Archive for the ‘ Internet ’ Category

Jornalismo e Memória no “CBN João Pessoa”

Wednesday, May 15th, 2013

Vendendo o Peixe [42]

Monday, May 6th, 2013

{Portal Brasil}

Região Sul Melhor em Tudo!

Monday, April 22nd, 2013

Reprodução/Luana Backes-TN

RS é o segundo Estado que mais baixa conteúdos neonazistas na internet

Trabalho de pesquisadora estima que há 42 mil simpatizantes da ideologia no Rio Grande do Sul

por Marcelo Gonzatto

Um estudo estima que o sul do Brasil abrigue mais de 100 mil simpatizantes na internet de uma ideologia que condenou à morte milhões de pessoas, precipitou o mundo em uma guerra mundial e virou sinônimo de intolerância em todo o planeta. Apenas no Rio Grande do Sul, onde estaria concentrado o segundo maior polo de neonazistas do Brasil, haveria 42 mil seguidores das ideias de Adolf Hitler, conforme a pesquisa que monitorou o crescimento dessas facções de extrema-direita na web.

Um trabalho de monitoramento da internet realizado pela pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e antropóloga Adriana Dias detectou um crescimento de quase 170% no número de páginas virtuais com conteúdo neonazista em português, espanhol ou inglês entre 2002 e 2009 - de 7,6 mil para 20,5 mil. Além disso, fez uma análise sobre a origem de internautas que baixavam um número expressivo (superior a cem) de materiais de cunho discriminatório.

O cruzamento de informações permitiu à especialista estimar o número de simpatizantes do ideário extremista no Brasil. Os Estados do Sul lideram o ranking da intolerância, cujo topo é ocupado por Santa Catarina e seguido por Rio Grande do Sul e Paraná. Características culturais e históricas podem ter relação com a maior prevalência dos grupos de ódio nessa região, de forte imigração europeia. Os seguidores da cartilha neonazista costumam defender a “superioridade” da raça branca sobre as demais e perseguição a negros, judeus e homossexuais.

Os dados compilados pela pesquisadora indicam ainda que há comunidades de orientação neonazistas em 91% das 250 redes sociais monitoradas pela antropóloga, e que o número de blogs sobre o assunto cresceu mais de 550% no período. Além de refletirem o crescimento da própria internet nos últimos anos, esses números sugerem que a facilidade para troca de informações de maneira relativamente anônima segue atraindo fanáticos - e fornecem uma pista sobre o perfil de quem propaga a violência no mundo virtual.

- Geralmente, eles atendem ao proselitismo na juventude. O jovem em busca de uma causa acaba recebido pelo grupo, que o convence de que o negro ou o judeu tomou seu espaço no mercado de trabalho, na universidade, etc. - explica Adriana Dias, em entrevista à Agência Brasil.

O presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Jair Krischke, confirma que o perfil dos neonazistas no Estado hoje é formado principalmente por jovens, muitas vezes com nível socioeconômico razoável ou elevado:

- Um problema sério é que a grande maioria dessas pessoas que entram nos sites são jovens. Isso é uma falha nossa como sociedade. Não estamos dando aos jovens motivações, valores superiores. É uma falha da escola, da igreja, das famílias, dos partidos políticos que não estão dando perspectivas a eles.

Maior presença na rede

Confira o avanço no número de páginas da internet com conteúdo nazista:

2002: 7.600
2003: 8.100
2004: 9.485
2005: 11.036
2006: 12.191
2007: 13.421
2008: 15.601
2009: 20.502

Variação de 2002 a 2009: 169,8%

Mapa da intolerância

Confira o número estimado de simpatizantes de ideais nazistas no Brasil, com base em usuários na internet que fazem downloads de conteúdos da ideologia:

Santa Catarina: 45 mil
Rio Grande do Sul: 42 mil
São Paulo: 29 mil
Paraná: 18 mil
Distrito Federal: 8 mil
Minas Gerais: 6 mil

Fonte: antropóloga Adriana Dias

Grupo de neonazistas deverá ir a júri popular em junho

As ações neonazistas dentro e fora da internet vêm enfrentando uma coalisão de forças formada pelas polícias militar e civil, Ministério Público e ativistas de direitos humanos no Estado. Em junho, o Estado deverá testemunhar um dos mais importantes resultados da frente antiviolência: o julgamento de quatro réus neonazistas em júri popular por formação de quadrilha, discriminação racial e tentativa de homicídio.

Três homens e uma mulher acusados de participar do ataque a três estudantes judeus na Capital, em 2005, deverão ir à corte no dia 13 de junho - mas a data ainda pode sofrer alteração. Segundo o delegado da 1ª Delegacia da Polícia Civil, Paulo César Jardim, o caso é emblemático porque seria o primeiro em que um grupo neonazista iria a júri popular no Estado - e talvez no Brasil. O Tribunal de Justiça não tem registro de caso semelhante.

- Tenho recebido ligações da imprensa da Bélgica, da França, da Alemanha, da Inglaterra, do mundo inteiro. Estão muito interessados nesse julgamento, querem saber como foi o inquérito - revela Jardim.

Ao todo, 14 pessoas chegaram a ser pronunciadas como rés pela Justiça, mas uma dezena delas recorreu e por isso não deverá ir a julgamento agora. Todos foram vinculados ao movimento neonazista e suspeitos de participar das agressões a soco e facadas contra os estudantes judeus. Jair Krischke acredita que o julgamento pode servir de exemplo para desestimular novas adesões à filosofia nazista, mas lamenta a demora para o julgamento:

- O crime ocorreu em 2005, e só agora vai a júri.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, o delegado Jardim disse que tem uma “série de restrições” à pesquisa da antropóloga Adriana, mas não detalhou quais são essas restrições. Ele afirmou apenas que já conversou com a pesquisadora. Após falar à rádio, Jardim foi novamente ouvido por Zero Hora e preferiu não contestar os dados.

{Zero Hora}

En las calles de Lima

Saturday, April 20th, 2013

Un sepelio andino en pleno barrio chino mientras un negro vende inciensos y un gringo toma fotos.

{Documental Peruano}

Desmancha no ar

Thursday, April 18th, 2013

Traição na web

No varejo, a internet nunca deixou de ser o que sonhamos: iluminadora e subversiva

por Arthur Dapieve

Não, calma, não é nada disso que você está pensando. Não me conectei ontem. No final dos anos 1980, o “Jornal do Brasil” começou a implantar computadores na redação, a princípio como meros processadores de texto. No “Caderno B”, só havia três máquinas. Uma estava comigo. No começo dos 1990, os editores do GLOBO fizeram um curso sobre a então nascente World Wide Web no Departamento de Informática da PUC-Rio. Eu era um deles. Entre 2000 e 2002, trabalhei no primeiro grande site jornalístico independente do país, o “NoPonto”, no qual eu tinha um blog em que indicava e comentava brevemente textos interessantes disponíveis na internet.

Talvez por causa dessa estrada eu não sofra nem de um deslumbramento acrítico com as possibilidades da internet - que, sim, são infinitas - nem muito menos caia no consumo conspícuo dos novos produtos da indústria de alta tecnologia - que também parecem inesgotáveis. Na verdade, tais comportamentos me incomodam. Conversando ali, trocando e-mails aqui, percebi que meu desconforto não é incomum entre quem trabalha ou no ou com o ramo desde “as antigas”. As coisas tomaram um rumo que, por inexperiência, não prevíamos e nem queríamos. Ficou a sensação de que fomos traídos.

Acho que a minha ficha só começou a cair há quase dois anos, quando morreu Steve Jobs, um dos fundadores da Apple. Admito que fui surpreendido quando seu desaparecimento precoce foi lamentado não apenas como a perda do visionário (que ele era) como também o martírio de um santo (que ele nunca foi). Para mim, fazia tanto sentido depositar flores na porta da sua empresa quanto teria sido fazer uma vigília na frente da Ford quando o velho Henry Ford bateu as botas em 1947. Ambos foram capitalistas inovadores, certo, mas mesmo assim capitalistas em busca do máximo lucro.

