abertura financeira do país e dinamizam a desnacionalização do parque produtivo do país.

Ao mesmo tempo, nenhuma das mudanças jurídico-institucionais implementadas por FHC foi questionada ou alterada. O processo de privatização de algumas empresas, como é o caso da Vale do Rio Doce, eivado de irregularidades, continuou a ser defendido pela Advocacia Geral da União, agora sob o comando de Lula, e não de FHC.

Sequer o suspeito acordo dos acionistas que compõem o bloco controlador da empresa foi alterado. Apesar de a maioria das ações desse bloco pertencer a capitais estatais e para-estatais (BNDESPAR, fundos de pensão e subsidiárias do Banco do Brasil), a direção da empresa continua sob comando do Bradesco.

Na área do setor elétrico, onde uma verdadeira lambança foi feita pelos tucanos, nada se fez para alterar esse quadro de forma substantiva e, assim, continuamos a pagar uma das mais altas tarifas de energia elétrica do mundo.

E os serviços públicos voltados à população continuam em acelerado processo de degradação, conseqüência direta do fato de mais de 30% do Orçamento Público da União ser direcionado para o pagamento de despesas financeiras, fomentadas por uma política monetária elogiada por todos os liberais e banqueiros, além do próprio Lula, é claro.

Entretanto, conjunturalmente, tivemos uma melhoria nas nossas contas externas, provocada pela explosão da demanda chinesa e asiática por produtos agrícolas e minerais, itens de peso relativo cada vez maior em nossa pauta de exportações. Este fato nos propiciou taxas de crescimento econômico maiores do que no governo anterior, além dos programas de transferência de renda aos miseráveis terem sido contemplados com maiores recursos financeiros.

Podemos concluir, desse modo, que o governo Lula cumpriu de algum modo o que na campanha de 2002 era a promessa de José Serra: “um governo de continuidade, sem continuísmo”.

Há um inegável apoio popular ao governo. Particularmente, para os setores miseráveis e pobres, houve uma mudança importante em relação ao que esses setores sofreram durante especialmente o segundo mandato do governo FHC.

Mas, aqui retorno ao ponto inicial deste artigo. E o papel dos ditos intelectuais de esquerda, apoiadores de Lula e seus aliados? Continuarão a cumprir a função de apoiar um governo e correntes políticas que deram sobrevida ao modelo liberal-periférico, no momento em que ele agonizava? Continuarão a entender que houve uma mudança na rota do modelo econômico, confundindo os efeitos da mesma com a essência de uma política que continua ditada por bancos e transnacionais?

Ou irão preferir o silêncio, contrastante com a ebulição e conflitos que animam vários dos nossos vizinhos da América do Sul?

{Correio da Cidadania}

Piratas das Malvinas {5}

March 15th, 2010

Malvinas: Brasa Encendida

por José Steinsleger

No dejan de ser chuscas las voces que califican de “anacrónico” el legítimo y soberano reclamo de Argentina sobre el archipiélago de Malvinas. Dicen: ¿qué importancia tendrán aquellas islas heladas del Atlántico Sur, en las que viven 3 000 personas que aún conservan la mentalidad de la Inglaterra eduardiana?

Los ingleses, en cambio, tienen clara la película desde 1833, cuando invadieron las islas. Pocos años después, con pirática lucidez, el primer ministro de la reina Victoria, lord Aberdeen, profetizó: “En estos días de desenvolvimiento de Sudamérica, las islas tienen gran valor para Inglaterra como base naval”.

En 1985, la entrada en funciones de una gigantesca pista de aterrizaje en las islas permitió que Gran Bretaña convirtiese las Malvinas en la principal base militar de la Organización del Tratado del Atlántico Norte (OTAN) y de su país líder, Estados Unidos, en el Atlántico Sur.

La base controla las vías de comunicación interoceánica en el extremo austral, se proyecta con fines bélicos sobre la Antártica y, por sobre todo, jugará su rol en el desarrollo político interno de Brasil y Argentina. Fuera de esto, en Malvinas hay petróleo. Y mucho. A inicios de diciembre pasado, el diario inglés The Sun informó que las islas guardan, al menos, 60 000 millones de barriles. Noticia que, simultáneamente, anunciaba la partida desde Escocia de la Ocean Guardian, primera plataforma de exploración.

