Lado D dos Esportes
no estilo "a vida é um jogo"-
August 1st, 2010Automobilismo
Chegou hoje, através do sítio “Direto da Redação”, este texto assinado por Claudio Lessa.
O assunto é Fórmula 1 e mais um caroneiro brasuca, logo os verde-amarelos conterrâneos de tantos pilotos lutadores ao longo da história deste esporte.
Aliás, sempre que há uma armação em quatro rodas há o questionamento tolo sobre se as categorias automobilísticas são ”esporte”… Tramoia só há na turma dos cockpits? Quem folheia o nosso trabalho neste blog sabe, ou ao menos suspeita, que nem é regra sacanear, nem há esporte isento de competição viciada. E fora do esporte, o que há, bilhões de viventes no Paraíso?
Lessa praticamente esgota o assunto da semana passada sobre o Felipe Massa, o mais novo brasileiro envolvido em acertos obscuros nesta modalidade, o famoso “jogo de equipe”, e para piorar - o contrário também mereceria o mesmo repúdio -, na condição de passivo. De Bobo da Corte em território onde figuram nomes como o de Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna, para citar os que levaram o caneco. Porém, atitudes de trapaça mancham também aqueles que tinham/tem/terão talento, mas que dependeram/dependem/dependerão do “estilo a vida é um jogo” do patrocínio e foram/são/serão medidos pela quantidade de cifrões arrecadados, e assim terem acesso aos volantes.
No decorrer da semana, a prosa esportiva não esqueceu da marmelada do GP da Alemanha, que além de deixar os que curtem acompanhar a F1 com cara de otários, traduz bastante as intenções de grande parte da essência da década 2000. Nas lamúrias de torcedores e comentaristas esportivos, inclusive na do Claudio, garantir o salário é justificativa recorrente, mas que graninha escrota essa, hein? Abrir mão de ganhar? E os famosos patrocinadores, doideira toparem semelhante condição… E a história, as caras dos brasileiros que venceram - pilotos da galeria dos melhores de todos os tempos, sem falar na mística do Senna -, a turma do final da década passada, e toda esta primeira do Século XXI, para falar do automobilismo, é em grande parte Minha Conta Bancária Team Racing!
E o Massa então, que sobreviveu a um acidente gravíssimo no ano passado, deixou os que ficaram com a vela na mão sem um centavo de consideração sequer…
Para quem batalhou até mesmo para ter uma equipe no grid, como a Escuderia Fittipaldi-Copersucar (1975/1982), os GP’s sediados no Brasil, a cobertura jornalística que há décadas segue o circo (nunca esteve tão apropriado para a trupe da velocidade, com respeito ao circo propriamente dito), a mobilização gigantesca de carinho em torno da aura do Senna, enfim, ver a moçada que não quer ganhar nada manchar o que foi conseguido com talento - e patrocínios, sempre eles - e encher os bolsos é, no mínimo, coisa de vacilão. Pegam o vácuo desta história vencedora, são amestrados e comem poeira consentida…
Aí faz lembrar a máxima de serem “brasileiros, não desistirem nunca”, tá, e daí?
Larga o osso, quer dizer, o volante!!! (RAG)
. Imagem: Reprodução/www
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Um novo piloto: Felipinho Massichello
por Claudio Lessa
Como jogar sua reputação no lixo em menos de dois segundos? Fácil. É só perguntar ao pilotinho brasileiro Felipe Massichello, protagonista de uma das mais lamentáveis papagaiadas da Fórmula 1 recente. Aliás, uma repetição mambembe de uma farsa que outro pé-de-breque, o diminutivo Rubinho, protagonizou há oito anos quando, em Zeltweg, tirou o pé para seu companheiro Dick Vigarista ultrapassá-lo na última volta do GP da Áustria.
Repito: repetição mambembe de uma farsa porque na Áustria, Dick Vigarista era líder do campeonato e “Rubinho” estava na última volta da prova. Hoje, o bestalhão brasileiro que dirige uma Ferrari na F1 estava na iminência de comemorar (e dar a volta por cima), no topo do pódio, um ano de um acidente quase fatal ocorrido na Hungria. Além disso, o seu companheiro de equipe - o frustrado dedo-duro espanhol Fernando Alonso - está longe na tabela. Com a vitória deste domingo manchado de negro na Alemanha, Alonso não passa de quinto no campeonato, a muitos pontos de distância de Lewis Hamilton, da McLaren.
Felipe Massichello, em menos de dois segundos, não apenas jogou sua reputação no lixo, mas fez de imbecis toda uma legião de fãs do automobilismo - não necessariamente apenas os fãs do antigo Felipe Massa, ou mesmo da Ferrari - que acreditou em suas palavras, repetidas à exaustão até bem recentemente: ele nunca aceitaria assinar um contrato que o obrigasse a dar passagem a seu companheiro de equipe, que a disputa era sempre de igual para igual. No entanto, foi exatamente o oposto disso que ele fez. Mentiu descaradamente, da maneira mais indigna, ao tirar o pé do acelerador logo após ouvir do chefe da equipe que “Alonso está mais rápido do que você. Deu para entender isso?”.
Felipinho Massichello, o funcionariozinho burocrata e bem comportado da Ferrari, que agora revela que sua prioridade é fazer “jogo de equipe”, e não lutar pelo seu próprio campeonato (ele, que chegou a liderar o Mundial em 2010) não precisava mentir para o público. Não há desdouro algum em atuar como segundo piloto, desde que a opinião pública esteja devidamente informada disso. Pode até ser algo positivo: o segundo piloto pode, por seus próprios méritos, superar o primeiro piloto - uma corrida de automóveis é absolutamente cheia de imponderáveis, o que torna possível essa realidade sem que o segundo piloto esteja, consciente e deliberadamente, desrespeitando os termos de seu contrato. O desdouro, a indignidade, a calhordice, a falta de caráter está em mentir, em bater no peito, em afirmar que é uma coisa quando não é.
Outro ângulo de visão estreita nessa questão é o posicionamento da FIA - a toda-poderosa Federação Internacional de Automobilismo, que agora é presidida por um homem chamado Jean Todt. Até outro dia, ele era o todo-poderoso na Ferrari. Foi Jean Todt quem deu a ordem ao diminutivo Rubinho em Zeltweg, na Áustria, para dar passagem a Dick Vigarista na última volta da prova que era liderada pelo caça-níqueis brasileiro. Será que a FIA de Jean Todt - a mesma FIA que puniu a Ferrari há oito anos com uma multa de 1 milhão de dólares e promessa de uma punição severamente endurecida, caso uma palhaçada dessas se repetisse - irá punir exemplarmente a Ferrari que enfiou a Fórmula 1 na lata do lixo em Hockenheim 2010? Pouco provável. Muito pouco, muito pouco, pouco mesmo.
Diante de (mais essa) ridícula atuação da equipe Ferrari, só resta a pergunta: não valeria mais a pena se a mola que atingiu a cabeça de Felipe Massa nos treinos do GP da Hungria de 2009 tivesse encerrado de vez sua carreira, enquanto ele ainda tinha um nome a zelar? Não necessariamente. A lei do livre arbítrio garante as escolhas, mas é igualmente impiedosa: em troca de salário no fim do mês, Felipe Massa, conscientemente, preferiu adquirir o indelével estigma de “bundão” diante de todos (pais, filhos, amigos, fãs, opinião pública) e viver o resto de seus dias com a alcunha de Felipinho Massichello, em vez de reverenciar a herança de John Surtees, que durou apenas uma temporada na Ferrari exatamente por desobedecer as ordens do Comendador Enzo.
A conclusão é inescapável: depois da morte de Ayrton Senna e das presepadas de Rubinho, Piquezinho e Felipinho na categoria, as portas da Fórmula 1 estão definitivamente fechadas para os brasileiros.
{Direto da Redação}
Tags: E$porte$, Felipe Massa, Fórmula 1, Manobristas na F1, Nelson Angelo Piquet, Rubens Barrichello -
July 21st, 2010Futebol
Reflexão feita durante a Copa… (RAG)
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El mundial de los que siempre ganan
Marcas de electrónicos, bebidas e indumentaria se juegan el liderazgo en la vidriera más grande del mundo, con 30 mil millones de espectadores potenciales. Las firmas que más apuestan.
por Raúl Dellatorre
Con el encuentro entre México y el local Sudáfrica del viernes último, comenzó a rodar la pelota del Mundial de Fútbol de este año. Pero los millones de dólares y euros de los negocios ligados a este torneo habían empezado a rodar bastante antes. El costo de organización del Mundial, con obras de estadios incluidas, ascendió a 6269 millones de dólares. De dicha cifra, 2500 millones fueron aportados por el país anfitrión.
Sin embargo, Sudáfrica no será el principal receptor de los ingresos que generen los diferentes negocios que se derivan del juego que más aficionados atraerá en este fenómeno de audiencias convergentes (televisión, radio, sitios de Internet, telefonía móvil, periódicos on line) con una cifra total de 30 mil millones de espectadores potenciales.
La FIFA, que ya adelantó que espera obtener en este Mundial 50 por ciento más de recursos que los logrados en Alemania 2006, será la gran receptora de ingresos. Derechos de transmisión, los que abonen sponsors o patrocinantes, ventas de entradas y otras menudencias le reportarán el manejo de un caudal de recursos que la equipara al nivel de los grandes tanques empresarios de la economía mundial.
El año pasado, en pleno impacto de la crisis mundial, la FIFA obtuvo ganancias limpias por 196 millones de dólares, tras haber facturado por más de 1060 millones: fue apenas el adelanto de lo que la entidad rectora del fútbol recogerá en el año actual.
Por comercialización de derechos de transmisión, la FIFA percibió por Sudáfrica 2010 unos 650 millones de dólares, casi exactamente 50 por ciento más que los 430 millones que le habían ingresado por los derechos de Alemania 2006. Pero no será esa su principal fuente de ingresos. Los principales patrocinantes de la Copa del Mundo, Adidas, Coca-Cola, Sony, Visa-Mastercard y Emirates Airlines pagarán entre 100 y 200 millones de euros cada una, de aquí a 2014, por dejar vinculados sus nombres con los del Mundial.
En una segunda línea de empresas aparecen Continental Airlines, McDonald’s y Budweiser, que aportarían (como otros) unos 50 millones de euros por firma. En este encuadre, la venta de las tres millones de entradas para asistir en vivo a alguno de los partidos del torneo aparece como una cuestión económicamente “menor”.
No son ésos los que van directamente a las arcas de la FIFA, los únicos números importantes que se manejan en un Mundial como el actual. Pero, sin ninguna duda, para tener presencia en este torneo, la llave de acceso la maneja el organismo que preside Joseph Blatter.
Además de ser las principales aportantes como patrocinantes, las firmas señaladas se convirtieron este año en las de mayor inversión publicitaria. Sony desplazó a Philips, que reinó durante el Mundial de Alemania 2006, como la titular de la principal campaña, por más de 300 millones de dólares. Adidas vuelve a ser la “campeona” del sponsoreo de los equipos deportivos que lucen las escuadras participantes en el torneo: viste a 12 de los 32 equipos de elite que forman parte del torneo.
