no estilo "a vida é um jogo"
  • 1958: um filme que todo brasileiro deveria ver

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    August 29th, 2009Lado D dos EsportesFutebol


    “Esta é uma declaração de amor aos heróis da minha infância, para que hoje e amanhã, gerações se espelhem neste homens que saíram do Brasil desacreditados, mas voltaram vitoriosos”. Assim falou José Carlos Asbeg, diretor de “1958, o ano em que o mundo descobriu o Brasil”, segundos antes da exibição do filme no Cine Bancários, em Porto Alegre (RS). Em 2008, o documentário estreou no Sudeste, chegando agora à capital gaúcha. A história contada é a da Copa do Mundo deste ano, ocorrida na Suécia, a do 1º título mundial do futebol brasileiro.

    As rápidas palavras já deram aquela embargada, mas o filme ainda estava por vir… e ele se faz grande nos detalhes. Imagens e informações que muitos espectadores daquela sala nunca tinham visto ou sabido, seja do dia chuvoso na grande final do campeonato, em que sugavam a água do campo com grandes esponjas, ao fato da camiseta azul que o Brasil teve que comprar em algum empório e costurar o distintivo, já que não possuía alguma extra a amarelinha por lá.

    Asbeg pensou, produziu, dirigiu e gravou praticamente tudo sozinho, sejam os depoimentos dos jogadores e jornalistas do Brasil, sejam do exterior. Sim, isso mesmo. Um grande diferencial desta história é trazer as falas dos jogadores da Áustria, Inglaterra, União Soviética (Rússia), País de Gales, França e Suécia. Todos senhores já de idade, claro, emocionados quando lembram daquele ano. Um ex-colega de time do goleiro da União Soviética, por exemplo, lembra: “Ele chegou ao vestiário desolado, tocou a chuteira na porta, o que provocou barulho, e disse ‘eu não vou mais jogar futebol, futebol é o que eles jogam’”, referindo-se ao Brasil.

    Exatamente isto que ia acontecendo, a cada jogo o time brasileiro conseguia mostrar um futebol arte, consagrando jogadores como Pelé, então com 17 anos, Garrincha, e Didi, com um importante gol que na imprensa nacional foi chamado de “Folha Seca”, aquela que nunca sabemos onde vai cair. Também nos meios de comunicação nacionais, o então jornalista esportivo Nélson Rodrigues escrevia crônicas mostrando sua confiança no Brasil, dizendo que teríamos que perder nosso “complexo de vira-latas”, referindo-se à perda do título para o Uruguai, em pleno Maracanã, 1950.

    E de fato, perderam seu complexo de inferioridade, com os resultados de 3 x 0 contra a Áustria, 0 x 0 contra a Inglaterra, 2 x 0 contra a União Soviética, 1 x 0 contra o País de Gales, 5 x 2 contra a França, e 5 x 2 contra a Suécia. A emoção tomou conta, os jogadores choraram e, num ato de respeito ao país anfitrião, deram a volta olímpica pelo estádio Rasunda, empunhando a bandeira da Suécia.

    Os bastidores da produção

    Após a exibição, todos tiveram oportunidade de participar de um bate-papo com o diretor, o crítico de cinema Marcelo Perrone e o jornalista esportivo Mário Marcos de Souza. Além dos vários comentários positivos em relação a atitude do diretor em ajudar a organizar a memória nacional com o filme, descobertas um pouco indigestas.

    Como algumas imagens são da Fifa, o contrato tem dia e hora para acabar. Ou seja, ele terá que substituir algumas partes para seguir nos cinemas ou mesmo vendendo o DVD.

    Também que Pelé é um dos poucos jogadores que não está no filme, mas não por falta de tentativa do diretor. Sobre isto, Asbeg mostra sua educação ao falar: “Eu tentei muito o Pelé, mas a homenagem a ele está feita. Acho que ele não faz falta ao filme, mas aos colegas que falam desta conquista ali”.

    E finalmente, a informação que mais entristece. Vários heróis desta época hoje têm necessidade financeira, inclusive para tratamentos de saúde, mas não existe nenhum projeto do Governo que auxilie. Em 2008, quando foram completados 50 anos da conquista, um jantar de gala foi oferecido aos jogadores daquele time em Brasília, pela Embaixada da… Suécia no Brasil.

    Se tivermos que terminar com algo mais motivador. “1958″ é um filme sobre crença, luta, superação, que todos deveriam assistir.

    Onde assistir?

    _ No Cine Bancários (Rua General Câmara, 424), até 6 de setembro;

    _ Sessões às 15, 17 e 19 horas;

    _ Ingressos:  R$ 5 (público em geral) e R$ 2,50 (estudantes, idosos acima de 60 anos e bancários sindicalizados);

    _ Comprando o DVD antes que a Fifa mande triturar o que restou:

       R$ 25 (palmares@ism.com.br)

    (AE)

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One Response to “1958: um filme que todo brasileiro deveria ver”

  1. [...] muito bonito, dirigido por José Carlos Asbeg. Assisti em agosto de 2009 e o resenhei para o LADO D DOS ESPORTES. “1858: o ano em que o mundo descobriu o Brasil” é um filme que todo brasileiro [...]

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