Archive for July, 2010

MnF!!! [XXVII]

Friday, July 30th, 2010

Aproveitando o tema da Esquadrilha, do post anterior… (D!!!)

Os 7 pintando

Friday, July 30th, 2010

Um pouco da história da Esquadrilha da Fumaça… (D!!!)

Analfabetismo na zona rural brasileira

Friday, July 30th, 2010

Analfabetismo atinge 3 milhões de jovens trabalhadores rurais no Brasil

DA AGÊNCIA BRASIL

Cerca de 40% das pessoas entre 16 e 32 anos que moram e trabalham no campo são analfabetas. O analfabetismo atinge 3 milhões dos quase 8 milhões de trabalhadores rurais do país nesta faixa etária, de acordo com a secretária de Jovens Trabalhadores Rurais da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), Maria Elenice Anastácio.
 
Se forem considerados os habitantes de pequenas cidades que sobrevivem da economia rural, os números podem ser ainda mais preocupantes.
 
Para Maria Elenice, as condições atuais do ensino obrigam o jovem a escolher entre o estudo e o trabalho. “O trabalhador rural tem que buscar a cidade para ter acesso à saúde, à informação e à escola. Mas como vão pegar um transporte precário para estudar na cidade se estão cansados do trabalho exaustivo?”, questionou.
 
A coordenadora do curso de licenciatura em Educação no Campo da Universidade de Brasília, Mônica Molina, também apontou a pouca oferta de escolas no campo como responsável pelas altas taxas de analfabetismo. “O interesse em estudar existe. Hoje, o trabalhador dá mais importância ao estudo do que em gerações anteriores, mas quando o aluno chega à 5ª série, dificilmente encontra turmas no meio rural. Então ele precisa ir estudar na cidade mais próxima e acaba desistindo”.
 
Em pesquisa feita em assentamentos de reforma agrária, Molina constatou que, aproximadamente 70% das escolas rurais, são de 1ª a 4 série, enquanto 25% atendem os alunos de 5ª a 8ª e apenas 4% têm turma de ensino médio.
 
A consequência é que poucos alunos vão além dos primeiros anos de escolaridade. Este fator, somado às faltas, repetição de séries, professores despreparados e recursos didáticos escassos, leva ao analfabetismo funcional. “Sem acesso à escolarização correta na idade apropriada, o jovem acaba perdendo a condição de ler e interpretar após alguns anos”, afirmou Mônica.
 
Como solução, Mônica e Maria Elenice defendem a ampliação do número de escolas no campo. “De 2005 a 2007 foram fechadas 8 mil escolas rurais e agora temos que garantir as que já existem”, disse Molina.
 
“Não adianta investir em transporte das pessoas para cidades próximas. Poucos vão arriscar a vida em pau de arara para terminar o ensino médio”, completou Maria Elenice.

{Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária}

Lei SB 1070

Friday, July 30th, 2010

EUA e México comemoram bloqueio a partes da lei de imigração do Arizona

Os governos de EUA e México elogiaram nesta quarta-feira a decisão da juíza Susan Bolton - que bloqueou partes da nova e polêmica lei de imigração do Estado do Arizona, horas antes de sua entrada em vigor, à meia-noite de hoje.

Entenda a polêmica sobre a lei de imigração do Estado do Arizona (EUA)

A chanceler do México, Patricia Espinosa, classificou a decisão como “um primeiro passo na direção correta”. Ela afirmou que o México continua preocupado com os direitos dos cidadãos mexicanos no Arizona e que vai aumentar a proteção consular no Estado.

A decisão “ratifica acertadamente a responsabilidade do governo federal de zelar pelo cumprimento das leis de imigração do país”, disse Matt Chandler, porta-voz do Departamento de Segurança Interna dos EUA.

Chandler afirmou que o Departamento de Segurança Interior “zelará pelo cumprimento das leis federais de imigração no Arizona e em todo o país de forma sensata e eficaz, enfocando os recursos para lutar contra os criminosos estrangeiros (…) e os empregadores de ilegais”.

O porta-voz informou que o governo está comprometido com a segurança fronteiriça e lembrou que na região serão dispostos novos recursos e agentes de segurança, que serão apoiados com a mobilização por um ano, a partir de 1º de agosto, de 1.200 soldados da Guarda Nacional.

RECURSO

A governadora do Arizona reagiu, dizendo que a manobra já era esperada e que a administração poderá recorrer à Suprema Corte dos EUA. Jan Brewer classificou a decisão como “uma pedra no caminho” e disse que já está em contato com sua equipe de advogados para analisar uma possível apelação.

“Nós sabíamos que obviamente um lado ou o outro apelaria, então isto dá início ao processo”, disse a governadora à rede de TV americana CNN.

O Estado do Arizona pode recorrer à Corte de Apelação dos EUA para o Nono Circuito e em última instância à Suprema Corte.

Caso a briga judicial em torno das questões mais polêmicas da lei chegue até a mais alta corte do país o processo em torno da aprovação da nova legislação pode tornar-se longo e exaustivo, incluindo um potencial desgaste ao governo federal que invariavelmente terá que se posicionar, indicam analistas.

Considerado o “cérebro” por trás da nova lei, o senador Russel Pearce disse estar “muito desapontado” com a decisão da juíza Bolton.

“O que ela fez inserir opiniões na lei ao invés de julgar sobre o que é a lei em si, e isto não foi correto”, disse.

A bancada que apoia a nova lei, no entanto, se mostra confiante em relação a uma potencial disputa judicial em torno dos artigos mais polêmicos da nova legislação. “Nós vamos vencer após os recursos”, acrescentou o senador.

PROTESTOS

“É uma grande vitória”, disse Manuel Martínez, um dos participantes das manifestações em curso no distrito norte-americano. “O mais importante que tinha que ser feito foi feito”, continuou o dirigente, que é originário do México e tem cidadania norte-americana.