Budweiser, en tanto, logró la supremacía sobre otras marcas de cerveza que han descubierto que el consumo de la bebida alcohólica sube geométricamente durante el transcurso del Mundial. Las imágenes de las plateas de los estadios con los aficionados con la botellita (porrón) en la mano en el entretiempo llamó la atención de los espectadores argentinos, al menos: por la inimaginable autorización de beber alcohol en las canchas, y por el gusto por la cerveza no sólo de argentinos, brasileños o alemanes, sino también por sudafricanos o ghaneses.
Vestir a una Selección Nacional sale caro, sobre todo si está entre las que participan con chances de llegar lejos en el torneo. El “ranking” económico del valor de marca de cada selección tiene en Sudáfrica 2010 a España a la cabeza: vestirla cuesta 565 millones de euros en derechos a quien aporte su marca a la vestimenta. Brasil cuesta 515 millones, Francia 440 millones, Inglaterra 440 millones y Argentina 390 millones. Junto a Adidas, las marcas Nike, Puma y Umbro fueron las que disputaron ese torneo paralelo para que sus logos se vieran en todo el mundo.
En Argentina, el fenómeno comercial sorprendente ligado al Mundial fue la explosión de ventas de televisores LCD, que alcanzó en los primeros cinco meses del año una colocación de 628 mil aparatos, contra los 450 mil vendidos a lo largo de todo el año 2009, según señala el sitio de Internet especializado Bloggers Report. El fenómeno de los televisores con pantalla LCD había aparecido para el Mundial 2006, pero no alcanzó masividad, entre otras cosas, por un muy elevado costo.
Hoy, la oferta de las grandes cadenas comerciales, la financiación a largo plazo y la multiplicidad de marcas ofrecidas, incluso de origen nacional en toda la gama de calidad, no sólo bajaron los costos, sino que redujo el margen de diferencias entre unas marcas y otras. Según la misma fuente, Philips perdió el liderazgo absoluto, hoy pelea palmo a palmo con Samsung, pero además hay una importante cantidad de firmas que las siguen de cerca.
{Red Voltaire}
Tags: África do Sul 2010, Copas do Mundo, E$porte$, Fifa -
July 19th, 2010Futebol
Associação Atlética Brás Cubas & Macunaíma Futebol Clube selam acordo: RUMO A 2014!
por Luiz Ricardo Leitão
Se algum demiurgo burlesco convertesse os maiores ícones da malandragem de nossas letras em patronos de agremiações esportivas, os novos clubes decerto arrebanhariam inúmeros sócios entre as elites de Bruzundanga. Não é difícil prever que a fração secular da burguesia tropical que até hoje se comporta como herdeira de Brás Cubas (aquele defunto-autor cujas memórias foram dedicadas ao verme que pela primeira vez lhe roeu as frias carnes do cadáver) logo assumiria a direção da briosa entidade, ao passo que o grupo mais arrivista e solerte não hesitaria em eleger o Conselho Deliberativo do Macunaíma Futebol Clube (uma homenagem ao herói sem nenhum caráter que, com sua ambiguidade, mimetiza o mote da identidade nacional - esse velho fantasma que há muito assusta a intelligentsia da colônia).
Os sócios da Associação Atlética Brás Cubas até hoje preservam os costumes do seu protetor: gostam de zombar do povo com a mesma desfaçatez que o narrador de Machado de Assis reservava aos leitores e jamais se preocupam em honrar as promessas que, com rara grandiloquência e cinismo, enunciam na vida pública, fazendo corar até o defunto-senador Collor de Melo. Já os associados do Macunaíma F. C. são meros aprendizes na arte da maracutaia, que, apesar de sua eventual esperteza e picardia, se tornam o mais das vezes peças muito úteis para a execução das grandes “jogadas” do capital nestas plagas. Tão preguiçosos e manhosos quanto o patrono, eles se deitam em berço esplêndido, sonhando em viver nas Oropas; à falta de saúvas, divertem-se decepando salários dos tapuias, mas, quando põem os olhos em dinheiro, se movem com extrema rapidez para dandar vintém…
A face mais óbvia da moeda
O Sr. Ricardo Teixeira, que desde 1989 segue à frente da CBF, seria um nome perfeito para a presidência honorária do clube. Há anos sua figura se associa às mais escusas negociatas do “país do futebol”: afilhado do todo-poderoso João Havelange (capo mor da FIFA de 1976 a 1998), com cuja filha esteve casado até 1997, Teixeira aprimorou-se na grande arte de mudar para não mudar (traço essencial da modernização sem ruptura nesta via periférica de capitalismo), sobrevivendo sem maiores sequelas aos inúmeros escândalos que colecionou na CBF. Após uma falida incursão pelo mercado financeiro (em sociedade com o próprio sogro, o pai e um irmão), ele fez da entidade seu balcão preferencial de negócios e, por isso, teve de responder a sucessivas denúncias de nepotismo e corrupção, que incluem convocações para duas CPIs no Congresso (a do Futebol e a da CBF-Nike) e investigações da Receita por omissão de declarações de rendimentos nos anos 90, além da importação irregular de equipamentos para a choperia El Turf, no Rio de Janeiro, depois da Copa de 94 e do histórico voo da muamba.
Enquanto a mídia da província e a nebulosa opinião pública debatem acirradamente quais são os “culpados” pela precoce eliminação dos soldadinhos de Dunga na África, especulando a todo vapor sobre o nome e o perfil (liberal ou disciplinador/discreto ou midiático?) do futuro técnico da seleção, o ambicioso “Rico” Terra porta-se como uma eminência parda em terras da Mãe África. Pouco importa se o time que ele representa já foi embora, amargando a segunda pior campanha desde a Copa de 90: 2014 já está logo ali, bem ao alcance dos consórcios e empresas que operam o futebol, sem dúvida a mais valiosa mercadoria da sociedade espetacular pós-moderna. Não é à toa que o Sr. Rico, há 21 anos no cargo, agora se apressa em pregar renovação (obviamente, só para o time e o técnico), sob a cúmplice chancela da TV Globo, a emissora “oficial” da festa. De fato, há muito a faturar com a próxima Copa…
Que o diga a onipotente FIFA, que somente pelos direitos de transmissão do Mundial 2010 recebeu das redes televisivas a bagatela de 2,5 bilhões de dólares, mais que o dobro do que se pagou há quatro anos na Copa da Alemanha. O evento da África, aliás, parece ter sido o ápice da gestão mafiosa e Blatter & Cia: com cotas mínimas de US$ 240 milhões para cada sponsor (patrocinador, na língua do capital), logrou uma arrecadação total não inferior a US$ 3,4 bilhões, dos quais “míseros” 30 milhões são destinados ao campeão do torneio. Graças à “magia da bola”, em meio a rumorosos casos de corrupção, suborno, compra de votos e desvio de ingressos (vale a pena ler o livro do jornalista esportivo Andrew Jennings, ainda inédito no Brasil, “Foul! The secret World of FIFA”), cresce o faturamento da entidade, que em 2009 obteve uma receita de US$ 1,059 bilhão, ao passo que os grandes clubes europeus acumulam centenas de milhões em dívidas (o deficit de Manchester United e Real Madri supera US$ 800 milhões!).
Cá na terrinha, Brás Cubas e Macunaíma já selaram seu acordo rumo a 2014. A Copa promete, sem dúvida, lucros fabulosos para as entidades promotoras e, como sempre, despesas infindáveis para o poder público, como bem o sabe a África do Sul, que continuará a pagar cifras astronômicas para custear o torneio (R$ 2,92 bilhões pelos estádios + 3,32 bi em transporte + 325 milhões por segurança, segundo informa o Ministério das Finanças de lá). Não é difícil prever o destino da tão decantada parceria público-privada (PPP), a fórmula mágica com a qual a tchurma de Teixeira justificou às nossas “autoridades” o financiamento do convescote. A atual previsão de gastos para o evento em Bruzundanga já gira em torno de R$ 17 bilhões (estádios + transporte + infraestrutura urbana), além de R$ 5 bi para os aeroportos, um valor total duas vezes maior do que a despesa sul-africana. Quem pagará essa conta, Dilma?
A outra face imponderável do (vil) metal
Em meio às expectativas pela partilha dos contratos, há surdas e renhidas disputas políticas em jogo, como a sinuosa definição do estádio de abertura da Copa, um imbróglio de que participam desde os tucanos e demos paulistas até os aliados do Sr. “Rico”. O cenário, sem dúvida, é de dar dó: quando vejo Orlando Silva, Sérgio Cabral e outras sorridentes criaturas na telinha, logo ponho a mão no bolso, ciente do que nos aguarda. Depois de décadas de infortúnio com os governos do PMDB, desde o casal Little Rose & Little Boy até o atual Playboy, o Rio arcará com mais essa conta. Não faltarão, decerto, confete e serpentina para o carnaval de inverno, enquanto os professores permanecem há nove anos sem reajuste, com salários mensais de R$ 540,00 (culpa dos royalties do pré-sal!, diz o Playboy), e o nível do ensino médio no estado disputa com Sergipe o último lugar no país (cf. os dados do IDEB 2009).
Contudo, ao contrário de alguns pares, desanimados com a pífia atuação dos canarinhos e com a enxurrada de maracutaias que se anuncia, vislumbro nos fatos mais recentes alguns sinais auspiciosos para o futuro. Não me incomoda o fascínio da pelota: nascido em um pacato subúrbio carioca e criado desde os dez anos na Vila de Noel, o futebol representa a primeira paixão de minha vida. Socializei-me nas peladas de rua e desde cedo me encantei com as artimanhas do jogo. Militante clandestino na luta contra o regime militar e torcedor do Botafogo de João Saldanha, Afonsinho e Paulo César Caju, jamais dissociei a política do futebol. Os embates que esses craques sustentaram contra os “donos da bola” me ensinaram precocemente que nem tudo deve ser conformismo nas manifestações da cultura popular.
Por conta disso, escrevi esta semana em uma crônica que, apesar da Jabulani e do famigerado padrão toyotista do “futebol de resultados”, nem tudo é motivo para pessimismo no planeta-bola. A Copa da África, em especial, suscitou um intenso debate acerca das relações sociais e mercantis que gravitam ao redor do bilionário espetáculo. Até as mazelas desta era pós-moderna e biocibernética do capital nos foram expostas, como atesta o total desequilíbrio da França de Raymond Domenech, retrato da fratura étnica e social do país, onde a imigração pós-colonial africana assusta a “elegante” burguesia e acirra as reações racistas dos torcedores, que, três dias após o vexame na África, invadiram a sede da Federação para exigir “uma seleção branca e cristã”, sem nenhum atleta negro ou muçulmano.
