Lado D dos Esportes no estilo "a vida é um jogo"
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    January 26th, 2012Lado D dos EsportesFutebol

    O Nego da Bahia! (RAG)

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    January 23rd, 2012Lado D dos EsportesFutebol

    A terceira e última capital na passagem pelo Sudeste, que também será o palco da final… (RAG)

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    January 23rd, 2012Lado D dos EsportesFutebol

    Há anos a Agencia Rodolfo Walsh trazia, como parte dos informativos da agência, o “El Deportivo de la Walsh”, no qual constavam crônicas e notícias com a história do esporte argentino e de vários recantos da América Latina.

    Mas as mutações pelas quais passam os sítios, ao que parece, levaram - tomara que somente passageira - a proposta dos hermanos de enriquecer os leitores com coisas além de futricas e mais do mesmo nesta editoria. Através deste boletim, cronistas latino-americanos chegavam facilmente e abriam o leque de conhecimento para observar o esporte como caminho para a compreensão do cotidiano.

    Não é exagero, inclusive, dizer que este entendimento provocou a intenção definitiva do Dissonância criar um espaço do jeito do Lado D, de olhar esportivo sem esquecer que a vida é um jogo. Acho que isso é “jornal velho” aqui nos posts… como antigo é o informe que trouxe o texto a seguir, de 2008! Estava devidamente guardado na caixa de mensagens, esperando o momento de ser repassado, como alguns que passaram e estão aqui no arquivo, e outros que em breve serão novos posts. (RAG)

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    Sentir el vértigo

    La eterna lucha entre la patronal y los trabajadores. Un recuerdo y el presente: el debut en la Bombonera y el trastorno del sentido del equilibrio ante la primera marcha para exigir la reincorporación de los compañeros despedidos.

    por Gabriel T.

    “Hay sentimientos que regresan”, me asegura. Estamos solos en la fábrica, casi a oscuras. Los telegramas de despido llegaron hace unos días pero, junto a los demás, resistimos la decisión. La madrugada es fría, todos los demás duermen en el piso mientras nosotros nos quedamos sentados y despiertos, por si vienen a sacarnos y, entonces, perdamos lo poco que nos queda. Cuando faltan las palabras sólo se escucha, persistente, el zumbar de un foco de luz desparejo y demasiado alto para cambiarlo. Le pregunto qué quiso decir con eso del retorno de los sentimientos. Cree - susurra - que está viviendo algo que sintió en su infancia. En qué momento, insistí.

    “A los ocho años sentí vértigo por primera vez”. Mi sorpresa queda evidente con un pequeño silencio en la conversación. Intuyo que a él le pasa lo mismo pero, para hacer las cosas más fáciles, sigue. “Me llevó mi viejo. Calculo, por la época, que habremos ido en el Fiat 1500 blanco, que tenía un escape sonoro. Recuerdo muy pocas cosas de esa tarde. Era domingo, porque antes no había otro día para ir a la cancha excepto que el equipo jugara la Copa Libertadores. Pero vos te acordás cómo jugaban esos tipos…”, dice con resignación.

    Pese a la angustia, escucho su voz más entusiasmada que en los últimos días. Quizás así también sonó la primera vez que subió a una tribuna para ver fútbol. “Como es costumbre, mi viejo dejó el auto lejísimo. Caminamos rápido. Yo pregunté, seguro, algo relacionado con el equipo, los jugadores, el rival de ese día. Me parece que era Colón”, se apresura antes de mi pregunta. “El cielo estaba nublado y el clima, húmedo. Llegamos a la ventanilla donde se sacaban las entradas. “Dos”, dijo mi viejo con firmeza. Tenía la plata justa y en la mano. Aunque me puse en puntas de pie, no alcancé a ver la cara del boletero. Avanzamos entre el humo de los choripanes, el sonido de unas cornetas largas, los empujones de quienes llegaban tarde y el “dale Boooo” insistente. Entramos a la cancha y comenzamos a subir. Los escalones eran interminables, grises y sucios. “Vamos a la segunda bandeja, debajo de los visitantes”, anunció mi viejo, agitado. Su aclaración significó nada en ese momento. En la medida que nos acercábamos al fin del ascenso, el murmullo y los cantitos se escuchaban cerca. Giramos a la izquierda y salimos a lo más alto de la tribuna. Me quedé perplejo. Adelante, pero abajo, estaba la cancha, verde, verdísima. Se me cerró la garganta. El viento de frente me sorprendió tanto como la inmensidad de ese lugar desconocido, igual que el mar la primera vez. Todas las primeras veces dan vértigo”, dice, y suspira profundo.