Não entenda mal. Não demonizo nem a Apple nem o lucro: espanta-me é que Jobs tenha posado, com sucesso, como uma espécie de homem santo budista. As suas lojas no exterior parecem templos erigidos à tecnologia. Os sacerdotes não raspam a cabeça nem se vestem de laranja, são uns cabeludos de camiseta azul. Para não quebrar o clima, o pagamento é disfarçado. Na hora de passar o cartão de crédito, forma-se uma fila diante do “sumo sacerdote” com uma máquina na mão. Atendido o último da fila, ela some no ar. Não há balcão nem máquinas registradoras. Como se a experiência fosse gratuita (está longe de ser). O materialismo nunca foi tão espiritual.

De modo análogo, acho curioso que milhões de pessoas percam horas de lazer voluntariamente produzindo de graça conteúdo para o Facebook, conteúdo que será embolsado por Mark Zuckerberg mais cedo ou mais tarde. Claro, a sua rede social é útil, mas meu tênis me é bastante útil, e nem por isso eu quero, em gratidão, passar meus dias como escravo numa fábrica do Sudeste asiático. Exagero, claro. Exagero porque acho insólito um empresário conseguir que os consumidores trabalhem gratuitamente para ele e até proclamem “quem não está no Facebook, não existe”. Bem, eu não existo, mas tenho uma camiseta na qual se lê “No, I’m not in the f*#$%g Facebook”.

A internet abriga coisas maravilhosas - como a Wikipedia, enciclopédia colaborativa que acerta tanto quanto “Britânica”, mas que está passando o pires entre seus usuários para poder sobreviver, ou como o Renê Silva, que desde garoto cobre o Complexo do Alemão por dentro - e abriga coisas terríveis. Possivelmente minoritárias, estas são populares e galvanizam a web com o “lado sombrio da força”.

Lá atrás, no século passado, achávamos que o velho projeto acadêmico de troca livre de informações seria a cura para a ignorância, desconcentrando o acesso ao saber e, portanto, ao poder. Éramos, vejo hoje, uns tolinhos imaginando que o mundo digital se descolaria das mazelas do mundo terreno e criaria um paraíso ciberespacial.

No varejo, a internet nunca deixou de ser o que sonhamos: iluminadora e subversiva. No atacado, no entanto, ela se concentra em torno de uma dúzia de sites - e de ainda menos empresas de tecnologia de ponta que lhes dão acesso de onde quer que nos encontremos - e ajuda a espalhar a futilidade, a ignorância e a intolerância. Logo o que, na origem, imaginávamos que ela fosse combater. Quem já se deu à pachorra de ler comentários imoderados embaixo de qualquer texto ou tema minimamente polêmico ou seguir um debate típico no Twitter sabe quão baixo o nível pode descer. Aí a internet vira o gramado no qual o lateral do Madureira aplaude a expulsão do Seedorf.

Não, não me tornei um ludista tardio. Tenho e-reader e uso o computador na média mundial, inclusive para me escangalhar de rir. Porém, a própria dinâmica de um mundo no qual - mais do que nunca na História - “tudo o que é sólido desmancha no ar” dificulta o surgimento de um Marx, de alguém que reflita consistentemente sobre o atual estágio do capitalismo, o tecnológico, e da luta de claques, quer dizer, de classes.

{O Globo}

Disseminação do vírus do desinteresse

Monday, April 15th, 2013

Reprodução/www

Pais: problemas para os filhos?

por Rodolpho Motta Lima

Certas generalizações podem nos fazer incorrer em falsos juízos de valor, beirando o preconceito. Uma dessas falácias - e confesso que muitas vezes me peguei tentado a reproduzi-la - é a afirmação categórica de que os nossos jovens são, hoje, menos preocupados com os problemas sociais ou políticos do país do que os das gerações anteriores. E que são, também, cada vez mais insensíveis com as dores alheias. É comum, aliás, de uma forma simplista, transferir para os próprios jovens a responsabilidade integral por essa “alienação egocêntrica”, como se eles não fossem, como são, produtos de um meio que em nada contribui para a seu engajamento social ou solidário, com diversas forças que, de forma inocente ou intencional, atuam na disseminação desse vírus do desinteresse.

O curioso é que os próprios jovens, quando interrogados, assumem essa posição extremada, julgando-se, sem maiores considerações, menos envolvidos com a sociedade do que os de todas as gerações anteriores. Recentemente, discutindo em sala um texto que propunha esse tema - um artigo de Luís da La Mora, “Juventude e Participação”, que serviu de base a uma prova recente da UERJ -, ao perguntar aos meus alunos se eles se julgavam mais alienados que os seus antecessores, ouvi um quase uníssono “sim”, só comparável ao “não” que também ouvi quando os inquiri sobre se seus pais eram mais participantes que eles.

A mistura entre esse “sim” e esse “não” talvez seja uma das chaves da questão. Os filhos reproduzem, creio que em boa parte, os valores transmitidos pelos pais e, no caso desses jovens, com 16/17 anos, seus pais (hoje com seus 40 anos, em média) pertencem a uma geração que parece ter primado historicamente pelo descompromisso e pela inércia ideológica. Alguém poderia lembrar, talvez, o movimento “Fora Collor”. Mas uma análise fria, ditada pelo distanciamento no tempo, torna cada vez mais difícil entender se esse movimento foi de inspiração do povo consciente e de seus cara-pintadas, das oligarquias políticas invejosas por não participarem da suposta farra na “Casa da Dinda” ou da ação da mídia comprometida com esses segmentos.

Os jovens de hoje - e falo dos que poderiam ter, pela educação e pelo berço, um juízo crítico que os levasse a atuar mais efetivamente nas atuais questões nacionais - cresceram junto a uma ambiência familiar que, no geral, um sinal dos tempos, faz predominar uma visão individualista, egocêntrica e hedonista. Voltados para o culto de si mesmos, os adultos estão se afastando da sempre trabalhosa obrigação de educar os filhos que põem no mundo. E parecem ter pouco tempo para preocupações e juízos críticos que lhes permitam atuar como transmissores de valores. Quando muito, para estar de bem com sua consciência, alguns se declaram, ao menos nas palavras, “ecológicos”, “preocupados com a natureza”, “atentos ao futuro sustentável do planeta”, mas deixam de lado o homem, única razão da ecologia. Costumo dizer, metaforicamente, que há muita gente por aí que é capaz de abraçar uma árvore sem perceber que está pisando no mendigo deitado à sua sombra… E, nesse contexto, os jovens, sem grandes alternativas (e ressalvadas, é claro, as exceções) seguem direitinho essa cartilha, esse modelo.

Penso que, preocupados em eleger a felicidade individual como o único bem a ser perseguido - o que, na visão geral, passa, necessariamente, pela valorização dos aspectos materiais da vida - as famílias estão se omitindo no processo de formação de seus jovens, gerando pequenos reizinhos e rainhas, arrogantes e insensíveis ao outro, que serão os cultores dos umbigos de amanhã. Em nome de não magoar os filhos com negativas, de não “traumatizá-los”, ou não transformá-los em “rebeldes”, e dentro dessa visão do desfrute e do prazer no campo individual, os pais estão optando pela facilidade das concessões, que resolvem problemas menores imediatos e certamente gerarão grandiosos problemas no futuro. Em um muito interessante (e quase trágico) estudo voltado para a sua área, a psicanalista Márcia Neder, em seu mais recente livro, cunha o termo “déspotas mirins”, que serve de título à obra, para designar os pequenos comandantes de um regime social que se estaria implementando nos tempos de hoje e que a autora intitula de “pedocracia”.

Sim, os nossos jovens não participam como poderiam, ou deveriam. Mas penso que esse não é o problema central da discussão porque, honestamente, mesmo nos tempos áureos das passeatas e dos movimentos estudantis neste país, os ativistas jovens estavam longe de constituir uma maioria, embora vivenciando os monumentais problemas sociais e políticos que os anos de chumbo traziam consigo.