Mesmo com a decisão da magistrada, segundo Martínez, os protestos marcados para hoje e amanhã, contra a medida que entrará em vigor nesta quinta-feira, continuarão, assim como a vigília programada para esta noite.

A medida SB 1070, uma das mais controversas dos Estados Unidos, entrará em vigor de forma parcial. Os artigos questionados, que deverão ser analisados novamente, são justamente os que foram considerados polêmicos e discriminatórios por ativistas, cidadãos e autoridades.

A sentença é ainda considerada uma vitória ao governo do democrata Barack Obama em seu confronto com a gestão do local, nas mãos dos republicanos. Segundo especialistas, a análise agora deverá ser feita pela Suprema Corte.

Por outro lado, os promotores da medida argumentam que a lei irá conter o aumento dos imigrantes ilegais no estado, uma das portas de acesso dos latinos ao território norte-americano.

Além dos cidadãos, também as autoridades dos países do continente, como México, Equador e Peru, criticaram a decisão, somando-se ao pedido pela revisão da postura em relação aos clandestinos.

ENTRADA EM VIGOR

A decisão da juíza veio enquanto a polícia faz os preparativos de última hora para aplicar a lei, a partir da 0h01 desta quinta-feira. A lei deve entrar em vigor com os artigos não bloqueados - a maioria deles pequenas revisões das leis já existentes no estatuto de imigração do Arizona.

Os manifestantes também se preparam para grandes marchas de oposição à lei e ao menos um grupo prometeu bloquear o acesso aos prédios públicos, desafiando os funcionários a questionar seu status imigratório.

O volume dos protestos deve diminuir um pouco diante das “conquistas” obtidas com a juíza Bolton.

Ela foi apontada para o cargo pelo ex-presidente Bill Clinton e, de repente, se tornou uma figura crucial no debate imigratório quando ficou a cargo dos setes processos abertos contra a lei do Arizona.

CONTENÇÃO

Governistas defendem que a lei foi uma medida constitucional para tentar conter o fluxo de imigrantes ilegais no Estado, que é o maior ponto de entrada para os Estados Unidos. A medida serviria para diminuir também alguns dos efeitos negativos deste alto fluxo, como os altos custos de educação, prisões e saúde.

Os oponentes argumentam que a lei levará a disputas raciais, além de entrar em conflito com legislação federal de imigração e distrair a polícia de crimes mais graves. A lista de críticos inclui até mesmo o presidente Barack Obama.

A nova legislação foi aprovada em abril e virou alvo de uma disputa judicial entre o governo federal e o Estado do Arizona. O departamento de Justiça dos Estados Unidos entrou com um processo contra a lei, afirmando que ela é inconstitucional já que decisões sobre imigração caberiam ao governo federal, e não aos Estados.

As autoridades federais que estão tentando derrubar a legislação argumentam que a lei do Arizona pode inspirar uma onda anti-imigrantes em todo o país e prejudicar as relações exteriores dos Estados Unidos.

Apesar das críticas do governo federal e de grupos de direitos humanos, pesquisas de opinião mostram que a maioria dos americanos é a favor da lei. A polícia do Estado do Arizona já começou a ser treinada para aplicar a nova legislação.

. Fonte: Folha On Line

{Clovis Duarte}

Presença Africana

Friday, July 30th, 2010

Reprodução

Présence Africaine, la editorial

por Juan Montero
[GuinGuinBali]

En 1949, dos años después de la aparición de la revista y, con toda probabilidad, espoleada por el éxito que tanto ésta como la “Antología de la nueva poesía negra y malgache en lengua francesa”, publicada en 1948 por Léopold Sédar Senghor y prologada maravillosamente por Sartre bajo el título “Orfeo Negro”, tuvieron en la expansión mundial del movimiento literario y político de la Negritud, Présence Africaine se decide a abrir editorial con la intención de convertirse en “un espacio en el que novelistas, cuentistas, ensayistas, poetas y pensadores del Mundo Negro puedan por fin expresarse y ver circular sus obras”.

Alioune Diop decía entonces:

“… Los colonizadores latinos tienen el genio de desarrollar un poder asimilador (quiero decir, un poder que tiende a reducir las diferencias culturales en provecho de un denominador común: la herencia latina). Con frecuencia este poder se da a sí mismo el nombre de universalidad. La asimilación como método político es uno de los productos de esta vocación cultural de los pueblos latinos: éstos admiten sin problemas que todos los hombres se parecen y valen pero sólo en la medida en la que se asimilan al pueblo colonizador, se integran en su historia, se someten a sus valores y a sus autoridades culturales y, bien entendido, en la medida en la que renuncian a aquello que no ha nacido del genio latino y, en particular, a sus propios valores culturales y espirituales. Es en primer lugar como reacción contra esta asimilación por lo que los escritores negros francófonos han creado sus obras…”.

Es evidente la intención política que subyace a estas palabras de Alioune Diop. En una época en la que las luchas por las independencias de las colonias africanas está alcanzando su apogeo, la creación de una editorial que pretende ser el espacio en el que los escritores negros puedan por fin expresarse y ver circular sus obras, obras de las que nos habla con tanta contundencia el propio Diop en esta reflexión, tiene inevitablemente el sabor de la militancia y la pulsión del compromiso. De hecho, a lo largo de la inagotable década de los cincuenta del siglo XX, década que con justicia debe ser calificada no sólo como la de las luchas por la primera liberación de África, sino como la del renacimiento intelectual negroafricano, la editorial Présence Africaine publica obras de marcado carácter político. De entre ellas cabe destacar cuatro que, en palabras de la profesora Lilyan Kesteloot, se convertirían en los pilares del movimiento de la Negritud.

