Lado D dos Esportes no estilo "a vida é um jogo"
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    January 22nd, 2010Lado D dos EsportesFutebol

    El fútbol

    Un poema de Roberto Jorge Santoro, secuestrado el 1 de junio de 1977 por los represores de la última dictadura militar. Su “Literatura de la pelota” fue el primer libro que recopiló poesía, relatos y cuentos deportivos.

    Permanece desaparecido.

    * Imagem: Reprodução

    . . .

    Bailarín

    con un pie mareador

    silbador

    quien lo ve

    toca de a poco

    en caricia

    le pone al cuerpo ballet

    levanta el balón

    lo empuja

    lo resbala

    lo mima con una gana

    lo enrolla con otro pie

    le da una vuelta

    en el aire

    de taco

    que ni se ve

    la vuelve

    le cae al pecho

    que para

    cae

    resbala

    su pierna de forma rara

    la hace morir en el pie

    que la pisa

    si dormida por el suelo

    la toca

    y levanta vuelo

    la pelota y el ballet

    que en avance

    con un pique

    le dice que se le achique

    la guarda

    que en el zapato

    del otro que ni la ven

    se da vuelta y no la tiene

    está saltando

    en el aire.

    {Agencia Rodolfo Walsh}

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    January 20th, 2010Lado D dos EsportesFutebol

    Dois vídeos fizeram parte, na semana passada, dia 15 de janeiro, do primeiro ano do acidente que vitimou 3 (três) membros, e feriu tantos outros, da delegação do Brasil (Pelotas/RS).

    Com o aniversário de uma data mais que dispensável, a reação é a mesma, ainda que o trânsito seja uma máquina de moer vidas, minuto a minuto: incredulidade!

    Grande parte das pessoas tem nas perdas sentimento de difícil recuperação, e especificamente no universo boleiro, cheio de paixões e cifras, time de poucos recursos que tem um, dois, no máximo três “ídolos”, ver até o goleador de larga história como uma das vítimas parece coisa calculada, ou do aleatório azar… dói na alma e no bolso. Daí a sensação de que foi ontem, é provável que assim sempre será, para os torcedores do clube ou para o curioso que embarcar na tragicidade daquela noite.

    Esta passagem de altas doses de tristeza guarda perspectivas, em breve voltará a ser tema no Lado D.

    Força aos xavantes. Cuidem-se os demais! (RAG)

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    January 16th, 2010Lado D dos EsportesFutebol

    Este texto poderia estar no blog dissonante, mas pelo vídeo ao final, está garantido por aqui.

    Aliás, o amistoso que a Seleção Brasileira “disputou” em 2004, ou melhor, celebrou com a Seleção Haitiana, é um feito acima da temática Esportes, Futebol, Jogo da Paz, ato diplomático, não por superioridade…

    É tudo isso em pequenas doses, mas a grandiosidade está nos sorrisos, na corrida de parte dos cidadãos do país caribenho para um melhor ângulo ou maior proximidade com os craques da Canarinha… Um terremoto de HUMILDADE!

    Utilizar o termo “terremoto”, apesar da carga negativa que ostenta, segue para contrastar, combater a overdose recente perceptível no rádio, na tv, na tela do computador, nos impressos, e creio que se eles não existissem, ainda assim um vento estranho sopraria, que milhares de seres vivos sucumbiram ante as forças da Natureza. Praticamente num golpe só.

    Da reação atônita pelo primeiro contato com a notícia da catástrofe natural do dia 12.1.2010, é possível trafegar pela compreensão do ocorrido e, em poucas horas, buscar à mente a história do Haiti, analisar o que geralmente veiculam estes canais de informação e respectivas linhas críticas, lembrar das coisas construtivas e das que não acrescentam muito.

    Ver os furos de reportagens, as capas das empresas de comunicação e suas manchetes, têm limite. Caras indignadas, chamadas no estilo “Daqui a pouco tem mais Haiti”, comentários de âncoras e celebridades caolhas dosando que “o Haiti está mais lembrado que os desabrigados daqui do Brasil”, no lugar de estimular a curiosidade e eventual contribuição “humanitária”, findam em polir o umbigo mal lavado.