O que deve preocupar, mais que tudo, nesse assunto, é a busca de uma resposta satisfatória a indagações cada vez mais frequentes sobre o tipo de mundo que se está criando para o jovem. Se antes era complicada a sua participação social, agora está mais difícil. Se “participar” é “ser parte de”, fica complicado isso para quem é “educado” para se achar “o todo”. As novas famílias estão contaminadas por um novo “carpe diem”, onde o prazer do momento e a felicidade fugaz são os móveis maiores, passando de pais para filhos; as nossas escolas se acomodam aos interesses dos “clientes”, não estabelecendo, como deveriam, um contraponto a esse processo deformador; e a nossa mídia, bem afinada com interesses de mercado que a sustentam, trabalha no sentido de substituir o cidadão social pelo compulsivo consumidor individual. E o nosso jovem - elo mais fraco disso tudo, com suas posturas e seus equívocos - está no olho desse furacão.

{Direto da Redação}

Um milhão de “amigos”

Tuesday, March 19th, 2013

A pax Zuckerberg

por José Eisenberg e Rodrigo Mudesto
[Reproduzido da revista Ciência Hoje nº 300]

São quase 1 bilhão de usuários e cerca de 3 bilhões de postagens diárias. A magnitude da penetração social do Facebook - lançado em 2004 pelo programador norte-americano Mark Zuckerberg - é indiscutível. Embora experimente uma desaceleração de novas adesões e mesmo uma retração em mercados mais antigos, como os Estados Unidos (redução de 0,6% no número de usuários no primeiro semestre de 2012), não há dúvida que essa plataforma de interação social continua a ser o mais bem-sucedido produto da segunda geração da rede mun­dial de computadores - a chamada Web 2.0.

Seu sucesso estaria vinculado, buscam demonstrar os estudio­sos, à vitória na busca de hegemonia na constituição das chama­das “redes sociais”. Plataformas on-line, como o Facebook, possi­bilitam vínculos frágeis e remotos entre pessoas que talvez nunca se encontrem face a face. Ali, os usuários procuram gerenciar bases de conhecidos, manter contato com pessoas desconhecidas e com outros dos quais, de outra forma, teriam poucas notícias.

Não há como negar que isso é feito de maneira eficiente no Facebook. Mas o que significa ter “1 milhão de amigos” nessa plataforma? Há razões para crer que sua contínua expansão exi­girá a superação da atual “pax Zuckerberg”, essa aparente hege­monia de uma plataforma de acesso a redes sociais. Talvez essa superação surja da reinvenção do próprio Facebook. Talvez não. Vejamos por quê.

O espírito da Web 2.0

A primeira geração da rede mundial de computadores se baseava em conceitos como o de sítio (site), locais preparados para receber vi­sitantes passivos e que pareciam oscilar em seus objetivos entre algo como galerias de arte e panfletos varejistas. Era a época do correio eletrônico (e-mail) e das ferramen­tas de buscas: primeiro o Yahoo!, depois o Google. A in­ternet era administrada por web designers e programado­res - entre estes, alguns mais habilidosos usariam seus conhecimentos para invadir sítios e outros sistemas, às vezes com propósitos ilícitos, e ficariam conhecidos como hackers.

Entretanto, à medida que cresciam a capacidade de processamento dos computadores pessoais, a qualidade e a facilidade da digitalização e produção de conteúdo (textos, filmes e fotos amadoras), e principalmente as velocidades de fluxo de dados, o recurso a profissionais para produzir conteúdo tornou-se desnecessário. Além disso, o conceito de página na internet (homepage) como portfólio pessoal ou empresarial mostrou-se insuficiente para atender às demandas de uma inclusão digital que se expandiu de modo explosivo, tanto na demografia dos usuários quanto na infraestrutura tecnológica. Para dar uma ideia, somente no Brasil havia 19 milhões de inter­nautas antes da criação do Facebook em 2004. Hoje, são mais de 81 milhões.

(…) Coincidência ou não, o primeiro salto coincide com a ex­plosão do Orkut, primeira plataforma de redes sociais com ampla capilaridade no Brasil (ver ‘A invasão brasi­leira do Orkut’, em CH 226). Já o salto de 2008 certamente está relacionado ao aumento igualmente significativo do número de usuários de computadores nas residências, resultado da diminuição dos custos dos equipamentos. Vale ressaltar, ainda, que é também nesse ano que se verifica uma queda de 34% dos usuários do Orkut na América Latina, sinalizando a entrada na região de outras plataformas, em particular o Facebook. Este, no Brasil, ultrapassou o número de usuários do Orkut em setembro de 2011.

Do ponto de vista de conteúdos, a nova inclusão digital e suas demandas induziram uma adaptação, tanto desejada quanto forçada, a um público cada vez mais amplo e diversificado. Os novos internautas eram ávidos por interação, mas estavam pouco preocupados com os protocolos ou a estética profissional requeridos para uma boa navegação por sítios de interesse. Essas novas demandas de usabilidade das redes ensejaram críticas estetizadas ao chamado “culto do amadorismo” - a ideia, propalada pelo teórico norte-americano Andrew Keen, de que o espaço cibernético estaria gerando uma cultura de banalidades e informações imprecisas, em meio à proliferação de autores.

Mesmo que tal crítica, no fundo, demonstrasse apenas o incômodo dos setores mais escolarizados da sociedade por ver seus identificadores de distinção serem rapidamente assimilados, copiados e massificados, o fato é que o crescimento da demanda por conteúdo encontrou vazão em redes de colaboração e em formas de reprodução que inegavelmente superaram as maiores expectativas dos grandes entusiastas dos meios de comunicação social no século passado.

O novo modelo introduzido pela Web 2.0 tornou a produção de conteúdo pouco rentável e subverteu fortemente a economia dos sítios, gerando um novo modelo mais complexo, onde oferta e demanda, produção e consumo, não podem mais ser atribuídas a atores distintos. Foi ao se apresentar como território dessa interação que o Facebook se mostrou mais eficiente que outras plataformas de interação como Orkut e MySpace e, por ora, até mais que o Twitter.

Os usuários de internet dessa nova rede buscam algo que se pareça com levar os filhos à piscina de bolhas do shopping center, trocar receitas de pudim ou fofocar “tomando uma” com os amigos no boteco do quarteirão. Um feirão onde se possa passar o carro velho com cara de novo também é sempre útil. Os revolucionários programadores vão para uma (cada vez mais nem tão) bem remunerada retaguarda e ganham as ruas jornalistas digitais sensacionalistas, blogueiros, comediantes de stand-up, adolescentes “fashionistas”, pregadores, oradores e artistas amadores. Ou seja, o tipo de gente que sempre chama a atenção quando avistada, seja na página da revista, na feira ou na televisão, o tipo de profissional que tão bem alimenta nossa necessidade de rodas de bate-papo.

É verdade, e digno de nota, que os recursos interativos do modelo da Web 2.0 também permitiram o crescimento do Wikipedia e de seus primos pobres do conhecimento colaborativo on-line. Essas iniciativas, entretanto, ainda guardam os traços originários da geração anterior da rede mundial. Se sua produção incorpora dimensões da Web 2.0, seu modelo de interação com o usuário final ainda destina a este um papel passivo de consumidor de informações.

Emerge na rede mundial de computadores, portanto, um sem-número de grupos constituídos por fracos vínculos institucionalizados, cuja função é estabelecer fóruns de conversa, debate e controvérsia sobre os mais variados temas. O Facebook e seus similares constituem fluxos rotinizados de comunicação distantes de sua imagem no senso comum: eles não são horizontais, descentrados e despojados de formas hierárquicas de organização social. Ao contrário, como em toda interação social, há mediadores que disciplinam esses fluxos. Nas redes sociais, os principais mediadores são os próprios aplicativos utilizados na plataforma de interação para essa socialização não presencial. A plataforma - isto é, a mídia – é sempre o principal filtro.