Las apetencias inglesas sobre los recursos petroleros, mineros y pesqueros de Malvinas datan de 1975. En abril de 1982, cuando la dictadura del general Leopoldo F. Galtieri ocupó las islas para sortear la crítica situación interna, ya existían 13 informes científicos internacionales que señalaban su importancia hidrocarburífera.

Las relaciones entre ambos países, interrumpidas a causa de la guerra, se retomaron en 1989. Se acordó, en principio, congelar la discusión sobre el tema de la soberanía. Y en 1995, el gobierno neoliberal de Carlos Menem firmó un acuerdo de cooperación, por mediación del cual se creaba una zona especial que sería “explorada y explotada en conjunto”. Cinco días después, Londres movió los hilos. Los kelpers (habitantes de las Malvinas) licitaron 19 áreas y concedieron 12 contratos. Se presentaron cerca de medio centenar de compañías y el gobierno “soberano” de las islas entregó siete licencias de exploración off-shore. Enjuagues que, según la Cancillería inglesa, respondían al principio de “autodeterminación de los pueblos” (sic).

En el 2007, frente al incumplimiento de lo estipulado y luego de ocho reuniones en vano, el ex presidente Néstor Kirchner liquidó los acuerdos de cooperación conjunta suscritos por Menem. Sin embargo, el hallazgo en el 2009 de grandes yacimientos de crudo en el litoral atlántico de Brasil estimuló al premier Gordon Brown para impulsar el viaje de la plataforma Ocean Guardian.

El gobierno de Cristina Fernández fijó posición: los buques que quieran transitar entre Malvinas y el territorio continental argentino deben solicitar autorización previa. Y además las firmas que se involucren en los programas de exploración petrolera fijados unilateralmente por Inglaterra, en algún momento tendrán que pagar retroactivamente las regalías correspondientes.

En la pasada cumbre del Grupo de Río y los países del Caribe, celebrada en Cancún, los medios ingleses y europeos indagaron con insidia: ¿bloqueo marítimo a las Malvinas? La presidenta puso el ejemplo de sus críticas al bloqueo imperial sobre Cuba y manifestó que Argentina no se iba a prestar a “ejercicios ridículos de cinismo”. Precisó: “No estamos en Afganistán ni en Iraq. Nos oponemos a cualquier tipo de violación del derecho internacional”.

La gobernanta manifestó en plenario: “Malvinas es algo que debe competernos a todos, no solo a los que estamos aquí porque formamos parte de la región”. Si realmente quienes tienen el poder de sentarse en esos sillones permanentes del Consejo de Seguridad de Naciones Unidas son los que violan las propias disposiciones que tomamos juntos en la ONU, va a resultar difícil justificar exigencias a otros países sobre el desarme, la actividad nuclear y de respeto a los derechos humanos. (…) Creemos que esta (la causa de Malvinas) es una de las claves de un mundo cada vez más inseguro, más peligroso, más fragmentado, no ya por disputas ideológicas como las que caracterizaron el siglo XX, sino tal vez por cosas más graves y profundas como el derecho a ejercer el dominio y el usufructo de nuestros recursos naturales renovables y no renovables”.

Sin excepción, los países de la cumbre (incluyendo las ex colonias británicas del Caribe, con más intereses y vínculos con Londres que con Buenos Aires) no solo respaldaron la posición argentina, sino que supieron interpretar las palabras del ex presidente de Bolivia, Hernán Siles Suazo, en el dramático año de 1982: “Hay que malvinizar a Latinoamérica”. (La Jornada)

{Granma}

História Que Se Conta…

March 15th, 2010

Moça mentirosa, mídia irresponsável

por Eliakim Araujo

Terminou de forma melancólica a história da brasileira que simulou ter sido atacada por skinheads numa estação do metrô em Zurique, Suiça. Paula Oliveira, uma advogada pernambucana, na época com 26 anos, que fez mais de cem pequenos cortes em seu corpo e ainda mentiu dizendo que estava grávida e tinha abortado gêmeos por causa do ataque, já está no Brasil em local mantido em sigilo.

Pouca gente se lembra que o circo da mídia brasileira em torno do assunto começou através de uma postagem no blog do Noblat, no Globo. Sem apurar a veracidade da informação que estava recebendo de graça, através do pai da moça, amigo, conterrâneo e bem relacionado em Brasília, Noblat embarcou na história e publicou com exclusividade as fotos do corpo de Paula com os cortes aparentes e, em outra foto, com a blusa levantada mostrando uma pequena barriga para simular gravidez.