    Dados como “não tem nem um macaco hidráulico” ou a ressonante “o país mais pobre do Ocidente”, repetidos à exaustão, decididamente, não contribuem em nada para alterar o descaso que vitima diversas nações, países ou não, através do planeta. Desde alguma canção tucanizada que diz que o Haiti é aqui, passando pela vizinhança de paraísos fiscais, mares azuis e praias reservadas para resorts e navios de luxo, é um cerrar de olhos que faz do terremoto a revelação do descaso renovado, ou até mesmo a sensação de que aqueles que se foram estão livres do sofrimento secular ao qual foram submetidos.

    Assim, cadê os índios haitianos que não passam na tela da tv? Sim, o continente americano era todinho deles… E o que fazem os negros nas imagens das agências internacionais, afinal, é ou não é América Central? Por que eles falam francês, em grande maioria? Tudo isso não é pergunta tipo “quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?”. O que faz o gorrinho gaulês no cume da palmeira, no brasão oficial (vide imagem acima)? Hummm, e ouvir que diante da “ajuda” existem interesses de “lideranças políticas na região”?

    Vem a dosimetria em outra interrogação: as indagações do parágrafo anterior não contribuiriam ao menos para explicar o falso estigma de “país ocidental mais pobre” e a sua absurda dependência? As ajudas, claro, seriam inevitáveis, mas o coitadismo aparentemente de nascença não mereceria, com tamanha destruição, sair de cena? Impor terremoto psicológico é pior, mata de forma lenta, desaba a liberdade, quando na verdade merecia um abalo sísmico de autonomia não de “míseros” 7 graus na famigerada escala Richter, e sim de uns 200!

    Para as forças naturais, no caso, movimentos tectônicos, ainda não existem bodes expiatórios como Afeganistão, Vietnam, Iraque, terroristas barbudos e maus, aliados ou eixo. Na História, há um tapete que, mesmo proibido de ser levantado por no máximo 8 países, exala sujeira, e não será limpo através dos meios de comunicação hegemônicos e governos que a maior parte da população mundial terá esta gratificante epidemia. É por isso que o sofrimento é banalizado e surge o lucro como meta final das notícia$.

    Eis que surge o citado vídeo: por que não incluí-lo numa grade de programação de algum canal, de preferência, aberto? Foi colhido no YouTube, que sempre tem tudo, e desconheço se são trechos do documentário “O dia em que o Brasil esteve aqui” (de João Dornelas e Caíto Ortiz), este que como o mato do vizinho do Bezerra da Silva, a maioria da população pode dizer que “não sei, desconheço, isso nasceu aí”, por não estar nas prateleiras, embora os trechos seduzam a todos que desde 2004 os assistiram.

    É como foi citado no início, não é uma questão de futebol, mas de humildade em acolher uma representatividade repleta de etnias parecidas com a sua, o êxito de outra nação fustigada pelo colonialismo, e sequer fala francês. É a miscigenação de um Pelé, Didi, Garrincha, ou entre os que lá estavam, os Ronaldinhos (atuais Ronalduchos), Roque Junior, Zagallo, etc. A euforia dos irmãos de continente, além de traduzir um terremoto de simplicidade, tem a ver com a “Liberté, Egalité, Fraternité” roubadas desde a conquista, do que era paraíso, pelos espanhóis.

    Vendo o vídeo (ainda verei o filme, há muito que não vejo a hora!), é difícil a ausência daqueles craques nos noticiários apocalípticos desta semana, o que dizer da “maior” estrela do “Jogo da Paz”, que nem vai participar do jogo em benefício das vítimas por cláusulas de marketing com o clube atual - é o que divulgam as empresas jornalísticas. Muitas casas de insensibilidade ficaram de pé. É possível ler entre os comentários dos vídeos sobre este jogo uma teoria bem prática: se aqueles 22, no mínimo, doassem 1% do que ganham, ajudaria bastante como cidadania.

    Parece improvável que os arrepios, gargantas trêmulas e lágrimas que vieram daquele 18.8.2004 tenham prazo de validade, e pra piorar, num prazo tão curto quanto 6 anos. Mas é uma triste verdade, ao menos para os pretensos protagonistas da bola no pé; quem tem dúvida sobre os atores principais? Sim, o povo que os acolheu como representantes, não tem culpa por não ser escalado na hora do “vamo vê”!

    Coitado de quem pensa que um dia a casa não cai…

    Força, Haiti, o seu couro é grosso, e a sua alma, grande. (RAG)

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