A paisagem da rede: o navegador

Inicial­mente, a tentativa da empresa Microsoft de integrar DOS (um sistema operacional “interno”), Windows (até meados dos anos 1990, apenas um sistema de interação entre o usuário e o computador, ou seja, uma interface) e Internet Explorer (programa para a “navegação” na rede mundial de computadores) como um só produto enfrentou a resistência de governos e de outras empre­sas (como a Netscape) e produtos (como o Mozilla Fi­refox). Na estratégia da Microsoft, porém, já era possí­vel perceber a centralidade que o “navegador” lenta­mente ganharia.

Essa centralidade se tornaria mais evidente quando, no final de 2008, surgiu o Chrome, estratégia da Google para sobreviver à decadência dos sítios de busca de da­dos na internet e continuar a controlar a rede que se tecia por trás das redes. Aparentemente apenas mais um navegador para a internet ao ser criado, o Chrome e os navegadores de sua geração vêm lentamente ocu­pando o lugar de “interface amigável” ou de “ambiente”, como o Windows era chamado antes de terminar de “fagocitar” o DOS.

Nesse novo mundo, redes sociais são a síntese, com a cara do novo usuário, de dois tipos diferentes de aplica­tivos, o sítio de busca e a mensagem instantânea, como nos casos de Altavista e ICQ, Yahoo e Skype. A sobrevi­vência e a expansão da Google, em particular, devem ser atribuídas ao fato de este sempre ter sido mais que um mero “buscador”. Onipresente na internet, a Google mo­ve-se agora para sublimar a própria presença. Amplia seus aplicativos para atender às demandas dos novos usuários e constrói sua própria versão de plataforma de redes sociais, o Google+.

A empresa sabe, entretanto, da importância do Chrome, que já é o navegador mais utilizado no mundo: 35% do mercado em outubro de 2012, segundo a Statcounter, empresa independente de análise da internet. É enxuto, lépido e de fácil uso em qualquer sistema operacional, e a Google adotou a estratégia de integrar produtos ao Chrome, tanto os seus quanto os dos con­correntes, de forma a tornar sutil, senão invisível, sua presença nos múltiplos usos a que os usuários dedicam o equipamento de sua preferência. Afinal, indepen­dentemente de qual seja a plataforma de redes sociais preferida pelo usuário - Orkut, MySpace, Tumblr, Goo­gle+ ou Facebook -, sem um navegador de internet (ou um aplicativo para dispositivo móvel que simule um), não é possível interagir nelas.

Na atual onda de democratização da informática, as duas décadas de corrida de bastão entre programas (software) e equipamentos (hardware) levaram a uma moder­nização para a qual novos usuários demonstram certa indiferença. Até pouco tempo atrás, o ritmo da evolução tecnológica era ditado pelo lançamento de cada nova ge­ração do Windows, que se adaptava a uma nova geração de processadores e vice-versa. Hoje, aguarda-se a nova atualização do navegador de preferência do usuário, seja para computadores (desktops e notebooks), seja para ou­tros produtos, como netbooks, tablets ou celulares.

Todos esses caminhos, porém, parecem ainda levar ao Facebook. Aqui há pouca originalidade, mas muita efi­cácia. O segredo é oferecer o exótico de todos para todos; em qualquer programa com navegador, para qualquer máquina. Há alguns anos, o Orkut fracassou porque não só oferecia o exótico, como também obrigava o usuário a conviver com ele. Brasileiros, indianos e iranianos, prin­cipais usuários da primitiva rede, assustaram uma inter­net em permanente fluxo de transformações quando in­vadiram o Orkut e, em menos de um ano, colocaram a periferia da internet no centro da produção de postagens daquela plataforma.

Eram línguas estranhas de gente esquisita; enfim, nada mais assustador para um cidadão cosmopolita do mundo globalizado do que estabelecer vínculos, mesmo que frágeis, com um universo desconhecido e alheio a sua experiência de navegação da internet. O segredo do Facebook foi ter criado uma “pax Zuckerberg”, onde é possível navegar na rede, usar serviços de mensagem, jogar, ver vídeos, ler textos e uma gama em constante ampliação de serviços integrados, sem abrir mão dos pro­vincianismos, sem sair do conforto da vizinhança. É pos­sível encontrar todas as possibilidades da internet dentro do Facebook. Na verdade, quase todas.

Por enquanto, o acesso ao Facebook ainda depende da centralidade do navegador de internet. A hegemonia dessa plataforma de redes sociais está sujeita à dinâmica comercial e tecnológica determinada por “inimigos”, concorrentes da indústria de software da Web 2.0. Nesse caso, podemos concluir, a máxima do cancioneiro popu­lar é sem sentido: o Facebook não é o mar que nos na­vega. Ainda somos nós que navegamos esse mar. Ao me­nos até que uma ideia melhor de como conviver com vizinhos seja produzida pelos programadores dos porões estratégicos da economia da internet. Já há quem fale em Web 3.0, com ênfase ainda maior nos equipamentos portáteis, como celulares e outros. Enquanto isso não acontece, independentemente de quantos costados tem o navio, navegar é preciso. E o Facebook ainda não é um navegador. Ainda.

. . .

. Sugestões para leitura:

* EISENBERH, J. e CEPIK, M (orgs.). Internet e política. Teoria e prática da democracia eletrônica. Belo Horizonte, Editora UFMG, 2002;

* GRAHAM, G. The Internet - a philosophical inquiry. Londres e Nova York, Routledge, 1999;

* KEEN, A. O culto do amador. Como blogs, MySpace, YouTube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores. Rio de Janeiro, Zahar, 2009;

* WINSTON, B. Media technology and society. A history: from the telegraph to the internet. Londres, Routledge, 1998.

{Observatório da Imprensa}

Que haya un incremento masivo de medios

Tuesday, March 5th, 2013

Para Assange, Internet es el arma de grupos poderosos

“Google es una compañía que está basada en EEUU, sujeta a la influencia de poderosos grupos. Google le pasa información al gobierno de manera rutinaria”

por Marcelo Justo

El incierto futuro ante la decisión del gobierno británico de no concederle el salvoconducto que le permitiría viajar a Ecuador, no parecen pesarle mucho.

Es cierto que tiene una aparentemente bien ganada fama de recluso y que en su pequeño cuarto en la embajada debe hacer lo mismo que hacía la mayor parte del tiempo en su vida libre: estar pegado a computadora e Internet. Es prácticamente imposible imaginar su vida sin la pantalla y el ciberespacio. Por eso mismo, su libro sorprende por partida doble. Según Assange, Internet puede hacer palidecer las peores pesadillas de control poblacional imaginadas en “1984″, por George Orwell.

. . .

Usted habla en su libro de Internet como posible amenaza para la civilización. Muchos piensan que es un arma para el progreso humano que ha producido, entre otras cosas, WikiLeaks. ¿No es su interpretación un poco pesimista?

- No cabe duda que Internet ha dado poder a gente que no lo tenía al posibilitar el acceso de todo tipo de información a escala global. Pero al mismo tiempo hay un contrapeso de esto, un poder que lo utiliza para acumular información sobre todos nosotros y usarla en beneficio de los gobiernos y las grandes corporaciones. Hoy no se sabe cuál de estas dos fuerzas va a imponerse.

“Nuestras sociedades están tan íntimamente fusionadas por Internet, que se ha convertido en un sistema nervioso de nuestra civilización, que atraviesa desde las corporaciones hasta los gobiernos, desde las parejas hasta los periodistas y los activistas. De modo que una enfermedad que ataca este sistema nervioso afecta a la civilización en tanto tal. En este sistema nervioso hay vastos aparatos del Estado, principalmente, pero no únicamente de Estados Unidos, que operan para acaparar todo este conocimiento que Internet suministra sobre la población. Este es un problema que simultáneamente nos sucede a todos. Y se parece en este sentido a los problemas de la guerra fría”.

Usted es muy crítico de Google y Facebook, que mucha gente considera como maravillosas herramientas para el conocimiento o las relaciones sociales. A esta gente en su experiencia cotidiana no le importa la manipulación que se pueda hacer con Internet.