O próprio duelo entre Dunga e a mídia nos ensejou uma rara chance de refletir sobre o estágio em que se encontra a civilização de Bruzundanga, onde os atos de truculência e destempero são uma súmula irretocável do comportamento que as elites da colônia cultivam há séculos, hoje disseminado pelo conjunto da classe média e já visível em vários estratos populares. A turma de Brás Cubas e Macunaíma também não se esqueceu de destilar seu ódio de classe contra os vizinhos do Mercosul, mas, ao menos desta vez, o tiro parece ter saído pela culatra, como se viu na tosca matéria do SporTV sobre o Paraguai, tachado de “paraíso obscuro do mundo” pelo canal - a agressão, similar àquela que o tucano Serra fez à Bolívia de Evo Morales, gerou reação indignadas do público e um inédito pedido de desculpas ao vivo.
Malgrado o sucesso dos europeus, a Pátria Grande terá sido, afinal, a grande personagem da primeira Copa em solo africano. Além de belos gestos de fair-play dos atletas, atos como o apoio dos argentinos à indicação das Avós da Plaza de Mayo para o Nobel da Paz, ou a singela iniciativa uruguaia de firmar um acordo de intercâmbio técnico com seus anfitriões na África, indicam-nos que ainda há sinais de vida inteligente entre nós. Se o chauvinismo barato de Galvão & Cia parece estar em baixa e até Lulinha Paz & Amor já sugeriu à CBF que realize eleições de 8 em 8 anos, é bom que os donos da pelota não se esqueçam de que toda moeda possui o seu reverso - a contraface inelutável do (vil) metal.
{Caros Amigos}
Tags: Brasil 2014, Confederação Brasileira de Futebol - CBF, Copas do Mundo, E$porte$, Fifa -
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July 18th, 2010Futebol
Pasó el Mundial, ¿y entonces?
(AW) Publicamos a continuación una nota del periodista Marcelo Colussi en la que saca conclusiones acerca del fenomenal evento deportivo, mediático y sobre todo politico-económico que significa el campeonato mundial de fútbol.
por Marcelo Colussi
(Apodado “Lato” cuando practicaba fútbol)Pasó el Mundial. Ahora, como dijera Joan Manuel Serrat: “vuelve el rico a su riqueza, vuelve el pobre a su pobreza y el señor cura a sus misas”. ¿Por qué habría de ser distinto?, ¿por qué iría a cambiar algo luego de este evento de proporciones faraónicas? Al menos, ¿por qué cambios para mejor? Fuera de la alegría de algunos y las caras largas de otros, el lunes siguiente a la gran final todo sigue igual. Difícilmente se apruebe en algún país, como herencia de la justa recién terminada, una nueva política de difusión masiva del fútbol, o como consecuencia colateral de esta fiebre que se vivió, se desarrolle una nueva actitud hacia el deporte en general. ¿Habrá más deportistas luego de Sudáfrica, menos jóvenes consumidores de drogas o, en todo caso (como efecto no precisamente deseable), no habrá más gente desesperada que verá el fútbol como una forma - individual, por cierto - de “salvarse” al poder fichar como profesional? ¿Cambió en algo la situación de Sudáfrica luego de este mes? ¿Estamos mejor después de esta “fiesta descomunal, inolvidable, llena de alegría y felicidad”, como promocionaban sus organizadores?
Obviamente no se podría esperar nada en especial de esta monumental fiesta en orden a que algo cambiara: es una fiesta, y como tal, su valor está en eso, en ser algo fuera de lo común que rompe la rutina. Quizá eso, la posibilidad de divertirse un poco, en sí mismo ya constituye una ganancia. Divertirse es grato, sin dudas. ¡Y necesario! Ahora bien: en relación a cambios… ¡por supuesto que no hay nada! ¿Pero por qué esperar eso de una fiesta?
En todo caso, como todo acontecimiento de dimensiones gigantescas, algo deja, no es intrascendente. Algo tan monumental como la Copa Mundial de Fútbol no es poca cosa, y sin dudas puede ser leído de modos diversos. La gran masa planetaria que se emocionó con estos 64 partidos, se divirtió. Esa es una primera arista del fenómeno. ¿Nos quedamos con ese análisis solamente? Alguien dijo que la felicidad va de la mano de la ignorancia: “si quieres ser filíz, no analisís”. ¿Ahí nos detenemos entonces? ¿Suficiente con ser felices sentados ante la pantalla de televisión durante un mes, quizá tomando una cervecita y alentando a alguno de los equipos? ¿O qué más nos deja Sudáfrica 2010? Como mínimo, se podrían sacar algunas otras conclusiones:
1. El Campeonato Mundial de Fútbol pasó a ser uno de los eventos mediático-culturales más importantes del mundo moderno. La masificación de las sociedades en el siglo XX con sus procesos de urbanización e industrialización obligados, para el inicio del XXI da como resultado estructuras sociales desconocidas antes en la historia que parecen haber llegado para quedarse. En ellas, los medios masivos de comunicación van tomando cada vez más un papel preponderante, a punto que muy buena parte de las dinámicas del mundo contemporáneo se deben exclusivamente a los poderes mediáticos que así lo determinan. El Mundial de Fútbol es una clara expresión de ello, una manifestación evidente de la manipulación a la que se ven sometidas las grandes masas a escala planetaria. La conjunción de diversos factores económico-políticos ha llevado esta manifestación, inicialmente deportiva, al sitial de honor que ocupa hoy día. Por lo pronto, dejó de ser un simple hecho deportivo: es un fabuloso espectáculo de la cultura masificada que vivimos desde el pasado siglo. Para muestra: la final España-Holanda fue el evento más visto (por televisión y por internet) simultáneamente por la mayor cantidad de población en la historia: 2.000 millones de personas;2. El Mundial es un hecho sociocultural del que nadie puede estar ajeno. Dado su carácter gigantesco, planetario, y teniendo en cuenta la forma en que el capitalismo globalizado finisecular expandió sus íconos triunfales - junto a sus negocios, claro está -, el fútbol, en tanto uno de esos elementos culturales, es algo tan presente en nuestro mundo contemporáneo como la Coca-Cola o el McDonald’s. Es decir: nadie puede dejar de darse por enterado de él. En el caso de la Copa Mundial, en tanto expresión máxima de esa tendencia, poblaciones que habitualmente no son futboleras entran en la locura mediática de esta época, de esta ¿vacación? de un mes de duración, y con fuerza creciente cada cuatro años explotan en una fiebre contagiosa de la que no se puede estar al margen. Grupos que jamás practican ni van a practicarlo, mujeres - en general alejadas de este deporte -, poblaciones de las más diversas índoles, países completos se ven arrastrados por una marea de la que es imposible distanciarse. Visto que el fútbol profesional en general - y en el caso del Mundial en particular más aún - es un negocio fabuloso, y considerando el terrible poder político-mediático que encierra, las poblaciones más dispares se ven arrojadas a un obligado discurso que inunda todo. Y todos, puestos ante las pantallas de televisión que por toda la geografía planetaria se extienden omnímodas, repetimos las mismas conductas de frenesí. En tanto espectáculo audiovisual, zambullirse en él conlleva una serie de conductas adictivas y cargadamente afectivas que nos transforman. ¿Quién no se emociona, incluso grita como loco, ante una pantalla con un partido de fútbol en el Mundial? ¿Quién no hace parte de la irracional - pero no por ello cuestionada - locura del pulpo adivino o de las promesas de desnudeces de algún ícono mediático? Y si no gritamos por un partido de fútbol ni nos ponemos cotidianamente una camiseta de alguna escuadra de las que participan en el torneo, el Mundial tiene ese componente de fenómeno masivo que “obliga” a repetir esas conductas durante este mes de “vacación” sin mayor posibilidad de distancia crítica;
3. El Mundial representa la expresión máxima de un negocio fabuloso como es el moderno fútbol profesional. El Campeonato que se realiza cada cuatro años (hubo voces que pidieron hacerlo cada dos, dicho sea de paso) es la culminación, el escaparate especial, la “feria internacional” de un rubro comercial que sigue creciendo día a día. El fútbol profesional es un gran negocio: decimoséptima economía mundial, medido globalmente. Como mecanismo económico mueve cantidades enormes de recursos, y ello se traduce, naturalmente, en poder político. La tendencia a la profesionalización en el deporte (todos, sin excepción) es otra línea que exhibe pomposamente el capitalismo globalizado. El amateurismo es algo que va quedando en el olvido. En el fútbol ello es groseramente evidente. En definitiva, protestar por esa comercialización creciente es remar contra la corriente, porque en un régimen de economía capitalista todo, absolutamente todo es una mercadería más para vender. ¿Por qué no habría de serlo un espectáculo que mueve millones de seres humanos? Hoy por hoy, tal como está el mundo, parece quimérico pensar en desprofesionalizar esos monumentales circuitos económicos de los deportes, entre ellos el fútbol, el más popular entre todos. Sería como desarmar la Coca-Cola o el McDonald’s: ¿Quién comienza? ¿Por dónde?;
4. Como deporte profesionalizado, el fútbol contemporáneo va perdiendo cada vez más su belleza, su picardía; el Mundial lo deja ver claramente. La misma hiper competitividad que se busca, la locamente furiosa obtención de buenos resultados, contrariamente a lo que sucede en otras actividades deportivas que lleva a superar día a día marcas y rendimientos, en el fútbol sirve para fomentar estilos conservadores, esquemas cada vez más defensivos donde se persigue no tanto “ganar” sino “evitar perder”. Como corolario de todo ello tenemos una práctica deportiva que se alejó ya definitivamente - y como están las cosas: sin posibilidades de retorno - de un fútbol ofensivo donde se premie la creatividad, la improvisación, la picardía. De ahí que, desde hace ya algunas décadas, jugadores que presentan ese tipo de talento en vías de extinción (habilidosos, más “poetas de las piernas” que “atletas robotizados”) inmediatamente se constituyen en ídolos, porque son “rara avis”. El fútbol practicado en la primera mitad del siglo pasado, o el fútbol amateur - que aún no ha desaparecido del todo - permite un juego mucho más “suelto”, con mayor cantidad de goles, sin los planteamientos hiper conservadores a que ya nos acostumbramos, donde 4 o 5 tantos en un partido ya parecen goleada estrepitosa. Los partidos con más goles, con 8 o 10, por ejemplo, comunes décadas atrás, ya son hoy día absolutas piezas de museo. Hoy ya se nos hizo común ver equipos que juegan con dos, o un solo delantero, y no cinco como era antaño. En los Campeonatos Mundiales es algo cada vez más común la definición por penales, los partidos que terminan cero a cero, el fútbol conservador, cinco mediocampistas; el catenaccio ya no es patrimonio sólo de Italia. Todo esto es una consecuencia de la mercantilización absoluta en que se desarrolla la actividad: se prefieren resultados que “vendan”, aunque sean rendimientos pobres y conservadores, a un espectáculo donde brille la picardía;