Deu como fato consumado, sem ao menos usar expressões típicas do jornalismo como “suposto ataque” ou “teria sido atacada”, usadas sempre que não há certeza absoluta e insofismável de que seja verdadeiro. Leia aqui a matéria original:

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/02/11/brasileira-torturada-na-suica-aborta-gemeos-160714.asp

Tudo armado. E Noblat, um experiente jornalista, caiu nessa. A partir daí, a poderosa Globo entrou na jogada e o resto da história todo mundo sabe. A mídia brasileira inteira comprou a história de Paula, um prato cheio para aumentar a audiência dos telejornais. A Globo logo despachou uma força-tarefa para Zurique e levou a reboque equipes de outras emissoras e jornalistas da mídia impressa. O circo da mídia acampou na cidade suíça.

A pressão chegou até ao governo brasileiro que, precipitadamente, se posicionou através do Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, condenando a agressão com veemência e cobrando providências do governo suíço.

Mas a armação era tão óbvia que a polícia suíça não teve nenhuma dificuldade em descobrir rapidamente que tudo não passava de uma grande farsa. Paula acabou confessando a mentira, foi condenada e nesta quinta-feira veio o triste capítulo final da novela, quando uma juíza não prorrogou seu visto de residência e determinou que ela se retirasse do país definitivamente.

Paula ainda tentou uma mentira de última ao pedir a prorrogação de seu visto alegando que tinha medo de voltar ao Brasil por causa do clima criado pela mídia brasileira.

Na última quinta-feira, o Brasil foi manchete nos jornais suiços graças às mentiras da advogada (nessa altura já nem se sabe se ela tem mesmo esse título) que assim registraram a decisão da Justiça: “Paula-mentira deve abandonar definitivamente a Suíça”, “Expulsão depois de ataque simulado de supostos nazistas”, “Sem perdão para a brasileira condenada”.

As mentiras de Paula e de seu pai não nos preocuopam, eles que enfrentem as consequências. Agora, a irresponsabilidade midiática embarcando numa história suspeita desde o início - aqueles cortes simétricos nas barriga e nas pernas jamais poderiam ser feitos por atacantes num local público, como ela contou - é problema nosso. Mostra a falta de qualidade do jornalismo que praticamos , o que é pior, estamos nas mãos de uma mídia capaz de tudo que o leitor possa imaginar.

Se embarcam numa história como essa sem pé nem cabeça, sem uma apuração competente e condenando a priori as autoridades suiças, pode-se imaginar o que se trama nos gabinetes refrigerados dos patrões da mídia e nos porões das redações onde a ordem vem de cima com o despacho REC, que na linguagem interna significa matéria recomendada.

Tudo pode acontecer se você não lê pela cartilha deles.

P.S.: Esqueceram de avisar aos organizadores da Fórmula Indy que São Paulo para quando cai qualquer chuvinha, ainda mais quando a pista é do lado do Tietê. A corrida está parada há quase uma hora e a TV americana mostra os trabalhadores com vassourões tentando escoar a água empoçada. Os narradores estão ironizando e criticando a falta de drenagem na pista.

{Direto da Redação}

Mujer Luchadora

March 14th, 2010

Reprodução

“La revolución es femenina”

(AW) Desde su encierro solitario en la cárcel-isla de Imrali, el líder kurdo, fundador del Partido de los Trabajadores del Kurdistán (PKK), reflexiona, a propósito del día Internacional de la Mujer Luchadora, acerca del papel que a Ellas les ha tocado padecer en estos 5 mil años de civilización. El capitalismo, que hereda el patriarcado como forma de dominación y explotación es, para Öcalan, un mal que no solo daña a las mujeres, sino a la sociedad misma. Es entonces cuando afirma que la liberación de un pueblo se hará si acaso primero se lucha por la liberación de la mujer. Por eso es que dice: “la revolución es femenina”.

por Abdullah Öcalan

[Cárcel de Imrali, isla de Imari, Turquía, 9 de marzo de 2010]

Reflexionar sobre la cuestión de los derechos de la mujer y escribir al respecto significa poner en tela de juicio toda la historia y la sociedad entera. Porque la explotación sistemática de la mujer ha alcanzado dimensiones inigualables.

Observada desde esta perspectiva, la historia de la civilización puede ser definida como una historia de pérdidas para la mujer. En el curso de esta historia se ha impuesto la personalidad patriarcal del hombre. Con grandes pérdidas para toda la sociedad; el resultado fue la sociedad sexista.