- No les importa porque esta manipulación de información está oculta. Creo que en los pasados seis meses esto está cambiando. En parte por WikiLeaks y por la represión que hemos sufrido, pero también por el periodismo y la investigación que se está haciendo. Google es excelente para obtener conocimiento, pero también está suministrando conocimiento sobre los usuarios. Google sabe todo lo que buscaste hace dos años. Cada página de Internet está registrada, cada visita al GMail también. Hay gente que dice que no importa, porque lo único que quieren es vender avisos. Ese no es el problema. El problema es que Google es una compañía que está basada en Estados Unidos, sujeta a la influencia de poderosos grupos. Google le pasa información al gobierno de manera rutinaria. Información que se usa para otros propósitos más allá del conocimiento. Es algo que en WikiLeaks sufrimos de primera mano. Es algo que le ha sucedido a muchísima gente.

Pero a nivel de control de Estado hay usos legítimos de Internet para la lucha contra la pornografía infantil, el terrorismo, la evasión fiscal.

- Indudablemente hay usos legítimos y la mayoría del tiempo la policía los usa adecuadamente. Pero las veces en que no lo hacen, pueden ser terribles, aterrorizadoras, como está sucediendo en estos momentos en Estados Unidos. Hay una cuestión de soberanía que los gobiernos de América Latina deberían tomar en cuenta. Las comunicaciones que van de América Latina a Europa o Asia pasan por Estados Unidos. De manera que los gobiernos deberían insistir en que estas comunicaciones estén fuertemente encriptadas. Si un servidor de Internet de Brasil hace un acuerdo con uno europeo es importante que la información esté encriptada. Los individuos también deberían hacerlo. Y esto no es fácil.

¿De qué manera un gobierno democrático o un congreso puede contribuir a preservar el secreto de las comunicaciones por Internet?

- Para empezar, garantizando la neutralidad del servicio. Igual que con la electricidad, no se puede negar el suministro basado en razones políticas; con Internet no debería existir esta posibilidad de controlar el servicio. El conocimiento es esencial en una sociedad. No hay sociedad, no hay constitución, no hay regulación sin conocimiento. En segundo lugar, hay que negarle a las grandes potencias y superpoderes el acceso a la información de otros países. En Argentina o Brasil la penetración de Google y Facebook es total. Si los parlamentos en América Latina consiguen introducir una ley que consagre el encriptamiento de la información, eso será fundamental.

Hemos hablado de la revolución de Twitter, pero en términos de medios más tradicionales, como la prensa escrita o la televisión, vemos que hay un creciente debate mundial sobre su lugar en nuestra sociedad. El cuestionamiento al poder de grandes corporaciones mediáticas, como el grupo Murdoch, o Berlusconi, en Italia, y las leyes y proyectos en Argentina o Ecuador para conseguir una mayor diversidad mediática, muestran un debate muy intenso al respecto. ¿Qué piensa de estas iniciativas?

- Nosotros hemos visto en nuestra propia lucha cómo el Grupo Murdoch o el Grupo Bonnier, en Suecia, han distorsionado deliberadamente la información que dan sobre nuestras actividades, porque sus organizaciones tienen un interés en el caso. Entonces tenemos por un lado censura a nivel del Estado y, por el otro, el abuso de poder de grupos mediáticos. Es un hecho que los medios usan su presencia para apuntalar sus intereses económicos y políticos. Por ejemplo, “The Australian”, que es el principal periódico de Murdoch en Australia, ha tenido pérdidas durante más de 25 años. ¿Cómo es esto posible? ¿Por qué lo sigue manteniendo? Porque es utilizado como un palo con el que golpear al gobierno para que ceda en determinadas políticas importantes para el Grupo Murdoch.

El presidente Correa hace una diferencia entre la “libertad de extorsión” y la “libertad de expresión”. Yo no lo pondría exactamente así, pero hemos visto que el abuso que hacen grandes corporaciones mediáticas de su poder de mercado es un problema. En los medios, la transparencia, la responsabilidad informativa y la diversidad son cruciales. Una de las maneras de lidiar con esto es abrir el juego para que haya un incremento masivo de medios en el mercado. (Carta Maior + Página/12)

{La Haine}

Facebostas

Tuesday, February 19th, 2013

Reprodução/www

O mundo que o Facebook criou?

por Renato Janine Ribeiro
[Reproduzido do suplemento “Eu & Fim de Semana” do Valor Econômico, 8/2/2013]

“O Mundo que os Escravos Criaram” e “O Mundo que os Senhores de Escravos Criaram” foram dois livros seminais na historiografia dos Estados Unidos; neles me inspiro para este título. O Facebook criou um novo mundo? Comecemos por uma das principais discussões dos últimos cem anos: rupturas tecnológicas causam mudanças sociais? Pensemos na invenção da imprensa, da pólvora, na descoberta das vacinas e da penicilina, na invenção da pílula anticoncepcional, da internet e do Facebook. Em todos os casos houve consequências sociais relevantes. Imprensa e internet mudaram o tamanho das relações humanas. A pólvora revolucionou a guerra. A vacina e a penicilina salvaram numerosas vidas. A pílula ajudou a libertação sexual. Mas essas invenções causaram as mudanças, ou “apenas” amplificaram seu impacto? Uma invenção basta para mudar o mundo, ou só emplaca quando a sociedade está pronta? Há exemplos para o sim e para o não.

Não: a pólvora. Os chineses a usaram por milhares de anos, mas em fogos de artifício - para beleza e diversão, não para a morte e a guerra. Somente se torna arma na Europa quase moderna. Sim: vários progressos da medicina, como a penicilina. E uma posição intermediária, sim, mas não sozinha: a saúde pública. A queda fantástica da mortalidade infantil no século 20 e a forte redução na letalidade das doenças devem muito ao saneamento básico, que por sua vez foi mais determinado por movimentos sociais e pela ascensão das classes pobres, do que por invenções de laboratório. Aparentemente, não há uma resposta única para a pergunta. Mas há uma tendência do pensamento conservador a depreciar as causas sociais e a enfatizar as invenções técnicas. Estou convicto de que é preciso analisar caso a caso, o que leva a uma resposta matizada, mas com maior acento nos determinantes sociais. Estes não são “causas”, mas oportunidades e caixas de ressonância.

Invenção técnica ou demanda social?

Como fica o Facebook nesse quadro? O mundo das redes sociais é muito diferente de tudo o que houve antes. Realiza os 15 minutos de fama que Andy Warhol predizia para todos nós. Pessoalmente, desde que eclodiu a internet, sonhei que ela criasse uma nova ágora, a maior da história. A ágora era a praça em que se juntavam os cidadãos, na Atenas antiga, para decidir sobre assuntos públicos. Sir Moses Finley diz que essa assembleia de todos se reunia 40 vezes por ano, o que deve ser um recorde inigualado de interesse popular pelos assuntos políticos. Mas há algo parecido no Facebook? Em dois anos de frequentação constante, só notei a degradação do debate. Li há poucas semanas que o FB teria aperfeiçoado (sic) o algoritmo que escolhe o que você vê no seu “feed de notícias”: a rede destacaria, na sua página, posts de quem tem gostos ou valores parecidos. Deve ser por isso que nunca vejo posts de homófobos ou de fascistas; mas, pela mesma razão, recebo poucos posts de quem discorda de mim na política ou na sociedade. Isso é lamentável: o contato com a diferença se reduz a pouco.

Pode ser então que a tecnologia até refreie o debate. Ela abriu um grande espaço de discussão com o Facebook, mas o fechou ao só juntar os parecidos. Mas isso resulta de uma invenção técnica, ou de uma demanda social? Porque nosso tempo é marcado por um forte narcisismo (“Faces, estou na praia!”), a vontade de encontrar almas gêmeas ou mesmo clones, em suma, a indisposição à diferença, ao diálogo, ao debate. Em particular no Brasil, onde a convicção democrática do respeito a quem pensa diferente de nós quase não existe.

