Archive for August, 2010

O potiguar Jonas, brasileiro!

Monday, August 30th, 2010

Reprodução

Uma biografia do primeiro desaparecido político brasileiro

Menos de um mês após ter comandado o sequestro do embaixador americano, em setembro de 69, “Jonas” foi brutalmente assassinado sob torturas na sede da famigerada Operação Bandeirantes, e se tornou o primeiro desaparecido político brasileiro

por Edileuza Pimenta e Edson Teixeira

“Virgilio Gomes da Silva: De Retirante a Guerrilheiro” dedica-se a recuperar a trajetória pessoal e política desse homem cuja biografia transcende sua morte porque sua história faz parte das lutas históricas do povo brasileiro contra a miséria e a opressão. Virgilio começou vencendo a miséria. Retirante, saiu do sertão do Rio Grande do Norte nos anos 50 para tentar a vida em São Paulo, onde, por meio das lutas sindicais, adquiriu consciência política e tomou contato com as ideias do Partido Comunista Brasileiro.

Após a institucionalização da ditadura, processo iniciado a partir do golpe civil-militar de 1964, Virgilio passou a assumir posição destacada na luta contra a opressão, tornando-se um guerrilheiro da Ação Libertadora Nacional, organização cujos fundadores e líderes foram Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira. Menos de um mês após ter comandado uma das ações mais espetaculares da luta de resistência contra a ditadura, o seqüestro do embaixador americano, Virgilio, o “Jonas” da ALN, foi brutalmente assassinado sob torturas na sede da famigerada Operação Bandeirantes, em 29 de setembro de 1969, e se tornou o primeiro desaparecido político brasileiro.

Esse livro surge em um contexto bastante significativo, em que se lembra os 30 anos da luta pela Anistia e os 40 anos da morte do biografado, e integra uma luta pela Memória, pela Verdade e pela Justiça, da qual fazem parte a abertura dos arquivos, a punição dos torturadores e a localização dos corpos dos desaparecidos.

A abertura dos arquivos permitirá a toda a sociedade conhecer o seu passado recente, a verdadeira dimensão do que foi a ditadura civil-militar inaugurada com o golpe de 1964 e que produziu milhares de perseguidos, entre presos, torturados, exilados, mortos e desaparecidos. A punição dos torturadores também deve estar na ordem do dia, principalmente se considerarmos que outros países da América Latina, como Chile e Argentina, estão avançados nesse aspecto, pois, além de terem revogado suas leis de auto-anistia, instituíram Comissões de Verdade a fim de esclarecerem seqüestros, torturas, mortes e desaparecimentos de opositores da ditadura.

A localização dos corpos dos desaparecidos é uma luta de décadas e, no caso de Virgilio, desde 2004 está comprovado que ele estava sob tutela do Estado e em suas dependências quando foi assassinado. Um laudo de pesquisa datiloscópica e um exame de corpo de delito foram encontrados pelo jornalista Mário Magalhães no Arquivo Público do Estado de São Paulo, acervo do DOPS, desmascarando a falsa versão dos torturadores de que Virgilio, nome de guerra Jonas, se encontrava foragido.

Mais recentemente, no último 30 de agosto, quando o livro já estava praticamente pronto, veio à tona uma nova informação, o que prolongou um pouco o nosso trabalho: o jornalista Bernardo Mello Franco divulgou material mantido sob sigilo há quarenta anos, de fonte não revelada, em que o Exército assume a responsabilidade pela morte de Jonas. Trata-se de uma informação circular em que é dito que Virgilio “reagiu violentamente desde o momento de sua prisão, vindo a falecer em conseqüência dos ferimentos recebidos, antes mesmo de prestar declarações”.

A expressão “ferimentos recebidos” é um eufemismo de tortura. Diante de mais essa evidência, a família de Virgilio Gomes da Silva, no exato dia em que se completaram quarenta anos de seu assassinato, junto ao Grupo Tortura Nunca Mais e o Sindicato dos Químicos e Plásticos de São Paulo e Região, entre outras entidades, protocolou duas representações no Ministério Público Federal em São Paulo: uma na área criminal e outra na área cível, que possuem como objetivos a responsabilização da União na morte do militante, para que seja informada a localização do corpo e os restos mortais sejam entregues à família, e investigação que procurará verificar se alguns dos executores de Virgilio ainda hoje exercem cargo público.

Os autores de “Virgilio Gomes da Silva: De retirante a guerrilheiro” procuraram recuperar a trajetória de vida desse militante tendo em vista o fato de que é necessário interpretar a opção política de Virgilio pela luta armada considerando o contexto histórico e certas matrizes teóricas daquele mesmo período, que destacavam, entre outros temas, a legitimidade do uso da violência revolucionária do oprimido contra o opressor e o direito de resistência à tirania. Mesmo considerando que se tratam de uma mestra e de um doutor em história (que se conheceram há alguns anos, apresentados por seus respectivos orientadores por estudarem um tema em comum, a Ação Libertadora Nacional, evitaram resvalar no academicismo, por entenderem que é possível, sim, fazer um livro com rigor histórico e de pesquisa, mas que seja, ao mesmo tempo, popular.

A partir desse trabalho, o leitor saberá que “Jonas” não desceu de páraquedas para comandar a ação do seqüestro do embaixador americano (sobre a qual também fazemos uma reflexão teórica), como bem lembrou um dos companheiros de Virgilio na ALN, Manoel Cyrillo de Oliveira Netto, cuja apresentação, feita para o livro, reproduzimos abaixo:

“Soube da morte do Jonas de cabeça pra baixo, pendurado em um pau-de-arara, na Operação Bandeirantes. Diante de paredes e pisos manchados pelo seu sangue, entre dezenas e dezenas de perguntas e afirmações simultâneas, em meio a muita pancada, chutes e choques, registrei a triste notícia: - Tá vendo este sangue, é do Jonas, é o sangue de um brasileiro, o filho da puta tá morto! Na véspera de minha prisão, no dia 29 de setembro de 69, o Estado brasileiro havia assassinado o companheiro Virgílio naquela mesma câmara de tortura. Hoje, o Virgílio está mais vivo do que nunca. Cresceu. Perpetuou-se. Fez história. Diferentemente, os seus algozes, os vivos e os mortos, estão encurralados em uma câmara do inferno, sofrem, torturam-se - são uns pobres-diabos. Ao longo da narrativa, descobriremos a bela trajetória pessoal e política do Virgílio, um cidadão que não desceu de páraquedas para comandar a ação de captura do embaixador Elbrick. Também nos depararemos com capítulos e episódios duros e cruéis, retratos do que era a vida do país naquela época. E, no final, o resultado será gratificante e saberemos melhor prezar o esforço e a resistência do Virgílio, um brasileiro”.

