Archive for the ‘ Golpismo ’ Category

Jornalismo e Memória no “CBN João Pessoa”

Wednesday, May 15th, 2013

Adriano Diogo e o Falso Brilhante

Saturday, May 11th, 2013

{Vi o Mundo}

Vendendo o Peixe [42]

Monday, May 6th, 2013

{Portal Brasil}

Que Bolívar mande brasa!

Friday, April 26th, 2013

{Cubainformación TV}

Capriles Majunche, o Anti-Cuba

Tuesday, April 23rd, 2013

{Cubainformación TV}

Região Sul Melhor em Tudo!

Monday, April 22nd, 2013

Reprodução/Luana Backes-TN

RS é o segundo Estado que mais baixa conteúdos neonazistas na internet

Trabalho de pesquisadora estima que há 42 mil simpatizantes da ideologia no Rio Grande do Sul

por Marcelo Gonzatto

Um estudo estima que o sul do Brasil abrigue mais de 100 mil simpatizantes na internet de uma ideologia que condenou à morte milhões de pessoas, precipitou o mundo em uma guerra mundial e virou sinônimo de intolerância em todo o planeta. Apenas no Rio Grande do Sul, onde estaria concentrado o segundo maior polo de neonazistas do Brasil, haveria 42 mil seguidores das ideias de Adolf Hitler, conforme a pesquisa que monitorou o crescimento dessas facções de extrema-direita na web.

Um trabalho de monitoramento da internet realizado pela pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e antropóloga Adriana Dias detectou um crescimento de quase 170% no número de páginas virtuais com conteúdo neonazista em português, espanhol ou inglês entre 2002 e 2009 - de 7,6 mil para 20,5 mil. Além disso, fez uma análise sobre a origem de internautas que baixavam um número expressivo (superior a cem) de materiais de cunho discriminatório.

O cruzamento de informações permitiu à especialista estimar o número de simpatizantes do ideário extremista no Brasil. Os Estados do Sul lideram o ranking da intolerância, cujo topo é ocupado por Santa Catarina e seguido por Rio Grande do Sul e Paraná. Características culturais e históricas podem ter relação com a maior prevalência dos grupos de ódio nessa região, de forte imigração europeia. Os seguidores da cartilha neonazista costumam defender a “superioridade” da raça branca sobre as demais e perseguição a negros, judeus e homossexuais.

Os dados compilados pela pesquisadora indicam ainda que há comunidades de orientação neonazistas em 91% das 250 redes sociais monitoradas pela antropóloga, e que o número de blogs sobre o assunto cresceu mais de 550% no período. Além de refletirem o crescimento da própria internet nos últimos anos, esses números sugerem que a facilidade para troca de informações de maneira relativamente anônima segue atraindo fanáticos - e fornecem uma pista sobre o perfil de quem propaga a violência no mundo virtual.

- Geralmente, eles atendem ao proselitismo na juventude. O jovem em busca de uma causa acaba recebido pelo grupo, que o convence de que o negro ou o judeu tomou seu espaço no mercado de trabalho, na universidade, etc. - explica Adriana Dias, em entrevista à Agência Brasil.

O presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Jair Krischke, confirma que o perfil dos neonazistas no Estado hoje é formado principalmente por jovens, muitas vezes com nível socioeconômico razoável ou elevado:

- Um problema sério é que a grande maioria dessas pessoas que entram nos sites são jovens. Isso é uma falha nossa como sociedade. Não estamos dando aos jovens motivações, valores superiores. É uma falha da escola, da igreja, das famílias, dos partidos políticos que não estão dando perspectivas a eles.

Maior presença na rede

Confira o avanço no número de páginas da internet com conteúdo nazista:

2002: 7.600
2003: 8.100
2004: 9.485
2005: 11.036
2006: 12.191
2007: 13.421
2008: 15.601
2009: 20.502

Variação de 2002 a 2009: 169,8%

Mapa da intolerância

Confira o número estimado de simpatizantes de ideais nazistas no Brasil, com base em usuários na internet que fazem downloads de conteúdos da ideologia:

Santa Catarina: 45 mil
Rio Grande do Sul: 42 mil
São Paulo: 29 mil
Paraná: 18 mil
Distrito Federal: 8 mil
Minas Gerais: 6 mil

Fonte: antropóloga Adriana Dias

Grupo de neonazistas deverá ir a júri popular em junho

As ações neonazistas dentro e fora da internet vêm enfrentando uma coalisão de forças formada pelas polícias militar e civil, Ministério Público e ativistas de direitos humanos no Estado. Em junho, o Estado deverá testemunhar um dos mais importantes resultados da frente antiviolência: o julgamento de quatro réus neonazistas em júri popular por formação de quadrilha, discriminação racial e tentativa de homicídio.