Deficiência democrática

Porque, e este é o segundo ponto, mesmo ali onde a tecnologia não bloqueia o diálogo, este não acontece. Parte significativa dos comentários que leio são redundantes em relação ao que está dito no post. O pensamento complexo encontra tão pouco espaço no FB quanto em qualquer outro lugar - e menos que na imprensa, que no Brasil já não é exemplar pela disposição a mostrar o outro lado, a promover o diálogo. No caso dos jornais, não falo do “outro lado” no sentido banal, como telefonar a alguém para saber sua versão de um fato. Penso, sim, na possibilidade de introduzir, dentro do próprio pensamento, o seu contrário. O que temos no Brasil é, na imprensa, um discurso dominante de oposição ao governo e à esquerda, e nos blogs de esquerda o contrário exato disso. Há um enfrentamento externo de opiniões, mas não a compreensão de que o pensamento deve ser, em seu próprio interior, marcado pela dúvida e o autoquestionamento. Este é um traço da cultura política brasileira, ou da ausência de tal cultura; nosso déficit democrático, para o qual não vejo chance de mudança a curto prazo.

O virtual será então uma lupa sobre o real, uma ampliação do que acontece na realidade, no mundo da presença? Não é só isso; ele retira gente da solidão; para os perseguidos ou os isolados, é um bálsamo, porque multiplica seus amigos e associados. Mas ele evidencia também nossa deficiência democrática, que é difícil de sanar, justamente porque a solução não depende da tecnologia, mas da sociedade.

{Observatório da Imprensa}

“Una perpetua búsqueda de mejoras, de avances”

Tuesday, February 12th, 2013

“El socialismo sigue siendo una esperanza abierta”

“El socialismo sigue siendo una esperanza abierta”, así manifiesta rotundo el psicólogo, profesor, escritor, periodista, activista a tiempo completo por la libertad, la justicia social y la dignidad global, aunque mejor persona, Marcelo Colussi.

por Liberto Asudem Ibaraden
Desde Canarias.

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Pregunta: Según ha manifestado usted en más de una ocasión, y después de revisar seria, rigurosa y profundamente lo que ha sido la historia de los seres humanos, concluye no sin cierto pesimismo (precisamente utiliza la cita del pensador e intelectual Antonio Gramsci en uno de sus últimos artículos que titula “Socialismo y poder” que dice: “Hay que actuar con gran pesimismo en la inteligencia, junto a un férreo optimismo de la voluntad”), que en realidad las personas nos movemos en buena medida por un afán de poder, y que, por lo tanto, estamos irremediablemente condenados a seguir ese molde, incluso para apoyar esta tesis también cita al Premio Nobel de Literatura, José Saramago, cuando manifiesta que “No nos merecemos mucho respeto como especie”; y llega a concluir que casi estamos tentados a afirmar que “esto no tiene arreglo” ¿Cómo es que si tiene esta “convicción” lo vemos siempre comprometido con las causas que apuestan precisamente por darle “otra” oportunidad al ser humano que lucha, que combate, comprometido, por construir un mundo más justo, más digno, más solidario, más libre; en definitiva, una comunidad socialista, es decir, la aspiración a un mundo más justo, pensamiento este que mantenía desde los años 70 la escritora canaria-cubana Nivaria Tejera, que llegó a manifestar que “… Todo apesta…”, refiriéndose a la condición humana que cuando llega a algún tipo de poder sobre los demás se transforma repugnantemente en una especie de semidios aunque por lo general suelen ser un@s complet@s analfabet@s funcionales… inept@s… déspotas y terminan convirtiéndose en “presuntos” corrupt@s… usurpadores de las riquezas colectivas, que, aunque exista la mayor crisis económica o financiera éstos jamás sufren sus consecuencias, mientras la inmensa mayoría apenas tiene para cubrir las necesidades básicas… aunque trabaje - que se ha vuelto un imposible?

Marcelo Colussi: Que nuestra condición humana nos confronte con esas “mezquindades” (el afán de poderío que pareciera constituirnos tan estructuralmente, ese egoísmo tan enraizado que lleva a Saramago a perder las esperanzas), con esas características tan poco altruistas, tan faltas de solidaridad en muchos casos, no significa de ningún modo que no debamos seguir buscando siempre, con la más absoluta convicción, el mejoramiento de lo que somos. O si se quiere decir de otro modo: la aspiración a un mundo más justo - por el que uno puede estar dispuesto a dar la vida incluso - no riñe con este conocimiento que se pueda tener de nuestros límites. Efectivamente somos finitos, limitados, bastante mediocres, llenos de flaquezas, pero todo ello no significa que se deba abandonar la lucha por un mundo mejor, más justo, más equitativo. En todo caso es necesario saber qué somos, cómo somos, dónde está nuestro talón de Aquiles, saber de nuestros límites, para saber a qué podemos aspirar, para no hacernos ilusiones desmedidas. Pero una cosa no quita la otra. Por otro lado, si es cierto que hoy podemos ver ese tipo de sujeto humano lleno de mezquindades - eso somos, hay que reconocerlo, no lo neguemos - nada nos dice que estemos irremediablemente condenados a seguir ese molde. Cómo será el famoso “hombre nuevo” del socialismo, no lo sabemos; pero sin ninguna duda podemos y debemos seguir aspirando a algo mejor que esto que somos hoy día. En todo caso, el pesimista que cree que esto “no tiene arreglo” es Saramago. Yo soy un convencido radical que la historia humana es una perpetua búsqueda de mejoras, de avances. Es decir: una sucesión interminable de nuevas oportunidades. La historia nunca está escrita, la escribimos con nuevas oportunidades segundo a segundo. El socialismo, aún con todos sus errores, sigue siendo una esperanza abierta. Y si es cierto que la lucha en torno a los poderes vertebra toda nuestra vida (social, subjetiva, relaciones de pareja, etc., etc.), ello no significa que nuestro objetivo no sea tener claro eso y buscar más equidad en esas relaciones. En ese sentido tomaría las palabras de Martin Luther King cuando dijo, con una convicción radical, con una esperanza infinita que también hago mía: “Aunque supiera que mañana vaya a ser el fin del mundo, hoy, de todos modos, plantaría un árbol”.

Pregunta: Usted afirma que “un sistema económico enfermo da como resultado un planeta enfermo”, en un lúcido artículo el que inicia con una cita de Adam Smith que mantiene que “no puede haber una sociedad floreciente y feliz cuando la mayor parte de sus miembros son pobres y desdichados” ¿Cuál sería la alternativa a este sistema económico? ¿No cree que para cambiar de sistema económico, y que sea factible y duradero, habría que cambiar las estructuras educativas, sociales, culturales, políticas?