La primera de ellas, de la que ya hemos hablado en un artículo anterior titulado Nyama, fue la del misionero franciscano Placide Temples (1906-1997) titulada “La Philosophie Bantoue” (La Filosofía Bantú). Con ella, la editorial, inicia un camino que no ha dejado de recorrer hasta hoy con la publicación de una ingente cantidad de títulos concernientes al mundo negro.

Obra de pensamiento y sin aparente filiación política, La Filosofía Bantú, se convierte sin embargo en libro de cabecera de los estudiantes negros de la época. Controvertida pero fundacional la obra muestra por primera vez al lector blanco la profundidad del alma negra y la similar estructura de su pensamiento. Reconoce la existencia de un pensamiento negro en un tiempo en el que el continente negro, ¡cuna de la humanidad!, no tenía siquiera reconocida su historicidad.

Tras ella van apareciendo las otras tres obras claves de la década éstas sí auténticamente revolucionarias y, por lo mismo, profundamente críticas. Las tres escritas por autores negros: “Peau noire, masques blancs” (Piel negra, máscaras blancas), obra del malogrado psiquiatra, filósofo y ensayista martiniqués Frantz Fanon (1925-1961) publicada por la editorial el año 1952; “Nations nègres et culture” (Naciones negras y cultura) obra del sabio multifacético senegalés, historiador, antropólogo, físico nuclear, lingüista y político panafricanista enfrentado a Léopold Sédar Senghor en los años en los que éste ejerció la presidencia de Senegal, Cheikh Anta Diop (1923-1986) publicada el año 1954 y “Discours sur le colonialisme” (Discurso sobre el colonialismo) del poeta, político y ensayista, también martiniqués y maestro de Fanon, cofundador de las revistas L’Étudiant Noir y Tropiques y del movimiento de la Negritud, Aimé Césaire (1913-2008) publicada el año 1955.

Tres autores marxistas que hacen de su obra un arma implacable en contra de la alienación, la explotación, la fabricación de la dependencia y el discurso de dominación. En Piel negra, máscaras blancas, Fanon, sin duda uno de los pensadores marxistas cuyo discurso conserva hoy la máxima actualidad, elabora un primer estudio en profundidad, desde la perspectiva de su experiencia como psiquiatra, de las relaciones acomplejadas entre negros y blancos. De él diría la ensayista y altermundialista maliense Aminata Traoré que fue la mente más lúcida que jamás hubiese pensado la alienación negra en un mundo de blancos y para blancos.

Naciones negras y cultura, cuyo contenido fue originalmente una tesis doctoral propuesta a La Sorbona y rechazada como una herejía pues, la falsedad del discurso colonial de entonces ni quería ni podía aceptar, en palabras del propio autor, que: “… el nacimiento de la egiptología se caracterizó por la necesidad de destruir a toda costa y en todos los espíritus, de la forma más radical y completa, el recuerdo de un Egipto negro…” (1), nos habla de la historicidad de África y demuestra, de forma exhaustiva y minuciosa, la anterioridad de las civilizaciones negroafricanas por relación a cualquier otra civilización planetaria, así como la naturaleza negroafricana de todas las culturas de los antiguos pueblos del Nilo y su valle: Etiopía, Nubia y el Egipto predinástico y dinástico. De igual forma nos muestra la importancia de estas culturas en la conformación de lo que hoy conocemos como civilización occidental. De esta obra, Aimé Césaire, que casi la leyó en una noche y al día siguiente recorrió París en busca de editor que no encontró hasta que Présence Africaine se hizo cargo de su publicación, nos dice que se trata de una obra mayor y de un momento clave en el despertar de África.

Y en cuanto a la obra del propio Césaire, Discurso sobre el colonialismo, decir que se trata probablemente del panfleto más lúcido jamás escrito en contra del colonialismo como degradación moral. En ella Césaire no sólo desentraña la pestilencia colonial europea, la patológica y cruel relación dialéctica entre el colono y el colonizado, sino que además se permite el lujo de profetizarnos, en su última página, y de ponernos en guardia contra el que para él, en 1955, era ya el peor colonialismo por llegar, el norteamericano, entiéndase estadounidense.

Pero, a lo largo de todos estos años desde su fundación en 1949, la editorial no sólo se ha dedicado a la publicación de libros, sino que desde su posición preeminente ha trabajado en procurar el conocimiento de la civilización negra a través de congresos, festivales, sociedades, coloquios, seminarios… etc.

El primer congreso, denominado Primer Congreso de Escritores y Artistas Negros, cuyo cartel promocional fue realizado por Pablo Picasso (1881-1973), fue organizado por la editorial Présence Africaine, entre los días 19 y 22 de septiembre de 1956, en el anfiteatro Descartes de la Universidad de la Sorbona en París.

Las actas de este congreso fueron publicadas por la revista Présence Africaine bajo el título “La crisis de la cultura negroafricana”, entre otras temáticas el congreso trató del racismo y sus dimensiones psicosociales, la colonización occidental, las formas negras que debería adoptar el cristianismo en África y Haití, tema este último todavía muy vivo entre las comunidades cristianas del África negra, y la supervivencia africana de la cultura de la América francesa y portuguesa. Las principales conclusiones alcanzadas en este encuentro entre escritores y artistas africanos, americanos y antillanos podemos reducirlas a tres: no hay pueblos sin cultura, no hay cultura sin ancestros y no hay auténtica liberación cultural sin liberación política previa.

