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June 29th, 2010FutebolNuestros hermanos argentinos terão que correr em dobro contra os germânicos…
Até o técnico, Joachim Löw, que não entra em campo, está comendo a bola, com direito até a troca de passe, da direita para a esquerda.
Contra a Inglaterra ele fez isso e deu no que deu, 4 a 1 nos súditos da rainha!!! (RAG)
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June 28th, 2010Futebol
Los futbolistas no son de Marte
Editorial
La Selección Mexicana de fútbol quedó eliminada por quinta ocasión consecutiva en los octavos de final del torneo deportivo más importante del mundo. ¿Por qué hablar de ello en este espacio? Primero, porque para bien o para mal se trata del evento más influyente sobre el ánimo nacional; factores como la productividad laboral, la actividad comercial, incluso el tránsito son determinados por dicho fenómeno. Segundo, porque esta fuente de constantes frustraciones brinda la oportunidad de analizar qué hay detrás del fracaso mexicano en ésta y otras áreas.
En un momento en que cunde el pesimismo en el país por la situación económica, la inseguridad, el desencanto ante la estéril clase política, se antojaba más necesario que nunca un logro deportivo. Los titulares de la comunidad internacional por fin tendrían algo más que decir de México aparte del narcotráfico. No sucedió quizá por falta de fortuna, así son los juegos, y el azar también influye. Pero cuando el fracaso se repite con el mismo guión cada cuatro años, algo más está sucediendo.
Los directores técnicos de la Selección Mexicana de fútbol siempre han explicado la intrascendencia nacional en este deporte como “falta de mentalidad ganadora”, “mezquindad”, “poco atrevimiento”, “miedo al éxito”. Así es el futbolista mexicano y por eso suele jugar como nunca y perder como siempre, dicen. La pregunta es ¿cómo influye esta característica cultural - comprobada tras casi un siglo colmado de fracasos en Mundiales - en el resto de las actividades del país? Si nos fijamos un poco, existen muchas similitudes entre la historia del fútbol mexicano y la propia historia del país. Después de 40 años de programas sociales casi la mitad de la población sigue en la pobreza; luego de una costosa y tortuosa transición a la democracia las viejas transas electorales están incólumes, hemos desperdiciado la oportunidad de desarrollo que significó la abundancia petrolera y la juventud de la población… en resumen, un gran “ya merito”.
No se atrevió Vicente Fox a desmantelar el corporativismo priísta, así como diputados y senadores no se han atrevido a realizar una profunda reforma fiscal, energética, política o laboral. Organizan foros y mesas de debate, realizan grandes anteproyectos, todo para que al final se impongan los mismos intereses y queden sólo las buenas intenciones. Jugaron como nunca y perdieron (perdimos) como siempre.
Los políticos no provienen de Marte, ni los futbolistas de Neptuno, todos son reflejo en mayor o menor medida de la sociedad mexicana, de sus vicios, de sus mañas y sus costumbres. ¿Cómo cambiarlo? A través de ejemplos, liderazgos que bien podrían venir de 11 jugadores en un campo de futbol, pero también de otros muchos mexicanos que sí se atrevan.
{El Universal}
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June 28th, 2010Futebol
Primeira do mata-mata deve ter futebol de primeira nas Oitavas.
Contra os portugueses foi jogo de comadres, não teve nada de revide histórico, pra variar…
Pena que terá que ser com o Chile, uma latino-americana a menos para o prosseguimento do campeonato.
Agora, ao menos o “fair-play” entre o nosso povo, para o continente, junto à África de Gana, deixar esse negócio - o caneco - no “Novo Mundo”. (RAG)
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June 28th, 2010FutebolSérie Publi$$idade$
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June 27th, 2010Futebol
Esta é uma outra versão do racismo, ao invés do branco versus o negro, este sentimento horrendo manifesta-se também entre os da mesma cor.
Aliás, quem falou que só de cores o racismo se alimenta?
Coisa de humanos… (RAG)
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Xenofobia na África do Sul ofuscada pelo Mundial
por Nastasya Tay
Muitos imigrantes africanos na África do Sul incentivam as seleções de futebol do continente na Copa do Mundo, apesar da violência racista que eclodiu há um ano neste país, mas temem que as agressões voltem quanto o Mundial terminar. “Há tempos que a África é ignorada, desfavorecida e considerada a mais pobre. Um bom rendimento levanta o ânimo das pessoas em todo o continente. Falta unidade. Esta é a primeira vez que nos juntamos”, disse Alfie Little, que torcia pela primeira vez para a Costa do Marfim no jogo contra o Brasil.
Ficou desanimado com o mau rendimento dos Bafana Bafana, a seleção sul-africana, e disse que incentivará qualquer outra equipe africana. Mas, o que acontecerá quando as vuvuzelas se calarem e se desfizer o patriotismo africano? As notícias sobre ataques xenófobos continuaram, ofuscadas pelo grito de gol, marcado pelo meio campista sul africano Siphiwe Tshabalala, no dia 11, contra o México.
Uma onda de violência xenófoba deixou 62 pessoas mortas nesse país entre maio e junho de 2008. “A violência generalizada de origem racista pode estourar quando terminar o Mundial, diz uma declaração do Consórcio para Refugiados e Imigrantes da África do Sul, que contém várias recomendações para evitar que se repitam os fatos de um ano atrás. A violência continuou, mas em escala menor em diversas partes do país”, acrescenta. “Os sul-africanos nos tratam mal”, disse Faith Ngwenya, empregada de um restaurante ganês de Joanesburgo.
Esta zimbabuense de 26 anos chegou à África do Sul com seu filho, fugindo da escassez de alimentos em seu país, com a intenção de conseguir trabalho para enviar dinheiro à família. “Dizem que tiramos seus empregos”, acrescentou. Entretanto, agora desfruta da realização do Mundial e apoia os Bafana Bafana. A situação mudou durante o campeonato, reconheceu. “No momento mudou porque queremos que ganhem. Mas não sei o que ocorrerá depois. Há boatos de que vão nos demitir. Se isso acontecer, a única opção será partir”, acrescentou.