5. El Mundial crea una sensación de identidad nacional entre todos los ciudadanos de un país. Sin dudas que terminado este mes de torneo vuelven rico, pobre y cura a sus habituales rutinas. En realidad, durante estos 30 días nunca dejaron de cumplirse aceitadamente sus papeles: ninguno dejó de ser lo que era, por supuesto. Pero sucede que durante ese breve período de “locura” mediática llevada a ribetes monumentales, los poderes dominantes crean la idea de “paréntesis” en la vida real. El fantasma de los nacionalismos se agita de un modo gigantesco, colosal, siendo bastante difícil oponerle críticas. De ese modo el empresario y el trabajador, el docto y el marginal “deponen” diferencias en función de un supuesto objetivo superior, que para el caso sería el orgullo nacional. No hay dudas que, más allá de una concepción crítica de los nacionalismos en tanto forma sutil de dominación de las grandes masas - el pobrerío no tiene patria -, la ola irracional, sabiamente manipulada, que se expande por todas las poblaciones ayuda a hacer creíble el mito de unidad nacional. Y también es cierto que las identidades nacionales funcionan, haciendo que todo un pueblo, Honduras, por ejemplo, celebre la derrota del representativo de, digamos, Estados Unidos, o Alemania, en tanto encarnación de los poderes reales que manejan buena parte de las vidas de los más débiles. En ese sentido: el fútbol sería la escenificación de la vida real; o dicho de otro modo, permite expresar en forma abierta sentimientos habitualmente acallados. En los estadios de fútbol es donde más grita la gente, por lejos, a veces irracionalmente. Lo que sucede en los campeonatos mundiales pone en evidencia que los nacionalismos, “enfermedad infantil de la humanidad” como dijera alguien, están lejos de extinguirse aún. El “internacionalismo proletario” parece que, de momento, deberá seguir esperando un poco. Agitar esos sentimientos patrios es siempre una buena herramienta para los sectores poderosos de mantener tranquilizada y divertida a las grandes masas. Así, entre otras cosas, son posibles las guerras: ¿cómo se haría, si no, para mandar a morir miles y miles de varones jóvenes en los frentes de batallas en luchas que no le significan nada? Tradición, familia, patria… son viejas consignas que siguen siendo efectivas para la dominación;
6. El Mundial pone en evidencia lo que ha pasado a ser el fútbol profesional en nuestra aldea global: un fabuloso mecanismo de control social. Sería ingenuo pensar que el Campeonato Mundial, esa parafernalia mediática que dura apenas 30 días, sirve a los poderes fácticos para hacer o dejar de hacer lo que son sus planes geoestratégicos de dominación a largo plazo. No necesitan de él para invadir Irán, aumentar el precio de los combustibles, desviar la atención sobre la catástrofe medioambiental del escape de petróleo en el Golfo de México o aprobar alguna ley cuestionable, por dar sólo algunos ejemplos. Si hay “lavado de cerebro” de parte de las clases dominantes - ¡y definitivamente la hay! -, ello no se realiza porque durante un mes se inunden las pantallas de televisión con partidos de fútbol y media humanidad ande hablando de Messi, de Ronaldo o llevando una camiseta de algún equipo. No hay dudas que, al igual que todo gran evento de proporciones enormes, puede funcionar puntualmente como distractor de masas. Así fue, por ejemplo, el que organizara la dictadura militar argentina en 1978, con el que se intentó lavar la cara en su sangrienta guerra sucia (”En el mundial de Argentina grité como un loco. Firmado: un torturado”, rezaba una pintada callejera); o el de la Italia fascista de 1934, en el que se buscaba a toda costa disciplinar y mantener ocupada a una clase obrera demasiado “rebelde”. De todos modos quedarse con la estrecha idea que estos campeonatos son las cortinas de humo de gobiernos dictatoriales es ver sólo un lado del asunto, y quizá sesgadamente; en todo caso, los Mundiales evidencian el papel que en la moderna cotidianeidad ha pasado a desempeñar el fútbol profesional. En forma creciente, desde mediados del siglo pasado, y sin detenerse, aumentando cada vez más, el negocio del fútbol sirve como “opio de los pueblos”. Lo que sí es evidente es que el fútbol como espectáculo mediático para consumir - por televisión más que nada - crece sin parar. Que ello es gran negocio, es innegable. Lo que sí puede deducirse es que poderes globales de largo aliento que están más allá de administraciones gubernamentales puntuales, también lo aprovechan como droga social. El Mundial no es sino una dosis un poco más fuerte del “pan y circo” cotidiano al que nos someten, con dos, tres o más partidos diarios durante los 365 días del año. Si algo podemos criticar con fuerza no es tanto la Copa Mundial propiamente dicha sino todo el circuito político-económico que ha ido formando la profesionalización del fútbol y su utilización como mecanismo de control de masas, ahora ya a nivel planetario. El Mundial es sólo una pildorita de esa medicina.
{Agencia Rodolfo Walsh}
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July 18th, 2010Futebol
Há algumas semanas, um dos assuntos mais evidentes das páginas esportivas é o crime no qual o nome do Bruno, capitão do Flamengo, está envolvido numa trama policial.
Ao percorrer duas editorias, com direito a entrar numa terceira (vide texto abaixo) - a de Política -, o caso faz parte - massivamente - dos noticiários e é conduzido pelos grandes canais com o status dos habituais e midiáticos grandes crimes, daqueles que levam “o povo” às frentes de delegacias e fóruns reivindicar Justiça. Comoção que vem das antenas, muita sede de punição e pouca prática.
Além de render audiência e lucro para as exaustivas análises do teatro do crime, ou desprezar origens, relações de trabalho, ambições políticas…
Nesta contramão, o Lado D trará estas outras visões, sem colunismo policial. (RAG)
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Futebol, crime e política
O futebol, “atividade generalizada na juventude do nosso país, presente no mais remoto dos rincões, a política e os partidos não podem ser estranhos a ela, esperando-se da sua intervenção a criação de regras que venham a atuar no processo de formação dos seus profissionais, que chegam a ela, em muitos casos, como pré-adolescentes. De outra parte, cabe à opinião pública, reclamar que os clubes adotem padrões de conduta que impeçam os seus atletas de manterem relações privilegiadas com o submundo da criminalidade”, escreve Luiz Werneck Vianna, professor-visitante da UERJ e ex-presidente da Anpocs.
Eis o artigo.
O assassinato de Eliza Samudio em que está envolvido como suspeito o goleiro Bruno, ex-capitão do Flamengo, vencedor do último campeonato brasileiro de futebol, não deve ficar confinado às páginas do noticiário policial. O horror que ele suscita por seu enredo escabroso, a história dos personagens, a gratuidade do crime, a forma da execução - os restos mortais da vítima foram lançados a cães para serem devorados -, a presença do mal em estado bruto, tudo isso reclama que se olhe para além das patologias dos indivíduos já indiciados como culpados. Em primeiro lugar para o clube, agremiação mais que centenária, e para a estrutura do futebol, o esporte de massas que é uma paixão nacional. Em segundo, para o tipo de sociabilidade selvagem, à margem da vida civil, que se reproduz em escala crescente e que encontra na cultura do narcotráfico e do consumismo, alçado a valor supremo, os seus paradigmas.
Bruno, um dos mais altos salários do seu clube, era uma liderança, portando a braçadeira de capitão por indicação de seus dirigentes, em que pese várias manifestações arrogantes de sua parte, inclusive nas relações com o seu técnico, e já se envolvera, com alguns colegas, em escândalos públicos em festas promovidas em domínios territoriais do narcotráfico. Em uma dessas ocasiões, proferiu uma declaração em que, explicitamente, admitiu ser normal a violência física entre casais, e, embora sua agremiação desportiva fosse dirigida por uma mulher - uma ex-atleta olímpica -, manteve a honraria da braçadeira.
Registre-se, ainda, que dois companheiros de clube, como o noticiário esportivo com frequência denunciava, eram contumazes participantes de pagodes em redutos do crime organizado, um deles fotografado ao lado de marginais armados com metralhadoras, o outro levado à polícia para esclarecer relações mercantis com notórias lideranças do mundo do tráfico em favelas cariocas.
Em todos os casos, o clube optou pela contemporização, em nome certamente de uma política de resultados, uma vez que esses jogadores se notabilizavam por seus feitos nas competições. E o que importa aí é deslocar o foco para a estrutura do nosso futebol, com sua organização autocrática, dominada por um vértice que se eterniza no poder, apenas orientada para a produção de vitórias nas competições, inteiramente arredia às possibilidades de fazer do futebol, com sua penetração capilar na vida do povo, um instrumento de educação de massas.
Para ela, o futebol do país se resume a ser mais um ator no processo de globalização dessa atividade esportiva graças à qualidade dos seus praticantes, um celeiro de craques de exportação. Nesse sentido, a expressão esportiva e cultural que ele representa se encontra crescentemente contaminada pela ameaça de ser submetida inteiramente à lógica mercantil. E não à toa não se pode mais descrever a sua história atual sem incluir o papel dos empresários no recrutamento de jovens jogadores talentosos que passam a administrar suas carreiras, relegando o papel das agremiações esportivas a um lugar subordinado, quando não inteiramente ausente, na sua formação como homens e cidadãos.
Os frutos bem-sucedidos desse sistema se convertem em mercadorias do mercado globalizado do futebol, as transferências para os milionários clubes europeus, para onde migram cada vez mais jovens, significando a realização de suas carreiras. Nada mais natural que seus praticantes, desde cedo sem tempo para se dedicarem aos estudos, encapsulados na bolha do mundo do futebol, manifestem fortes opções religiosas, em geral pentecostais, aí encontrando escoras emocionais que lhes permitam suportar as pressões do mercado que condiciona suas vidas.
Sem essas escoras, seus profissionais, com uma educação formal em geral precária, muitos vindos de lares destroçados - o caso de Bruno -, se veem à mercê da cultura do consumismo, o tempo livre de jogos e treinamentos dissipados em meio a uma legião de fãs, sua presença prestigiosa disputada em pagodes e orgias em que são convidados de honra. Os clubes, indiferentes ao comportamento dos seus profissionais, cerram os olhos a seus desvios de conduta, por sua vez prisioneiros da lógica de resultados que comanda o futebol. Assim, os clubes e seus heróis do maior esporte de massas do país, que poderiam exercer um papel na difusão dos valores civis na formação da juventude, tornam-se uma vitrine a estimular o hedonismo e o comportamento narcísico.
Futebol é cultura - no nosso caso uma de suas mais vigorosas manifestações -, fazendo as vezes de uma escola moderna em que se ensina a competir sob a jurisdição de regras interpretadas por um árbitro e que são de prévio conhecimento dos seus praticantes e do seu público. Atividade generalizada na juventude do nosso país, presente no mais remoto dos rincões, a política e os partidos não podem ser estranhos a ela, esperando-se da sua intervenção a criação de regras que venham a atuar no processo de formação dos seus profissionais, que chegam a ela, em muitos casos, como pré-adolescentes. De outra parte, cabe à opinião pública, reclamar que os clubes adotem padrões de conduta que impeçam os seus atletas de manterem relações privilegiadas com o submundo da criminalidade.