Desde hacía tiempo, Alioune Diop, reflexionaba sobre la necesidad de crear un espacio de encuentro permanente entre los creadores de cultura del Mundo Negro. Así fue como, al cierre de este primer congreso, una resolución pide la creación de “un espacio de reflexión e intercambio necesario para el renacimiento del Mundo Negro”. Este espacio recibiría el nombre de Société Africaine de Culture (Sociedad Africana de Cultura) y en el preámbulo de su acta fundacional define así sus objetivos:

“… unir por lazos de solidaridad y de amistad a los hombres de cultura del mundo negro, quienes, conscientes de su misión, se comprometen a crear o favorecer, en la crisis actual, las condiciones necesarias al pleno desenvolvimiento de sus propias culturas, así como a cooperar en el desarrollo y saneamiento de la cultura universal…”.

Desde su creación, la Sociedad Africana de Cultura se compromete pues tanto a la defensa de las culturas nacionales como a la de las culturas de mundo, así como a la “… promoción de los Derechos Humanos y a trabajar por la igualdad de derechos económicos de todo individuo de cualquier comunidad humana con independencia de su raza o religión…”. Muy pronto la Sociedad abre secciones en diversas partes del mundo y la revista Présence Africaine, convirtiéndose en su órgano de comunicación, favorece el intercambio entre las mismas. El primer presidente de la SAC fue el médico, antropólogo y diplomático haitiano Jean Price-Mars (1876-1969), quien ocupa el cargo desde su creación el año 1956 hasta su muerte en 1969, le releva entonces el político y escritor de Trinidad y Tobago Eric Williams (1911-1981), autor de un libro referencial publicado el año 1944 bajo el título Capitalism and Slavery (Capitalismo y Esclavitud), quien permanece en el cargo hasta su muerte el año 1981 y es relevado desde entonces por el poeta y político martiniqués Aimé Césaire, fallecido en 2008. El prestigio intelectual de estos tres presidentes, su compromiso con la causa negra y a través de ella con la humanidad, están fuera de toda duda.

Tres años después del Primer Congreso, calificado en la época como un “Bandung cultural”, la Sociedad Africana de Cultura organiza en el Capitolio de Roma, entre los días 26 de marzo y 1 de abril de 1959, el Segundo Congreso de Escritores y Artistas Negros, cuyo cartel promocional es realizado esta vez por el artista sudafricano Gérard Sekoto (1913-1993) y cuyas actas serán publicadas, en la revista Présence Africaine, bajo el título general “La unidad de las culturas negroafricanas”. Este congreso giró en torno a las relaciones entre colonización y cultura y en él se destacó la existencia de una civilización negroafricana como base de la unidad y solidaridad de los distintos pueblos negros.

Producto de una resolución tomada en este Segundo Congreso, se organizó en Dakar (Senegal), entre los días 1 y 24 de abril de 1966 el Primer Festival Mundial de las Artes Negras que se convertiría en una auténtica celebración de la cultura africana en sus manifestaciones tanto cultas como populares. En Dakar coincidieron entonces la cultura, la política y el folklore africano al más alto nivel. Se dieron todo tipo de manifestaciones artísticas: esculturas, teatro, danza, acrobacias, música… etc. En cuanto a exposiciones, se reunieron en Dakar 500 piezas representativas del arte negro procedentes de museos de todo el mundo y se promovió un coloquio titulado “Funciones y significaciones del arte negro en la vida del pueblo y para el pueblo”, cuyas conclusiones fueron posteriormente publicadas por la revista Présence Africaine.

Once años después, en 1977, Nigeria acoge el Festival de las Artes y de la Cultura (FESTAC). A través de numerosos espectáculos en vivo, exposiciones, salones de arquitectura… etc. estuvieron representados en Lagos más de un centenar de países. El coloquio central giró en torno al tema “Civilización Negra y Educación” y, entre otras conclusiones, refiriéndose a la necesaria relación entre la cultura y la educación, se destacó lo siguiente:

“… El problema de la civilización negra no es una simple curiosidad arqueológica, ni una cuestión de balance. Es un problema de formación de tipos de hombres, de tipos de sociedad, de tipos de relaciones sociales en un mundo en el que el hombre negro debe reconquistar su lugar bajo el sol a partir de su ingenio técnico, el peso de sus sociedades, su creatividad artística y su irremplazable humanismo. El problema de la civilización negra hoy es esencialmente un problema de educación…”.

A lo largo de todos estos años, desde su creación, Présence Africaine ha estado en la organización no sólo de estos congresos y festivales que fueron, en sí mismos, hitos en la rehabilitación del mundo negro, sino también de innumerables coloquios y seminarios que se fueron sucediendo desde entonces hasta hoy. Entre ellos cabe destacar “Las religiones africanas como fuente de valores de civilización” (Cotonú, Benín, 1970); “La civilización de la mujer en la Tradición Africana” (Abiyán, Costa de Marfil, 1972); “El papel del cineasta africano en el despertar de la conciencia de la Civilización Negra” (Uagadugú, Burkina Faso - Alto Volta - 1974); “La problemática del Estado en el África Negra” (Dakar, Senegal, 1980) o “El centenario de la Conferencia de Berlín, 1884-1885” (Brazzaville, Congo, 1985).

Y todo esto fue posible gracias a la labor mayúscula de mujeres y de hombres como Christiane Yandé y Alioune Diop, cuyo espíritu se resume tal vez en estas palabras de Diop que nos sirven para clausurar este artículo:

“… La palabra negro designa menos un color que un conjunto de experiencias y de valores propios a la civilización de los llamados pueblos negroafricanos…”.

(1) Anta Diop, Cheikh: “Nations nègres et culture” (“Naciones negras y cultura”) Editions Présence Africaine, París, 1954.

{Rebelión}

Tauromaquia hispano-catalán {1}

Friday, July 30th, 2010

{teleSUR TV}

Conhecendo mais a partir do aniversário…

Wednesday, July 28th, 2010

¡Feliz cumpleaños Comandante Hugo Chávez!