Três homens e uma mulher acusados de participar do ataque a três estudantes judeus na Capital, em 2005, deverão ir à corte no dia 13 de junho - mas a data ainda pode sofrer alteração. Segundo o delegado da 1ª Delegacia da Polícia Civil, Paulo César Jardim, o caso é emblemático porque seria o primeiro em que um grupo neonazista iria a júri popular no Estado - e talvez no Brasil. O Tribunal de Justiça não tem registro de caso semelhante.

- Tenho recebido ligações da imprensa da Bélgica, da França, da Alemanha, da Inglaterra, do mundo inteiro. Estão muito interessados nesse julgamento, querem saber como foi o inquérito - revela Jardim.

Ao todo, 14 pessoas chegaram a ser pronunciadas como rés pela Justiça, mas uma dezena delas recorreu e por isso não deverá ir a julgamento agora. Todos foram vinculados ao movimento neonazista e suspeitos de participar das agressões a soco e facadas contra os estudantes judeus. Jair Krischke acredita que o julgamento pode servir de exemplo para desestimular novas adesões à filosofia nazista, mas lamenta a demora para o julgamento:

- O crime ocorreu em 2005, e só agora vai a júri.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, o delegado Jardim disse que tem uma “série de restrições” à pesquisa da antropóloga Adriana, mas não detalhou quais são essas restrições. Ele afirmou apenas que já conversou com a pesquisadora. Após falar à rádio, Jardim foi novamente ouvido por Zero Hora e preferiu não contestar os dados.

{Zero Hora}

Piratas das Malvinas {38}

Tuesday, April 2nd, 2013

{El Malvinense}

Para realizar películas formativas

Monday, April 1st, 2013

Propaganda en las pantallas: Hollywood y la CIA

Los últimos filmes ganadoras de Óscars muestran que la visión maniquea del mundo que presenta la agenda política de EEUU no ha cambiado desde la Guerra Fría

por Julie Levesque
[Global Research. Traducido para Rebelión por Paco Muñoz de Bustillo]

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“Una de las tendencias más generalizadas de la cultura occidental del siglo XXI se ha convertido en una especie de obsesión en Estados Unidos. Se trata de la recreación y confección a medida de ciertos acontecimientos históricos que refuercen el paradigma político existente y cuenten ‘la historia según Hollywood’ utilizando cientos de millones de dólares de la maquinaria corporativa de los estudios cinematográficos”

(Patrick Henningsen - ”Hollywood History: CIA Sponsored ‘Zero Dark Thirty’, Oscar for ‘Best Propaganda Picture’”)

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“Black Hawn Derribado”, “Zero Dark Thirty” y “Argo” son solo algunas de las principales películas recientes que muestran cómo la industria cinematográfica actual promociona la política exterior norteamericana. Pero la industria del cine ha sido utilizada para la propaganda desde comienzos del siglo XX y la cooperación entre Hollywood, el Departamento de Defensa, la CIA y otros organismos gubernamentales no es nada nuevo.

El Oscar a la mejor película por “Argo”, que Ben Affleck recibió de manos de Michelle Obama, muestra la proximidad de esta industria con Washington. Según Soraya Sepahpour-Ulrich, “Argo” es una película propagandística que esconde la desagradable verdad de la crisis iraní de los rehenes, concebida para preparar al público norteamericano para la próxima confrontación con Irán:

“Los observadores políticos extranjeros hace tiempo que saben que Hollywood actúa como vehículo para mostrar y promover las políticas norteamericanas (que, a su vez, deciden Israel y sus partidarios). Esta realidad se hizo pública cuando Michelle Obama anunció el Óscar para ‘Argo’, un film muy propagandístico y anti-iraní. Entre el brillo y la emoción, Hollywood y la Casa Blanca revelan su pacto y lanzan el mensaje a tiempo de las próximas conversaciones sobre el programa nuclear iraní [...]

La historia del apoyo de Hollywood a las políticas norteamericanas viene de muy atrás. En 1917, cuando Estados Unidos se unió a la Primera Guerra Mundial, la comisión de información pública (CPI) del presidente Woodrow Wilson consiguió la colaboración de la industria del cine para realizar películas formativas y de apoyo ‘a la causa’. George Creel, presidente del CPI, sostenía que las películas eran cruciales para ‘trasladar el espíritu del americanismo a cada rincón del planeta’.

Ese pacto se vio muy reforzado durante la Segunda Guerra Mundial [...y] la contribución de Hollywood fue la de desarrollar propaganda. Después de la guerra, Washington correspondió por su parte, proporcionando subvenciones, disposiciones especiales en el Plan Marshall y utilizando su influencia general para forzar los resistentes mercados cinematográficos europeos [...]

Mientras Hollywood y la Casa Blanca festejan con entusiasmo ‘Argo’ y su mensaje propagandístico, ocultan deliberadamente y sin rubor alguno un aspecto crucial de este acontecimiento ‘histórico’. El brillo esconde el hecho de que los estudiantes iraníes que tomaron la embajada de Estados Unidos en Teherán también revelaron al mundo el oscuro secreto de Israel. Documentos calificados como ‘secretos’ pusieron al descubierto las actividades de LAKAM, una red israelí organizada en 1960 para realizar espionaje económico en EE.UU. y perteneciente a la diversidad de agencias de inteligencia científica que trabajaban en Estados Unidos a favor de la industria de defensa israelí” (Soraya Sepahpour-Ulrich - “Oscar to Hollywood’s ‘Argo’: And the Winners are… the Pentagon and the Israel Lobby”).