Entre tantos fatos estarrecedores no caso de Bruno, está a revelação de que ele estava conscientemente envolvido com personagens e com os padrões vigentes nas redes do crime organizado. Só faltou o uso de micro-ondas na eliminação da pobre Eliza para tornar ainda mais evidente as impressões digitais da cultura do narcotráfico nesse caso.
. Fonte: Jornal Valor e Unisinos
{Amai-vos}
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July 18th, 2010Futebol
Na citada perspectiva de aproveitar materiais à época da Copa do Mundo, seguem dois assinados pelo Ivo Lucchesi, para o Observatório da Imprensa.
Marcas dos uniformes, manchetes jornalísticas, ansiedades do público, políticas de condução do evento…
“A paranóia fake continua” e “A face real da paranóia” têm proposições atemporais, como os que serão reproduzidos por aqui, repito, pós-Mundial! (RAG)
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A paranóia fake continua
por Ivo Lucchesi
Uma vez mais, o Brasil, sob o gerenciamento da “grande mídia”, parece envolto por um inebriante manto de abstração infantil: prédios, ruas, meio-fio de calçadas… tudo em verde-amarelo. O destino de uma nação parece ser decidido e definido fora daqui. A TV Globo, como principal agente de disseminação virótica, não perde um minuto sequer para inocular, no combalido imaginário societário brasileiro, overdose de estimulações sensoriais em favor de um de seus “produtos” mais rentáveis: futebol. Quem paga a conta? É simples: a credulidade de amplos segmentos da população. Se no país há prova de “democracia”, sem dúvida outra maior não há que não seja o “amor” de outrora que evoluiu para a “patologia do agora” em relação ao esporte, principalmente, o futebol.Sem mencionar o tédio promovido pela “abertura”, fato registrado por alguns veículos menos comprometidos com a “venda de produto”, fiquemos, de saída, com o elenco de seleções integrantes do “espetáculo”.
Percorrendo a tabela, figuram seleções como África do Sul (país-anfitrião), Argélia, Austrália, Camarões, Costa do Marfim, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Eslovênia, Gana, Grécia, Honduras, Japão, Nova Zelândia. Que estas figurem é um direito. Todavia, em respeito à tradição, o que fazer com seleções como Áustria, Bélgica, Escócia, Romênia, Rússia e Suécia? Bem sei que umas entram e outras não, por conta de competições eliminatórias. A questão reside nos critérios da Fifa, cujos interesses, há muito tempo - desde a Copa da Espanha (1982) -, dizem respeito à expansão planetária das marcas de produtos esportivos em prejuízo do verdadeiro espetáculo futebolístico. Assim é que a própria tabela, desde a “gestação” do “grande evento”, tem uma combinação em torno de “marcas”.
Mesclar religião com futebol?
O leitor pode ter certeza de uma coisa: a vencedora desta Copa não haverá de ser nenhuma seleção patrocinada pela Puma, pois esta foi a vitoriosa na Copa de 2006: a Itália, para tanto, já está eliminada. A presente competição terá, como laureada, uma seleção patrocinada pela Adidas ou pela Nike.
Outro aspecto que não deve passar ao largo é o fato de, cada vez mais, ocorrerem erros grosseiros de arbitragem. É fundamentalmente neste ponto que as manipulações se dão. É crível que um juiz gabaritado e um bandeirinha credenciado, ambos pelo mais rigoroso órgão internacional, não tenham visto o gol (que seria de empate, ainda no primeiro tempo), no jogo Alemanha x Inglaterra? Se o primeiro tempo terminasse em 2×2, não teria sido diferente o transcorrer do segundo tempo? É aceitável que juiz e bandeirinha, ambos selecionados por exigentes critérios de avaliação, não tenham flagrado o impedimento escancarado do atacante no gol inaugural da Argentina contra o México? Todavia, para a maioria dos “apaixonados” pelo rolar de uma bola, nada disso faz o menor sentido. Ao contrário, são exatamente essas situações de conflito que potencializam a expansão das “emoções”. Ok! Difícil é, para os aficcionados, aceitarem que nos bastidores milhões e milhões de dólares são aplicados e precisam ser ressarcidos em montante lucrativo bem maior.
A fórmula já foi ensinada desde o Império Romano. De lá para cá, muito tempo passou… Contudo, a ingenuidade humana permanece intacta aos apelos da manipulação. Para tanto, não falta, na realidade presente, o impacto exercido de maneira inapelável pelos meios de comunicação de massa que, ardentes de desejo pelo tanto que colhem de receitas, sequer disfarçam quanto a práticas de sedução e indução primárias. O espanto, para cegos seguidores, se dá quando uma voz diferenciada entra no circuito e cria um “mal-estar”: o jornalista Juca Kfouri, ao confrontar o perfil do “Roberto Carlos” do futebol brasileiro atual: Kaká. Nota 10! Kfouri foi na ferida. Mesclar religião com futebol? Que é isso?
Nike ou Adidas?
Está certo, Juca! Lamento que sua voz seja única. No mais, aguardemos o desfecho. Proponho para os leitores apaixonados por tudo que se dá nas “quatro linhas mágicas” qual será a fórmula mais rentável para a Fifa: ser a seleção campeã aquela que sediará a próxima, ou permitir que a anfitriã de 2014 chegue até o mais próximo possível e perder, deixando no imaginário sequioso do torcedor brasileiro aquele desejo de devolver ao mundo a dor, revestida de delírio, pela superação do trauma da Copa de 1950? As duas opções são apetitosas para a “lógica perversa do mercado”. Seguramente, quem nada aprecia a presente configuração é aquele que se planta diante de uma tela de TV de última geração e vive, até o ápice de sua agonia, o desenrolar de uma trama cuja definição já está, primeiramente, decidida no sorteio, e segundamente, definida pelas arbitragens, seja pela “invisibilidade” de lances decisivos, seja pela “política” de aplicação de cartões.
Para a reta final, existem as seguintes opções, na relação seleções/marcas: a Puma (vencedora da Copa de 2006) comparece com, apenas, duas seleções: Gana e Uruguai; a Nike (vencedora na Copa de 2002) ostenta três: Brasil, Holanda e Paraguai; a Adidas, que não vence desde a Copa de 1998, se faz representar por seis seleções: Alemanha, Argentina, Eslováquia, Espanha, Japão e Paraguai. Como solitária concorrente, encontra-se a pouco expressiva Diadora, com um único representante: Chile.
Alguém tem dúvida quanto a quem caberá a vitória? Nike ou Diadora? É só aguardar. De resto, aguardemos qual seleção da Adidas erguerá o troféu máximo.
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A face real da paranóia
por Ivo Lucchesi
O presente texto é desdobramento de outro artigo (”A paranóia fake continua”, publicado neste Observatório). Como tal, algumas questões a se fazerem presentes neste exercício de reflexão dialogam, complementarmente, com as pontuações da escrita anterior.Com o domínio de um modelo cultural centrado na “midiatização”, duas estéticas, desde o início dos anos 1970, entraram em confronto: 1) a estética do sentido; e 2) a estética do devaneio. A rigor, trata-se de dois olhares sobre as coisas do mundo. Enquanto a primeira acena para a provocação quanto ao que temos de descobrir sob o manto da realidade, a segunda oferece um olhar sobre o que coberto está por um véu. A partir daí, cada cidadão está livre (será?) para se indagar: o que eu quero ver? Quero ver o que se esconde por debaixo do manto, ou opto por ver o que me oferecem recoberto por um véu?
Nessa escolha, define-se uma ou outra consciência, caso se manifeste a pergunta. A diferença reside num aspecto: quantos foram educados para, sequer, terem direito à escolha? Não é por outra razão que o sistema midiático opera muito bem essa tensão. A mídia se alimenta da oscilação: a) mostra sem revelar; b) o que exibe se dá por recortes. A quem está na recepção cabe o dever de desfazer a tensão, sob pena de tornar-se refém das duas.
A Copa do Mundo, como um dos maiores eventos, envolve altíssimos investimentos, seja no âmbito do capital público, seja no tocante a capital privado. Se algum tem de perder, perde o capital público. Quem paga o gasto deste é cada cidadão, em seu respectivo país. Todavia, quem gasta na rede privativa quer, na pior das hipóteses, a aplicação de volta e, se possível, com margem de lucro.
Adidas x Nike ou Adidas x Puma
Seguindo o rastro dessa lógica banal, Copa do Mundo existe para sugar altos montantes do capital público para fazê-lo migrar a um amplo espectro de cofres privados. A estética do devaneio não quer saber dessa trama. Aos adeptos dela, importa apenas o que se dá nas quatro linhas e nem de longe imaginar o que se decide fora delas. Indústrias de material esportivo e de bebidas (cervejas e refrigerantes), ao lado do sistema midiático (impresso e eletrônico), comandam o espetáculo para um público mundial em torno de dois a três bilhões de receptores.
Pois é. Uma vez mais, ruas pintadas de verde/amarelo e pessoas recobertas de tecidos em verde/amarelo, afora redes do comércio com portas cerradas nos horários dos jogos da “seleção canarinho” foram o cenário, reduplicado por telas e telões espalhados por todas as grandes cidades brasileiras para a catarse coletiva. Manchetes, no melhor estilo da estética do devaneio, não faltaram: “Agora é hora de laranja virar bagaço”; “Feijoada combina com laranja”. A realidade, atrelada à estética do sentido, porém, demonstrou que o “bagaço da laranja” tinha mais sabor (saber?) que a feijoada. Como resultado: nada além de um “sorriso amarelo”, em consonância com todos que, nas verdes quatro linhas, “amarelaram”: “Triste fim de Policarpo Quaresma” e “O escrivão Isaías Caminha” são duas preciosas criações ficcionais de Lima Barreto. Com elas, pelo visto, o cidadão brasileiro ainda nada aprendeu. Em lugar de debruçar seus olhos em páginas construtivas, no melhor estilo da “estética do sentido”, o cidadão brasileiro prefere deslizar o olhar em imagens que se sucedem numa velocidade que a consciência não retém. Ou seja, ele fez a opção por apelos sensoriais, estimulados por telas, telinhas e telões. Enquanto um gasta e se perde em sua alegria fugaz, outro ganha (e muito) dinheiro.
Por fim, a Copa chega à sua reta final. Quaisquer que sejam os resultados das semifinais, a final terá de ser entre Adidas x Nike, ou Adidas x Puma. As marcas estão muito bem distribuídas, como sempre: Alemanha e Espanha (Adidas); Holanda e Uruguai (Nike x Puma). Em caso de a final ser Alemanha (ou Espanha) x Uruguai, a Alemanha será, uma vez mais, a vencedora das marcas, já que Adidas e Puma (final da Copa de 2006), como todos bem o sabem, são indústrias que nasceram de uma dissidência entre irmãos sócio-fundadores da Adidas.