Te damos un abrazo revolucionario este y todos los días por tu ímpetu y amor a la Patria del Libertador, Simón Bolívar. “Feliz cumpleaño Presidente…! Que dios y la virgen lo proteja hoy mañana y siempre…”, dijo uno de sus seguidores Caracas, Distrito Capital. - Porque no es poca cosa que un hombre de su vida, sabiduría, fortaleza y haga que permanezca viva la lucha social y las reivindicaciones, aún, ante las adversidades, hoy el pueblo revolucionario se encuentra lleno de alegría y te da un abrazo Comandante Hugo Chávez, en tu cumpleaños.

Como un luchador de la era Bicentenaria que no claudica ante las presiones internas y externas de la oligarquía, lo ve, lo siente y lo quiere su pueblo que se une, en esta fecha tan especial, a la familia de un líder sin precedentes.

Hoy los venezolanos que trabajan por el país, madres y padres de los hijos e hijas de esta patria grande te reafirman su voluntad de caminar de la mano del proyecto socialista, única garantía de la liberación del pueblo.

A partir de las 7:20 de la mañana de hoy comenzaron a llover las felicitaciones por parte de sus seguidores en la cuenta de twitter @chavezcandanga.

Uno de sus seguidores escribio: “Feliz Cumpleaños Presidente, hasta el 2000siempre”.

Otro de sus amigos le dijo: “Feliz cumpleaño Presidente…! Que dios y la virgen lo proteja hoy mañana y siempre…!”

“Mas duro que Bolívar mismo! Compatriota que tenga un feliz cumpleaños, un abrazo revolucionario en nombre del socialismo XXI”, le manifestó otro seguidor.

“Feliz cumpleaños mi comandante que dios me lo proteja patria o muerte”, escribió muy temprano otro de los amigos del mandatario nacional.

El presidente Hugo Chávez nació en la población de Sabaneta, estado Barinas, en los llanos venezolanos, el 28 de julio de 1954. Hijo de Hugo de los Reyes Chávez y Elena Frías de Chávez, los dos educadores. Tiene cuatro hijos: Rosa Virginia, María Gabriela, Hugo Rafael y Rosinés.

Momentos de vida

Los estudios primarios los realizó en el Grupo Escolar Julián Pino en Sabaneta. La secundaria en el Liceo Daniel Florencio O’ Leary, graduándose de Bachiller en Ciencias. Recibió el título de licenciado en Ciencias y Artes Militares, mención Terrestre, especialidad Comunicaciones, en la Academia Militar de Venezuela, egresando con el grado de Subteniente, el 5 de julio de 1975, escenario en el que nació su pasión por el ideario del Libertador Simón Bolívar. Continuó luego su brillante carrera militar hasta ascender al grado de Teniente Coronel en 1990.

Una vida dedicada al crecimiento en varias áreas y la preparación personal le llevó a realizar el curso básico de Comunicación, en la Escuela de Comunicación y Electrónica de las Fuerzas Armadas (1975); curso medio de Blindados del Ejército (1979); curso avanzado de Blindados (1983); curso de Comando y Estado Mayor, en la Escuela Superior del Ejército (1991-1992). También participó en el curso Internacional de Guerras Políticas, en Guatemala (1988) y la maestría en Ciencias Políticas en la Universidad Simón Bolívar (1989-1990).

Desde siempre tuvo la inquietud de ayudar al prójimo y conoció de cerca el drama político y social de la República.

El 4 de febrero de 1992 saltó a la palestra pública cuando a todo riesgo y liderando un movimiento de jóvenes oficiales de la Fuerza Armada inspirados en el pensamiento bolivariano, se rebeló contra el orden político y social caracterizado principalmente por la corrupción y la injusticia.

La lucha de ese noble grupo de oficiales idealistas y de quienes les acompañaron, no resulto vana, pese a que Hugo Chávez, junto a quienes le acompañaron fue encarcelado. Fue en 1994, como consecuencia de la demanda del pueblo venezolano, de las cuales se hizo eco el presidente Rafael Caldera, cuando se les concedió la libertad por el sobreseimiento de la causa.

El 6 de diciembre de 1998, 56,24% de los venezolanos eligió a Hugo Chávez, presidente Constitucional de la República de Venezuela, a través de un proceso electoral transparente, limpio y ampliamente participativo.

De la cárcel, lugar donde se consagró al estudio, reflexión y análisis de la realidad nacional e internacional, saldría a recorrer todos los confines patrios, reivindicando predicamentos libertarios y justicieros que fueron compartidos entusiastamente por vastos sectores de la población.

La propuesta de refundar la República, mediante el supremo recurso democrático de una Asamblea Nacional Constituyente, fue respaldada mayoritariamente a través del sufragio directo universal y secreto, convirtiéndose en uno de los episodios democráticos más importantes de la historia republicana de Venezuela, nació entonces la República Bolivariana de Venezuela. En abril de 1999, 87,75% del total de los electores participantes en la consulta optó por apoyar el proceso.

El cambio se materializó, el país contó con una nueva Constitución; libertades y derechos negados hasta el momento a la población fueron reflejados en la Carta Magna, una de las más modernas e innovadoras del mundo. En diciembre de 1999 otro acto de consulta tuvo lugar, 71,78% de la población dio un sí rotundo para la aprobación de la Constitución de la República Bolivariana de Venezuela.

Desde ese momento se reemprendió el camino de liberación de la patria, el desarrollo lento con el que contó el país se aceleró, comenzó un periodo de crecimiento y renovación de los poderes, de las viejas estructuras corruptas y burocráticas.

El 4 de agosto de 2000, en acto trascendental como multitudinario 59,76% del electorado relegitimó a Hugo Chávez, como presidente electo. Una fuerza alternativa ocupó todos los espacios de la nación para impulsar un período de desafíos y en el que el pueblo tiene el poder.