Nas últimas semanas, muitos zimbabuenses assustados pediram a Dorothy Nairne, que tem uma agência de empregos para pessoas sem qualificação, se podiam mudar-se para sua casa. A maior parte do tempo trabalha com imigrantes. “Estão muito assustados. Dizem que as pessoas de seu bairro fazem ameaças. Não sabem se são sérias, mas disseram que vão matá-los”, contou. Um ganês amigo de Nairne não agita sua bandeira por medo de ser preso. “Não há problema se você é estrangeiro desde que europeu. Agite sua bandeira, mas não o faça se ela for africana”, acrescentou.
No bairro de trabalhadores de Salt River, na Cidade do Cabo, onde vivem numerosos imigrantes, pode-se ver bandeiras das seis seleções africanas, e da Palestina Livre. As pessoas se reúnem no bar e no parque e torcem pelo continente, independente do país que joga. As distâncias diminuem entre as pessoas de diferentes origens com a euforia do campeonato, o barulho das vuvuzelas e as simpatias pelas mesmas cores. “Mas, cuidado quando acabar. A desilusão será real. As pessoas não verão benefícios do torneio. Quando sentirem o beliscão, se mexerão”, acrescentou.
O governo não fez muito para diminuir as expectativas sobre os benefícios da Copa do Mundo enquanto gastava a mão cheia nos preparativos. Os trabalhos na construção foram temporários. Muitas pessoas que há décadas esperam por melhores moradias observaram desanimadas o multimilionário gasto destinado a entregar os estádios no prazo. O lifting urbano e as restrições severas ao comércio não autorizado fizeram com que o setor informal perdesse a enorme quantidade de fanáticos que perambulavam pelas ruas das diferentes cidades escolhidas como sedes dos jogos.
Das 109 pessoas ouvidas para um estudo entre os que usam os serviços do Centro Scalabrini, que trabalha com imigrantes na Cidade do Cabo, 75% acreditam que a violência recomeçará ao fim do Mundial. Mais de dois em cada três entrevistados disseram ter sido ameaçados. As intimidações são reais, mas se os sul-africanos se propuserem a deter o ódio, as ameaças não se tornarão realidade, afirmou a diretora do Centro, Miranda Madikane.
O fervor nacionalista alimentado pela Copa do Mundo não deve degenerar. “Ganhe ou perca, te amamos”, diz um cartaz no bairro de Khayelitsha, o maior da Cidade do Cabo. Entre as bandeiras da África do Sul agitadas durante a última partida da seleção nacional havia uma da Nigéria onde estava escrito em vermelho: “Unidos pela África”.
Fonte: Agência Envolverde e Unisinos
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{Amai-vos} -
Locos
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June 27th, 2010Futebol
Elogio de la locura
por Ariel B. Coya
“Hay un cierto placer en la locura, que solo el loco conoce”.
Pablo Neruda, poeta chileno, Premio Nobel de Literatura (1971)Hubo un periodo de la historia, sobre todo en el Medioevo, en el que ser tildado de loco equivalía tácitamente a convertirse en hereje y por consiguiente a morir rostizado en la hoguera (como fueron los casos de Juana de Arco y Giordano Bruno). Curiosamente, con el paso del tiempo, el término cobró nuevas acepciones y, por cosas de la vida, pasó a ser también sinónimo de genio. Sin ir muy lejos, Van Gogh y Einstein ofrecen de seguro dos magníficos ejemplos.
Hablando de lo mismo, en el fútbol, que nunca ha sido un mundo muy cuerdo, hace tan solo unos días el argentino Martín Palermo pasó de loco hereje a héroe reivindicado: A punto de cumplir los 37 años, se transformó en el debutante más veterano en marcar en una Copa del Mundo, casi una década después de haber sido defenestrado de su selección.
¿Cuál había sido exactamente su pecado? Algo totalmente de locos: Palermo, que incluso había convertido poco antes un penal con los dos pies, erró tres penas máximas en el choque que la albiceleste perdió por 0-3 ante Colombia, en la Copa América de 1999. Un récord bien difícil de igualar y por el cual ardió sin muchos miramientos en la pira de los críticos más furibundos.
Cualquier otro jugador en su sano juicio, hubiese optado por dedicarse a otra cosa, emigrar del país o cambiar de identidad. Palermo, sin embargo, no lo hizo así y antes más bien, continuó dedicado a lo suyo, que como todo delantero consiste básicamente en firmar goles: de zurda, de cabeza o de taco; con las nalgas, de derecha, colgado del travesaño o hasta lesionado.
De ese modo devino un auténtico ídolo dentro del conjunto bonaerense Boca Juniors, al que había arribado en 1997 por petición expresa de Diego Armando Maradona, tras descollar en Estudiantes La Plata. Luego se marchó a la Liga Española e hizo goles hasta que se lesionó, antes de regresar nuevamente a Boca, para seguir perforando las redes rivales y volverse a lesionar.
Así y todo, Maradona, en un rapto de loca lucidez, lo convocó para el partido eliminatorio contra Perú, un duelo de vida o muerte en el que solo una victoria le servía a Argentina para ir al Mundial. Diluviaba en el terreno, con el choque empatado (1-1), cuando a Palermo le llegó su oportunidad. En el último suspiro, en la última jugada, pescó un balón perdido en el área y marcó. El estadio en pleno y la Argentina toda se fundieron de pronto en el delirio y el viejo Palermo, lloroso y sonriente, pasó a transformarse de villano defenestrado en un loco genial. Algo muy parecido a lo sucedido ahora.
“Andá y definímelo”, le ordenó el Pelusa cuando el encuentro ante Grecia marchaba solo 1-0 y Palermo, obediente, saltó al césped. Es verdad que no hizo gran cosa, salvo tocar un par de balones, pero uno de ellos lo empujó al fondo del arco para el 2-0. Esa fue su genialidad.
Claro que si de orates se trata, en el manicomio balompédico que es por estos días Sudáfrica quizá no exista nadie más chiflado que Marcelo Bielsa. Argentino como Palermo, es quien conduce los destinos de la sorprendente escuadra de Chile, país donde, según cuentan, lo quieren canonizar.
San Marcelino le llaman allí, aunque Bielsa como todo “loco” que se respete alguna vez también ha sido tratado mal. Más exactamente cuando, después de clasificar a Argentina como favorita no logró rebasar la fase de grupos en aquel Mundial asiático del 2002. Aún así, consiguió darle a la albiceleste el único título que le faltaba con el cetro olímpico del 2004. Luego, sin más palabras, renunció.