A volta dos colonialistas como vitoriosos
Como é próprio na história das Copas, esta não fugiu à regra. Qual? Arbitragens manipuladoras de resultados. A Alemanha, a despeito de sua pujança nas quatro linhas, foi beneficiada no jogo contra a Inglaterra. A Holanda foi favorecida pelo pênalti não marcado em Kaká. A Espanha foi contemplada em dois fatos: 1) o gol do Paraguai (legítimo… mas não legal); 2) o pênalti marcado a favor da seleção paraguaia (e perdido pelo atacante Cardoso) teve flagrante invasão da área por defensores espanhóis. Contudo, o juiz não mandou repetir, procedimento que, minuto após, adotou na marcação de um pênalti a favor da Espanha.
Sim, é verdade que a cobrança fora bem-sucedida e invalidou-a. Na segunda cobrança, o goleiro defendeu. Onde está a manipulação? Na diferença de critérios do juiz da Guatemala (país, aliás, pródigo e expoente no cenário futebolístico mundial… Só rindo). Volto a insistir: a marca vencedora na Copa de 2006 foi a Puma. Nesta, será a Adidas. Vale dizer, portanto, que a vencedora será Alemanha ou Espanha.
Desde a Copa de 90, marca nenhuma ostenta duas vitórias seguidas, bem como, desde 1962, nenhuma seleção vence duas Copas consecutivamente. Agora, então, resta assistir ao desenrolar de cartas já marcadas.
Na condição de cidadão sul-americano, muito me agradaria uma vitória da seleção uruguaia. Assim, porém, não será. A propósito, salvo engano, há muito tempo, não se viam quatro seleções sul-americanas nas quartas de final. Pois bem, três delas tiveram de retornar. Outro detalhe, no mínimo curioso, diz respeito ao fato de, numa Copa realizada no continente africano, a vencedora vir a ser uma seleção europeia. Sabidamente, foram os europeus que invadiram, escravizaram e colonizaram a África.
A Fifa, entidade europeia, faz seu “jogo de cena”, abrindo os jogos com a mensagem “Say no to racism”. Sem dúvida, a mensagem há de ser reforçada por todos os recantos do mundo, pois nada é mais aviltante que o racismo. Apenas pretendo registrar o quanto me soa mal este fato: exatamente no palco em que europeus promoveram atrocidades, a ele retornem para se afirmarem como vitoriosos. [Este artigo foi finalizado em 04/07/10 e remetido ao OI na mesma data, às 20h33; portanto, bem antes de se iniciar a fase semifinal.]
{Observatório da Imprensa}
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July 9th, 2010Esportes
A bolha desportiva também existe
por Luis Gómez
[Reproduzido do El País, 28/6/2010]
¿Mejorará la economía española si España gana el Mundial de Sudáfrica? Para un país necesitado de buenas noticias, golpeado cada semana por los mercados, un éxito de esta naturaleza contribuiría a mejorar la autoestima nacional. Poco más. Desgraciadamente, no hay suficientes evidencias que permitan aventurar una respuesta positiva a esta pregunta, por mucho que algunas escuelas de negocios hayan analizado los beneficios, tangibles o intangibles, que tiene sobre la imagen o la economía de un país la celebración de grandes eventos deportivos. Así que no es cuestión de exigir a los internacionales españoles que afinen su puntería porque va en ello una bajada en el diferencial con el bono alemán. No.El interés de los economistas por los grandes eventos deportivos es un fenómeno relativamente reciente, motivado por las enormes inversiones públicas que atraen cierto tipo de manifestaciones, fundamentalmente Juegos Olímpicos y Mundiales de Fútbol, y el flujo económico que generan. Es más, algunas escuelas de negocio han tratado de establecer alguna relación entre éxito deportivo y crecimiento económico.
Nadie discute a estas alturas que Francia alcanzó cierto estado de éxtasis colectivo nada más conquistar la Copa del Mundo de Fútbol que organizó en 1998. Ciertos indicadores estadísticos posteriores al evento registraron un incremento del consumo nacional y una mejora en la productividad de los trabajadores, datos que, sumados a otros, condujeron a un crecimiento económico del 3,6%, 3,2% y 4,1% en los años posteriores al título mundial. Ocho años después, en el Mundial de Alemania (2006), Francia llegó a la final, pero el ganador fue Italia, que pasó de un crecimiento del 0,1% a un 1,9% al año siguiente. ¿Fueron casualidades o éxitos deportivos de esta naturaleza contribuyen a mejorar la salud de la economía? Ningún estudio convalida estas interpretaciones, que algunos expertos califican directamente como “economía-ficción”.
Dos economistas norteamericanos, Dennis Coates y Brad Humphreys, analizaron en 2002 las series económicas registradas en las ciudades que albergaron el mayor acontecimiento deportivo anual de Estados Unidos, la final de la Superbowl (rugby americano). Su estudio concluyó que, para las ciudades sedes, la organización no había supuesto ningún incremento en la renta per cápita de sus habitantes, pero sí aportaron un nuevo dato a modo de descubrimiento: la ciudad del equipo ganador sí experimentaba un aumento en los ingresos de sus ciudadanos. Ambos economistas sometieron a un análisis parecido a las ciudades sedes de otros grandes acontecimientos, como las series finales de béisbol o la final de la NBA. En ambos casos, no se registraban datos significativos. ¿Por qué, entonces, sí sucedía ese imprevisto en el fútbol americano? Su conclusión no resultó muy científica: los autores concluyeron que “sólo el fútbol captura el corazón y el alma de una ciudad”. El descubrimiento de Coates y Humphreys fue rebatido por estudios posteriores.
Baratear custos
Alemania organizó el Mundial de 2006. Ni siquiera llegó a la final, pero la organización fue un éxito y la percepción de la marca Alemania mejoró. No hay datos económicos relevantes sobre el beneficio económico que reportó su organización, si bien Alemania no tuvo que realizar cuantiosas inversiones, dado que disponía de infraestructuras para el evento. La cuestión es que el país buscaba otra cosa, probablemente: mejorar su imagen en el exterior. Simon Anholt es un consultor británico que ha desarrollado el concepto de Nation Branding (marca de país), que ha dado lugar a su vez al Nation Branding Index (NBI), un indicador resultado de encuestas anuales entre 20.000 personas de 20 países que responden a 50 preguntas sobre su percepción de 50 países del mundo. Para Anholt, la correlación entre el Mundial de 2006 y la mejora de la imagen de Alemania fue “muy elevada”. “Alemania pasó a ocupar en el NBI el puesto número uno en 2007 y 2008, pero, como pronostiqué, el efecto no se mantuvo mucho tiempo”. Para otros autores, Alemania ganó en autoestima y el país se inundó de banderas como no había sucedido tras la reunificación. Los ciudadanos sintieron algo parecido a “qué bueno volver a sentirse alemán”.
“Cada nación tiene una marca”, explica Anholt, “y esa imagen es extremadamente importante para su progreso y su bienestar. Los países con una imagen positiva y potente pueden exportar mejor sus productos, su cultura, su mano de obra, sus servicios, atraer a más turistas, inversores e inmigrantes y disfrutan de la atención y del respeto de otras naciones. Los países tienen una marca, pero el país mismo no puede transformase en una marca”. ¿Generó algún beneficio la mejora de la marca Alemania? Tampoco hay un estudio concluyente.
Es evidente que la celebración de un evento deportivo de carácter global contribuye a mejorar la imagen de un país o refuerza la autoestima de sus ciudadanos, pero estos resultados pertenecen al amplio espectro de beneficios intangibles. ¿Cuáles son los beneficios tangibles? Ese es un asunto sobre el que la bibliografía es más amplia. “Básicamente, cuando el COI decide la sede olímpica está ofreciendo un aumento del PIB del país del 1% de media durante cuatro años. No hay muchos eventos que ofrezcan esta oportunidad”, dice Lauren Schaparan, director de la consultora suiza Meridian Management. Sin embargo, este incremento del PIB no genera efectos positivos en numerosos casos, a la vista de la experiencia más reciente. Hay unanimidad en un dato, convertido en el ejemplo límite: Montreal estuvo pagando hasta el año 2000 la factura de sus Juegos Olímpicos de 1976.
Se acepta que Montreal fue un caso ruinoso, así como que Los Ángeles (1984) fue un evento difícil de imitar, financiado en buena parte por la iniciativa privada, pero las dudas sobre los riesgos económicos que entrañan estas manifestaciones deportivas han aumentado con el tiempo, entre otras cosas porque la necesidad de seguridad ha crecido exponencialmente por la amenaza del terrorismo. Nadie ha podido cuantificar con exactitud cuánto le cuesta a un Estado proteger un gran evento. “Son cifras que no llegan a manejarse, entre otras cosas porque la tendencia más reciente es la de utilizar al Ejército en esas funciones para abaratar costes”, explica Feliciano Mayoral, ex secretario del Comité Olímpico Español. Montreal tiene un sucesor en el palmarés negativo: Atenas. En el argot, Atenas es, como dice Mayoral, “un elefante blanco”.
Crise aguda
Atenas organizó los Juegos del 2004 y no reparó en gastos. Edificó instalaciones monumentales diseñadas por grandes arquitectos, la mayoría de las cuales está en desuso desde hace seis años. “Construyeron una sede para la halterofilia con una capacidad para 8.000 espectadores en un barrio marginal de la ciudad donde había nacido un halterófilo griego, hecho que implicó derribar muchas casas. No hubo otro argumento para esa decisión”, explica Isidro Rigau, consultor de Summa Sports. El déficit público griego se disparó desde 1999 hasta alcanzar un 7,5% en 2004. Se calculó que los Juegos de Atenas tuvieron un coste equivalente al 5% del PIB. Aquellos excesos forman hoy parte de la actual coyuntura económica que tiene a Grecia inmersa en una brutal crisis.
Grecia no hizo una planificación correcta de sus Juegos. Porque detrás de uno de estos eventos debe existir una estrategia. Corea del Sur no utilizó los Juegos de Seúl (1988) para promocionar el turismo, sino para mejorar su imagen. Empresas como Samsung, Daewoo y Goldstar, desconocidas en los ochenta, se han convertido en grandes marcas. ¿Fueron aquellos Juegos rentables? Al menos, Corea extrajo algunas conclusiones positivas.
Barcelona y Sydney aparecen entre los expertos como los dos mejores ejemplos de éxito. Ambas ciudades organizaron unos Juegos brillantes, unánimemente elogiados por la prensa internacional. Detrás de aquellos eventos hubo varias estrategias. En el caso australiano, cambiar la ciudad y atraer turismo. En el español, el espectro fue más amplio: colocar a Barcelona en el mundo y mejorar los resultados deportivos.
“¿Han tenido los Juegos un efecto beneficioso para la economía australiana?”, se pregunta Lauren Schaparan: “No hay una respuesta fácil. La decisión de celebrar los Juegos se tomó en 1992 y, desde entonces hasta el 2000, el crecimiento ha superado la media de los últimos 30 años. ¿Casualidad?”. Uno de los objetivos era impulsar el turismo, pero Graham Matthes, funcionario del Tesoro australiano, responde: “Ser sede olímpica nos llenó de orgullo y optimismo, pero, en términos contantes y sonantes es difícil determinar si esa breve burbuja publicitaria tuvo un efecto favorable y duradero sobre el turismo”.