{Caros Amigos}

Rabia por la dignidad

Sunday, August 29th, 2010

Quino y Marx: trabajo, dignidad y rabia

Salvador Lavado, más conocido como Quino, ocho años antes de crear su personaje Mafalda, publicó en la revista Dibujantes núm. 15, de julio/agosto de 1955, la tira de dibujos de asombrosa actualidad con la que abrimos este artículo.

por Néstor López

En el primer cuadro nuestro hombre tiene traje de presidiario, está encadenado a un enorme grillo, hay un policía armado con fusil que lo controla y la piedra que martilla es enorme. En el último, se ha transformado en un obrero corriente, con el mameluco azul de aquellos años, está libre, ya no tiene puesto ni el grillo ni aparece el agente penitenciario, la piedra es ahora más reducida, su rostro de tristeza y enojo es el mismo que tenía en prisión, y el autor le ha agregado sordos insultos. La expresión de esplendorosa alegría que lo hacía ingenuamente feliz al dejar la cárcel y regresar a la libertad ya no existe, tampoco la actitud decidida del tercer cuadro cuando se dirige a las instituciones del empleo. Trabajando ha vuelto a sentir sufrimiento, dolor, y angustia. Está nuevamente dominado, ahora sin cadenas de hierro y sin guardia armado.

Antes su dolor tenía una explicación, había cometido un delito, había violado la ley, fue detenido por la policía, condenado por la justicia, encarcelado en el sistema carcelario, y la pena tenía una fecha de finalización: cuando se cumpliera la condena que le dictaminaron los jueces del Estado. Ahora no ha cometido delito, ni violado ley alguna, y las instituciones de dominio no tienen aparentemente función alguna. Es un honesto trabajador, y sin embargo se siente dominado, sin fecha de finalización, está condenado sin condena, encarcelado sin rejas y, entonces, blasfema. Esto nos sugiere inquietantes preguntas.

¿Por qué maldice? ¿Por qué no huye? ¿Qué es lo que lo mantiene prisionero? ¿Qué lo domina? ¿De dónde proviene ese dominio? ¿En qué se diferencia del dominio en sociedades anteriores precapitalistas? ¿Siempre hubo dominio?

“Gente sin fe, sin ley, sin rey” y el dominio en el capitalismo

No siempre hubo dominio y bregamos para que en una futura humanidad no lo haya. Es más, si consideramos que las primeras manifestaciones de la especie humana datan aproximadamente de unos setecientos mil años podríamos decir que durante centenares de miles de años el hombre ignoraba el dominio, la coerción, el poder que vemos hoy surge en menos de la última décima parte de ese período.

Hace quinientos años América fue colonizada por los europeos, que se sorprendían de encontrar “Gente sin fe, sin ley, sin rey”. En América, exceptuando a las grandes sociedades, inca y azteca:

Todas [las sociedades indígenas] o casi todas son dirigidas por líderes, jefes y, como característica decisiva, digna de observarse, ninguno de estos caciques posee poder. Uno se encuentra confrontando con un enorme conjunto de sociedades donde los depositarios de lo que en otra parte se llamaría poder, de hecho carecen de poder, donde lo político se determina como campo fuera de toda coerción y de toda violencia, fuera de toda subordinación jerárquica, donde en una palabra no se da ninguna relación de orden-poder. (Clastres, 1978: 10)

Esto no ocurre solamente en América:

El abanico de las sociedades consideradas es impresionante; en todo caso, lo suficientemente abierto como para disipar cualquier duda eventual al lector más exigente en cuanto al carácter exhaustivo de las muestras presentadas, porque el análisis se efectúa con ejemplos tomados en África, en las tres Américas, en Oceanía, en Siberia, etcétera. (Clastres, 1978: 9)

Debemos decir, sin embargo, que en sociedades precapitalistas como las asiáticas, el esclavismo, el feudalismo, sí hubo poder, dominio y explotación que consistían en la extracción de los excedentes económicos, a diferencia de la explotación bajo el capitalismo que consiste en la extracción de plusvalía.

Diferentes estudiosos de la Edad Media como Jaques Le Goff, Henri Pirenne, Perry Anderson, etcétera, coinciden en que, en el feudalismo, el mando, el dominio, aunque fue adoptando diversas formas, siempre fue, personal, explícito, manifiesto. Esta dominación personal, de vasallaje, se mantenía aun cuando la monarquía hubiera logrado un cierto grado de complejidad. Anderson (1999: 147) señala que la dominación era extraeconómica señalando una diferencia sustancial con el dominio en el capitalismo.

El cambio deforma en el capitalismo

Con el advenimiento del capitalismo la dominación sufrió un cambio cualitativo.

Cuando la relación de hegemonía y de subordinación [capitalista] reemplaza a la esclavitud, la servidumbre, el vasallaje, las formas patriarcales, etcétera, etcétera, tan solo se opera una mudanza de forma. La forma se vuelve más libre porque es ahora de naturaleza meramente material, formalmente voluntaria, puramente económica. (Marx, 1990: 64)

El ejército, la policía, la justicia, la iglesia, la escuela, los partidos políticos, los sindicatos, la industria cultural, los medios de comunicación, etcétera, conforman una articulación de instituciones que giran alrededor del Estado constituyendo el andamiaje institucional del dominio del capital. En todas ellas se reproduce el dominio mediante reglas y una estructura jerárquica. Su verdadero rol, el de garantizar el dominio social, es velado ya que se presentan como si fueran instituciones para la reproducción de la vida o el ordenamiento de la sociedad.

Cuando Quino, en el último cuadro, no visibiliza estas instituciones posiblemente esté indicando que la fuerza que retiene al trabajador, que lo domina, que le impide ser libre, no emana directamente de ellas, ni es ejercida personalmente por la patronal, sino que proviene de la forma que adquiere la producción y la explotación en el capitalismo. El obrero mismo ha debido vender libremente su fuerza de trabajo al patrón, es el único camino para alimentarse y alimentar a sus hijos sin caer nuevamente en prisión o morirse de hambre. Paradójicamente, su trabajo asalariado va creando una cárcel sin rejas, ni grillos.

Marx explicó que en el capitalismo (además de las instituciones de control social), hay un dominio económico que lleva a que nuestro obrero lo asuma como natural y se presenta como producto de una decisión formalmente voluntaria. Esto constituye una característica central de la nueva forma del dominio capitalista, de aceptación del dominio formalmente voluntaria, o sea un autodominio. Quino también lo refleja en el rostro enjuto y en los insultos de su obrero.

El modo de producción capitalista ha desplazado las relaciones sociales personales, característica del precapitalismo, de origen extraeconómico, por relaciones sociales casi objetivas que surgen desde las entrañas del modo de producción capitalistas:

Relaciones de dependencia materiales, en oposición a las personales (la relación de dependencia material no es sino [el conjunto de los] vínculos sociales que contraponen automáticamente a los individuos aparentemente independientes, vale decir, [al conjunto de 1os] vínculos de producción recíprocos convertidos en autónomos respecto de los individuos) se presentan también de manera tal que los individuos son ahora dominados por abstracciones, mientras que antes dependían unos de otros. (Marx, 1988: 91)

Y también nos dice:

El motivo que incita a un hombre libre a trabajar es mucho más violento que el que incita a un esclavo: un hombre libre tiene que optar entre trabajar duro o morirse de hambre [...] un esclavo entre [...] o un buena tunda. (Marx, 1990: 63)

¿Será por eso que Quino hace que el trabajador acabe con la piedra más rápidamente que el presidiario encadenado?