Nacido en una familia de juristas, hay quien opina que con él, el mundo perdió un gran abogado, aunque tal vez lo hizo para ganar un técnico excepcional, como demuestra que durante su época en Newell’s agarrase una libreta y un mapa con el país dividido en 70 regiones para salir a la búsqueda de jóvenes promesas en un auto destartalado.
Siempre con chándal (la única vez que usó traje perdió un partido), siempre aprensivo, el día entero se lo pasa bolígrafo en mano garrapateando estrategias y trenzando alineaciones. Por no decir ya que en una ocasión estudió a fondo 32 videos del Milan para refutarle un criterio a su amigo Valdano o que igual es capaz de ver dos partidos a la vez. Entonces quién le advierte a España que hoy, en Pretoria, se medirá a un rival espinoso, conducido por un loco que, entre el genio y la herejía, duerme, come y anda para vivir el fútbol de una forma visceral.
{Granma}
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June 27th, 2010Futebol
Mundial, hinchas violentos y medios
La corporación mediática utilizó un problema que afecta a todo el planeta fútbol para criticar, sin fundamentos, al gobierno de Cristina Fernández.
por la Redacción de APM
Durante los días previos y los primeros del Mundial 2010 el tema de los barra bravas que habían logrado viajar a Sudáfrica dominó la agenda mediática. Ofreciendo información parcial, desde algunos medios se sostenía la idea de que, como argentinos, debíamos avergonzarnos colectivamente de la presencia de algunos individuos a quienes les fuera negado el ingreso a ese país africano. En ese momento comenté en este blog el trabajo que habíamos realizado con el gobierno sudafricano, enviándoles informes de barras bravas con antecedentes por disturbios. Así se expresó esta semana desde su Twitter personal el Jefe de Gabinete de la Presidencia, Aníbal Fernández, y lo que sigue son sus comentarios.
El día de hoy he recibido de parte del gobierno sudafricano el siguiente informe de control de ingreso de asistentes al Mundial, que brinda un poco de perspectiva internacional sobre este preocupante tema en el que continuamos trabajando. Una perspectiva que fuera convenientemente obviada por el monopolio (mediático).
La Ministro del Interior de Sudáfrica, Nkosazana Dlamini-Zuma, sostuvo que entre el 1 y el 21 de junio, las autoridades migratorias sudafricanas identificaron 12.157 contravenciones en puestos de ingresos aéreos y terrestres del país.
Dlamini-Zuma informo que mediante el despliegue de oficiales de enlace con las aerolíneas en Amsterdam, Dubai, Frankfurt, Hong Kong, Lagos, Londres y Mumbai se impidió abordar a cientos de pasajeros en los vuelos en sus países de origen. Asimismo, mediante el sistema avanzado de procesamiento de pasajeros otras 34 personas con problemas de documentación, no fueron embarcadas rumbo a Sudáfrica.
La Ministro también se refirió a varios hooligans, particularmente del Reino Unido y Argentina que intentaron ingresar a Sudáfrica en las últimas semanas les fue negada la entrada.
Los cinco países que registraron mayor número de ingresos a Sudáfrica entre el 1 y el 21 de junio pertenecen al área de la comunidad para el desarrollo de África del Sur, y son Lesotho, Zimbabwe, Mozambique, Swazilandia Y Botswana.
A estos cinco países les siguen el Reino Unido, USA, Alemania, Australia, México, Brasil, Francia, Holanda, Namibia Y Argentina.
Los comentarios de Fernández en su Twitter desmienten las informaciones que durante días brindaron los medios hegemónicos argentinos, que llegaron a afirmar que los barras bravas habían viajado a Sudáfrica financiados por el propio gobierno.
{Agencia Periodística del Mercosur}
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June 26th, 2010Futebol
O futebol e a traição à França multiétnica
Os heróis franceses de 1998 se tornaram, 12 anos depois, os rejeitados: impostores, egoístas, mal-educados, patifes. Antes ainda que fossem derrotados pelos sul-africanos em Bloemfontein e assim excluídos do Mundial, o jornal Le Figaro resumia assim a indignação geral com relação aos jogadores franceses: são a nossa vergonha e não deveremos aceitar mais que vistam as nossas cores. Enfim, são traidores, ingratos, rebeldes.
A reportagem é de Bernardo Valli, publicada no jornal La Repubblica, 23-06-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Tanta raiva por uma derrota esportiva, mesmo que mundial, em uma sociedade depositária do racionalismo, pode causar admiração. É verdade que o futebol, mais do que qualquer outro esporte, causa fortes emoções em quem o acompanha com espírito partidário, oscilantes entre alegria e tristeza, tédio e admiração, portanto exaltação e indignação. Mas a super-raiva jacobina francesa destas horas não se deve apenas às derrotas agonísticas sofridas na África do Sul, em poucos dias e depois de tantas esperanças.
O ano de 2010 mandou aos pedaços aquilo que em 1998 pareceu um encantamento. Isto é, a feliz ilusão de uma integração obtida pelos imigrantes na sociedade que parecia poluída pela xenofobia (que chega ao racismo com o Front National) e também pela discriminação.
No mundo do futebol, a França nem sempre tinha brilhado. Muitas vezes, havia desiludido. Era uma potência média. Não tinha a mesma história do Brasil, da Alemanha, da Itália. Mas em 1998 superou os três grandes e venceu a Copa do Mundo. Foi um delírio. Foi o triunfo dos jogadores magrebinos, cidadãos de segunda classe na sociedade, mas exemplos inigualáveis nos estádios. Eram eles os artífices da vitória. O jovem Zidane era o campeão que havia dado prestígio à França. E a França demonstrava reconhecimento.
Naquele dia de julho, as bandeiras argelinas se confundiam com as tricolores nos Champs-Élysées. Levado pela multidão, em grande parte argelina, eu me encontrava nos corredores do Palácio do Eliseu, do qual Jacques Chirac, então presidente, havia feito escancarar as portas. E na soleira do seu gabinete acolheu sorrindo uma moça kabila. Kabila como Zidane. Uma moça envolvida nas cores da Frente de Libertação Nacional, que, antes de se tornarem as da Argélia independente, haviam sido o símbolo da luta contra a França colonial. Chirac liderou o acontecimento com ímpeto e habilidade. Foi generoso.