“Barcelona dejó un legado de beneficios no tangibles”, argumenta Isidro Rigao, un experto que participó en la organización y que ha asesorado a otras sedes olímpicas, “como la imagen de modernización que dio España al mundo y la caducidad de esa cultura del vuelva usted mañana. Y también hubo beneficios tangibles. La ciudad cambió y pasó de ser un destino de congresos a convertirse en la segunda mayor ciudad del mundo en recepción de visitantes”. Sin embargo, al año siguiente de los fastos de 1992 (Juegos de Barcelona y Expo de Sevilla), España inició un agudo periodo de crisis económica que, entre otros efectos, obligó a los bancos a actuar como sociedades inmobiliarias. ¿Les suena?
Tempo de avaliação
Barcelona fue objetivo de otra estrategia, esta de carácter deportivo. España pasó de conquistar cuatro medallas en los Juegos de Seúl (1988) a 22 en Barcelona (1992) gracias a un programa de financiación mixta de deportistas de élite (ADO), que se ha mantenido en el tiempo y que es el origen de la transformación que ha experimentado el deporte español. España se ha convertido una potencia mundial por la calidad de sus mejores deportistas. ¿Influye ello en la percepción de la marca España? ¿Tiene alguna influencia en la mejora de nuestras exportaciones, por ejemplo? No hay datos concluyentes. Desde luego, los españoles disfrutan viendo a sus deportistas por televisión.
Las dos últimas experiencias están pendientes de ser examinadas, pero son de interés porque se trata de dos países que están fuera de la órbita occidental. Se trata de China, organizadora de los Juegos de 2008, y de Sudáfrica, sede del Mundial que se está celebrando estos días. Ambos países se han posicionado como los líderes de sus respectivas regiones, después de haber pasado un periodo de catarsis. Para ambos, la celebración de estos eventos responde a una estrategia. A pesar de celebrarse en medio de una crisis financiera internacional, es evidente que China ha reforzado su liderazgo y que Sudáfrica está en el camino de ser algún día el primer país africano que organice unos Juegos Olímpicos, como vaticina Feliciano Mayoral: “El COI tiene una deuda con África, como en su momento lo tuvo la FIFA”. Las decisiones de ambos organismos no están exentas de un marcado perfil geopolítico. Se entiende así el doble compromiso que ha aceptado una potencia emergente como Brasil, que organizará el Mundial de 2014 y los Juegos de 2016. Cabe mencionar que mientras la ONU cuenta con 192 miembros, la FIFA cuenta con 207, incluyendo micro Estados o Estados no reconocidos por la comunidad internacional. Ahora bien, ¿acompañará el éxito económico a China y Suráfrica?
“He viajado varias veces a Sudáfrica”, explica Isidro Rigao, “allí, el promedio de asistencia a los partidos de fútbol es de 8.000 espectadores. Sólo en cuatro, a lo largo de la temporada, se han registrado entradas de 40.000 espectadores y han tenido que construir seis estadios modélicos, con la firma de arquitectos de prestigio y con capacidad superior a 40.000 asientos. ¿Qué harán después con esos estadios?”.
Habrá que esperar un tiempo para evaluar cómo China y Sudáfrica sobreviven a la crisis económica y a los eventos que organizaron. Quizás para entonces los estudios afinen un poco más sus conclusiones y los futuros candidatos puedan evaluar con mejor fortuna los retos que comporta para su economía acoger un acontecimiento deportivo global.
* * *
Boas infraestruturas e “elefantes brancos”
por José Reinoso
[Reproduzido do El País, 28/06/2010]Pekín vive estos días, con ocasión del Mundial de Fútbol, el aire de fiesta que no pudo tener en los Juegos Olímpicos de 2008. Si en aquella ocasión las autoridades municipales limitaron los horarios de los bares, expulsaron a mendigos y restringieron la concesión de visados, la situación ahora es muy diferente. Cuando echa a rodar el balón en Sudáfrica, la capital china entra en ebullición y miles de personas, cerveza en mano, se congregan ante las pantallas instaladas al aire libre por bares y restaurantes. Fiesta, pasión y alcohol duran hasta el alba.
Casi dos años después, los Juegos de Pekín son un recuerdo. Pero la competición deportiva ha dejado un importante legado. El principal ha sido en infraestructuras, con nuevas líneas de metro, la ciclópea terminal 3 del aeropuerto de Pekín, obra del arquitecto británico Norman Foster, o la primera línea ferroviaria de alta velocidad del país, entre Pekín y la ciudad portuaria de Tianjin. Además, están el estadio olímpico nacional, conocido como El Nido de Pájaro, y El Cubo de Agua, sede de las competiciones de natación. Ambos causaron sensación por su modernidad, pero ahora se han convertido en elefantes blancos a los que el Gobierno municipal trata de sacarles rentabilidad; algo que no es fácil en este país en el que las grandes competiciones deportivas escasean y los conciertos de rock provocan sarpullidos. Cada día, son visitados por miles de turistas, y han acogido desde partidos de la supercopa italiana, a instalaciones de nieve artificial, ballets acuáticos y eventos empresariales. Los gestores del Nido quieren crear en su interior un museo olímpico, galerías comerciales, un hotel y un cine.
Otra herencia saludable tiene que ver con la contaminación. Pekín sacó fábricas del núcleo urbano, jubiló los taxis y autobuses obsoletos, y sustituyó miles de calderas de carbón por gas. Y se ha notado. Pero el rápido aumento del parque automovilístico y la fuerte actividad fabril en la región están poniendo en peligro los avances de la que sigue siendo una de las ciudades con peor aire de China.
El acontecimiento deportivo, sin embargo, no sirvió para mejorar la situación de los derechos humanos, a pesar de las promesas del Gobierno, según organizaciones internacionales. “Un desagradable legado de los Juegos Olímpicos de Pekín 2008 es el continuo encarcelamiento de quienes protestaron contra las expropiaciones forzosas o pidieron mejoras de los derechos humanos”, dijo en febrero pasado la organización con sede en Nueva York Human Rights Watch.
{Observatório da Imprensa}
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July 5th, 2010Futebol
Copa do Mundo. Guerra mundial publicitária.
por David Fernández
[Tradução: Cepat]A Copa do Mundo de Futebol da África do Sul é a maior vitrine para os anunciantes. As marcas que não são sócias oficiais da FIFA fazem de tudo para aparecer.
No dia 14 de junho, a Holanda venceu a Dinamarca por 2 a 0 no Mundial de Futebol da África do Sul. No jogo não houve nenhuma expulsão dentro das quatro linhas do campo. Mas, o cartão vermelho foi visto nas arquibancadas. E foi múltiplo. A FIFA, organizadora do torneio, expulsou do estádio um grupo de 36 holandesas. Elas não tinham provocado nenhuma confusão. O organismo, presidido por Joseph Blatter, tomou esta drástica decisão por dinheiro. Ou melhor, para preservar os direitos de exclusividade àquelas empresas que pagam somas milionárias para isso. As mulheres expulsas estavam vestidas de laranja, como 99% dos torcedores holandeses, já que esta é a cor da seleção. Sua roupa, no entanto, era um presente promocional da Bavaria, uma cerveja holandesa. Nas roupas não se distinguia a logo desta marca, mas a FIFA agiu rapidamente porque o Mundial já tem um patrocinador oficial no âmbito das cervejas: a Budweiser.
A estratégia da Bavaria não é nova. De fato, remonta ao princípio dos anos 1980 e é conhecida como Ambush Marketing ou marketing de emboscada. Eventos como os Jogos Olímpicos ou uma Copa do Mundo, representam a principal plataforma para o mercado publicitário e aquelas marcas que não conseguiram ou não quiseram converter-se em patrocinadoras oficiais buscam atalhos para serem vistas neste grande bazar. São escaramuças guerrilheiras dentro de uma grande batalha publicitária.
Os especialistas consideram que este tipo de práticas, sempre que certos limites éticos não são ultrapassados, são lícitas. Os publicitários entendem o zelo de organismos como a FIFA em defender os direitos de seus sócios comerciais, mas advertem que em função de como se reage às provocações se corre o risco de entrar no jogo dos guerrilheiros, ampliando o efeito midiático. Além disso, os profissionais acreditam que as novas tecnologias revolucionaram o mercado publicitário, razão pela qual no futuro será cada vez mais comum ver estratégias de marketing mais transgressoras onde se interage com o consumidor.
“Como competidor, é preciso aplaudir quem tem ideias brilhantes”, explica Carlos Martínez-Cabrera, presidente da Contrapunto y Contrapunto BBDO. “Sempre serei a favor das boas iniciativas de marketing que servem para promover a marca e produzir um retorno elevado sobre o capital investido. Talvez o que teria que se questionar é se os patrocinadores oficiais de um evento como a Copa do Mundo obtêm a rentabilidade que esperam”, acrescenta o especialista, que é, além disso, presidente da Associação Espanhola de Agências de Comunicação Publicitária (AEACP).
A FIFA prevê que a audiência televisiva acumulada da Copa seja de 30 bilhões de pessoas, 14% a mais que na Copa anterior realizada na Alemanha. Ou seja, o número de pessoas que ao longo de um mês verá em algum momento um jogo equivalerá aproximadamente a cinco vezes a população do mundo (em média, cada cidadão verá cinco jogos).
Esta imensa vitrine de comunicação com os consumidores leva os seis sócios da FIFA (Adidas, Coca-Cola, Emirates, Hyundai, Sony e Visa) a pagar, cada um, aproximadamente 57 milhões de euros para vincular seu nome à da Copa do Mundo. As receitas deste organismo não se restringem a isso, já que a FIFA conta com um segundo escalão de colaboradores, chamados de Patrocinadores da Copa do Mundo, entre os quais se encontram a Budweiser, Castrol, Continental, McDonald’s, MTN, entre outras.
“O patrocínio é uma estratégia de longo prazo e o marketing de guerrilha é mais anedótico. Em um primeiro momento, pode ser engraçado, mas por si só não provoca um consumidor a mudar de marca”, argumenta Xavier Oliver, professor de Marketing do IESE e ex-presidente da agência de publicidade BBDO Espanha. “Os sócios oficiais investem muito dinheiro e é lógico que queiram bloquear o evento do ponto de vista da publicidade. Seus competidores ficaram fora e devem buscar outras formas para marcar presença. Para isso contratam agências brilhantes que sabem quebrar barreiras muito rígidas em questão de direitos de imagem. Mas, mesmo que pareça o contrário, são estratégias mais de defesa do que de ataque”, garante Oliver.
Os tipos de marketing de emboscada vão desde campanhas baseadas em grandes doses de criatividade, que desejam vincular uma marca a um evento com um custo baixo, até o uso de logos, slogans e frases protegidas por direitos comerciais. Enquanto este último tipo é claramente castigado, as primeiras entram em uma zona cinzenta onde a definição legal é mais complexa.