A un periodo de brillo democrático y refundación de la República le siguió el asecho de una derecha radical que hizo lo imposible para que el presidente saliera del poder. Un golpe de Estado en 2002 y un posterior sabotaje en todos los niveles de la vida nacional entre diciembre de ese mismo año y marzo de 2003, que produjeron grandes pérdidas económicas a la nación fueron derrotadas por la voluntad popular y el amor a un líder.

Una época gris en la que la oposición radical, apoyada por factores externos, ocasionaron una de los momentos más tristes de la historia nacional.

Pero el pueblo no se dejó vencer y nuevamente el 15 de agosto de 2004, en el marco de una convocatoria única en procesos políticos y democráticos a nivel mundial, optó por ratificar al presidente Hugo Chávez Frías, con más de 5 millones 800 mil votos, equivalentes a un 59,09% de apoyo, al frente del Ejecutivo Nacional tras la realización de un referendo revocatorio en la que la minoría opositora intentó sacar del poder al mandatario.

Fue el 3 de diciembre de 2006 cuando la mayoría popular ratificó a Hugo Chávez para guiar una nueva etapa en la que se consolidará el socialismo del siglo XXI.

{Patria Grande}

¿Uno corazón?

Wednesday, July 28th, 2010

Black Eyed Peas lanza canción de protesta contra ley de Arizona
 
El grupo presentó la canción “One heart, one beat” y el videoclip alusivo mediante el sitio YouTube, para protestar contra dicha medida legal que está programada para entrar en vigor este jueves.

El grupo estadunidense Black Eyed Peas presentó la canción “One heart, one beat” y el videoclip alusivo mediante el sitio YouTube, para protestar contra la Ley SB1070 en Arizona, programada para entrar en vigor este jueves.

El tema fue compuesto y es ejecutado por uno de los cuatros integrantes de la banda, Taboo, quien se considera mexicano-estadunidense y quien en el video viste un suéter que luce las banderas de ambos países.

“Se necesita una persona para luchar por lo que cree, y yo creo que hay injusticia en el estado de Arizona. Me opongo a la ley SB1070″, expresó Taboo en el video.

La ley antiinmigrante de Arizona permitiría a la policía detener a personas sólo por su aspecto para revisar sus documentos de identidad. De implementarse, se convertiría en la más dura legislación contra los inmigrantes en Estados Unidos.

El video incluye imágenes de archivo de líderes comprometidos con los movimientos sociales en Estados Unidos como Martin Luther King y John F. Kennedy, además de mensajes de la actriz Eva Longoria y del ex campeón de boxeo Óscar de la Hoya.

“Mi abuela nació en Jerome, Arizona, y ella también era discriminada por su origen, así que siento que ahora es mi turno de involucrarme”, explicó Taboo en una entrevista del canal NSBC.

El artistas explicó que coincide en que debe arreglarse el sistema migratorio de Estados Unidos, aunque aclaró que la Ley SB1070 no es la manera de hacerlo.

Black Eyed Peas es otro de los grupos de música rock y pop en oponerse a esta ley, junto a la bandas Rage Against the Machine y Maroon 5, además de los músicos Kanye West y Conor Oberst, entre otros que se han integrado al movimiento Sound Strike para protestar contra la legislación.

{Milenio}

Sexo com os anjos

Tuesday, July 27th, 2010

Pederostias

por Agapito de Cruz Franco

Quito la “h” porque es una letra muda y no se pronuncia. Hay muchas otras letras mudas, impronunciables, “secretum pontificium”, dentro de la Jerarquía de la Iglesia Católica. En el caso de la pedofilia protagonizada por algunos religiosos, curas y obispos, prefiero el término pederostias a pederastas. Éste está compuesto de dos palabras griegas: paidion (niño) y eros (deseo). Hostia, sin embargo, viene del latín víctima, animalito destinado a la inmolación. El origen es el verbo hostire, que significa herir, golpear. De hecho “darle a uno una hostia” o las recibidas por estos inocentes por parte de un sector del clero, no tiene nada que ver con la “Sagrada Forma”, sino con el significado de ese verbo. Como estamos ante un abuso, creo que es más adecuado hablar de pederostias y no de pederastas. Es decir, la pederostia sería la acción de herir sexualmente a un niño al que se convierte en víctima.

La Jerarquía de la Iglesia sólo parece hablar de caridad y perdón como respuesta ante este crimen, ignorando que es la justicia la que tiene la palabra. La entidad que virtualmente sucediera al Imperio Romano no ha asumido aún como objeto de culto, una de las aportaciones de aquél a la humanidad, el Derecho. Quizá por demasiado humano ya que la Justicia divina debe ser otra cosa, o porque el cuerpo místico esté por encima del sexo. Sin embargo, lo que ya no son casos aislados sino una costumbre bien documentada, apunta cada día más a La Haya y a sentar ante los Tribunales de la Justicia Universal como responsables subsidiarios, al Vaticano y al representante de esta monarquía teocrática, el propio Benedicto XVI.