Para conocer la realidad de la crisis de los rehenes iraní, una operación encubierta de la CIA, Global Research recomienda la lectura del artículo de Harry V. Martin publicado en 1995: “The Real Iranian Hostage Story fron the Files of Fara Mansoor”:

“Fara Mansoor es un fugitivo. Aunque no haya quebrantado ninguna ley en Estados Unidos. Su delito es la verdad. Lo que tiene que decir y los documentos que guarda equivalen a su pena de muerte; Mansoor es un iraní que formaba parte del ‘establishment’ en Irán mucho antes de la crisis de los rehenes en 1979. Los datos que aporta Mansoor descartan la supuesta ‘teoría de la sorpresa de octubre’ por la que Ronald Reagan y George Bush habrían pagado a los iraníes para que mantuvieran a 52 rehenes norteamericanos hasta pasadas las elecciones presidenciales de noviembre de 1980 [...]

Con cientos de documentos en los que sustentar su posición, Mansoor afirma que la ‘crisis de los rehenes’ fue una ‘herramienta de gestión’ política creada por la facción de la CIA favorable a Bush, y desarrollada gracias a una alianza previa con los fundamentalistas islámicos de Jomeini. Según afirma, su propósito era doble:

- Mantener Irán intacto y sin comunistas facilitando a Jomeini todo el control.

- Desestabilizar al gobierno Carter y colocar a George Bush en la Casa Blanca. (Harry V. Martin, “The Real Iran Hostage Crisis: A CIA Covert Op”)”

“Zero Dark Thirty” es otra magnífica obra de propaganda que también ha suscitado indignación este mismo año, pues aprovecha los terribles sucesos del 11-S para presentar la tortura como un mal necesario y efectivo:

“‘Zero Dark Thirty’ es inquietante por dos razones. La principal de ellas es que crea en el espectador la errónea impresión de que la tortura ayudó a la CIA a encontrar el escondite de Bin Laden en Pakistán. Y, por si fuera poco, ignora la ilegalidad y la inmoralidad de utilizar la tortura como técnica de interrogatorio.

El thriller empieza advirtiendo que está ‘basado en el relato de primera mano de hechos reales’. Después de mostrar imágenes de los terribles ataques del 11-S, pasa a una larga descripción gráfica de la tortura. Se somete al detenido “Ammar” a ahogamiento simulado (waterboarding), posturas de tensión, privación del sueño y reclusión en una pequeña caja. Como resultado de la tortura, revela el nombre del correo que finalmente conduce a la CIA hasta la localización y asesinato de Bin Laden. Tal vez sea una buena representación, pero es inexacto y engañoso (Marjorie Cohn - ”‘Zero Dark Thirty’, Torturing the Facts”).”

Con motivo de la entrega de los premios Golden Globe, este mismo año, algunos analistas criticaron que Hollywood “celebrara el Estado policial” y afirmaron que el ganador de los premios había sido el complejo militar-industrial:

“‘Homeland’ ganó premios a la mejor serie, mejor actor y mejor actriz de televisión. Se trata de una serie entretenida que en realidad retrata algunos de los defectos del sistema.

‘Argo’ ganó al mejor director y mejor película. Se trata de un film que glorifica a la CIA, y Ben Affleck pronunció las mayores alabanzas de este organismo.

Y el de la mejor actriz fue Jessica Chastain, de ‘Zero Dark Thirty’, una película que ha sido despreciada por hacer propaganda de la tortura.

El complejo de inteligencia militar industrial cada vez desempeña un papel mayor en nuestras vidas. Durante los próximos años veremos películas centradas en el uso de la tecnología de los drones, aviones no tripulados, en misiones policiales y de espionaje en EE.UU. Ya hemos visto algunas que mostraban cómo los espías violan cualquier aspecto de nuestra vida privada, incluso de las partes más íntimas. Al realizar series de televisión y películas que celebran esta ampliación cancerígena del Estado policial, Hollywood y los grandes estudios están normalizando las ideas que representan: la mentira al público mediante la creación rutinaria de historias fraudulentas que encubren lo que realmente está pasando (Rob Kall, citado en el Washingtonblog, “The CIA and Other Government Agencies Dominate Movies and Television”).”

Todas estas conflictivas conexiones de Hollywood han sido estudiadas con detalle en un informe de Global Research publicado en enero de 2009, “Lights, Camera… Covert Action: The Deep Politics of Hollywood”. El artículo enumera gran cantidad de películas en cuyo guión han colaborado por motivos de propaganda el Departamento de Defensa, la CIA y otros organismos gubernamentales. Es interesante señalar que el director premiado con un Óscar este año, Ben Affleck, cooperó con la CIA en 2002 cuando protagonizaba “The Sum of All Fears” (Pánico nuclear).