El sexismo es un instrumento de poder y un arma al mismo tiempo, utilizada en el curso de la historia de manera permanente en todos los sistemas de la civilización. De hecho, ningún otro grupo social ha sido nunca explotado físicamente y sicológicamente como la mujer. La variedad de la explotación de la mujer es evidente. La mujer genera descendencia. Sirve como fuerza de trabajo gratuita. Le tocan aquellos trabajos que nadie quiere hacer. Es una esclava obediente. Es objeto permanente de avidez sexual. Es utilizada para fines publicitarios. Es la reina de todas las mercancías. Construye la base sobre la cual el hombre produce y reproduce su poder como instrumento de violencia continua. Es por eso que los cinco mil años de historia de la civilización se pueden describir también como «cultura de la violencia».

En la época del capitalismo, el sexismo fue utilizado como instrumento ideológico de manera particularmente pérfida. El capitalismo, que ha heredado la sociedad sexista, no se conforma con utilizar a la mujer como fuerza de trabajo gratuita en el hogar. La transforma en objeto sexual, la reduce a mercancía para ponerla a la venta en el mercado. Mientras el hombre vende sólo su fuerza de trabajo, la mujer es reducida completamente a mercancía, sea en el plano físico o en el sicológico. El sistema confiere un papel estratégico al dominio sobre la mujer en relación con la ampliación de la explotación y el poder. Expandiendo ulteriormente la tradicional represión de la mujer, cada hombre se transforma en un socio del poder. La sociedad es por lo tanto golpeada por el síndrome de la total expansión del poder. La condición de la mujer confiere a la sociedad patriarcal un sentido del concepto de poder sin límites.

Considerar a la mujer el sexo biológicamente imperfecto es pura ideología y una herencia de la mentalidad patriarcal. Esta doctrina es parte esencial de todas las tentativas científicas, éticas y políticas de presentar su condición como natural. Lo triste es que también la mujer misma está acostumbrada a aceptar este paradigma como verdad. La naturaleza y la sacralidad de esta condición de supuesta inferioridad condiciona su pensamiento y comportamiento. Así, debemos tener siempre presente el hecho de que ningún pueblo, ninguna clase y ninguna nación han sido sistemáticamente esclavizadas como la mujer. Acostumbrando a la mujer a la esclavitud se han establecido jerarquías y se ha abierto el camino a la esclavización de otras partes de la sociedad. La esclavitud del hombre ha llegado sólo después de la esclavitud de la mujer. La diferencia de la esclavitud fundada en el sexo con respecto a la esclavitud de una clase y de una nación está en el hecho de que es garantizada, ademas de por una represión masiva y sutil, también por falsedades con una fuerte carga emotiva. Originariamente, la difusión de la esclavitud de la mujer a toda la sociedad preparó el camino para todos los otros tipos de jerarquías y estructuras estatales. Eso fue devastador no sólo para la mujer, sino también para la sociedad entera, excepción hecha de un pequeño grupo de fuerzas jerárquicas y estatalistas.

Por ese motivo, ningún camino lleva a una crítica profunda de la ideología patriarcal y de las instituciones que están fundadas sobre ella. Uno de los pilares más importantes de este sistema es la institución de la familia. Familia concebida como un pequeño estado del hombre. La importancia de la familia en el curso de la historia de la civilización está en la fuerza que confiere a los dominadores y al estamento estatal. Una familia orientada hacia el dominio masculino, y desde aquí su función de núcleo de la sociedad estatalista, garantiza que la mujer cumpla sin limitación un trabajo no retribuido. Al mismo tiempo cría los hijos, satisface las necesidades estatales de una población suficiente y es puesta como modelo para la difusión de la esclavitud en toda la sociedad.

Si no se comprende la familia como micro-modelo de estado, no es posible analizar correctamente la civilización medioriental. El hombre de Oriente Medio que ha padecido pérdidas en todos los frentes, se rebela contra la mujer. Cuanto más se lo humilla en público, más descarga sus impulsos agresivos que derivan contra la mujer. El hombre que en la esfera social permite que se pisoteen todos sus valores, con los denominados «asesinatos de honor» busca de apaciguar su ira descargándola sobre la mujer. Con respecto a las sociedades de Oriente Medio debo añadir que las influencias tradicionales de la sociedad patriarcal y estatalista no han encontrado una síntesis con las influencias de las formas modernas de la civilización occidental, sino que más bien conforman un conjunto comparable a un nudo gordiano.