A ese trabajo asalariado, en donde el trabajador no tiene posibilidad de discutir cómo, ni para qué hace lo que hace, es decir, no tiene libertad, ni posibilidad de realizarse, como productor porque no es dueño del producto, Marx (2004: 118) lo llamó trabajo alienado y afirmó que “es la causa inmediata de la propiedad privada”. Es decir, produce propiedad privada, la propiedad privada que nos obliga hoy a volver a trabajar mañana alienadamente para producir más propiedad privada, un círculo infernal donde los individuos no son dominados directamente ni por el amo, ni por el rey, sino por el modo de producción capitalista, por abstracciones que nacen del trabajo asalariado. Un dominio que se nos presenta naturalizado en el modo de producción.

Esta dominación por el trabajo alienado no es percibida claramente, como la dominación directa, institucional, sin embargo es un concepto central del trabajo en el capitalismo y está en el rostro y en la blasfemia del trabajador. Es común olvidar el autodominio inducido por el engranaje de producción que nos obliga a trabajar por un salario y a aceptar como natural que la única forma de producir es mediante el trabajo asalariado. Holloway (2002: 157) afirma que la alienación y la fetichización no son un hecho cerrado, sino un proceso de lucha donde el capitalista lucha todo el tiempo por alienar, por dominar y el trabajador le opone su rebeldía, su blasfemia, su rabia, su resistencia lucha contra ese proceso de dominio. Es una lucha por desprenderse de esa cárcel sin grillos, es una lucha por la autoemancipación. Podríamos preguntarnos si no hay otra forma de producir que no sea esta.

Marx (2004: 118) nos decía:

Una violenta alza de los salarios (dejando de lado todas las otras dificultades; dejando de lado que, como una anomalía, solo podría sostenerse por medios violentos), no sería, pues, un mejor salario para los esclavos, y no habría conquistado ni para el trabajador ni para el trabajo la [auto] determinación y la dignidad humanas.

Una violenta alza de salarios disminuye la tasa de explotación, pero si no acaba con el trabajo asalariado, con el trabajo alienado, no significa trabajo digno alguno.

¿Qué sería, entonces, trabajo digno? Sería un no trabajo, una actividad laborativa humana diferente, sin dominio, una actividad consensuada entre los productores, no para obtener ganancias, sino para satisfacer necesidades sociales, en armonía con la naturaleza y el medio ambiente. Un hacer comunitario autodeterminado, un hacer en libre cooperación, un hace en libertad, en donde todos nos sintamos satisfechos y sujetos de lo que hagamos. Esto es otra forma de producción que la basada en el trabajo asalariado, y en esta otra forma seguramente la satisfacción y la alegría reemplazarán los insultos del obrero que dibujó Quino. Entonces sí parafraseando a Marx habremos construido “para el trabajador y para el trabajo la [auto] determinación y la dignidad humana”.

La digna rabia

No se trata, entonces, sólo de una lucha por reducir la explotación, no es sólo cuantitativo el problema sino más bien cualitativo, es una lucha como proceso de desalienación, como lucha por la dignidad, por la autodeterminación, es una lucha que dice no al trabajo asalariado el que incluso el mejor pago sigue siendo siempre una cárcel con grillos. La rabia del obrero en el cuarto cuadro es también por la dignidad, por la autodeterminación social en libertad que comporta otra forma de producir.

No se trata tampoco de pensar en la dignidad en el futuro. En cada momento de trabajo, en el proceso mismo de trabajo la bronca y la resistencia, el boicot, o el absentismo, los retrasos y falta de puntualidad, el ritmo lento, la indisciplina, el sabotaje, la indiferencia, son formas de resistencia cotidiana que muestran una aversión al trabajo y constituye una insumisión a la llamada cultura del trabajo o disciplina social. Y esto, según Seidman, ocurrió aun en medio de la Revolución Española (1936-1939) y en los países del llamado socialismo real, según lo retrata Andrzej Wajda en la película “El hombre de mármol” y es conocida la critica que recorría la URSS: “nosotros hacíamos como que trabajábamos y ellos hacían como que nos pagaban un salario”.

En momentos más álgidos en las propias luchas por aumento salarial y por condiciones de trabajo existen desbordes o hay momentos de insumisión que cuestionan el trabajo asalariado cuestionando la propiedad privada, es decir, van más allá de lo funcional al sistema. En las luchas del subterráneo en Buenos Aires muchas veces los trabajadores levantan los molinetes y dejan pasar gratis a los pasajeros. ¡Qué alegría, no pagar! Es un momento de tensión ya que cuestiona la propiedad privada en un todo.

A veces la bronca da origen a un movimiento más extenso y la dignidad se despliega masivamente. El año pasado en junio del 2009, en Puebla, México, tuve la suerte de presenciar actividades de un masivo movimiento de docentes que más que cuestionar el salario estaba centrado en la autodeterminación educativa, o sea en la dignidad. Y partían de la digna rabia, o sea de los insultos de nuestro obrero. Los maestros poblanos se preguntaban: ¿qué escuela queremos nosotros, qué escuela quieren los padres y los estudiantes? ¿Es aquella que nos viene de una nueva ley, por mandato del gobierno y la burocracia docente o una que formulemos nosotros? Nació así un extenso movimiento que se cuestionó a sí mismo como trabajadores de la educación. No queremos ser buenos y obedientes trabajadores del patrón y del Estado, no queremos educar en la obediencia debida a los jóvenes. Queremos hacer sujetos cuestionadores que se pregunten ¿por qué debo creer esto yo? En pocos meses hicieron sesenta mil consultas a padres y estudiantes y más del 95 por ciento respondió que no querían la actual educación y entonces se abrió un abanico de preguntas, y se hicieron asambleas y debates y hasta organizaron una maestría que se llama “Pedagogía del sujeto de la digna rabia”. Lo curioso es que los docentes ya antes de formalizar este movimiento, cuando cerraban la puerta del aula, no hacían lo que les dictaba el ministerio de educación, ni las autoridades educativas porque sus órdenes siempre chocaban con la realidad de la vida de sus estudiantes, o sea que trabajar, lo que se conoce como trabajar en el sentido clásico, no trabajaban, pero sí multiplicaban su esfuerzo, su hacer, construyendo lo que consideraban válido, justo y digno. Entonces, con el movimiento lo que se logra es validar esa resistencia cotidiana, generalizarla, extenderla la comunidad educativa toda, ponerla sobre la mesa, visibilizarla.

Sí, la rabia del obrero del cuarto cuadrito, es una fuerza potencial que en determinado momento es el motor que despliega la dignidad masivamente, entonces la insumisión se vuelve visible. Es la digna rabia la que habilita el camino de la lucha por la dignidad y apunta en este caso a formar un sujeto crítico, que una su hacer y su pensar de desplieguen en toda libertad e iniciativa, en la lucha social por alcanzar la autodeterminación y la dignidad humana.