    Yo miro el reloj. Faltan cinco horas para que salgamos a la primera marcha y siento en las entrañas el mismo vértigo que él tuvo la primera vez que fue a la cancha.

    {Agencia Rodolfo Walsh}

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    January 20th, 2012Lado D dos EsportesEsportes

    Através do Twitter foi divulgado o link para o vídeo da campanha BDS - France (Boycott Désinvestissement Sanctions), o qual compila imagens de ações civis pró-Palestina em praças de esporte pelo mundo.

    O BDS propõe o boicote aos produtos originários de Israel, além de bens culturais, esportivos e universitários oriundos deste país.

    Nas manifestações utilizadas na composição do vídeo, público e atletas expressam o repúdio à impunidade do estado israelense perante o povo palestino, o que refaz o ambiente pouco crítico, politicamente falando, dos estádios, e aproveita este espaço para mensagens além de gols, cestas, olas, xingamentos pessoais etc. (RAG)

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    January 19th, 2012Lado D dos EsportesFutebol

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    January 19th, 2012Lado D dos EsportesFutebol

    Como bola de neve, a cada dia que passa, o tempo urge e os menos válidos - economicamente falando - ficam no escanteio do que seria a função social das obras para a Copa 2014.

    O alardeado “legado da Copa”, para esse povo, é o presente de futuro selado pela restrição imobiliária, no mínimo, e exemplos enumerados há vários mundiais são repetidos também aqui no Brasil.

    Por isso que os textos vão ficando tão cortantes quanto as medidas tomadas pelos que abrem caminhos para a bola rolar. E não se trata de algum meio-campo de jogadores habilidosos, criativos, mas volantes de destruição de jogadas, à mercê dos interesses internacionais e dando um Maracanazo por dia para os brasileiros limítrofes dos doze estádios.

    O texto que segue é outro do “Fazendo Media”.

    Continua… (RAG)

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    Às margens de Itaquera, remoções

    por Leandro Uchoas

    A experiência da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, já dava sinais de que o Brasil, como sede da edição seguinte, não tinha tanto o que celebrar. No país africano, de realidade social semelhante à brasileira, a regra foram as remoções forçadas e sem indenização justa, territórios sem lei criados para garantir os lucros da Fifa, informações não prestadas a contento, corrupção massiva, obras questionáveis e superfaturadas, elefantes brancos (depois do evento), violação de legislação ambiental e tráfico de pessoas. Em terras tupiniquins, todos os movimentos do poder público têm levado a crer que o roteiro não será muito diferente. Há um mês, a Articulação dos Comitês Populares da Copa, formada por representantes das 12 cidades-sede, lançou um dossiê completo constatando violações de direitos sociais e ambientais. Pela amplitude geográfica e pela fartura de abusos, o documento impressiona.

    Na região de Itaquera, Zona Leste de São Paulo, está sendo construído o novo estádio do Corinthians, destinado a sediar a abertura da Copa. Será um dos três únicos estádios privados na lista da Copa; o único deles, entretanto, ainda a ser construído. O financiamento das obras, como em quase todos os casos, é público - tem origem no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Orgulhosos, torcedores do time visitam o local para tirar fotos e fazer filmagens. É nas redondezas do estádio, no entanto, que se percebem problemas pouco abordados pelos veículos tradicionais de mídia. Seis comunidades do entorno já têm sentido a ameaça de impacto de empreendimentos paralelos à construção do estádio.