A generosidade está ausente em 2010. Os imigrantes e os filhos de imigrantes, embora não mais de origem magrebina, mas de cor, também eram numerosos na seleção nacional.
Desta vez, porém, o seu comportamento, não apenas no campo, durante as partidas, provocou raiva, indignação, impropérios e causou uma desilusão, que, na hipérbole triunfante, foi comparada à provocada pelos infaustos acontecimentos da história nacional. Batalhas verdadeiras e perdidas ou até guerras também verdadeiras e perdidas. Roselyne Bachelot, ministra dos Esportes, enviada a Joanesburgo por Nicolas Sarkozy pessoalmente, falou de “catástrofe”.
Um filósofo apaixonado pelo futebol e fiel às tradições, Alain Finkielkraut, colocou em discussão a composição social e étnica da equipe da França. Escreveu no cúmulo da indignação que, se a “seleção não representa a França, infelizmente a reflete: com os seus clãs, as suas divisões étnicas, a sua perseguições dos cidadãos exemplares”.
É um espelho terrível em que o país pode se ver. E concluiu sugerindo que, no futuro, seja formada uma “seleção de cavalheiros”. A desfeita esportiva assumiu conotações sociológicas.
Doze anos depois, os jogadores que entraram em campo na África do Sul não são mais heróis, mas sim os degradados produtos da história das “banlieues”, e assim da segregação social e urbana. Um dos jogadores, Nicolas Anelka, o que teria dito a Raymond Domenech [técnico francês, foto], nos vestiários, durante o intervalo da partida com o México, “Va te faire enculer sale fils de pute”, vem de Trappes, na periferia parisiense. E ainda das portas da capital, Les Ulis, vêm Evra e Henry, dois outros jogadores.
Abidal, por outro lado, cresceu em La Duchère, perto de Lion. A sua conversão ao Islã ocorreu espontaneamente, por meio das visitas de bairro, ou dos laços conjugais. É o caso de Franck Ribéry, francês de Bologne-sur-Mer, que se tornou muçulmano com o nome de Bilaf Yusuf Mohammed, para ter a mesma religião da esposa.
Apesar da extraordinária ascensão social (e os notáveis ganhos de 10 ou mais milhões de euros por ano), esses jogadores não cortaram totalmente as relações com o mundo das “banlieues” [bairros da periferia francesa], e a sua adesão ao Islã os tornou sensíveis à história colonial, que não é justamente a que se aprende nas escolas francesas. Eric Abidal, por exemplo, um martiniquês, nunca canta a “Marsigliese”, quando a seleção nacional está perfilada no campo, antes do jogo. Ele explica o porquê: “Estudei as palavras do hino e não me agradam. Represento a França, sou feliz por ser francês, mas não gosto desse hino. Não tem relação comigo”.
Depois dos insultos nos vestiários ao treinador Domenech (insultos revelados pelo jornal L’Equipe), quando explodiram as polêmicas e os jogadores se recusaram a participar do treino, a França se indignou. Foi então que explodiram os insultos e que se multiplicaram as acusações de deslealdade, de traição.
Quem representava a nação em um encontro mundial não podia entrar em greve. E se entrava em greve significava que não tinha consciência de representar a França. Não era, enfim, um patriota. Era um traidor. E, acima de tudo, se revelava incapaz nos estádios e, revestido com as cores francesas, era humilhado sob os olhos do mundo. Foi como se a integração anunciada em 98 tivesse se revelado como uma ilusão. E a sociedade multiétnica revelasse a crise que a atormenta.
{Instituto Humanitas Unisinos – IHU}
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June 25th, 2010Futebol
O embate de hoje, contra os lusitanos, é um dos tantos aplicáveis ao grandioso lema das Madres de Plaza de Mayo: “No olvidamos, no perdonamos, no nos reconciliamos!”
Isso com o suporte impreterível da História, na política e no esporte. Sobre este, na Copa do Mundo de 1966, o escrete de Cabral mandou pernada adoidado, deixaria a Costa do Marfim de 2010 com inveja… Até o Camisa 10 do Futebol saiu de jogo, à la Elano. Foi caça a brasileiros. E ganharam de 3 a 1. Única queda do Brasil na fase de grupos.
Vamos ver agora. 44 anos depois. Ganhar deles, o mínimo. (RAG)
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June 24th, 2010Futebol
“(…) A curva tem uma mureta metálica de proteção em sua margem externa. De dia, o guard rail mais parece o parapeito da janela onde se debruça uma coxilha logo à frente.
À direita da ondulação do relevo, há uma área cultivada com acácias para florestamento destinado à indústria de celulose. Recobre o morro a característica vegetação rasteira do pampa, com herbáceas variadas. Pouco à esquerda, mais abaixo, sobrevive uma pequena plantação de milho.
Da coxilha vultosa ao cúbito da curva faz-se um vale. Em qualquer dos pontos mais altos - na margem da estrada, ou no topo do morro - percebe-se a profundidade que tem em sua base fileiras quase simétricas formadas por um arbusto nativo chamado popularmente de vassoura.
O sol valoriza todas as cores do Paraíso. E torna até agradável o acesso da rodovia estadual em curva à direita inclinada até a federal. São nuances de todos os verdes misturados ao dourado da palha do milho e às singelas gotas de vermelho e amarelo das flores do campo adornando os arbustos.
Mas à noite a paleta de pintura confunde todas as tintas, que pela ausência de cores oferecem o preto como resultado. A coxilha desabitada une-se ao céu, que se compacta ao vale, e abraça a mata nativa, a plantação e as árvores exóticas. O inspirado quadro transforma-se em um paredão uniforme tão negro quanto a própria escuridão. (…)”
(Trecho do capítulo 3 - “Curva”)
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Por que acabar?
Os 10 mais. Conquistas nacionais e internacionais. A saga. Imortalidade. Guia das Copas. As melhores seleções de todos os tempos. A virada inesquecível. Clássicos. Enciclopédias. Contos. Biografia. Centenários. Concepção sociológica. Campeonatos. Escudos/distintivos! Ufa, não são poucos os gêneros e tópicos desenvolvidos no universo esportivo impresso, e apesar da quantidade enumerada - inclusive os temas que não foram citados -, no Brasil é um mercado em desenvolvimento.