Los autores Matthew Alford y Robbie Graham explican que, comparado con la CIA, el Departamento de Defensa “mantiene una relación abierta aunque poco publicitada con la serie ‘Tinsel Town’”, relación que, “siendo moralmente dudosa y poco anunciada, ha tenido lugar de forma pública”. Estos autores citan un informe de 1999 de la CIA que muestra el aumento de influencia de la organización, no solo en el negocio del cine sino también en los medios de comunicación, en donde “tiene contactos con periodistas de todas las principales agencias de noticias, periódicos, semanarios de información y cadenas de televisión de la nación”. Solo en 1996, la CIA anunció que “estaba dispuesta a colaborar abiertamente con las producciones de Hollywood, supuestamente limitándose a actuar como ‘asesora’”:

“La decisión de la CIA de trabajar abiertamente con Hollywood estuvo precedida por la publicación de un informe sobre mayor apertura de la organización, recopilado por el grupo específico nombrado por su director, Robert Gates con ese fin, que se planteaba en secreto (¡qué ironía!) si la organización debería ser menos secretista. El informe reconoce que la CIA ‘tiene contactos con periodistas de todas las principales agencias de noticias, periódicos, semanarios de información y cadenas de televisión de la nación’ y sus autores señalan que esto les había ayudado a ‘transformar algunos casos de fracasos en operaciones con éxito y había contribuido a la exactitud de muchos otros’. Continúa revelando que, en el pasado, la CIA ha ‘convencido a algunos periodistas de posponer, cambiar, mantener en secreto o incluso desechar historias que podrían haber tenido efectos adversos en la seguridad nacional’ [...]

El autor de novelas de espionaje Tom Clancy ha mantenido una relación especialmente cercana con la CIA. En 1984, fue invitado a visitar la sede de la organización en Langley, tras escribir ‘A la caza de Octubre Rojo’, que se convertiría en película años más tarde. La CIA repitió su invitación cuando trabajaba en ‘Juego de Patriotas’ (1992) y cuando se hizo su adaptación cinematográfica, la agencia permitió el acceso a su complejo. Más recientemente, ‘Pánico nuclear’ (2002) describía a la CIA a la busca y captura de terroristas que hacían explotar un arma nuclear en suelo norteamericano. En este caso, fue su director, George Tenet quien actuó como guía personal en un tour con los cineastas por las instalaciones de la organización; el protagonista de la película, Ben Affleck, también consultó con los analistas de la organización y Chase Brandon sirvió de asesor en el rodaje.

Durante la Guerra Fría, el agente del comité estratégico psicológico (PSB) Luigi G. Luraschi actuó como ejecutivo de la Paramount. ‘Había conseguido que diferentes directores de casting aceptaran incluir ingeniosamente en las películas [negros bien vestidos], entre ellos un [solemne mayordomo] que pronunciaba algunas frases indicando que [era un hombre libre]“. El propósito de estas modificaciones era ‘dificultar la capacidad de los soviéticos de explotar las malas relaciones raciales del enemigo y sirvió para crear una impresión particularmente anodina de Estados Unidos, que en aquella época todavía vivía la segregación racial’. (Ibíd.)”

Las últimas producciones ganadoras de Óscars muestran que la visión maniquea del mundo que presenta la agenda política extranjera norteamericana no ha cambiado desde la Guerra Fría. La alianza entre Hollywood y la CIA sigue viva y en buen estado y aún retrata a Estados Unidos como el “líder del mundo libre” que lucha contra el “mal” en todo el mundo:

“Las interconexiones entre el aparato de Hollywood y el de la seguridad nacional se mantienen tan estrechas como siempre. El ex-agente de la CIA Bob Baur nos confesó que ‘existe una simbiosis entre la CIA y Hollywood [...]‘ Las afirmaciones de Baer ganan peso con los encuentros en Sun Valley, concentraciones anuales en ese valle de Idaho en donde varios centenares de los nombres más señalados de los medios de comunicación norteamericanos - incluyendo a todos los ejecutivos de los grandes estudios de Hollywood - se juntan para debatir la estrategia mediática colectiva para el año próximo. (Ibíd.)”

{La Haine}

Por nossas vastas solidões

Sunday, March 31st, 2013

Reprodução/www

As empregadas e a escravidão

por Urariano Mota

Por caminhos tortos, Joaquim Nabuco teve uma das suas iluminações quando escreveu: ”A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil”. Sim, por caminhos tortos, porque depois de uma frase tão magnífica, de gênio do futuro, Joaquim Nabuco sem pausa continuou, num encanto que esconde a crueldade:

“Ela (a escravidão) espalhou por nossas vastas solidões uma grande suavidade; seu contato foi a primeira forma que recebeu a natureza virgem do país, e foi a que ele guardou; ela povoou-o como se fosse uma religião natural e viva, com os seus mitos, suas legendas, seus encantamentos; insuflou-lhe sua alma infantil, suas tristezas sem pesar, suas lágrimas sem amargor…”.