Una dignidad que está en nuestra rebeldía contra el capital, en nuestra praxis diaria, una dignidad que a veces se generaliza y no solo va contra sino también más allá de lo que nos ordena el capital y hasta guiado por el grito insumiso del ¡Que se vayan todos!, voltea gobiernos como en la Argentina en el 2001 y no busca reemplazarlos por otro poder, sino que persigue un antipoder, que no espera la revolución como espectáculo hecha en un día en el futuro, sino que indaga en cada momento cómo desplegar la tensión de la lucha de nuestro hacer contra el trabajo.

Abrimos este artículo con el hombrecito que habiendo recuperado su libertad seguía preso, que siendo parte de una tira muda nos grita y nos interroga sobre su rebelión, contra la prisión primero y contra el dominio por el trabajo después. Tal vez su imagen sea tan fuerte porque nos habla a cada uno de nosotros, en lugar del obrero, bien podría estar un oficinista, o un médico de una prepaga, o un estudiante obligado a repetir una lección que repudia, etcétera, porque en ella se reproduce una contradicción donde nos encontramos nosotros mismos. El trabajo como prisión, como negación del propio ser humano, como reproducción del sistema capitalista. Y el insulto como una de las infinitas formas de protesta, como rebelión, también como presente, como hoy, como un aquí y ahora que nos convoca con la fuerza de una digna rabia a la insumisión con nuestros gritos, con nuestra rabia, con nuestras piedras.

{Agencia de Noticias Red Acción - ANRed}

“No mataremos la Tierra”

Sunday, August 29th, 2010

“En la lucha contra la Tierra el hombre perderá”

por Jordi Pigem

Raimon Panikkar i Alemany nació en Barcelona en 1918. Doctor en Filosofía, en Química y en Teología, ha enseñado en prestigiosas universidades de todo el mundo y es autor de más de cuarenta libros originalmente escritos en seis idiomas y traducidos a más de una docena de lenguas. Después de haber vivido en Cataluña, Alemania, Madrid y Roma se trasladó a la India y allí maduró su vocación de ser puente entre Oriente y Occidente. Profesor emérito de la Universidad de California, a medidos de los ochenta se instaló en Tavertet (Osona), “en el corazón de Cataluña”, desde donde continúa su tarea intelectual y vital.

Raimon Panikkar es un pensador experto en conciliar posiciones aparentemente inconciliables. Su estudio se basa en la cultura India, en la historia y en la filosofía de las religiones. Se ordenó sacerdote en 1946 y fue uno de los miembros relevantes del Opus Dei, institución que posteriormente abandonó. Hoy se considera, además de católico, hinduista y budista.

Es autor de más de 40 libros en diversos idiomas.

. . .

RN - Los indios Cree de Canadá, cuando conocieron la civilización moderna, nos enviaron este mensaje: “Sólo cuando hayáis talado el último árbol, cuando hayáis contaminado el último río, cuando hayáis extinguido el último pez, os daréis cuenta de que el dinero no se puede comer” ¿Cómo ves el estado actual de la Tierra?

RP - Me invitaron a una conferencia en Italia sobre este tema. El título era “La Tierra no puede esperar”. Yo era el primero en intervenir, y dije: “no es cierto”. La Tierra si puede esperar, somos nosotros los que no podemos. No mataremos la Tierra. En la lucha contra la Tierra el hombre perderá. Somos nosotros los que estamos en peligro. No se trata solo de decir que “el dinero no se puede comer”, sino también ver que el hombre sin la Tierra no sería hombre. No podemos disociarnos de la naturaleza sin perjudicarnos. El cordón umbilical que nos liga a la Tierra es mucho más profundo que los vínculos biológicos, y si maltratamos a la Tierra, en realidad nos estamos maltratando a nosotros mismos.

RN - ¿Cómo ves en este contexto la ecología?

RP - La ecología es una tímida reacción a esta situación, pero todavía opera dentro de los parámetros de la cosmovisión dominante. La revolución industrial quería poner la naturaleza al servicio del hombre, “rey de la Creación y señor de la Tierra”. El hombre es, ciertamente, el fruto máximo, pero no el rey. En gran medida, la ecología todavía no se ha desapegado de esta actitud. Podemos ponernos a reciclar, pero la idea de fondo es todavía la misma: que la Tierra es una fuente de recursos que tenemos que administrar. La ecología como una explotación racional de la Tierra todavía se encuentra dentro del mito científico judeo-cristiano. Es más de lo mismo, pero con guantes y una sonrisa.

RN - En el mundo moderno la cultura tecnocrática no sólo ha cambiado la forma de vivir, sino también nuestra forma de pensar y la experiencia misma de la realidad.

RP - La explotación que hacemos es un pecado de “lesa terra”, por ejemplo con el petróleo. Pero si hablamos de los derechos de la tierra ya estamos antropomorfizando.

RN - En contraste con la ecología y como superación de ella, acuñaste en los años 70 la palabra “ecosofía”, también acuñado independientemente y en un sentido diferente por Arne Naess ¿Qué es la ecosofía?

RP - Es al mismo tiempo nuestro conocimiento sobre la Tierra y la sabiduría de la Tierra misma, que hemos de intentar escuchar y compartir. La ecosofía quiere honrar la conciencia ecológica, que se está extendiendo por todo y a la vez ampliarla desde una perspectiva intercultural. La ecosofía se separa de una ecología que, mediante el llamado “desarrollo sostenible”, busca prolongar el actual estatus quo.

Desde una perspectiva intercultural, desenmascara la creencia occidental de progreso, el mito de la historia y nuestro gran ídolo: la ciencia moderna. La ecosofía plantea un cambio radical de percepción tanto del hombre como de la Tierra. Trata la Tierra misma como un ser vivo. La Tierra no es materia inerte o un simple planeta que da vueltas alrededor del sol.

RN - ¿Qué problemas encuentras en la ciencia moderna?

RP - A diferencia de lo que tradicionalmente se entiende por ciencia, “gnosis”, “jñâna”, la ciencia moderna separa el conocimiento del amor, de la comunión con lo conocido. Es principalmente cálculo y clasificación y sólo se justifica por sus resultados: las proezas tecnológicas. La ciencia moderna está intrínsicamente ligada a la tecnocracia. La divinización de la Razón llevada a cabo por la Ilustración ha traído la absolutización de lo Racional, de donde deriva nuestra crisis actual de civilización. El resultado es la “megamáquina” (la máquina de segundo grado), tanto en la sociedad como en nuestra visión del Universo. Pero la materia está viva, y por eso el enfoque exclusivamente mecánico de la materia es metodológicamente erróneo. Todos los seres tienen una espontaneidad vital que hay que respetar. Por otro lado, la ciencia moderna da por supuestos postulados, enfoque y conceptos de materia, energía, vida espacio y tiempo, que son incompatibles con la experiencia y los arquetipos de la mayoría de las culturas occidentales. La ciencia moderna no es neutral ni universal. Produce resultados fantásticos, pero la mayoría de sus datos son irrelevantes si lo que realmente queremos, como pide la ecosofía, es compartir la sabiduría de la Tierra y participar plenamente en la aventura de la realidad.