Marcelo Colussi: La alternativa abierta al sistema capitalista - hay que decirlo con todas las letras, aunque hoy, en el medio de la marea neoliberal de estos últimos años esto pueda haber pasado a ser una mala palabra - es el socialismo. Es decir: un sistema donde la estructura última de la organización social no sea la búsqueda del lucro económico. Si el motor de la sociedad, y consecuentemente la ideología de cada uno de los miembros que la componen, se ciñe solo al beneficio económico, estamos ante un absurdo. El capitalismo lo evidencia de modo patético: ese sistema no tiene salida. Un sistema que destruye el medio ambiente en el que vivimos en función de obtener ganancias económicas, que tiene las guerras como válvula de escape siempre presente para resolver sus problemas estructurales insolubles, que puede llegar a la descabellada noción de “poblaciones sobrantes”, que hace de los simples instrumentos para la vida un fetiche donde un teléfono celular o un automóvil - por poner algún ejemplo - pueden llegar a ser “lo más importante” de esa vida, todo eso tiene mucho de absurdo, de tragicómico. El proyecto socialista, del que conocemos solo los primeros pasos balbuceantes - los cuales, pese a enormes dificultades y con los errores del caso, han dado ya resultados infinitamente más justos que los siglos de acumulación capitalista - es un camino que aún prácticamente no se ha recorrido. La involución de la Unión Soviética o de la República Popular China no significa que el capitalismo sea la solución, el fin de la historia, la personificación de la perfección. Un sistema económico que destina tantos recursos a la muerte - condenando al hambre a tanta gente, con su industria bélica siempre en aumento, con el narcotráfico, con la autoagresión que significa el modelo industrial depredador que se ha generado - de ningún modo puede ser el punto final de llegada de la civilización humana. Cambiar ese modelo significa, sin lugar a dudas, un cambio enorme, monumental. Transformar una sociedad no es solamente tomar el poder político, asaltar la casa de gobierno. Un cambio profundo implica enormes transformaciones culturales, eso lo sabemos; y eso lleva generaciones y generaciones. Recién hoy día, con la globalización neoliberal de estos últimos años, puede decirse que el capitalismo se impuso realmente como sistema dominante por todo el mundo. Ese proceso implicó siglos, desde el Renacimiento europeo en adelante, con la destrucción de las poblaciones y las culturas de América y África. Cambiar el curso de esa historia, además de un cambio político, implica hondas modificaciones en la estructura subjetiva, lo cual no puede ser nunca algo fácil. Por el contrario, un cambio de esas proporciones se evidencia como algo sumamente complejo, nunca falto de mucho sufrimiento, de violencia, de terribles luchas. No sabemos si vamos hacia la destrucción de toda la civilización con una guerra nuclear, hacia una huída de los grupos dominantes de este mundo hostil y casi invivible que ha generado el capitalismo para instalarse en otros puntos del sistema solar dejando aquí el actual desastre para los que no puedan abandonar el planeta, o si vamos hacia un paraíso planetario de justicia y equidad con el triunfo del socialismo a nivel global. Esto último, en estos momentos, pareciera casi quimérico. Pero de lo que no cabe ninguna duda es que el sistema económico actual no puede tener salida: hay que cambiarlo de raíz y empezar algo nuevo. Es vergonzoso en términos humanos que, con todo el desarrollo de nuestra tecnología como especie inteligente, el hambre siga siendo la principal causa de muerte. Eso hay que cambiarlo de una buena vez.

Pregunta: De sus artículos y reflexiones publicados en diversos Medios de Comunicación Alternativos de La Internet, en webs como www.rebelion.org, www.argenpress.info y www.aporrea.org entre otros, se desprende que es un profundo conocedor de la realidad política, económica, social, cultural, no sólo de Latinoamérica, sino del mundo en general; además, ha sido testigo directo de algunos procesos “revolucionarios” que se han originado en países como Venezuela, donde fue miembro de la web www.aporrea.org que ofrecía una información alternativa a la que nos daban las grandes agencias de noticias americanas y europeas donde claramente había una manipulación de los sucesos y acontecimientos que ocurrían, no sólo en Venezuela, sino en toda Latinoamérica, en Bolivia, en Nicaragua, en Brasil… en los que, a pesar de tener presidentes salidos de las urnas, y por lo tanto votados por la mayoría del pueblo democráticamente, están constantemente atacados en la forma de gobernar, no sólo por elementos del interior de esos países, sino por países como Colombia o EEUU, ante el silencio vergonzante de la llamada “Comunidad Internacional”, ¿Cómo se vive desde el interior esta injusta injerencia de Países que no son precisamente modelos a imitar, a parte de su escasa, por no decir nula, autoridad moral para dar lecciones a nadie de cómo gobernar?

Marcelo Colussi: La injerencia de los más poderosos sobre los más débiles es una constante en las relaciones políticas entre países. En Latinoamérica, si algo significan los procesos de liberación - pensemos en Cuba, en la Nicaragua sandinista, en la “primavera democrática” que vivió Guatemala entre las décadas del 40 y del 50 del siglo pasado, en el Chile de Salvador Allende, en las propuestas nacionalistas de un Omar Torrijos en Panamá o en el actual proceso bolivariano que se vive en Venezuela con Chávez a la cabeza - es siempre un tomar distancia de la hegemonía de las grandes potencias dominantes, que para el caso en esta región del mundo es siempre la política imperial de Washington. Todos estos procesos que mencionábamos - que no son siempre, en sentido estricto, planteos socialistas con todas las letras, visiones marxistas con un apoyo conceptual en el materialismo histórico - tienen como común denominador el enfrentamiento con el imperialismo. En Latinoamérica, al igual que ocurre en los países de todo el Sur, si bien las luchas de clases a nivel nacional son el núcleo último que define la situación social, la contradicción país periférico-metrópoli tiene un peso muy considerable. Eso no explica todo, pero sin dudas es parte importantísima de la dinámica político-económica de estos países, y por tanto, también de la cultural. El antiimperialismo es algo siempre presente, pero al mismo tiempo se da un fenómeno complejo: Estados Unidos es el país invasor, el que marca el ritmo, el enemigo omnipresente, pero también la fuente de recursos, el lugar donde se mandan las exportaciones, el lugar donde se puede ir a trabajar y desde donde enviar remesas en dólares para las familias que aquí quedan, el punto que se mira como referencia obligada en lo político y cultural. La imagen que se tenga de esa relación depende de quién la observe: para las clases dominantes en general no se siente como opresión; es un dato natural, prácticamente parte del paisaje social cotidiano. Para buena parte de las aristocracias locales, Estados Unidos es el modelo a imitar, el lugar donde se va a estudiar, donde se hacen compras de lujo, el paraíso soñado, el referente a seguir. Para los sectores populares, en muchos casos es una mezcla compleja: causa de los propios males y enemigo por definición, pero también punto ansiado para ir a trabajar porque allí se “gana en dólares”. De todos modos, la conciencia antiimperialista está siempre presente, y cada vez que las situaciones políticas se tensan, eso se deja ver. Se podría decir que toda expresión progresista en nuestros países latinoamericanos tiene que ser, casi por definición, antiimperialista.

Pregunta: A parte de su labor como docente y periodista, usted también destaca como excelente escritor de libros de ficción. Uno de los más geniales que he tenido la oportunidad de leer ha sido el libro “Cuentos para olvidar”. (Algunos de estos textos se pueden leer en la web www.elguanche.net de los que destacaría “Decisión Telebasura: el show más inaudito de la televisión”…). ¿Tiene algún libro de ficción inédito o algún proyecto en marcha?

Marcelo Colussi: Proyecto editorial propiamente dicho no tengo ninguno ahora. Igual que tantos escritores desconocidos y siempre esperanzados en ganar algún concurso por ahí, en conseguir algún editor por allá, tengo dispersos cantidad de materiales por todas partes. Donde más publico es en internet, que si bien no es lo mismo que un libro en sentido estricto, también tiene una amplia difusión. Creo que en España están por aparecer algunos relatos míos en una publicación colectiva dentro de poco, en una antología de autores latinoamericanos, pero eso no constituye un proyecto editorial en el que yo esté directamente involucrado.

Pregunta: ¿Cómo y cuándo fue su primer contacto con la escritura, con la palabra?

Marcelo Colussi: Para ser sincero…, ni me acuerdo. Siempre he escrito, pero es más, muchísimo más lo que destruí que lo que conservé. Anteriormente lo hacía con la máquina de escribir, así que lo que eliminaba eran papeles. Años después vino la computadora, y eliminar pasó a ser sinónimo de borrar del disco duro. Pero si bien escribí desde siempre, publico regularmente artículos y ensayos desde hará unos 20 años, en revistas y medios de ciencias sociales y/o derechos humanos. Literatura - ni sabría decir por qué - recién me atreví a publicar hace unos pocos años, en el 2004, luego de haber obtenido una mención en un certamen internacional de relatos.

Pregunta: ¿Podría decirnos cuáles son los escritores que más le han marcado o cuáles han sido fundamentales en su vida?

Marcelo Colussi: Son tres: Dostoievski, Kafka y Borges.

Pregunta: A parte de “intentar” escribir bien ¿se le debe pedir al escritor que salga afuera para sacudir y atacar a la conciencia pública como sugería el francés Antonin Artaud?