Por falar em Brasil, o verde e amarelo, e em livros, um outro Brasil teve um pedaço da sua história registrada no prelo por dois jornalistas, um que também é fotógrafo. Este, o Nauro Júnior, e Eduardo Cecconi, trouxeram um recorte pouco usual para o incipiente, em número de títulos e levando-se em consideração a paixão nacional, mercado das prateleiras esportivas.
O Brasil de Pelotas, clube do interior do Rio Grande do Sul, escrito em loas numa perspectiva historiográfica? Hummm, sim, ali no prefácio, assinado por Aldyr Schlee, escritor e jornalista, desenhista que concebeu em 1953 a camisa canarinha - a própria, a da Seleção Brasileira -, mais extenso rol de predicados. Nestas 4 páginas, em frente e verso, lembra em visão panorâmica o Grêmio Esportivo Brasil, primeiro campeão gaúcho, em 1919, sobre o Grêmio Porto-Alegrense, em Porto Alegre… Aliás, a mesma capital que na década de 40 viu o rubro-negro derrotar o “rolo compressor” do Internacional, fase que pela alcunha dá para perceber o que o Colorado andava aprontando nas quatro linhas dos pampas. O terceiro lugar no Campeonato Brasileiro de 1985, não esqueceu do Felipão e das conquistas da década de 2000, modestas mas festejadas. Schlee dá a dica para pesquisar sobre o Brasil, e para os entusiastas do futebol e da história, se ligar na importância do interior… do Brasil. Para não ficar lacônico, dos Brasis!
Das citações cheias de memória e sentimento do “dono” da Amarelinha, Nauro e Cecconi pegam o bastão exatamente no momento atual do clube pelotense, ali pelo título da Segunda Divisão gaúcha em 2004, época na qual começava a tomar corpo o nome Claudio Milar, artilheiro do certame. Outra generalização que posso fazer é durante a gestão do Helder Lopes, presidente do time, entre 2007 e 2009. Mas se os grandes feitos haviam acontecido há tempos, por que falar de segundona, vice-campeonatos e a quase classificação para a Série B, em 2008? Ao longo da curva…
Desde 1911 há bastante história para contar, mas a BR-392 pautou a dupla de jornalistas ao falar sobre o Xavante, autores de “A noite que não acabou” (Editora Livraria Mundial). A tribo xavante, acolhida como símbolo num duelo com o arquirrival Pelotas em 1946, por causa da vitória heroica do rubro-negro no Campeonato Citadino - uma virada de 3 a 1 para 5 a 3! - e consequente depredação “de alegria” após o apito final, e um filme em exibição na cidade - A Invasão dos Xavantes -, foi flechada numa curva que nem o guard rail teve forças para defendê-la.
Na internet e nas rádios já era notícia, mas o Brasil-País acordou sabendo que após um jogo amistoso preparatório para a Série A do Gauchão, um time sofreu acidente, houve mortes, vários feridos…
Do dia 15 para o 16 de janeiro de 2009, o ônibus que conduzia a delegação do Brasil de Pelotas voltava do município de Vale do Sol após um jogo-treino com o Santa Cruz, de Santa Cruz do Sul, quando trilhou o caminho oposto da faixa e rumou para um precipício, coxilha para os gaudérios, conforme a descrição do excerto acima, do capítulo 3 do livro. A beleza anotada pelos autores em “Curva” não foi suficiente para inibir, em meio ao escuro noturno, o cenário menos desejado pelos condutores e passageiros das rodovias: o acidente!
O saldo de 3 mortes e os 28 sobreviventes-feridos espalhou-se pelo país através, principalmente, dos noticiários esportivos, embora a comoção não tenha ficado restrita aos futebolistas. Em nível diário, infelizmente são inúmeras as vítimas no trânsito brasileiro, mundial idem, só que a ligação com uma marca fantasia que lida com a paixão, no País do Futebol, ganha diferença de outros passageiros que trafegam pelas estradas nacionais. Trabalhadores que são, os atletas da noite que não acaba, é bem verdade, ganharam mais recepção que um caminhão cuja carroceria pudesse estar cheia de boias-frias, também trabalhadores. Peças do sistema. Como o Torino, da Itália, em 1949, tido o clube vitorioso daquele momento, que pereceu em desastre aéreo, ou o Manchester United de 1958, etc.

O desnível e a comparação forçada entre tragédias vem para revelar que, mesmo que fosse de um clube milionário, são pessoas normais e o fatídico trata de nivelá-las. E se milhões de dólares estivessem em jogo, a falibilidade da vida seria a mesma. Ou o que dizer sobre voltar a jogar 19 dias depois, isentos de condições psicológicas e físicas para 90 minutos e a ansiedade de uma torcida fanática? Recrutar tantos outros jogadores com a grana curta, qualidade questionável e em cima da hora? A cruz e a espada do capital, ou como cantou Ney Matogrosso a letra de Antonio Barros: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come!
Na estrada do futebol e das cifras, o Brasil, que “precisaria pagar as contas”, fez valer o ímpeto indígena, guerreiro, e encarou um filme que, tradicionalmente, a invasão dos xavantes perderia novamente. Ao final, o rebaixamento telegrafado traduziu-se em uma vitória técnica apenas - na última partida -, mas uma goleada de garra e a criação da aura de verdadeiro imortal. Como os xavantes originais, caçados pela expansão marítima, os xavantes da região sul do Rio Grande do Sul sentiram o peso das engrenagens, porém, a aura - ela de novo - não tem consistência física. Não morre. E não seria numa noite, sob os efeitos de uma curva mal sinalizada e contornada pela imperícia, imprudência ou negligência, que iria acabar. Por que haveria de acabar?