RN - De esta perspectiva intercultural surge también tu crítica al desarrollo.

RP - Los arquetipos que están en la base de la idea de desarrollo implican una antropología inadecuada para tres cuartas partes de la población del mundo. El desarrollo ve al hombre como un montón de necesidades cuantificables que hay que desarrollar. Da por supuesto que el hombre se desarrolla de la misma manera que el universo material. No es extraño que el desarrollo lleve a una competición despiadada. El desarrollo es un concepto ajeno al alma afroasiática en general. Por esta razón la civilización tecnológica es una creación (extraordinaria cuando se la contempla aisladamente) de una sola cultura, la occidental. El desarrollo contiene una ideología implícita y sirve a los intereses de la civilización que tiene detrás. Afirmar que no hay alternativas al desarrollo es una forma moderna de colonialismo. La esencia del colonialismo no es la explotación sino el “monoculturalismo”, la creencia de que una sola cultura puede marcar la pauta para solucionar los problemas humanos. El llamado “tercer mundo” es en realidad dos terceras partes del mundo, y es insultante que llamemos a esos países en “vías de desarrollo”, como si no fueran otra cosa que una versión embrionaria de lo que somos nosotros, y que llegarán si nos obedecen.

RN - El desarrollo es parte de la fe en el progreso, que también criticas.

RP - La fe en el progreso nos quiere hacer creer que somos corredores de una carrera. No es sorprendente que la aceleración sea un concepto central de la ciencia moderna. Hemos caído en la idolatría de creer que la cantidad vale más que la calidad. ¿Nos harán creer que una hora de sueño, una de alegría y una de angustia son todas 60 minutos? Pensar que el tiempo es homogéneo y que todo se puede medir, ¡Eso si que es primitivismo! El hombre moderno vive abocado al futuro. Nos falta contemplación, por eso estamos siempre nerviosos y no sabemos disfrutar del tiempo.

RN - Decías que la Tierra y la materia están vivas. ¿En qué sentido?

RP - Encuentro alentador ver que mucha gente en Occidente empieza a recuperar la creencia milenaria de los pueblos de la Tierra que peyorativamente llaman animismo. Todo tiene vida, y la Tierra misma tiene alma, vida propia. Hablo de animismo en el sentido tradicional de un principio divino que anima la realidad y que es inmanente a la naturaleza. La vida y el alma no son accidentes que aparecen en el mundo material, no son epifenómenos en un pequeño rincón del universo, sino atributos esenciales de la realidad. Todo está unido: la Tierra está viva, la materia está viva. Tienen vida mineral, vida mineral, no autoconciencia o sensibilidad. Es interesante saber que la Iglesia no se opuso nunca a la creencia en el “anima mundi” (lo que condenó fue creer que este alma fuera el Espíritu Santo, lo que sería panteísmo).

RN - ¿Qué recomendarías, por ejemplo, a los que viven en las ciudades para volver a sentir que la Tierra está viva?

RP - Se necesita contemplación, silencio, paseos… pasear más, y no coger un taxi para hacer un kilómetro cuando se puede caminar. El silencio interior nos ayuda a no aturdirnos, a no reaccionar con las mismas armas contra lo que nos agrede. Hoy no es fácil, ni siquiera en un pequeño pueblo. Un día caminaba y escuchaba el estrépito de un martillo neumático en casa de los vecinos. Resulta que ese ruido no era de ninguna herramienta industrial, sino de lo que llaman “música máquina”…

RN - ¿Qué recomendarías a nivel del conjunto de la sociedad?

RP - Los desafíos de hoy no sólo piden reformas bien intencionadas o soluciones técnicas, sino una transformación radical, una metanoia (cambio de conciencia), una superación de la visión puramente mental. En necesario, primero, superar la falacia de la cantidad. Numéricamente cinco millones es más que trescientos mil, pero las personas no son cuantificables. Somos microcosmos: no somos, cada uno, una pequeña parte de mundo, sino un mundo pequeño. El complejo de inferioridad es falta de fe. Los santos no han tenido nunca complejo de inferioridad por mucho que estuvieran en minoría. Una epidemia actual es la depresión y la angustia, que en buena medida es tirar la toalla, perder la esperanza. Pero la esperanza no es de futuro, sino de lo invisible, de otra dimensión que hace que valga la pena vivir la vida, incluso si es una vida corta o bajo condiciones de explotación. La conexión con lo invisible te permite vivir plenamente sin rendirte. Como no creo en el futuro sino en la eternidad en el presente, puedo permitirme el lujo de ser optimista. Vivir la mortalidad y la eternidad en el presente nos deja las manos libres para construir un mundo mejor, no a partir de estrategias y proyectos sino de la libertad de espíritu, abierto a lo que la plenitud de la vida pueda traer.

RN - ¿Cuándo comenzaste a sentir la conexión con la naturaleza, ya de joven, o tal vez a través de tu experiencia en la India?

RP - En la primera juventud. Tenía un primo cuatro o cinco años mayor que era apasionado de la naturaleza. Casi todos los fines de semana, siempre que hacía bueno, cogíamos la mochila e íbamos por Cataluña a subir montañas. Me acuerdo mucho del Tagamenent que no he vuelto a subir desde el año 1935 ó 36. También, naturalmente, Montserrat, y el Puigmal. Una vez me bañé en un lago glacial cerca de la cima del Puigmal. También probé escalar con cuerdas una o dos veces, pero me parecía un poco artificial. Lo que siempre me ha apasionado es ir paso a paso por las montañas.

RN - Decía san Bernardo que “los bosques y las piedras enseñan lo que no se llega a sentir de los maestros”. ¿Te hablan los árboles y las rocas de Tavertet? ¿Qué te dicen?

RP - Síi, me hablan en un lenguaje pétreo y arbóreo, pero no lo sabría traducir a las lenguas humanas. Sería una traición poner en boca de los árboles y las piedras lo que yo interpreto que me dicen. Hice Química en la Universidad de Barcelona e hice un montón de reacciones químicas. Después, al estallar la Guerra Civil, fui a una universidad alemana. Tenía un profesor bielorruso que había sido discípulo de Mendeleiev y que nos ponía siete horas en el laboratorio, ¡nada de libros! En todo caso estoy muy de acuerdo con esta frase de San Bernardo, que yo he citado muchas veces. Pero para sentir a los árboles y las piedras no hace falta ningún experimento, sino experiencia, que es más femenina, receptiva y contemplativa.

{Revista Namaste}

Publi$$idade infantil a per$uadir…

Sunday, August 29th, 2010

{Manual do Minotauro}

Sacro-arroto televisivo

Friday, August 27th, 2010

Os ateus e o mal

por Hélio Schwartsman
[Folha Online]

A pedidos, comento a guerra que o apresentador da TV Bandeirantes José Luís Datena declarou aos ateus do Brasil.