Penso na primeira frase de Nabuco, a da escravidão como característica do Brasil, nestes dias em que o Congresso dá um primeiro passo para a superação da herança maldita. Não quero falar aqui sobre as conquistas legais para as empregadas domésticas, da nova lei sobre a qual os jornais tanto têm falado como num aviso: “patroas, cuidado, domésticas agora têm  direitos”. Falo e penso nas empregadas que vi e tenho visto no Recife e em São Paulo. No aeroporto de Guarulhos eu vi Danielle Winits, a famosa atriz da Globo, muito envolvida com o seu notebook, concentradíssima, enquanto o filhinho de cabelos louros berrava. Para quê? A sua empregada, vestida em odioso e engomado uniforme, aquele que anuncia “sou de outra classe”, cuidava para que a perdida beleza da atriz não fosse importunada. Tão natural… os fãs de telenovelas não viam nada de mais na mucama no aeroporto, pois faziam gracinhas para o bobinho lindinho.

Em outra ocasião, numa terça-feira de carnaval à noite, vi no Recife uma jovem à minha frente, empenhada em ver a passagem de um maracatu. Tão africano, não é? Junto a ela uma senhora - desta vez sem uniforme, mas carregando no rosto e modos a servidão - abrigava nos braços um bebê. Os tambores, as fantasias, eram de matar qualquer atenção dirigida à criança, que afinal estava bem cuidada, sob uma corda invisível que amarrava a empregada. Então eu, no limite da raiva, oferecei o meu lugar à sua escrava sobrevivente, com a frase: “a senhora, por favor, venha com o seu filho aqui para a frente”. A empregada quis se explicar, coitada, morta de vergonha, enquanto a doce mamãe não entendia o chamamento irônico, pois me olhava como se eu fosse um marciano. Espantada, parecia me dizer: “como o meu filho pode ser dessa aí?”.

O desconhecimento de direitos elementares às empregadas domésticas, como privacidade, respeito, a falta de atenção para ver nelas uma pessoa igual aos patrões, creio que sobreviverá até mesmo à nova lei. É histórico no Brasil, atravessa gerações e atinge até mesmo os mais jovens e pessoas que se declaram à esquerda. É como se estivesse no sangue, como se fosse genético, de um caráter irreprimível. Até antes delas vão a democracia e a igualdade. A partir delas é outra história. Quantas vezes vemos nos restaurantes jovens casais com suas lindas crias, tendo ao lado as escravas, que nem sequer têm direito a provar da bebida e da comida? Isso nos domingos e feriados, pois esses são os dias das patroazinhas se divertirem. É justo, não é? O feminismo se faz para que mulheres sejam cidadãs, mas a cidadania só alcança os iguais, é claro.

Em todas as situações desconfortáveis, se ousamos estranhar, ou agir com pelo menos um olhar atravessado para essa infâmia, recebemos a resposta de que as domésticas são pessoas da família. Parentes fora do sangue, apenas separadas por deveres, notamos. É o que se pode chamar de uma opressão disfarçada em laços afetivos. A ex-escrava é considerada como um bem amoroso, íntimo, mas que por ser da casa come na cozinha e se deita entre as galinhas do quintal. O que, afinal, é mais limpo que se deitar com os porcos no chiqueiro. Não estranhem, porque não exagero. Não faz muito  tempo no Recife era assim. E por que estranhar esse tratamento? Olhem os grandes e largos e luxuosos apartamentos do Rio e de São Paulo, abram os olhos para os minúsculos quartinhos de empregadas, entrem nos seus banheiros, que Millôr dizia serem a prova de que no Brasil empregadas não têm sexo no WC.

Não posso concluir sem observar que os pobres copiam os ricos, e que o tratamento dado às domésticas se estende em democracia para todas as classes sociais. Menos para as empregadas, é claro. “A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil”, dizia Nabuco.

{Direto da Redação}

injustiça.qom

Sunday, March 31st, 2013

Reprodução/www

“A Argentina tem uma dívida social com os povos indígenas”

Em entrevista, o líder indígena Felix Díaz relata as agressões sofridas pelos índios da etnia Qom na província de Formosa, no norte da Argentina

por Bruno Moreno

Pablo Sanagachi tinha 19 anos quando morreu de tuberculose, originada de desnutrição. Seu corpo ficou sete dias abandonado no Instituto Médico Legal (IML) de Buenos Aires, na Argentina. Daniel Ajisak, 16 anos, recebeu um golpe na cabeça e também faleceu. Seus parentes afirmam que foi agressão policial. O governo local diz que ele caiu de uma moto.