    A ampliação da Radial Leste, por exemplo, levou à remoção de casas na comunidade de Vila Progresso - cujas regiões mais próximas da rodovia têm mais de “vila” do que de “progresso”. Segundo os moradores locais, os agentes da subprefeitura chegaram repentinamente à área para promover a derrubada de casas. Os moradores conseguiram resistir, mas eles retornaram em seguida, em horário de trabalho. A moradora Carla Vaneide disse que sua casa quase foi derrubada com os três filhos dentro, já que estavam dormindo enquanto ela trabalhava. “Entraram em um acordo comigo. Disseram que não iriam derrubar agora, só depois. Mas vieram no momento em que eu fui trabalhar, e quase derrubaram. Com o que fizeram, minha televisão queimou. Paguei R$ 120 no conserto. Ninguém aparece pra falar nada”, disse, mostrando em sua casa as paredes tortas ou encharcadas de água.

    Segundo os moradores da Vila Progresso, as remoções das casas do entorno são feitas de forma a também forçar os não removidos a querer sair o mais rápido possível. As casas que restaram, na região, têm as paredes empenadas, com infiltrações, e os moradores têm agora que conviver com ratos que surgem quando chove. Os que saíram contam com uma ajuda de custo de apenas R$ 300 para pagamento de aluguel, quantia insuficiente para as casas próximas ao local. “Não existe mais aluguel neste valor. O pessoal aí aluga casa pra pagar R$ 400, outros R$ 500. Quem saiu está muito insatisfeito. E aqui as coisas pioraram em todos os aspectos”, diz Cícero da Silva.

    As contas de luz da região também ficaram, todas, repentinamente mais caras. Segundo os moradores, a subprefeitura avisou que o período de contrato de renda mínima teria acabado. “As contas de todo mundo aqui triplicaram. Eu pagava R$ 12, e agora veio R$ 30”, protesta Seu Aluízio. Segundo o professor Valter de Almeida Costa, são estratégias utilizadas justamente para se pressionar pela saída. Integrante das Comunidades Unidas da Zona Leste, espaço que articula as seis comunidades afetadas pelas obras da região, Valter protesta especialmente contra a falta de informação sobre o que se planeja para a região.

    “O que seria justo é que a população de Itaquera tivesse acesso às informações, soubesse o que vai acontecer. Essa informação nós não temos. A população fica em completa insegurança. Às vezes nasce um filho ou neto, e a pessoa não sabe se pode construir um quarto pra ele. Não havendo informação oficial, o que existe é o terror dessas famílias”, reclama Valter. Segundo ele, está completando um ano que representantes das comunidades procuraram a subprefeitura para obter informação. No final de 2011, foi organizado um evento de suposto diálogo com a classe média local, sem que as comunidades fossem avisadas. No entanto, as lideranças ficaram sabendo e foram ao evento, sem encontrar qualquer espaço para dialogar.

    “Vivo na comunidade há 37 anos. Criei meus três filhos aqui. A gente fica triste com o que está acontecendo”, diz Maria Nilza Severo, que guiou a reportagem pelas ruas de Vila Progresso, mas também se surpreendeu com os relatos dos moradores. “Nem eu sabia que estava acontecendo tanta coisa ruim”, disse, confirmando que a desinformação promovida por setores tradicionais da mídia atinge, inclusive, os vizinhos mais próximos dos atingidos. O que acontece em Vila Progresso também tende a ocorrer nas outras cinco comunidades - e, saliente-se, em todas as cidades-sede da Copa. Na Comunidade da Paz, os moradores também estão apreensivos, sem saber qual será seu destino. O comerciante Pedro Furtado sintetiza: “Parece que São Paulo só vai existir até 2014. Eles não conseguem entender que nós, das comunidades, somos o progresso de São Paulo”.

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    January 19th, 2012Lado D dos EsportesEsportes, Futebol

    Novas sobre a Copa 2014 e a Olimpíada 2016. (RAG)

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    As implicações sociais da Copa do Mundo. Entrevista com Roberto Morales.

    Os megaeventos e megaempreendimentos que estão em curso no Brasil “tem uma raiz mais profunda, quer dizer, tem a ver com o modelo de desenvolvimento econômico predador que reina no Brasil e, especialmente, no Rio de Janeiro”, afirma o integrante do Comitê Popular da Copa.