Tudo começou no último dia 27, quando o âncora, a pretexto de comentar um par de crimes hediondos, resolveu criar uma enquete na qual as pessoas deveriam entrar em contato com o programa e responder se acreditavam ou não em Deus.

Quando o número de “nãos” superou suas expectativas, Datena resolveu intervir, incentivando os fiéis a votar a favor do Todo-Poderoso. A seguir, alguns dos melhores momentos:

“- Como? Nós temos mais de mil ateus? Aposto que muitos desses estão ligando da cadeia”.

“- Ateus são pessoas sem limites, por isso matam, cometem essas atrocidades. Pois elas acham que são seu próprio Deus”.

“- É só perguntar para esses bandidos que cometem essas barbaridades pra ver que eles não acreditam em Deus”.

O apresentador disse ainda que só quem não acredita em Deus é capaz de cometer crimes. Afirmou que ateus são “pessoas do mal”, “bandidos”, “estupradores”, “assassinos”. Chegou bem perto de declarar que a culpa da violência e da corrupção no Brasil é dos ateus.

Ao final da diatribe, provavelmente alertado pela produção de que havia protestos, tentou contemporizar. Reconheceu a possibilidade lógica de existir pessoas que não acreditam em Deus e não cometem crimes. E emendou:

“- Mas a maioria de quem (sic) mata, de quem estupra, de quem violenta, de quem comete crimes bárbaros, já esqueceu de deus há muito tempo. Há muito tempo”.

A blogsfera dos ateus está em polvorosa. Meu amigo Daniel Sottomaior, da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea), já quer processar o apresentador.

Pessoalmente, não acho que seja o caso. Acredito em liberdade de expressão em sua forma forte. O Datena é livre para dizer o que pensa de ateus, e, nós para afirmar o que quisermos de suas declarações, da religião e da própria ideia de Deus. O debate tende a ficar veemente, mas, enquanto ninguém substituir palavras por fogueiras, estamos num jogo razoavelmente civilizado. Se só pudermos dizer o que as pessoas estão dispostas a ouvir sem ofender-se, a liberdade de expressão nem precisaria estar inscrita na Constituição.

Isto posto, analisemos o mérito das acusações do apresentador. Bem ao modo dos religiosos, valho-me de uma parábola.

Como mostrou reportagem de minha autoria publicada há poucos dias na Folha e na Folha.com, a Cúria Metropolitana de São Paulo foi condenada por litigância de má-fé, mais especificamente, por violar o inciso II do artigo 17 do Código de Processo Civil ao “alterar a verdade dos fatos” nos autos do processo - ou seja, por mentir.

Tal prática não contraria só a justiça dos homens mas também o oitavo mandamento, que reza: “Não levantarás falso testemunho contra teu próximo” (Êx. 20,16).

Consultada, a cúria preferiu não comentar o caso. Disse apenas que já interpôs recurso contra a decisão no Tribunal Superior do Trabalho, em Brasília.

A condenação saiu por unanimidade pela 12ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. Ela veio no curso da ação movida pelo economista Paulo Roberto Arvate, professor da PUC que havia sido demitido em 2006, no meio de uma ampla reformulação da universidade, que enfrentava séria crise econômica.

O advogado de Arvate, Nelson Rothstein Barreto Parente, acionou não apenas a Fundação São Paulo, mantenedora da PUC, mas também a cúria, por entender que a segunda controla a primeira.

Os defensores da cúria contra-argumentaram, afirmando que a relação entre seu cliente e a fundação se limitava à escolha do reitor, não havendo, portanto, nenhuma possibilidade de ingerência. Com isso, a inclusão da cúria como parte na ação seria despropositada.

Foi aí que a igreja entrou em apuros. Tais declarações contrariavam não apenas os estatutos da PUC, que atribuem ao arcebispo de São Paulo o posto de grão-chanceler e diversos poderes na universidade, como também entrevistas de dom Cláudio Hummes (arcebispo até 2007) e de dom Odilo Scherer (arcebispo a partir de 2007) dadas à Folha, em que ambos diziam explicitamente que a reestruturação da PUC foi ordenada pela igreja.

Com isso, Barreto Parente pediu a condenação da cúria por litigância de má-fé, e a Justiça lhe deu razão em dezembro passado. O professor demitido venceu a ação.

O que essa historieta mostra? Ela sugere que é complicado ligar de forma forte virtude a religião. Embora diversas crenças se apresentem como fonte da moral, esse é um vínculo que não resiste às evidências empíricas disponíveis nem à análise da incipiente ciência moral.

Se é da religião que vem a moral, deveríamos, como vivamente prognosticou Datena, encontrar nas prisões um grupo desproporcionalmente grande de ateus e menor de religiosos. Não é isso, porém, o que sugerem os dados. Estatísticas reveladas por uma funcionária do Birô Federal de Prisões dos EUA de 1997 mostraram que a proporção de cristãos era de 80%, mesmo valor da população geral. Muçulmanos, que correspondem a algo entre 1% e 3% dos norte-americanos, eram 7,2% dos presidiários.

Já os ateus declarados, que se contam em 0,4% na população geral, eram 0,2% dos apenados.

É claro que esses dados precisam ser apreciados criticamente. Para começar, é preciso lembrar que especialmente na cadeia as pessoas mudam de religião. É provavelmente isso o que explica a concentração de muçulmanos, que já há vários desenvolvem um forte trabalho de conversão de presidiários.

Outro ponto polêmico é o da confusão entre “ateus” e “sem religião”. É bastante razoável supor que, devido ao preconceito, muitos ateus “se escondam” na categoria “sem religião” ou dos que se recusam a revelar sua crença. Daí que a medida mais prudente é considerar apenas os que se declaram abertamente ateus. Aí, é claro, a base fica pequena demais para elucubrações mais sofisticadas.

Seja como for, esses dados servem para mostrar que a religião não oferece efeitos protetores sobre o crime. E, se é verdade que há menos ateus, isso provavelmente se deve ao fato de que essa é uma população mais instruída e, consequentemente, rica. A pobreza é um fator preditivo de criminalidade bem mais poderoso que a religião.

A ausência de vínculo entre religião e “bom comportamento” também foi verificada nos EUA em relação a divórcios (vistos como pecado ou falha moral por várias igrejas) e trabalho voluntário de médicos. Na verdade, médicos ateus e agnósticos se mostraram um pouquinho mais generosos para com os necessitados do que seus colegas religiosos, de acordo com um trabalho citado por Darrel Rey em “The God Virus”.

No Brasil, temos pelo menos os dados das separações. Como procurei mostrar numa reportagem publicada (só para assinantes da Folha e do UOL) há algumas semanas, as religiões não bastam para segurar os casamentos.

Esses resultados talvez sejam surpreendentes para o Datena, mas não à luz da biologia. Numa leitura darwinista, a moral nada mais é do que uma coleção de sentimentos como os de justiça, culpa, raiva, lealdade que evoluíram para possibilitar e aprimorar a vida em sociedade. O advento da linguagem permitiu relações muito mais sofisticadas de altruísmo recíproco. É basicamente essa complexidade que nos diferencia de outros primatas.