Os casos dos dois rapazes estão longe de serem isolados e já estão virando regra. É o que diz Felix Díaz, líder da Comunidade “Potae Napocna Navogh” (A Primavera), movimento de indígenas da etnia Qom que há alguns anos luta pelo direito ao território e por condições básicas de vida em Formosa, estado ao norte da Argentina. “Estamos sofrendo uma horrível perseguição”, afirma Díaz. Nos últimos dois anos, os casos de agressão aos indígenas da etnia vêm aumentando. Com eles, as mobilizações e embates entre a comunidade e a polícia e os governos locais. A causa principal, nas palavras do líder, é o conflito pelo território. Nesse contexto, Felix Díaz surgiu como uma voz incansável de denúncia dessa realidade. Seu caminhar conta com o apoio de nomes como Eduardo Galeano e organizações da importância das Madres de Mayo. O Brasil de Fato conversou com esse indígena de voz mansa e olhar calmo que, apesar de também sofrer constantes ameaças de morte, acha que a “luta é o único caminho para reverter essa situação”.

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Brasil de Fato: As mortes e ameaças em Formosa aumentaram nos últimos tempos. Qual é a relação entre as demandas da comunidade Qom e essa violência?

Felix Díaz: Acreditamos que tudo isso passa pelo tema da luta pelo território. Uma das coisas que nos afeta, pela qual sofremos, é que nos opomos à invasão da pecuária, das plantações de soja. Isso tudo tem a ver com o lado comercial, com os recursos da terra, do campo, as áreas usadas para a soja. São muitos interesses na área em que vivemos. E esses interesses existem há muitos anos na região. A democracia tem que começar a funcionar. Democratizar a sociedade com a participação e conhecimento do que está acontecendo. O que falta é a informação real dos direitos humanos, indígenas, civis. A polícia intervém no território quando quer. Não se pode invadir uma casa à noite, tomar decisões sem investigação. Sempre que um irmão morre, dão várias desculpas. Dizem que é homicídio culposo, acidente. Quando um indígena morre, é homicídio. Quando ele tem tuberculose, dizem que é morte natural, parada cardíaca. Quando encontram pessoas enforcadas em casa, dizem que é suicídio. Nunca investigam a fundo o que aconteceu. Tudo isso que estamos vivendo nos gera desespero, porque não sabemos a quem procurar.

Brasil de Fato: A situação é igual em todo o país?

Felix Díaz: O roubo dos territórios dos povos indígenas é generalizado. Muitos dos territórios saqueados são frutos da cobiça das empresas multinacionais, madeireiras, de mineração, petróleo. Todos os recursos que antes não serviam. Como não serviam antes, nos jogaram nessa região. Eram tudo montanhas, lagos, sem utilidade. Não serviam para produção agrícola. Agora servem e querem nos tirar de lá porque os recursos estão intactos. Estamos sofrendo uma horrível perseguição. Não nos escutam. Também não temos a possibilidade de discutir uma política indígena com o estado, porque não temos contato direto com a participação das políticas que são tomadas em âmbito nacional e estadual, apesar do Estado reconhecer nossa preexistência nessas terras e garantir o respeito e o desenvolvimento cultural, ancestral, tradicional e humano com nossos territórios. E as leis dizem que esses territórios não podem ser embargados, não podem ser tirados da gente, não podem trocar de dono. A Constituição estabelece pautas e garantias, mas elas não são aplicadas porque o problema é a falta de legitimação dos direitos através do Poder Legislativo. Precisamos regulamentar as leis que garantam a vida dos povos indígenas.

Brasil de Fato: E quais são as consequências desses conflitos para a comunidade, além desses ataques?

Felix Díaz: Nunca nos deixam benefícios. Durante o processo de democratização da Argentina, o povo indígena sempre foi excluído dos programas sociais. Há muito tempo viemos denunciando isso, como a falta de água. E existem outros danos ambientais na comunidade. Um dos principais é dos produtos químicos usados nas fumigações da soja. E com a chuva, esses produtos químicos caem em nossas casas, nos depósitos de água que fazemos com a água da chuva. Muitos morreram por causa disso na comunidade. Temos problemas como tuberculose, várias doenças. Entre 2007 e 2008, por exemplo, 65 pessoas morreram por causa dessas substâncias.

Brasil de Fato: Mas como começou essa mobilização pelo território que vocês reivindicam e o que o governo de Formosa e a presidência estão fazendo?

Felix Díaz: Historicamente vivemos na região. Já em 1940 o Estado reconheceu isso e através de um decreto reservou cinco mil hectares para nós. Durante vários anos esse território foi reconhecido. Ratificaram esse decreto em 1952, ratificaram em 1963. Mas em 77, na ditadura, fizeram um reordenamento territorial e tiraram alguns indígenas desse território. Em 1985, com a redemocratização, fizeram um novo reordenamento, mas tiraram ainda mais os indígenas. Entregaram uma parte da terra, 2.042 hectares, a uma família “criolla”. Essas pessoas que agora têm parte da terra são poderosas, têm gado e têm uma relação próxima com a polícia. Continuamos reclamando e, em 2005, tivemos esperança, porque o Estado implementou uma lei de emergência territorial para o povo indígena. As terras seriam devolvidas. Era uma lei de emergência, tinha que ser cumprida em quatro anos.