    Os empreendimentos que garantirão a realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014 também estão gerando impactos sociais nas cidades-sede do evento. Roberto Morales desenvolve um levantamento para precisar quantas famílias serão removidas e estima que mais de 3 mil pessoas apenas no Rio de Janeiro estão sob ameaça. “Somente na comunidade que vive na Vila Autódromo, na Barra da Tijuca, mais de 350 famílias estão sob ameaça de remoção”, informa.

    Segundo ele, ainda não existe um planejamento para a realocação das famílias que serão removidas do local. “O único planejamento que o governo faz é com base nos recursos que irão entrar a partir da construção dessas obras. (…) Inclusive o programa “Minha Casa, Minha Vida”, que no Rio de Janeiro já é conhecido como “Minha Casa, Minha Remoção”, é uma feira para tentar iludir os moradores com uma residência à qual dificilmente eles terão acesso. Talvez 5% das famílias sejam beneficiadas com essas moradias”, enfatiza em entrevista concedida por telefone à IHU On-Line.

    Morales também destaca que os contratos assinados entre o governo brasileiro e a FIFA limitarão o trabalho informal em torno dos estádios, pois os vendedores ambulantes serão proibidos de comercializar produtos num raio de dois quilômetros dos estádios. “A população tem uma ilusão de que vai lucrar com os eventos da Copa, mas na verdade será brutalmente reprimida. A Copa será um grande negócio para os empresários do esporte e para os representantes de bebida e comida”, lamenta.

    Roberto Morales é assessor do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) e organizador da plenária dos movimentos sociais.

    Confira a entrevista.

    IHU On-Line - Como surgiu o Comitê Popular da Copa e quais são suas principais ações?

    Roberto Morales - O Comitê Popular foi criado durante a realização do Panamericano, no Rio de Janeiro, quando, em função das obras do evento, surgiram problemas de remoção de diversas comunidades para a construção da Vila Olímpica e das obras referentes ao evento. As comunidades começaram a resistir às remoções e nós conseguimos reuni-las, dando origem ao Comitê Popular. Começamos a perceber que as remoções não eram o único problema dos megaeventos. Vimos que havia outros fatores, como a corrupção. As obras do Panamericano estavam orçadas em 300 milhões de reais, mas custaram 3,5 bilhões. Este superfaturamento está se repetindo novamente numa escala muito maior no Brasil e, especialmente, no Rio de Janeiro, que também sediará as Olimpíadas.

    Percebemos que tais eventos têm uma raiz mais profunda, quer dizer, tem a ver com o modelo de desenvolvimento econômico predador que reina no Brasil e, especialmente, no Rio de Janeiro. Os grandes empreendimentos econômicos também afetam populações e comunidades. Um caso conhecido no Rio de Janeiro é o do Thyssenkrupp, uma indústria siderúrgica que está afetando no mínimo oito mil pescadores que residem na região onde ela está instalada. O Superporto do Açu, onde Eike Batista está construindo um complexo siderúrgico, também ameaça destruir assentamentos históricos do Movimento dos Sem Terra - MST.

    IHU On-Line - Em função da Copa do Mundo de 2014, quantas famílias serão removidas de suas casas? Como estão sendo feitas essas remoções e como os moradores têm reagido?

    Roberto Morales - Estamos ainda fazendo um levantamento para saber quantas famílias serão removidas, mas posso dizer desde já que são muitas. Somente na comunidade que vive na Vila Autódromo, na Barra da Tijuca, mais de 350 famílias estão sob ameaça de remoção. Ainda não temos um número preciso, mas certamente serão mais de 3 mil pessoas apenas no Rio de Janeiro.

    Essas pessoas não serão removidas apenas por causa das obras da Copa, mas também em função da construção e duplicação de novas estradas. Todas as pessoas que moram em beira de estradas há 40 ou 50 anos serão removidas e isso irá gerar consequências gravíssimas, porque não implica apenas na questão da moradia, uma vez que a construção de novas moradias não acompanha o ritmo das remoções. Também existe o problema do rompimento dos laços históricos e culturais. Quando essas pessoas são removidas, elas perdem as relações culturais e de amizade construídas ao longo dessas décadas.