Em linguagem inspirada pelo Jornalismo Literário, como o próprio Cecconi admite e o leitor atento pode constatar, o tema pouco usual para sair do prelo para as mãos dos leitores perdeu a gordura do infortúnio. Feitos por quatro mãos hábeis no assunto, os 8 capítulos transformam o negativo em aprendizado, as dores como cartilhas da vida, pano de fundo para a realidade que nem o argumento nocivo do “esses caras ganham milhões pra jogar bola” faz sentido. O cotidiano registrado em 44 fotografias, em ótima impressão, contribuem com a transposição do lúdico do esporte bretão, composto por pessoas de carne e osso, e o flerte deste com o trágico. Os autores usam a malfadada curva para expor relações pessoais, desde as familiares, passando pelas midiáticas, profissionais, e culminando com o que move o circuito boleiro: a torcida.
Este livro-reportagem sublima o sintoma da morte ou o interesse ligado aos fãs do futebol, e no quesito literário, passa longe de uma transcrição de obituário ou laudo de necrópsia. Se espremê-lo, o que não sairá é sangue, e sim uma história de carinho ao próximo, ainda que o carinho, na velha sociedade competitiva, possa ser medido em 15 mil pagantes e terminar em 200 e poucos. Possa ser insuficiente para uma doente cegueira futebolística, onde o rival zomba do perecimento do “inimigo” e de si mesmo, quando não o fere com porretes e armas de fogo. Mas pode também conquistar novos admiradores. Ajudar a entender a História. Golear a ignorância ao não escalonar os trabalhos por importância ou rendimentos, ao inverter ou expandir o significado da vitória e da derrota. Ao comprovar que há muita coisa além da curva. (RAG)
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O Lado D manteve contato com um dos autores, Eduardo Cecconi, e falou sobre o livro, os blogs que prepararam o terreno para a versão impressa deste tributo ao futebol do interior - e um posterior -, e naturalmente, Jornalismo, incluindo o Online e o Esportivo (e sua versão online também). Ao final, os vídeos buscados no YouTube, como forma de auxiliar na compreensão do que foi escrito, aqui e nas peripécias literárias de Cecconi e Nauro. A percepção da fatalidade segue na trilha cantada e escrita de Raul Seixas: “Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida”!!!
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Lado D dos Esportes - Olá, Eduardo, prazer em falar contigo! O seu trabalho no jornalismo traz grande proximidade da temática esportiva, para a qual utiliza vários formatos de condução da informação (livro, internet, rádio, jornal, etc.). De que forma você concilia todas estas linguagens? O esporte - ou apenas a modalidade Futebol? - foi algo espontâneo e será prioridade nos seus textos e comentários?
Eduardo Cecconi - Não vejo dificuldade em se conciliar todas estas linguagens a partir do momento em que o jornalista tem familiaridade com as técnicas mais básicas, mais fundamentais, da emissão de uma mensagem.
Sabendo se expressar conforme a técnica que cada mídia exige, o jornalista precisa entrar de cabeça na elaboração do conteúdo. Vestir a camisa, transformar-se em um personagem.
Para escrever o livro, eu realmente me senti um escritor. Busquei um estilo de texto voltado ao Jornalismo Literário, com maior licença para lidar com os fatos de maneira literária.
Na internet, é o contrário. Matérias têm textos curtos, narrativa objetiva, clareza. Nos blogs abre-se espaço para a opinião, que sempre procuro fazer com embasamento, com alguma fundamentação teórica.
O conteúdo hoje para mim é esportivo, mas já fui correspondente do jornal Zero Hora no interior por quatro anos, escrevendo para todas as editorias e cadernos, desde Polícia, passando por Ambiente, Campo e Lavoura, Política, Economia, Comportamento, Variedades…
E a premissa é a mesma. Para mim o jornalista precisa se adaptar à exigência da editoria para qual produz conteúdo. Se for Esporte, tem que vestir a camisa de jornalista esportivo, se adaptar à linguagem, à abordagem, aos termos comuns. E assim para qualquer editoria.
Enfim, o jornalista tem que ser meio ator, saber interpretar, saber se adaptar a cada papel que lhe exigem - seja escrevendo para mídia online, convencional, produzindo livros, falando no rádio, aparecendo na TV… lidando com Esporte, Política, Economia… partir do domíno da técnica para a aplicação das particularidades de cada área.
Lado D dos Esportes - Certamente, não há dificuldade para assimilar e desenvolver tais linguagens, mas é perceptível a oposição espontânea, quase sempre comodista, de grande parte dos profissionais e estudantes, no caso, de Comunicação… Cecconi, falando sobre uma primeira delas, a do Jornalismo Online, como foi a experiência com os blogs “Cidade Futebol” e o “Entrevero”? Pode falar também sobre o novo projeto, o “Preleção”!
Eduardo Cecconi - A criação de blogs no clicEsportes parte muito da iniciativa pessoal dos redatores do site, ou de repórteres de outras mídias da empresa. Mas, quando eu era correspondente da ZH em Pelotas, não sabia desta possibilidade. E criei um blog para falar sobre o futebol pelotense, à época no Blogspot.
Os editores do clicEsportes - André Roca e Leonardo Corrêa - viram o blog, gostaram, e propuseram uma migração para o site. Nascia o Cidade Futebol, que levou este nome pela característica dos torcedores de Brasil, Pelotas e Farroupilha.
O blog marcou época na cidade. Ele nasceu no segundo semestre de 2006. A imprensa local não contava com sites ou outros blogs. Em um ano, o Cidade Futebol bateu de primeira vários furos jornalísticos, chegou a 40 mil acessos mensais, e conquistou um público fiel - principalmente de jovens torcedores ligados ao Xavante.
Em 2008, fui convidado para tocar o “Gauchão Total” - um projeto multimídia - ainda como correspondente da ZH em Pelotas. O Gauchão Total era um blog sobre o futebol do interior, que contava ainda com uma coluna semanal na Zero Hora. Mas era sazonal, e após o final do Gauchão daquele ano, ele foi encerrado.
Ainda em 2008, em fevereiro, eu me transferi para a redação do clicEsportes em Porto Alegre, e pelo distanciamento - que dificultava a busca por informações e furos, e também impedia a análise de jogos in loco - aos poucos tive de encerrar também o Cidade Futebol. Foi bem triste, porque eu tinha me afeiçoado a toda aquela comunidade. Quando “fechei” o blog, já pipocavam na imprensa local outros tantos blogs e sites de radialistas, motivados pelo pioneirismo do Cidade Futebol. E estes colegas fazem um belíssimo trabalho de informação e opinião lá em Pelotas, usando a Internet.