Brasil de Fato: E o que aconteceu?

Felix Díaz: Houve um inconveniente, porque a província tem a autonomia em relação aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O Estado nacional não pode se meter, porque Formosa é uma província autônoma e rejeitou essa lei emergencial. Isso produziu um desequilíbrio na vida indígena. A lei venceu em 2010. Não sabíamos mais o que fazer, reclamamos a todas as autoridades competentes. Nada foi resolvido e tivemos que sair às ruas no dia 25 de julho de 2010. Ficamos quatro meses no meio da estrada protestando, mas sem ter resposta do governo de Formosa. Eles tentaram nos desalojar, mesmo não tendo um mandado judicial. Fomos reprimidos pela polícia de Formosa. Perdemos um irmão, Roberto Lopez. Sua morte nunca foi esclarecida. Na ocasião também morreu um policial, mas também ninguém esclareceu seu falecimento. De nenhum dos dois. Apesar de toda essa repressão, nós fomos considerados responsáveis pelas mortes. Fomos considerados responsáveis por instigar à violência, por cometer delitos de usurpação de território, de agredir uma policial mulher. Acusações inventadas pelos policiais, legitimados pela justiça local. Então viemos à capital falar com o governo nacional. Pedir para que intercedesse na devolução do território. Acampamos e fizemos greve de fome para exigir atenção e uma resposta a essa demanda. O governo federal tentou resolver o conflito, montou uma mesa de diálogo entre Formosa, o governo federal, e eu, representando a comunidade.

Brasil de Fato: Conseguiram resolver?

Felix Díaz: Não porque aí entrou um problema grave, que é o de representação. O governo de Formosa escolhe com quem ele quer falar na comunidade. Não reconhecem o representante escolhido pela comunidade. Então eles pegaram um irmão e o cooptaram. No nosso caso, o conflito foi com o filho do cacique. Não é uma pessoa reconhecida pela comunidade, só pela província, mas age em nome dela. Causa a divisão entre a gente. Então dão caminhonete de presente, fazem de tudo para cooptá-lo. É o apadrinhamento político, que já está naturalizado. Eles beneficiam certas pessoas da comunidade. Dão cargos políticos, colocam dentro do poder estadual e escolhem o destino dos indígenas. Dizem a eles como têm que falar, como tem que agradecer, como trabalhar. Apesar disso tudo, e mesmo não sabendo direito como nos organizar, como espalhar essas informações pelas pessoas, conseguimos inscrever a comunidade em uma organização, a Potae Napocna Navogh (A Primavera). Precisávamos fazer a questão da representação se tornar clara. E isso é muito difícil, já que essas ferramentas jurídicas, eleições de membros, tudo isso vem de fora. Não dão a possibilidade para que os indígenas definam sua própria política para poder garantir a participação de todos.

Brasil de Fato: Há falta de vontade política e preconceito por parte do Poder Judiciário local?

Felix Díaz: Há muito racismo por parte das autoridades judiciárias e políticas. E também falta de compreensão sobre e formação de profissionais que aceitem a cultura indígena. Falam muito de inclusão, participação, mas isso são apenas palavras, não são reais. Quando você vai a um território indígena vê esses problemas de que falei. Então, isso condiciona a vida dos índios a mendigar para os políticos, e os políticos os cooptam com migalhas. Quando chegam as eleições, os governantes pegam os documentos dos indígenas e os controlam, intimidam, ameaçam. Então os indígenas não têm saída de se opor ao sistema, porque ele é perverso. E você não pode dizer que não quer. Se você se negar a seguir esse representante escolhido por eles, começam a te pressionar e não te dão remédios, não te dão água. Os médicos não são autorizados a te atender. Os índios não têm saída. Você não pode denunciar, senão fica marcado. O sistema do estado de Formosa é muito feudal.

Brasil de Fato: Mas essa organização, apesar de tudo, continua ativa…

Felix Díaz: Apesar de tudo, esse processo foi muito importante com relação à política indígena. Nos deu a possibilidade de retomar e fortalecer nossa identidade como povo e trabalhá-la através de nosso próprio conhecimento, em relação à zona onde vivemos. Somos os melhores conhecedores das realidades nos territórios porque vivemos e convivemos com o sofrimento e padecimento da comunidade. Por isso, temos mais direito do que qualquer outra pessoa de fora para dizer o que é que temos que fazer. E começamos a trabalhar, capacitando nossos jovens, dando oficinas de direitos indígenas. São direitos que foram escritos para garantir o respeito do direito à vida na Argentina. O país aderiu a esse documento internacional, que diz que temos direitos que nos correspondem como seres humanos.

Brasil de Fato: O atual governo kirchnerista se diz progressista. Além de uma retórica de justiça social, uma das tônicas do Estado são os julgamentos dos crimes na época da ditadura. E como os indígenas entram nessa retórica, há investigação dos crimes cometidos contra vocês?