    IHU On-Line - Como são planejadas as reestruturações urbanas e como as remoções impactam no planejamento urbano das cidades?

    Roberto Morales - O único planejamento que o governo faz é com base nos recursos que irão entrar a partir da construção dessas obras. Portanto, não há preocupação com as comunidades; elas estão sendo tratadas como descartáveis e precisam ser retiradas para dar espaço aos turistas que virão assistir aos jogos.

    Inclusive o programa “Minha Casa, Minha Vida”, que no Rio de Janeiro já é conhecido como “Minha Casa, Minha Remoção”, é uma feira para tentar iludir os moradores com uma residência à qual dificilmente eles terão acesso. Talvez 5% das famílias sejam beneficiadas com essas moradias.

    IHU On-Line - Quais são os avanços do movimento social em relação à resistência das remoções?

    Roberto Morales - Esse movimento de resistência é legitimo, mas é necessário que as comunidades comecem a apresentar alternativas de moradia. Na Vila Autódromo, por exemplo, já houve um avanço importante com a ajuda dos companheiros do Instituto de Políticas Públicas Urbanas da UFRJ, que disponibilizou um grupo de professores e estagiários para trabalhar junto à comunidade e construir com eles, em assembleia, um projeto alternativo de urbanização da comunidade. Tudo isso a fim de que eles tenham alternativas e não dependam de uma promessa vaga de remoção.

    No dia 18 de dezembro de 2011, os moradores da Vila Autódromo apresentaram esse projeto, aprovado em assembleia. Agora, eles vão “brigar” para implantá-lo e não aceitar as remoções. Essa possibilidade de construir uma alternativa popular junto com a universidade e com os movimentos sociais me parece ser um salto de qualidade. Os moradores estão entendendo esse processo e elaborando várias propostas para levar esse modelo a outras comunidades.

    IHU On-Line - Além dos problemas de habitação, quais são os principais impactos sociais das obras da Copa para as cidades que sediarão os jogos?

    Roberto Morales - Tem outros problemas que são relativos ao trabalho. Por exemplo, com a Lei da Copa, fica estabelecido que, por enquanto, num raio de 2 quilômetros de onde estão sendo feitas as atividades esportivas serão totalmente proibidas a venda de qualquer produto e a atuação de qualquer comerciante que não esteja expressamente autorizado pela FIFA. Isso quer dizer que a Federação Internacional de Futebol Associado - FIFA tem mais poder do que a própria Constituição Federal e as leis trabalhistas do país. Então, a imensa população que é desempregada, que vive do biscate e do trabalho informal não poderá trabalhar durante esse período. Isso é terrível porque a lei da FIFA passa por cima do direito básico do cidadão: o direito ao trabalho. A população tem uma ilusão de que vai lucrar com os eventos da Copa, mas na verdade será brutalmente reprimida. A Copa será um grande negócio para os empresários do esporte e para os representantes de bebida e comida. Certamente os torcedores não encontrarão aquele tradicional sanduíche nas proximidades dos estádios.

    Outro problema é o encarecimento do custo de vida. O Rio de Janeiro é a cidade que apresentou maior elevação no preço dos aluguéis. Há uma especulação imobiliária brutal em marcha, em função da entrada de muitos turistas no estado, que compram em dólar e euro, com um padrão aquisitivo muito maior do que o da população brasileira empobrecida. Essa especulação imobiliária vai expulsar muitos moradores de determinadas zonas da região por causa da impossibilidade econômica.

    IHU On-Line - De modo geral, qual a situação dos trabalhadores que estão envolvidos com as obras da copa? Você visitou algum canteiro de obra?

    Roberto Morales - Alguns trabalhadores já organizaram greves e a mais notória delas foi a do Maracanã. Eu estive nos canteiros de obra, conversei com os operários. As reivindicações deles são pertinentes porque desenvolvem trabalhos temporários. Além disso, as condições de alojamento são precárias, a assistência médica é descontada do salário deles, há defasagem salarial e falta de segurança. Eles relatam que as rotinas de trabalho são exaustivas, porque a construção dessas obras é uma corrida contra o tempo. Eles também enfrentam problemas com as representações sindicais, que não são muito confiáveis. Mas a força do movimento é tanta que, muitas vezes, eles conseguem vitórias parciais. Essa mesma situação se repete nos demais empreendimentos econômicos.