Evidentemente, tudo isso teve de ocorrer dezenas de milhares de anos antes de o primeiro padre rezar a primeira missa - ou nossa espécie não teria chegado até aqui.

{Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação - FNDC}

Fésta da demoqrassia hein dôis miu i déis {2}

Friday, August 27th, 2010

La memoria del saqueo y sometimiento

Friday, August 27th, 2010

Argentina: El bicentenario desde nuestra memoria

por MNCI

En el año de bicentenario de la revolución de mayo, nos detenemos para mirar desde la memoria, los 500 años de continuidad en los padecimientos de nuestras comunidades y nuestros antepasados, la memoria del saqueo y sometimiento que nos ha causado el capitalismo y el imperialismo desde que el conquistador llegó, la memoria de los heroicos alzamientos de Tupac Amaru, Micaela Bastidas, Bartolina Sisa, Juan Chalimin, los hermanos mapuches, entre otras, rebeliones justas que no fueron apoyadas por las burguesías y grupos criollos de su epoca .

La memoria de que la independencia de los españoles no significo el respeto de nuestros derechos ya que los líderes revolucionarios que comprendieron nuestra lucha como Monteagudo, Castelli y Belgrano fueron aislados y vencidos en las luchas internas, triunfando un modelo de nacion excluyente y discriminatoria, en el cual el contrabando, la avaricia y la corrupción serian los principios de la nueva oligarquía.

En memoria de San Martin, Artigas, Juana Azurduy, Quiroga, Peñaloza, y tantos y tantas otras que lucharon por un país para todos y que también sus historias fueron tergiversadas para culminar en la tesis de civilización y barbarie justificando el genocidio de millones de campesinos e indígenas para arrebatarles sus tierras. Sobre esa sangre se cimentaron las bases de esta nación Argentina.

Hoy continuamos bajo un modelo salvaje, donde el capitalismo impregna de muerte, hambre y soledad a nuestro pueblo. Los agronegocios y las transnacionales continúan el despojo, arrasando bosques y montañas para llevarse nuestros bienes naturales, dejando suelos depredados, aguas contaminadas, desempleo, enfermedades y hambre. Continuando con un éxodo rural que sigue alimentando mega polis insostenibles donde la marginalidad provoca guerras sin sentido, donde la cultura del consumismo genera demandas energéticas que son imposibles de satisfacer sin destruir nuestro planeta. Hoy el modelo económico sigue concentrando las ganancias en un sector privilegiado mientras que las mayorías nos encontramos en la pobreza. La tierra está cada vez más concentrada y los terratenientes y agro empresarios nucleados en entidades con historia de genocidio como la SRA y la CRA usan nuestro territorio en función de las necesidades europeas y solo pensando en maximizar aun más sus desproporcionadas ganancias. La soja, los transgénicos y los agro combustibles avanzan sobre la vida campesina indígena y sobre la soberanía alimentaria y las justas luchas de nuestros compañeros y compañeras son criminalizadas por la justicia corrupta y perseguidos una la policía que solo reconoce derechos en los empresarios.

Los aprendizajes

La memoria nos dice que desde que hubieron intentos de dominacion , hubo resistencia, pero tambien existieron egoismos, incompresiones, prejuicios que posibilitaron el avance del opresor.

La llegada de los conquistadores nos encontro divididos, y los saqueadores contaron con el apoyo de muchos de nuestros hermanos. Este estigma nos seguira en nuestra historia, asi como durante el genocidio que significo la campaña del desierto.

Algunos pueblos indigenas y criollos colaboraron con Roca apoyados en el resentimiento y esperando obtener ventajas lo cual perjudico de gran manera a la resistencia indigena y campesina. Asi podemos enumerar lamentables episodios.

El camino iniciado por Tupac Amaru, el grito de libertad alzado el 25 de mayo de 1810, ha sido mil veces ahogado en sangre, todavia no somos libres.

Desde esa memoria es que creemos que en este bicentenario debemos gestar espiritu de unidad. Indigenas, campesinos, trabajadores, todos y todas debemos lograr ampliar nuestra capacidad de unidad de accion en pos de profundizar la lucha contra el saqueo imperialista y el capitalismo y seguir construyendo desde nuestras comunidades, nuestros barrios y nuestros pueblos una patria para todos y todas.

Y cuando decimos patria no decimos solo argentina, hablamos de la patria grande latinoamericana y de el mundo entero, porque Otro mundo es posible. Un nuevo paradigma civilizatorio basado en el cuidado de la naturaleza, la igualdad, la justicia y el respeto de la diversidad.

Por eso a 200 años de ese glorioso 25 de mayo aun seguimos luchando por la libertad, por la tierra y por la justicia.

Tierra, agua y justicia para todos.

. . .

* Movimiento Nacional Campesino Indígena;

* CLOC - Via Campesina.

{Minga Informativa de Movimientos Sociales}

MnF!!! [XXIX]

Friday, August 27th, 2010

Vou levar o branquinho, pode embrulhar!

Friday, August 27th, 2010

Restrições de cor e idade da criança continuam prolongando espera na fila de adoção

por Amanda Cieglinski

Das 27 mil família inscritas no Cadastro Nacional de Adoção, 56% querem adotar crianças de até 3 anos de idade e quase 40% aceitam apenas crianças da cor branca. As restrições de raça, idade e condições saúde são as principais razões para que ainda seja longo o tempo de espera na fila de pais e mães que optaram pela adoção. A maioria dos menores que vivem em abrigos tem perfil diferente daquele que é procurado pelos pretendentes.

“O que o sistema de Justiça disponibiliza hoje são crianças maiores, que estão muitas vezes vinculadas a um grupo de irmãos. Essas características muitas vezes não despertam o desejo de acolhimento pela família interessada na adoção”, explica o chefe de adoção da Vara de Infância e Juventude do Distrito Federal (DF), Walter Gomes.

Segundo ele, hoje, no DF, quem quer adotar uma criança de até 2 anos deverá aguardar na fila por cerca de cinco anos. “Mas quem se habilita a acolher uma criança de 8 anos consegue isso em dois meses. O grande impedimento para que a adoção ocorra de forma mais rápida é uma rigorosa restrição imposta pelo interessado”, defende.

A advogada Fabiane Gadelha esperava há dois anos na fila da adoção por uma criança que tivesse até 3 anos de idade. Apesar de já ter uma filha biológica, adotar era um deseja antigo dela e do marido. Depois de conhecer um grupo de apoio ao acolhimento de crianças com deficiência, resolveu flexibilizar sua busca. E em dois meses já era mãe de Miguel, de 9 meses, portador da Síndrome de Down.

“Foi paixão à primeira vista. O Miguel devolveu para mim essa fé de que as coisas da vida acontecem no tempo certo e na hora certa”, conta. Miguel vive com a família desde setembro do ano passado e mudou a logística e a organização da casa. “Ao mesmo tempo ele ampliou meus horizontes, me surpreende todos os dias. Ele vai propiciar para a minha filha uma excelente oportunidade de ser uma pessoa melhor”, acredita.