Felix Díaz: É uma das grandes lutas nossas. É que vemos que não há mais necessidade de fazer convênios, porque as leis existem. Estão estabelecidas na Constituição, no âmbito estadual e nacional. E também por convênios internacionais. Mas os problemas que temos é que as leis não estão regulamentadas. Estão todas à meia sanção e não podem ser usadas a favor dos indígenas, não estão no Código Civil, por exemplo. Essa é uma das coisas que dificultam nossas reclamações. Não há reconhecimento legal em relação a terras comunitárias. Existem leis, especificamente, sobre a propriedade privada. Mas a diferença é enorme em relação ao uso que fazemos, comunitário, da terra. Ela é de todos, não só de uma pessoa. Abarca muitos espaços que para nós são fundamentais. A terra é nossa vida. É lá que estão os recursos naturais para podermos sobreviver, a caça, a pesca, matéria-prima para elaboração de artesanato, construção dos ranchos. E também a espiritualidade. Tudo isso está dentro do território. Sem esse espaço físico, o povo indígena não pode avançar no desenvolvimento humano. Se você nos tira os territórios ancestrais, surgem as doenças. E não temos dinheiro para tratamento de doenças graves, não temos possibilidade de ter um bom trabalho. Há falta de ofício, falta de formação acadêmica, falta de muitas coisas. Os indígenas não conseguem chegar a ser médicos, advogados, algo grande. Há uma grande limitação na educação. Isso dificulta nosso avanço. Quando você vê a lei de Formosa sobre os indígenas e analisa os artigos, vê que a maioria não está regulamentada. Não podem ser usadas em defesa da vida, do território, do povo.

Brasil de Fato: E o que o governo nacional está fazendo efetivamente?

Felix Díaz: O que queremos é mostrar essa injustiça para a sociedade em geral. Denunciar essa forma de discriminar, de olhar para algo diferente e não aceitá-lo. Então estamos tentando dialogar com o governo nacional. Agora estamos nos aproximando da secretaria de Direitos Humanos do governo federal. Eles estão comprometidos a responder as denúncias que estamos fazendo. Tomara que tudo seja solucionado em favor da vida. Se os indígenas ficarem bem, o estado e o país também ficarão. Mostraremos ao mundo que temos os mesmos direitos como cidadãos. Queremos mostrar para a sociedade que ela também é afetada.

Brasil de Fato: Vocês têm apoio dessa sociedade?

Felix Díaz: Existe um grupo mínimo em Formosa que aceita nossa condição de indígena e tenta fazer alguma coisa. Mas são minoritários e também sofrem muita pressão. Esta semana falei com um jornal que nos apoia. Há uma perseguição contra essas pessoas, jornalistas, donos dos jornais que apoiam a causa. Um dos apresentadores de um jornal tem uma causa na justiça contra o Estado por causa disso. Estão sendo atacados pelo Poder Judiciário da província. Acontece que você acaba desistindo quando é ameaçado. Ninguém te socorre, porque estão todos com medo. Estamos preocupados com essa situação, porque é muito duro e difícil. Mas não perdemos a esperança que isso tem que mudar.

Brasil de Fato: O senhor acredita que o estado argentino, que baseia sua política macroeconômica na exportação de soja e na pecuária, vai realmente ter vontade de resolver essa questão? Não é uma luta inviável?

Felix Díaz: A luta é o único caminho que pode reverter essa situação. Se não lutarmos, fica pior. Você tem que lutar pelo que acredita, por seus direitos. Tem que dar a vida por isso. Todos os direitos adquiridos são produtos da luta. Trabalhadores, deficientes físicos, tudo através da luta. Somos conscientes de que é difícil, mas que a luta é a saída para pelo menos instalar o tema na sociedade. E que o Estado busque os mecanismos para resolver esses conflitos, que são muito complexos.

Brasil de Fato: O senhor está sendo ameaçado de morte constantemente. Tem medo de morrer?

Felix Díaz: Na verdade, se você morre, não é porque quer. É por alguma coisa. Você nunca pode saber até quando viver. Quando tudo termina. Então se eu recebi essa vida, tenho que viver do meu jeito, por amor às pessoas. As ameaças são constantes. E quando querem te matar, não te avisam. Não te dizem a hora. O importante é ignorar essas coisas e tentar lutar. E não posso dizer quanto tempo vou ficar por aqui. Não posso prever meu destino. Então tenho que aproveitar esse tempo, fazer com que a comunidade tenha saúde, vida, território. Tudo que merece como povo. E nós não temos inimigos, porque nunca fomos assassinos, nem ladrões, nem maltratamos ninguém. Nossa consciência está tranquila, segura e serena, porque não temos dívidas com ninguém. Mas a Argentina tem uma dívida social com os povos indígenas e, no nosso caso, queremos que ela seja saldada com a devolução de nosso território.

{Agência Brasil de Fato}