Marcelo Colussi: Creo que a un escritor no se le puede pedir mucho, como en general no se le puede pedir a un artista. La creación tiene algo de mágico, y cuando alguien crea, transmite algo que tiene necesidad de decir. Si eso tiene “compromiso” social, político, si ataca a la conciencia pública o no…, es bastante difícil de precisar. Sería deseable que todos los artistas tuvieran una posición política crítica frente a la realidad, pero también sería deseable que todo el mundo la tuviera. Y sabemos que en general eso no es lo más común. Podemos esperar que un escritor sea crítico, pero no tenemos ningún derecho a exigírselo. Y por supuesto, muchos de los más grandes escritores (ahí está Jorge Luis Borges, por ejemplo) son reaccionarios políticamente, conservadores, grises y aburridos representantes del status quo. Así como en un sentido también lo fue Sigmund Freud, un médico de clase media conservador, contrario a las ideas revolucionarias en términos políticos, pero quien, en cuanto a lo que legó como obra intelectual, es uno de los más osados revolucionarios en el orden conceptual, en el campo del pensamiento. Por último: ¿quién se tiene la suficiente autoridad moral para pedirle a un escritor que sea “comprometido”? ¿Desde dónde pedírselo?

Pregunta: Una cuestión que se le suele plantear a los escritores es preguntarle por qué escribe. Algunos escritores irreverentes llegaron a responder que “porque me da la gana” ¿Qué nos diría usted?

Marcelo Colussi: Sin el más mínimo ánimo de ser irreverente en la forma de responder, creo que esa respuesta es la más exacta. Es más: creo que es la única respuesta posible. ¿Por qué alguien se dedica a la tarea de crear, de inventar ficciones, de hacer arte y transmitirlo a otros? Solamente porque así lo desea. Si alguien tiene esa pasión, lo hace pura y exclusivamente porque su deseo lo lleva allí, pues en principio nadie vive de la literatura (la gran mayoría de escritores vivimos soñando con el premio o la gran publicación que solo en contadísimas ocasiones llega para muy pocos). Por tanto, sí: uno escribe porque tiene ganas de hacerlo, y no hay mucho más que agregar. En términos psicológicos - y esto es algo muy de orden personal, privado se diría - cada escritor tendrá una particular historia que lo constituye como tal, historia marcada por un entrecruzamiento de causas: subjetivas, familiares, ideológicas, culturales, etc. Pero en definitiva podríamos decir que se escribe porque uno tiene ganas, así de simple. Al menos en lo tocante a literatura.

En lo referido a ciencias sociales, a lo politológico, la situación es distinta: se escribe porque hay un compromiso social, ideológico, porque quien escribe intenta generar debate en torno a ciertos temas, a despertar conciencia, a aportar soluciones en la construcción de alternativas. Que se consiga, es otra cosa, pero el motivo de base anida en el compromiso político.

Pregunta: Otra queja muy común entre una gran mayoría de escritores, al menos, en Canarias y en el Estado español, es que la industria editorial sólo apuesta a caballo ganador ¿Ocurre lo mismo, por ejemplo, en Guatemala, en particular, y en Latinoamérica en general?

Marcelo Colussi: La industria editorial, como cualquier negocio dentro del marco capitalista, se mueve por una pura lógica empresarial de lucro. Por tanto, la mercadería literaria se maneja como cualquier otro bien mercantil: si vende, es bienvenida; si no vende, se la deshecha. De ahí que para tantos escritores sea tan difícil abrirse paso en ese mundo editorial, ámbito marcado por todos los juegos económicos, codazos y zancadillas que pueden encontrarse igualmente en cualquier otra esfera del quehacer mercantil. Quizá uno no se sorprende tanto cuando se habla de las mafias de la industria de los armamentos, o del espionaje industrial entre, por ejemplo, los fabricantes de vehículos, o de computadoras, pero sí produce cierto escozor cuando vemos todo esto entre literatos y toda la industria editorial. Pero, más allá que la mercadería en juego en este ámbito es distinta a una ametralladora, un tractor o una motocicleta - yo prefiero un libro, aclaro - en sustancia, en términos empresariales, no hay muchas diferencias en los manejos propiamente mercadológicos. El monopolio, las mafias y las zancadillas también están aquí.

Pregunta: Después del llamado “boom” latinoamericano donde esa industria editorial apostó fuertemente y dieron a conocer a todo el mundo a escritores como Gabriel García Marqués, Mario Vargas Llosa, Juan Rulfo, Carlos Fuentes, Julio Cortázar, Álvaro Mutis, José Lezama Lima… con el llamado “realismo mágico” en el género novelístico (en el poético ya habían conquistado el “mercado” autores como Rubén Darío, César Vallejo, Alfonsina Storni, Pablo Neruda…), pareciera que ya no existiesen más y mejores autores ¿cuál es su opinión al respecto?

Marcelo Colussi: Comparto eso a medias. Siempre hay buenos autores. Sucede que hay momentos especiales, estelares. Las décadas pasadas, años mucho más movidos en términos políticos y culturales, dieron como resultado una gran creatividad rebelde, irreverente, novedosa, desafiante. Y la industria editorial supo transmitir (y hacer negocio) de todo ello. Para los años 70 y 80 del siglo pasado, en toda Latinoamérica hubo una clara involución política (fríamente calculada por los grandes poderes, por supuesto) que marcó un repliegue en todos los avances, en lo político, en lo ideológico, con dictaduras manchadas de sangre que produjeron un silencio generalizado. Por eso hoy día lo que más se produce y se vende son libros de autoayuda - principal rubro de la producción librera a nivel mundial, por otra parte -. Pero entiendo que es un poco exagerado, o quizá injusto, decir que hoy día ya no hay grandes autores en los países latinoamericanos. Preferiría decir que hay una situación distinta. En todo caso, la época de dictaduras y post dictaduras con democracias de baja intensidad como las actuales no favorece ese “boom” de años anteriores, pero no creo que se haya terminado la inspiración. Ya reaparecerá; o, en todo caso, no tendrá la misma forma. Lo que sí es evidente que años atrás hubo un momento de especial creatividad en la literatura latinoamericana, así como hay momentos de especial fertilidad en distintos órdenes, y luego pasan: la filosofía en el siglo V a.C. en Grecia, los pintores en el Renacimiento italiano, los pensadores en el idealismo alemán, los grandes jazzistas negros en las primeras décadas del siglo XX en Estados Unidos, etc., etc. Son momentos especiales, memorables. Es cierto que en Latinoamérica hubo en los 60 y 70 un despertar literario que ahora no se ve. Pero buenos escritores sigue habiendo.

Pregunta: La última cuestión la dejo siempre abierta para que el entrevistado tenga la oportunidad de expresar cualquier asunto, observación o tema que desee sugerir y que considere de interés.

Marcelo Colussi: Yo no sabría si definirme como proyecto de escritor - en sentido de narrador de cuentos - o de pensador - como alguién que intenta reflexionar sobre la realidad -. Quizá como pensador soy un divertido cuentista, y como narrador soy un aburrido filósofo. Pero eso no importa. Lo que creo realmente importante es estimular la reflexión, la creatividad, la imaginación, el espíritu crítico, la sana irreverencia. Y escribir me parece una importante, quizá vital, posibilidad para dar salida a todo eso. Escribir no es nada fácil, porque eso fuerza a poner en orden las ideas, a saber qué se quiere decir para que lo entienda el lector, a decir las cosas con precisión y calidad. Escribir constituye un hermosísimo ejercicio de creatividad, y eso es siempre algo portentoso, casi milagroso: ¿cómo hacer para que, a partir de una hoja en blanco - una pantalla en blanco podríamos decir hoy -, al cabo de un rato, y luego de dejar allí plasmados unos cuantos garabatos, alguien pueda encontrar en esos nuevos símbolos algo que lo conmueva, le transmita conocimiento, le abra una perspectiva nueva, le aclare cosas, lo agrade, lo haga reír o llorar, lo haga querer seguir leyendo más adelante?

{Agencia Rodolfo Walsh}