Para compensar, criei o blog Entrevero - uma espécie de Gauchão Total sem a sazonalidade. Cobertura de todos os campeonatos que envolvem clubes do interior do Estado. Formou-se uma rede de colaboradores voluntários (assessores de imprensa dos clubes, radialistas e jornalistas de várias cidades, torcedores, estudantes de Jornalismo) que me enviavam informações sobre os times locais. E assim o Entrevero cresceu muito.
Mas fui fixado pelo clicEsportes como setorista de Inter, e vivi o mesmo dilema do Cidade Futebol: um distanciamento que começava a comprometer a qualidade e a pontualidade dos conteúdos. Para evitar seu encerramento, convidei o Guilherme Mazui para assumir o comando, e ele está fazendo um trabalho de altíssimo nível.
O blog Preleção nasceu da minha predileção por análises táticas. A ideia é criar um fórum de debates sobre teoria tática. Fiz curso de técnico de futebol, e procuro sempre nos textos e diagramas abdicar da simples opinião, para focar na análise criteriosa, nos argumentos, na aplicação da teoria na prática. Apesar do público de futebol estar mais acostumado a opiniões polêmicas, a audiência está boa, e também se formou uma comunidade de debatedores em alto nível.

Lado D dos Esportes - Ih, saiu da “comunidade” em Pelotas, passou com o Entrevero para o Estado, agora é estrategista, vai assumir um dos times do interior. Logo, logo, vai ser “professor”… Quando você cita que em 2006 o Cidade Futebol teve certo pioneirismo no ciberespaço, e depois constata a profusão de sites, no seu nicho a partir de 2008, como observa a facilidade em criar um espaço na internet, jornalista ou não? Encara como reserva de mercado ou acha salutar para a editoria - que pode descobrir novos talentos, outras perspectivas de discurso?
Eduardo Cecconi - O pessoal brinca bastante com a possibilidade de eu me tornar técnico, mas realmente fiz o curso e procuro me manter atualizado com leituras e pesquisas sobre teoria para embasar minhas análises. A intenção é qualificar o discurso e fugir da simples opinião, do achismo, para buscar justiticativas mais específicas sobre teoria tática.
Sobre a disseminação de espaços alternativos à grande mídia na internet, muitas vezes comandados por pessoas que não são jornalistas, eu não tenho ressalvas. Pelo contrário, por serem sites ligados às comunidades locais, eles servem com excelente fonte de consulta para espaços como o Entrevero.
Muitos clubes do interior não têm estrutura para contar com assessoria de imprensa, as rádios às vezes não têm sites com bom streaming ao vivo… cenário que faz destes sites a fonte de informação mais próxima do clube. Analisando-se o conteúdo, se tiver credibilidade e qualidade, saúdo estas iniciativas.
Lado D dos Esportes - Queria saber da sua prática em rádio, jornal, e possivelmente em tv. Comparada com estes, a internet, por motivos óbvios de hipertexto, interação e multimídia, é decisiva na “democratização” da informação dos clubes e modalidades, de forma a despertar, finalmente, a atenção das empresas de comunicação metropolitanas, ou permanece o caráter microrregional e estanque capital-interior?
Eduardo Cecconi - Trabalhei em jornal e rádio, e também em assessorias, muitas vezes em funções não relacionadas à editoria de Esportes. Nas capitais, eu noto uma indiferença com o futebol do interior. Concordo que a internet abra espaço para que estes clubes menores, mas de grandes e tradicionais torcidas, apareçam em fontes consagradas de informação.
Com o Entrevero, hoje é possível vermos o Guarany de Camaquã, o Três Passos ou o Lajeadense recebendo destaque em chamadas de capa de um site com a força e a audiência do clicEsportes. Isso não tem preço para o futebol do interior.
Por isso os torcedores abraçaram o blog (foi assim também com o Cidade Futebol e com o Gauchão Total). Eles gostam de se ver, de ver seus clubes, sendo valorizados em um portal que centraliza no Brasil a cobertura - e a audiência, logicamente - de Grêmio e Inter. É muito legal ver estes torcedores se mobilizando para trazer mais gente ao blog, para movimentar os comentários… é um esforço para mostrar a nós que vale a pena manter o blog, que vale a pena lutar pelos clubes do interior, que vale a pena ter espaço também para os “pequenos” - que na verdade são grandes e tradicionais - na grande mídia.
Lado D dos Esportes - Após todas estas visões sobre Comunicação, no que aproveito para ir lá no livro e reproduzir a sua influência por Gay Talese e Truman Capote, quais as virtudes e os entraves para desenvolver o Jornalismo Esportivo? O que ele pode ter de “social” em meio a tantos negócios?
Eduardo Cecconi – É bem complicado lidar com alguns princípios norteadores da boa produção jornalística no ambiente esportivo. O conteúdo de futebol envolve e provoca sentimentos muito ruins em algumas pessoas, a prova está no grande número de mensagens impublicáveis que se recebe nos meios de interatividade. O maior bem social que se pode fazer em uma editoria que não parece ter outra função que não o entretenimento, no primeiro momento, é ser responsável. Escrever sempre com a responsabilidade necessária para não instigar mais sentimentos ruins, mais manifestações agressivas. Do contrário, para aplacar este afã belicoso. É por isso que no blog Preleção eu falo apenas de teoria tática, sem dar opinião. Porque a opinião às vezes é encarada de maneira ofensiva por quem não concorda. E com teoria o debate fica mais agradável.
Lado D dos Esportes - Pelo visto você não perdeu ou perderá o contato com o futebol interiorano… Com tamanho interesse em desenvolver o espaço destes clubes para além-fronteiras através de informações “normais”, “A noite que não acabou” certamente exigiu outra perspectiva de construção, já que lida com o infortúnio. Como foi o seu primeiro contato com a notícia do acidente e de que maneira houve a possibilidade de estrear no universo dos livros com a temática da perda?
Eduardo Cecconi - Certamente meu vínculo com o futebol do interior é eterno. Estou sempre acompanhando e torcendo pelas comunidades tradicionais do futebol gaúcho.