Hubo un tiempo en que la Iglesia Católica tuvo su oportunidad. Pero el “agiornamento” que supuso el Vaticano II, fue reprimido por una extrema derecha religiosa que vive ideológicamente entre la Inquisición (Santo Oficio, Congregación para la Doctrina de la Fe) y el Fascismo. La consecuencia, la persecución en la Iglesia de las mentes más lúcidas y la estigmatización de todos los movimientos de renovación religiosa como la Teología de la Liberación o el descarado apoyo a sectas como el Opus Dei o los Legionarios de Cristo. Mientras, todo un corpus ideológico proto-medieval se apoderaba de las estructuras de poder, haciendo que cualquier parecido con el origen de esta religión fuera pura coincidencia. En el corazón de la Instrucción del actual Papa Benedicto XVI, es notoria la ausencia de diálogo y el ataque a toda religión que no sea la católica (judíos, protestantes, ortodoxos, indígenas), el abandono de los pobres en aras de la teología neoliberal de mercado, y la advertencia sobre “los riesgos de desviación”, propia de los totalitarismos nazis o estalinistas que se creen en posesión absoluta de la verdad. En el basurero de la única religión con Estado, Guardia Nacional, Bandera o Banca propias, la pederostia sobresale como la punta de un iceberg más profundo y reflejo de una moral enfermiza, instalada en el delito permanentemente ocultado. Pero sobre todo, como postal ideológica de la contrarreforma contra el Vaticano II emprendida por el Cardenal Ratzinger similar a la acontecida en el Concilio de Trento (1545-1563).

La anacrónica Ley del Celibato es algo antinatural. Una norma impuesta y nada que ver con la religión. Sólo rige para sacerdotes católicos, no para otras religiones cristianas. No existía antes del año 1000, y es a partir del siglo XI cuando se impone en Occidente por influencia de algunos monjes, y del Papa Gregorio VII (reforma gregoriana). Está en relación directa con la demonización de la mujer en la Iglesia (Ley del Celibato, Concilio de Roma 1.074), o con el Papa como poder absoluto en la Tierra y que no se equivoca jamás (“Dictatus Papae 1.075). Sin embargo, independientemente que el celibato influya o no en la pederostia, ésta lleva implícita una actitud de dominio similar al perfil del violador y que se da también en otros sectores. La diferencia es que la Iglesia se ha convertido en su protectora, cobijándola bajo su seno y al margen de la ley. Mientras predicaba todo lo contrario.

{Periódico Diagonal}

Mais trabalho escravo no Sul Maravilha

Monday, July 26th, 2010

Trabalho escravo resiste também no Sul e no Sudeste

por Marcos de Moura e Souza, de Palmas (Paraná) e São Paulo
[Valor Econômico - 26/07/2010]

 
Num barracão de 11 metros por 3 metros, sujo e improvisado, 19 beliches estão amontoados da entrada até os fundos. Há apenas duas janelas e uma porta de compensado de madeira numa das extremidades. Mesmo durante o dia, o ambiente fica na penumbra. O telhado é de zinco. Não há luz elétrica, banheiro ou qualquer tipo de aquecimento. No inverno, as temperaturas chegam quase a zero grau. Banhos são num vão de terra a céu aberto onde escorre um fio d”água gelada ou num quadrado improvisado com lona e sem porta. À noite, como não há colchões para todos, alguns dividem a mesma cama. Pelo menos dois adolescentes dormem com adultos.

Foi assim que integrantes do Ministério Público e da Procuradoria Regional do Trabalho do Paraná encontraram, no início deste mês, um alojamento de trabalhadores rurais contratados para podar uma plantação de pinheiros pinus numa fazenda na cidade de Palmas, no sudoeste do Paraná.

A área pertence à Madepar S.A. Indústria e Comércio (cujo nome fantasia é Madepar Agroflorestal). Ela integra um grupo ao qual pertencem a Madepar Papéis para Embalagem e a Madepar Laminados, todas sediadas no mesmo endereço na cidade de São Paulo.

Nos dias 8 e 9, uma equipe formada por auditores do trabalho, um procurador e policiais federais entraram nas fazendas da Madepar Agroflorestal em Palmas e autuaram a empresa por exploração de trabalho em condições análogas à escravidão. A operação se estendeu até sexta-feira passada. O Valor acompanhou os dois primeiros dias dos trabalhos a convite do Ministério do Trabalho e Emprego e da Procuradoria Regional do Trabalho do Paraná e se comprometeu a publicar a reportagem somente após o término da blitz.

Depois de anos registrando casos de trabalho análogo à escravidão quase exclusivamente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, autoridades passaram a intensificar suas ações em regiões onde até então havia poucos registros da prática. No ano passado, pela primeira vez desde 1995, a região Sudeste teve o maior número de resgatados - 1.079 casos de um total de 3.769 em todo o país. No Sul, o Paraná foi o principal alvo, com 15 operações realizadas no ano passado (ficando atrás só do Pará e do Mato Grosso).

“Sempre houve trabalho escravo aqui no Paraná, no Rio Grande do Sul, em São Paulo, no Rio. A questão é que o foco da fiscalização foi por muito tempo o Amazonas, Pará, Tocantins, Maranhão e áreas onde havia incidência mais visível dessa prática”, diz Luercy Lino Lopes, procurador da Procuradoria Regional do Trabalho do Paraná, que participou da ação na área da Madepar. “Há alguns anos começamos a nos dar conta que a realidade daqui é a mesma da do Pará.” Lá, carvoarias costumam estar no centro das irregularidades; no Paraná, erva-mate e madeira.

O que contribuiu para ampliar o alcance das ações e redirecionar os olhos das autoridades foi a alteração do Artigo 149 do Código Penal pela Lei 10.803, de 2003. A lei detalhou quatro condutas que, juntas ou isoladamente, passaram a configurar trabalho análogo à escravidão. São elas: submeter o trabalhador a trabalhos forçados, submeter o trabalhador à jornada exaustiva, sujeitar o trabalhador a condições degradantes de trabalho e restringir a locomoção do trabalhador em razão de dívida para com o empregador ou preposto. Antes da lei, o conceito de escravidão no Brasil levava em conta apenas os casos de trabalho forçado e escravidão por dívida.