    IHU On-Line - Qual foi a repercussão do dossiê que demonstra os impactos e as violações de direitos, organizado pelo Comitê Popular da Copa?

    Roberto Morales - Entregamos o relatório e fizemos um ato público no dia 12 de dezembro. O prefeito Eduardo Paes, obviamente, não nos recebeu, mas conseguimos entregar o documento para a secretária. Não temos nenhuma ilusão de que ele irá tomar alguma atitude, porque ele tem uma posição muito cínica em relação a essa questão. De todo modo, encaminhamos o dossiê para outros organismos, como a Assembleia Legislativa. Mas, no caso, os parlamentares estão em recesso até fevereiro. Certamente o presidente da Comissão dos Direitos Humanos, Marcelo Freixo, irá levantar essa questão no plenário.

    IHU On-Line - O que há de interessante e de equivocado na Lei Geral da Copa?

    Roberto Morales - A questão geral dessa lei é que ela se sobrepõe à Carta Magna e isso é um disparate. Esta lei cria uma área para ser governada pela FIFA e não pelo governo brasileiro. As leis existentes, como a do meio ingresso, que garante meia entrada para idosos acima de 60 anos, para menores, estudantes, deficientes, será ignorada. Além do mais, a FIFA irá estabelecer os preços dos ingressos de acordo com os padrões do “primeiríssimo mundo” deles, o que vai inviabilizar completamente a participação do povo nos jogos.

    IHU On-Line - Quais as implicações do uso de dinheiro público para a realização desses megaeventos?

    Roberto Morales - O Comitê da Copa não é contra a realização deste evento, nem das Olimpíadas. No entanto, eles não podem ser conduzidos da forma como estão sendo feitos, pois o país tem outras prioridades. O Brasil está em uma das piores posições relativas à educação em nível mundial, por exemplo, e gastou 30 milhões de reais, somente no sorteio das chaves eliminatórias para a Copa do Mundo, realizado no Rio de Janeiro em 30 de junho. Enquanto isso, o salário do professor é 700 reais mensais.

    Além de tudo, o país tem um déficit de moradia, por um lado, mas investe na construção de estádios, por outro. Estádios que depois serão abandonados. O transporte público é uma desgraça; há engarrafamentos quilométricos e não se investe em transporte público de massa. Em lugar disso, investe-se em duplicação de estradas já existentes.

    IHU On-Line - Deseja acrescentar algo?

    Roberto Morales - O Comitê Popular da Copa não está desanimado. Estamos aprendendo com a própria experiência a construir propostas alternativas de cunho popular. Estamos pretendendo construir uma grande mobilização para junho deste ano, quando será realizada a Rio+20. Enfim, o movimento está começando a entender que unidade é fundamental e que só dessa forma vamos poder fazer frente a este projeto econômico capitalista.

    {Instituto Humanitas Unisinos - IHU}

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    January 19th, 2012Lado D dos EsportesFutebol

    Depois de chegar por e-mail a publicação do segundo programa do “Cartão Verde”, da TV Cultura, sobre a Copa do Mundo de 1982, na Espanha, é possível para quem perdeu na tevê assistir a este e ao primeiro.

    Diretamente do canal da emissora no YouTube, segue o primeiro programa, que conta com a presença do Waldir Peres, à época o goleiro titular da Seleção Brasileira, e ainda do Sócrates, capitão do escrete e comentarista do Cartão.

    História pura, causos e muitas imagens referentes ao Mundial de 82 e à carreira dos dois citados jogadores.

    Em breve virá o segundo, e provavelmente os subsequentes, haja vista a promessa do programa de homenagear a “campeã moral” daquele campeonato, cuja participação fará 30 anos em 2012. (RAG)

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    January 8th, 2012Lado D dos EsportesFutebol

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    January 4th, 2012Lado D dos EsportesFutebol

    A vez do Dragão soltar fogo… (RAG)

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