Sobre o livro, foi muito difícil reconhecer o sofrimento de tantos amigos xavantes, e ainda mais difícil ver a morte de um grande amigo - pois assim eu considerava Milar. Ele era para mim um ídolo e um amigo, na mesma medida. A iniciativa partiu do Nauro Júnior, que me convidou para escrever, enquanto ele faria o planejamento, a produção, a parte gráfica, e participaria com alguns textos. E eu só aceitei participar do projeto porque sabia que, do Nauro, não partiria nenhuma intenção sensacionalista. Conversamos e entramos em acordo: vamos fazer jornalismo, sem explorar a dor que nós sentimos, mas principalmente a dor que uma nação sentiu. Novamente, aí entra a responsabilidade.
Lado D dos Esportes - Na introdução, vocês anotam que o conteúdo da obra ganhou forma a quatro mãos - oito capítulos, dois para um, seis para o outro -, sendo que o Nauro Júnior é co-autor e responsável pela parte fotográfica e dos dois citados. Qual a dinâmica para juntar tantos dados de atletas e comissão técnica, familiares, jornalistas da cidade, infra-estrutura de resgate ante o acidente - vizinhos do local, corpo médico, delegacia, etc.?
Eduardo Cecconi - Foram seis meses de produção, que incluíram entrevistas com mais de 100 pessoas, seja pessoalmente, por telefone ou MSN. A cada entrevista tomávamos conhecimentos de outros personagens, formando um emaranhado de fios cujas ligações eram difíceis de se encontrar. Em um processo como este, com tantos personagens e narradores paralelos, tivemos de fazer escolhas na hora de confrontar versões. Sobre o texto, eu centralizei a formatação para que o estilo se mantivesse, reunindo o material que o Nauro me enviou - o primeiro e o último capítulo - sem desestruturá-lo, mas pintando com algumas cores da escrita utilizada nos outros seis capítulos. Assim pudemos construir uma narrativa sem quebra de estilo.
Lado D dos Esportes - E a inclusão do prefácio do Aldyr Schlee, que importância agregou ao livro?
Eduardo Cecconi - Foi a maior importância possível. Schlee é amigo do Nauro há muitos anos. Ele foi nosso mentor na escrita. Como um orientador para formandos. Ele nos apontou caminhos, como grande escritor que é, na costura da linha de raciocínio que apresentamos na ordem dos capítulos. Deu dicas de escrita, de planejamento. É uma pessoa fenomenal. Oferecer a ele o prefácio foi uma maneira de agradecer pelo carinho e pelo envolvimento de uma pessoa tão consagrada em um projeto de estreantes. Ele se emocionou, nós nos emocionamos, e o resultado foi uma obra-prima da paixão xavante, escrita por um xavante, para a nação rubro-negra.
Lado D dos Esportes - A palavra “repercussão” é imprescindível no que tange ao acidente, pois a comoção e a mobilização em prol do Brasil teve enormes proporções, por motivos óbvios. O próprio registro literário de vocês também experimentou este cenário, quando 8, 9 meses após a tragédia, na fase de lançamento, os exemplares foram esgotados… As passagens do público em Pelotas acolhendo o time é arrepiante - um dos grandes momentos da obra.
Eduardo Cecconi - Eu tive muito medo da repercussão. Por mais que Nauro e eu tivéssemos acordado em não explorar de maneira nenhuma a tragédia com sensacionalismo, a própria iniciativa poderia ser mau vista. A todos que nos procuravam eu dizia: “Esperem o resultado, não elogiem nem critiquem agora. Vejam depois, e quero muito ouvir de todos o que acharam”. Graças a Deus, a repercussão entre os xavantes foi maravilhosa. Poucos, poucos mesmo, nos acusaram de explorar a dor alheia, ou de fazer sensacionalismo para autopromoção. A grande parte dos leitores reconheceu nosso esforço, e se envolveu com o livro passando relatos emocionantes dos momentos de leitura.
Lado D dos Esportes - Fale sobre a parceria com a Editora Livraria Mundial!
Eduardo Cecconi - O Nauro, como capitão e idealizador, foi o responsável pelo acerto com a Editora Livraria Mundial. Eles acolheram o projeto e nos deram todas as condições de realizá-lo. Nos ofereceram coisas que talvez não encontrássemos em outros lugares. Assumiram o risco de bancar um projeto de dois jornalistas sem experiência em literatura, de bancar um projeto que envolvia uma nação muito apaixonada, e no fim deu tudo certo. Sou muito grato à força da Editora Livraria Mundial, que nos deu autonomia total na escrita, na condução do projeto, e na parte gráfica.

Lado D dos Esportes - Tem algo que não foi comentado e que você queira acrescentar?
Eduardo Cecconi - Tchê, sou meio bicho do mato para este tipo de manifestação. Só quero deixar claro que eu devo muito da minha condição profissional à nação xavante, e ao futebol do interior. Eu não seria hoje o setorista de Inter do clicEsportes, nem o analista tático do blog Preleção, se não fosse a paixão dessas comunidades do futebol gaúcho. Sem o sucesso do Cidade Futebol e do Entrevero, eu não teria tanto prazer profissional como tenho hoje. Sou muito grato, e eterno devedor do futebol gaúcho - principalmente, do Brasil de Pelotas e de todos os xavantes.
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Acesso ao livro? http://www.livrariamundial.com.br
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° Vídeos relacionados °
* (Milar e Danrlei falam sobre o Gauchão no mesmo dia do acidente);
* (Morrem Claudio Milar, Régis e Giovani do G.E. Brasil);
* (Entrevista com Danrlei sobre acidente do Brasil-PE – Jornal do Almoço RBS TV);
* (Chegada dos jogadores – G.E.Brasil x Santa Cruz);
* (Brasil estréia no Gauchão 2009);
* (G.E. Brasil 3×3 Santa Cruz – Bom Dia Brasil);
* (G.E.Brasil 3×3 Santa Cruz – Jornal Nacional);
* (O drama do Brasil de Pelotas – Esporte Espetacular/Parte 1);
* (O drama do Brasil de Pelotas – Esporte Espetacular/Parte 2);
* (Lançamento do livro “A noite que não acabou” em Pelotas/RS);
* (Lançamento do livro “A noite que não acabou” em Porto Alegre/RS).
Tags: A noite que não acabou (Nauro Júnior e Eduardo Cecconi), Editora Livraria Mundial, Grêmio Esportivo Brasil, Leituras