“Com esse alargamento do conceito, não ficamos mais presos nos casos da Amazônia e do Norte, onde havia muita servidão por dívida e trabalho forçado, e onde dependíamos fundamentalmente de denúncias”, diz Marcelo Campos, auditor fiscal do trabalho e assessor da Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego. “Isso permitiu que fôssemos atrás de outras regiões e de outras atividades econômicas”.

Foi assim que autoridades passaram a fazer blitz em plantios de café, de morango e de uva, em áreas de colheita de erva-mate e nas fazendas do setor sucroalcooleiro no Sul e no Sudeste. Em 2002, um ano antes da aprovação da lei, o ministério não havia feito nenhuma operação nos Estados do Sul; em 2009 foram 24. No Sudeste, o salto foi de 1 para 18. Em todo o Brasil, o número de operações saiu de 30 para 156. O número de resgatados subiu de 2.285 para 3.769. Em 1995, quando o ministério começou a rastrear o trabalho escravo, apenas 84 pessoas foram retiradas da condição de escravo.

Nos últimos anos, o traço em comum na maioria das autuações passou a ser a degradação. “No ano passado, encontramos em Bituruna, aqui no Paraná, trabalhadores contratados para colher erva-mate alojados num curral. No mês passado, em Santa Catarina, encontramos outro grupo, que dormia num chiqueiro de porcos”, lembra a auditora fiscal do trabalho Luize Surkamp Neves, coordenadora do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, que combate trabalho escravo na região Sul. Foi ela quem liderou a operação em Palmas.

Segundo Campos, a situação de degradação - junto ou não com outras condutas previstas no Artigo 149 - aparece em todas as mais de 45 condenações de empregadores julgados pela prática de trabalho escravo no Brasil. As condenações decorrem das ações de fiscalização. Além das autuações administrativas, as operações também podem gerar ações penais aos empregadores. Explorar trabalho escravo é crime punível com pena de dois a oito anos de prisão.

No caso das fazendas da Madepar, além de alojamentos classificados pelos auditores como impróprios, o que a equipe encontrou foram trabalhadores sem equipamento de proteção, dizendo que tinham de pagar para obter ferramentas e providenciar colchões; fornecimento de água com potabilidade duvidosa; falta de banheiros; trabalhadores sem registro em carteira; e, além disso, cinco menores fazendo um tipo de trabalho proibido para sua idade.

“Há uns quatro anos trabalho com pinus, mas esse é o pior lugar que já fiquei”, diz Rodrigo Almeida, de 19 anos. Ele tinha começado a trabalhar dois dias antes da operação e estava alojado no barracão improvisado de madeira. Outros dormiam em um contêiner com beliches. “Tinham me falado que tinha alojamento, só não disseram como era.” Mario, 27 anos, completa: “O pior é o ‘apertamento’ e a falta de luz.” Contratados por um dos intermediadores de mão de obra da região, Rodrigo e Mário disseram que ganhariam R$ 32 por dia para uma temporada de 15 dias, sem registro em carteira e sem equipamentos de trabalho. “Comprei bota, coberta, prato, garfo, faca. Capacete e luva a gente não usa”, conta Rodrigo.

As irregularidades nas fazendas criaram um quadro considerado pelas autoridades como degradante. Além de serem obrigados a pagar multas e encargos, os empregadores podem ter o nome incluído, por no mínimo dois anos, na lista de exploradores de trabalho escravo organizada pelo ministério. Isso pode levar a uma suspensão total de crédito público e privado no período. E implica o risco de perder contratos com empresas signatárias do Pacto para a Erradicação do Trabalho Escravo.

Ao todo, as blitz na Madepar resgataram 67 trabalhadores, entre eles cinco adolescentes. Parte deles trabalhava na manutenção dos plantios de pinus e parte na colheita de erva-mate. A empresa teve de pagar R$ 108.609,99 em verbas rescisórias; R$ 169.000,00 em indenizações por danos morais (de R$ 1.000 a R$ 5.000 para cada um) e R$ 240.000,00 por dano moral coletivo. Com o pagamento do FGTS, dos valores devidos à Previdência e multas pelos 55 autos de infração lavrados, os valores poderão passar de R$ 650 mil, disse Lino Lopes. Parte disso foi pago em dinheiro no dia 23 aos resgatados no escritório da empresa na cidade de General Carneiro, Paraná.

Se não aceitasse fazer o pagamento e recorresse à Justiça, a Madepar correria o risco de ter seus bens congelados no valor da cobrança e ver a conta final multiplicada. Segundo o Ministério do Trabalho e a procuradoria, a maioria dos empregadores autuados por sujeitar trabalhadores à condição análoga opta por acertar as contas durante as autuações.

As condições dos trabalhadores resgatados nas fazendas da Madepar não são muito diferentes das existentes em outras áreas rurais flagradas na região, segundo os auditores. Entre as semelhanças está a terceirização de mão de obra. A empresa, segundo seu advogado Gilberto Dil Prá, estava trabalhando com três ou quatro empreiteiros - termo usado no Paraná e em Santa Catarina para agenciadores ou intermediadores de mão de obra. A prática no meio rural, segundo o Ministério, é proibida por lei de 1973, mantida pela Constituição de 1988.

“No Brasil, o trabalho escravo está associado à intermediação de mão de obra e no Sul isso se vê em quase todos os flagrantes. E a intermediação vem acompanhada em 100% das vezes de precarização”, diz Lino Lopes. Para Campos, do Ministério, a solução está em mudar o comportamento do empregador. “Ele precisa ter certeza de que esta prática não é um bom negócio.” Para o governo e grupos de direitos humanos, uma mudança crucial está na Câmara dos Deputados. O Projeto de Emenda Constitucional (PEC) 438 prevê a expropriação e destinação para reforma agrária de toda área rural flagrada com mão de obra escrava. O projeto já passou pelo Senado.

{Agência Repórter Brasil}