Analizar los conceptos de poder y dominio haciendo referencia al hombre es muy difícil. No es tanto la mujer quien rechaza el cambio, sino más bien el hombre. Abandonar el papel de macho dominante hace sentir al hombre como a un soberano que ha perdido su estado. Debemos, pues, enseñarle que es esa misma forma vacía de dominio la que le quita la libertad y lo hace ser un reaccionario. Análisis de este tipo son mucho más que simples observaciones teóricas, ya que son de importancia vital para la lucha de liberación kurda. Consideramos la libertad del pueblo kurdo inseparable de la liberación de la mujer, por eso nos hemos organizado en consecuencia. Si hoy nuestra aspiración a la libertad no está destruida, a pesar de los ataques por parte de las potencias imperialistas y de las fuerzas reaccionarias locales, se lo debemos de manera inestimable al Movimiento de Liberación de la Mujer y a la conciencia que se ha creado a partir de éste. Para nosotros, sin la mujer libre no puede haber un Kurdistán libre.

Esta visión filosófica y social no es en absoluto una maniobra táctica, política para mantener la mujer ligada a la lucha. Nuestro objetivo es la construcción de una sociedad democrática, que ocurra a través de un cambio del hombre. Pienso que, analizando la praxis de la lucha desarrollada hasta ahora por nosotros, hemos llegado a comprender al hombre viciado, despótico, opresor y explotador de la sociedad patriarcal. Ésta era la respuesta más adecuada en la búsqueda de la libertad de la mujer que he logrado encontrar: comprender al hombre patriarcal, analizarlo y «matarlo». Quería dar un nuevo paso adelante. Intentaré delinear la personalidad de un hombre nuevo, amante de la paz. Analizar y «matar» al hombre clásico para allanar el camino hacia el amor y la paz. En este sentido, me considero un trabajador en la lucha de liberación de la mujer.

La contraposición entre los sexos representa la contraposición más importante del siglo XXI. Sin la lucha contra la ideología y la moral patriarcal, contra su influencia en la sociedad y contra los individuos patriarcales, no podemos alcanzar una vida libre ni construir una sociedad verdaderamente democrática y realizar, pues, el socialismo. Los pueblos no anhelan sólo la democracia, sino también una sociedad democrática sin sexismo. Sin la igualdad entre los sexos, cada petición de libertad e igualdad es un sinsentido e ilusoria. Así como los pueblos tienen derecho a la autodeterminación, también las mujeres deberían determinar por sí mismas su propio destino. Es una cuestión que no podemos dejar de lado o dilatar. Al contrario, en la formación de una nueva civilización la libertad de la mujer es fundamental para la realización de la igualdad. Contrariamente a las experiencias del socialismo real o de las luchas de liberación nacional, considero la liberación de la mujer más importante que la liberación de clase o de la nación.

A partir de la experiencia de nuestra lucha, sé que desde el momento en el que el movimiento de liberación de la mujer entra en el terreno de la política debe enfrentarse a oposiciones extremadamente feroces. Sin embargo, si no gana en el ámbito político, no puede obtener ningún resultado duradero. Ganar en el terreno político no significa que la mujer tome el poder. Al contrario. Significa la lucha contra las estructuras estatalistas y jerárquicas, significa la creación de estructuras que no sean orientadas hacia un estado, sino que conduzcan a una sociedad democrática y ecológica, con la libertad de ambos sexos. De esta manera ganará no sólo la mujer, sino también la humanidad entera.

Nota: Esta reflexión fue publicada, simultáneamente, en el periódico italiano “Il Manifesto” y el periódico Vasco “Gara” el día 9 de marzo de 2010. La Walsh se hace eco de esta reproducción a modo de colaborar en la ruptura del aislamiento al que es sometido Abdullah Öcalan desde hace 11 años, pidiendo que el fin tal situación inhumana y su pronta liberación, ateniéndonos a los hechos de que su juicio estuvo viciado de xenofobia y la justicia turca transgredió derechos elementales de cualquier ser humano.

{Agencia Rodolfo Walsh}

Carinho em Desenhos

March 13th, 2010

Belos vídeo e música, mostrando um pouco das reações ante a brutalidade com o Glauco e o Raoni. Depois do choque, continuarão os risos, indubitavelmente.

A compilação foi repassada pelo @gabeiracombr e traz algumas oferendas desenhadas à memória de pai e filho, e por conseguinte, ao carinho que muita gente tem pelos dois… (D!!!)