Hoje Fabiane trabalha em grupos de apoio a adoção de crianças com deficiência e espera que outras famílias possam seguir seu exemplo. “De repente esse pai ou mãe que está na fila pode encontrar seu filho atrás de uma deficiência. Eu recomendo que abram seu perfil, se permitam conhecer porque o que tiver que ser seu será. A lei lhe dá essa possibilidade de tentar”, aconselha.

{Amai-vos}

Sandras e Sakinehs? {1}

Thursday, August 26th, 2010

Reprodução

Mulheres, Irã e esquerda

por Rui Martins

O episódio envolvendo a mulher iraniana, Sakineh, ameaçada de morte por apedrejamento, o presidente iraniano Ahmadinejad e o nosso presidente Lula, tem o grande mérito de esclarecer certas tomadas de posição da esquerda brasileira.

Embora eu tenha lido que a embaixada iraniana no Brasil vai fazer uma campanha de esclarecimento, ja há coisas bastante claras. Mas vamos começar do princípio - um postulado básico do posicionamento da esquerda e mesmo objetivo de sua luta política é o respeito a um princípio não negociável, os direitos humanos.

A longa trajetória da esquerda tem sido marcada por campanhas que foram contra a escravidão, como a memorável luta dos escravos comandados por Spartacus; pela liberdade do pensamento, na qual Erasmo, Guttenberg, Lutero tiveram relevância; pela ação de pacifistas em favor do respeito da dignidade humana e contra o imperialismo, como Cristo e Gandhi; pelas mulheres que, ainda recentemente, conquistaram o reconhecimento de serem iguais aos homens, como Simone de Beauvoir, a ex-ministra francesa Simone Weil, a advogada francotunisiana Gisele Halimi, por terem conquistado o direito legal de abortar e outros tantos homens e mulheres que, aqui na Europa e nas Américas, acabaram com os casamentos arranjados e forçados, e chegam mesmo a reconhecer o direito da mulher vender o prazer sexual se a isso não for obrigada.

Esta luta das mulheres, cujos resultados têm sido colhidos nos nossos dias, têm sido uma das mais difíceis, porque mesmo entre esquerdistas notórios, revolucionários e militantes pelos operários, o reconhecimento da igualdade entre homens e mulheres não foi automático. Por absurdo que possa parecer, as mulheres militantes na Revolução Espanhola, na Revolução de Outubro tinham escalão inferior, clima que existia também entre muitos marxistas.

Ora, na marcha da História, onde existem recaídas e retrocessos, o reconhecimento da dignidade das mulheres, do seu direito à liberdade para viver, casar e divorciar, ter ou não ter filhos, ser ou não fiel ao amante ou marido, é assegurado num número reduzido de países. E no próprio Brasil ainda não é de todo reconhecido.

Faz pouco anos, todos os autores de crimes passionais eram absolvidos. O caso mais flagrante da justiça machista brasileira é o do ex-diretor do jornal O Estado de São Paulo, Pimenta das Neves que matou pelas costas sua ex-amante, a jornalista Sandra Gomide, por ter sido por ela preterido e, embora condenado, vive em liberdade aguardando uma decisão do STF que, pelo jeito, nunca virá. No Brasil, não se apedreja Sakineh ou Sandra, mata-se a faca ou a tiros, e fica por isso mesmo, porque a justiça e a sociedade fazem vista grossa.

Ora, onde eu quero chegar? O posicionamento de esquerda não deve e não pode permitir o caucionamento de regimes e governos ainda na idade da pedra e dos apedrejamentos em questões de direitos humanos que incluem, é óbvio, as mulheres. Mesmo quando se trata de manobra tática política, o contrapeso é excessivamente pesado.

Apoiar regimes que lapidam mulheres, obrigadas a serem fiéis a maridos que lhes foram impostos, ou simplesmente vítimas de suspeitas ou de tramas familiares, é um contrasenso e não ajudará esses países a promover as reformas necessárias em favor das mulheres, livrando-as do jugo de religiosos retrógrados.

Apoiar regimes que cortam mãos, pés e cortam o nariz e orelhas da mulher que declara querer se divorciar, é ser conivente e cúmplice. Isso não quer dizer que o imperialista Bush podia invadir e ocupar países do Oriente Médio. Cada país tem direito à sua autodeterminação e a evoluir. A Europa queimava hereges na fogueira, caçava bruxas e punia as adúlteras, isso ainda há trezentos anos. O Afeganistão e a milenar Pérsia vão evoluir sem precisar de soldados ocidentais, ao contrário, a ocupação americano-européia só vai atrasar essa evolução.

Outra coisa, não é porque Israel tem governo de extrema-direita, aplica uma indecente política de colonização e humilha os palestinos que o Hamas se transforma no movimento revolucionário exemplar e que a Palestina governada pelo Hamas será o paraíso. Ninguém é obrigado a ser por Israel ou pelo Hamas, é muito mais coerente e correto ser contra os dois. Não é porque não aceito o prepotente Netanyahu que vou justificar o Hamas religioso, que vem acabando com o laicismo do Fatha e com as conquistas das mulheres palestinas da época de Arafat.

Sakineh, a mulher iraniana ameaçada de morrer apedrejada, não é a primeira e nem vai ser a última. Já houve mobilizações mundiais em favor de mulheres condenadas ao apedrejamento em países islamitas africanos.

Quem viu o filme baseado no romance de Khaled Osseini, sobre o Afeganistão de antes da invasão soviética (não se deve esquecer) até a atual ocupação ocidental, lembra-se da cena da mulher lapidada. Ainda há uns cinco anos, um professor em Genebra justificava no jornal Le Monde o apedrejamento de mulheres adúlteras até a morte. Era Hani Ramadan, filho do criador do movimento islamita fundamentalistas Irmãos Muçulmanos e irmão do líder islamita na Europa, Tarik Ramadan, que até hoje não deixou claro se apoia ou não esse tipo de punição ditada pela chariá do Corão.

O caso da mulher iraniana ameaçada de ter seu rosto e cabeça destruídos por pedras lançadas por homens não é apenas a resposta iraniana maleducada ao nosso presidente Lula, por ter oferecido refúgio à iraniana.

É muito mais que isso - é a existência no nosso planeta de regiões e religiões que consideram as mulheres seres inferiores, que as escondem sob o manto escuro da burca e as matam a pedradas. Não vejo como poderia apoiar ou justificar, mesmo como tática política, tais países. Só com condenações e denúncias (não guerras ou invasões) poderão evoluir. A destruição do Iraque, país laico, pelos americanos favoreceu o islamismo ortodoxo iraniano. E hoje, em lugar dos não religiosos Nasser, Arafat e Sadam Hussein, o líder da região é Ahmadinejad apoiado por mulás e imãs, como na nossa Idade Média de reis e imperadores apoiados pelo Vaticano.

{Direto da Redação}