“Para os criadores da campanha da Bavaria a jogada foi de luxo. Não fizeram nada irreverente e conseguiram com que todos os meios de comunicação falassem da marca”, opina César García, presidente e diretor de criação da BOB. Esta agência foi a primeira a ser criada na Espanha para atender as novas formas de publicidade. “O ambush responde a uma estratégia de algumas empresas que preferem não seguir os mais poderosos com um orçamento enorme e buscam alternativas que conectem com as pessoas de outra forma. Neste sentido, enquanto os patrocinadores oficiais correm o risco de ficar como meros adesivos nas cercas publicitárias, o consumidor que vê os jogos de futebol valoriza o fato de que as marcas sejam seguidoras como eles e se misturem nas arquibancadas”, indica García.
Na opinião deste criador, a proliferação de campanhas publicitárias de emboscada é uma resposta ao aborrecimento dos consumidores com o abuso de poder das grandes marcas. “Elas nos invadiram com suas mensagens. É como se tivessem dito: mesmo que te chateies, tenho tanto dinheiro que não vais poder te livrar de mim. O público se relaciona melhor com aquelas estratégias que interagem com ele do que com as campanhas que o veem como um simples receptor de mensagens”, denuncia García.
A da Bavaria não é a única guerrilha de marketing que foi orquestrada em torno da Copa do Mundo. Sem abandonar a indústria cervejeira, além do patrocinador oficial da FIFA - a Budweiser -, a seleção espanhola de futebol conta com seu próprio anunciante oficial, Cruzcampo. Contudo, um terceiro - San Miguel - não quis ficar à margem e desenhou uma campanha de anúncios tendo Pepe Reina como protagonista. O segundo goleiro de La Roja, além disso, faz referência nos anúncios ao triunfo espanhol na última Eurocopa. Outro exemplo se encontra no setor das cadeias de hambúrgueres. Enquanto a McDonald’s é sócia oficial da FIFA e, portanto, tem uma estratégia de comunicação mais global, seu grande rival, o Burger King, decidiu explorar o Mundial implicando-se com as torcidas locais. Na Espanha, lançou uma campanha com Manolo El del bombo e a distribuição de cachecóis com a bandeira da Espanha.
“Eu as chamaria de estratégias de comunicação alternativas. Não são ilegais ou más, têm sua própria lógica. Os patrocinadores oficiais trabalham sobre vínculos diretos com o evento patrocinado, ou seja, buscam efeitos de valorização de marca. No caso do ambush o objetivo é aproveitar-se da atualidade”, reflete Edouard Legendre, diretor do departamento de patrocínio do Grupo Bassat Ogilvy. O prejuízo que estas emboscadas podem causar ao anunciante oficial chega, segundo este especialista, quando não se ativa o patrocínio, mas se vê o investimento como mera publicidade: “O patrocinador oficial deve trazer algo diferente, não se limitar a usar seu investimento milionário para ter visibilidade através de um espaço privilegiado”. Legendre recorda que algumas marcas pagam grandes quantidades para ter os direitos e depois, quando se fazem estudos de vinculação a esse esporte, as pessoas não as mencionam porque se limitaram a ter uma atitude passiva.
A tentação de ficar mascarado pelo simples fato de ser sócio oficial de um evento é agora mais perigosa que nunca pelo impacto que a revolução tecnológica teve na forma de fazer publicidade. “A internet mudou tudo no mundo do marketing. Não faz muito tempo, a empresa líder em um setor desenvolvia uma estratégia de comunicação apoiada em um investimento publicitário alto e conseguia blindar-se contra a competição com menos recursos”, descreve José Antonio González, diretor-geral de desenvolvimento de Grey Group. “Com a popularização da internet e dos telefones celulares, com um investimento pequeno e altas doses de criatividade, se pode competir com as grandes marcas. Portanto, a campanha de publicidade e o patrocínio tradicional já não são mais suficientes”, acrescenta.
Uma estratégia alternativa busca ter grande notoriedade. Neste sentido, a reação da FIFA poderia ter prejudicado os seus clientes. “Se as holandesas não tivessem sido expulsas, seus cinco segundos na televisão não teriam tido o impacto que toda a polêmica que se produziu em torno de sua expulsão teve. Além disso, os consumidores costumam simpatizar com aqueles que eles consideram que são os mais frágeis. O objetivo do ambush muitas vezes não é o momento em que é praticada a estratégia, mas a repercussão desse momento”, comenta o diretor da Grey.
Os próximos Jogos Olímpicos serão disputados em Londres em 2012. Com a experiência de Pequim, onde as emboscadas publicitárias foram muito numerosas, os organizadores do evento londrinense já contam com um sólido grupo de advogados para proteger os direitos adquiridos pelos patrocinadores. Com esta finalidade foram protegidas como marcas registradas palavras, tais como: “2012”, “The Olympics”, “Olympiam” ou “2012 London”. Em eventos deste calibre, o apoio financeiro dos anunciantes é fundamental para a sua sobrevivência. O problema é que num mundo tão vivo como o da publicidade, qualquer tentativa de blindagem talvez seja como enxugar gelo.
Fonte: El País e Unisinos
{Amai-vos}
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June 23rd, 2010Futebol
Pelo rádio, pela tv, pela internet, o narrador e o comentarista, em tempos de computação apurada, poderiam quase sempre ser substituídos por gravações estilo atendimento automático via telefone - para o rádio -, infográficos na tela do computador ou caracteres bem bonitos na televisão.
A única perda seria deles mesmos, narradores e comentaristas, que na maioria esmagadora agem como descreve tão bem o João Ubaldo neste material repassado pelo Observatório da Imprensa: falam, falam, falam, enquanto o jogo é um detalhe.
Para quem está em campo há algumas copas na condição de ouvinte/telespectador, é estranha a mudança, pois além do estatistiquês, a afirmação e constante repetição de proximidades é proporcional ao corte de cabeças. Num passe de… bola, que bem poderia ser de mágica, um figurão boleiro sai de “é muito meu amigo, um cara sensacional, um dos melhores do mundo” para a sarjeta esportiva, e se não der entrevista, na próxima irá para a sarjeta moral também. Ou pelo menos os portadores dos microfones acham…
Com comissões técnicas a ousadia é possivelmente maior, segundo a “Lei da Imprensa” (não confundir com a extinta Lei de Imprensa), os técnicos têm que abrir os treinos - rachão não vale -, os dentes e em seu local de trabalho ver cabeças balançando - em desaprovação, óbvio, a qualquer resposta sisuda do “professor”. Por mais que atestem que seja “uma posição pública o cargo de técnico de uma Seleção”, o gesto de intromissão no trabalho (e na vida) do próximo é moeda valorizada dentro e fora das quatro linhas. Além desse “estar certo ou errado” não levar a lugar nenhum, a cobertura jornalística insiste na tensão pré-fabricada, de editoriais umbilicais, e não importa que o pessoal e o profissional (será que é?) sigam para o ralo.
João Ubaldo anotou o lado zen, menos disparos e mais estatísticas e masturbação ego-esportivo-comunicacional. Outros textos foram divulgados sobre as tretas midiáticas do Mundial e alguns virão para o Lado D. A mais recente, a mais recente (isso mesmo, repetindo!) com o Dunga evidenciou que o contorcionismo jornalístico no esporte também vem perdendo a “credibilidade”, principalmente depois de 2006, onde alguns boleiros e os repórteres faturaram às custas das expectativas do brasileiro… Este que, mesmo o futebol sendo só um jogo, utiliza a brincadeira quadrianual como moedas de 1 centavo de alegria, e na Alemanha todo mundo era próximo, como constatou Ribeiro numa hipotética transmissão na África do Sul 2010, trocou afagos por lá e o social não existiu.
Racionalmente - ainda se isso fosse muito comum nos eventos esportivos e suas paixões e paixõe$ -, a imprensa deveria pisar em ovos, respeitar as funções e procurar o seu lugar, que é reportar bem e opinar menos ou com consideração à pessoa que está do outro lado. Em recentes discussões no município de São Paulo, como o horário das 22h dos jogos televisionados, que a população sai dos estádios sem direito a transporte público ou sequer à explicação de por que motivo não podem ser mais cedo, por exemplo, a ingenuidade e o ópio estão perdendo espaço com o povo, vide estádios vazios, violência, ingressos caros, opiniões emitidas em redes “sociais” e demais lugares de livre expressão.
Editoriaizinhos com carinha de mau não fazem mais tantas cócegas assim. Desde o Brizola. A lição, no entanto, não foi aprendida pelos editorialistas. Ah, o$ intere$$e$… (RAG)
. . .
Cobertura moderna
por João Ubaldo Ribeiro
[Reproduzido de O Estado de S.Paulo/O Globo - 20.6.2010]– Esse que entrou agora aí é o Güterwagen, que joga no Strappaziert de Colônia, não é isso mesmo? – Isso mesmo, é a sexta participação dele num jogo dessa seleção alemã. A primeira foi num amistoso em Munique, em 15 de maio de 2008, quando ele entrou em campo para substituir Trockenbagger, que saiu contundido exatamente aos 23 minutos do segundo tempo.
E a anterior a esta foi na última partida das eliminatórias, quando ele ficou no banco. Foi a 19ª vez em que ele ficou no banco e, curiosamente, sempre sentado do lado direito do técnico, exatamente como está agora.
– Perfeito. Mas parece que ele não está sozinho nessa mania, não tem um outro jogador que faz a mesma coisa? – Você está lembrando o zagueirão Plusqueparfait, dos Camarões.
– Isso mesmo, o Plusqueparfait, o popularíssimo Pupu! Eu conheço muito os pais do Pupu, estive lá com eles, em minha última visita à aprazível Yaoundé, capital da República dos Camarões. O Plusqueparfait naturalmente mora na França, onde joga no Bêtise de Toulouse, mas seus pais, d. Muana e s. Buano, ainda moram lá em Yaoundé, naquela vida simples a que estão acostumados. Não creio que eles estejam me assistindo agora, mas, de qualquer forma, quero enviar um abraço especial para d. Muana, carinhosamente chamada de Muanette pelos seus familiares. Um beijo para a d. Muanette aqui de nossa equipe, o esporte é assim mesmo, o futebol é assim mesmo, aproxima as pessoas e os povos. Epa! Enquanto eu estava distraído aqui, o Wagenspinner irrompeu pela grande área adentro e mandou uma bomba que o goleirão espalmou de susto! Eu acho que essa ele espalmou de susto, não foi, não?
– É o que parece. Essa bola saiu a 126 quilômetros por hora, quer dizer, um pontapezinho respeitável.
– É verdade, essa foi apenas a terceira bola de mais de 125 quilômetros disparada do lado esquerdo da grande área, no primeiro tempo de um jogo entre seleções de continentes diferentes, este ano!
– Também com aquele pezão, o Wagenspinner… Olha só o tamanho, o pé dele parece uma prancha de surfe.
– É o maior número de chuteira da Copa, 48, bico largo, e assim mesmo feita sob medida para ele. O Wagenspinner superou o Schlepper, também da seleção alemã, que até a Copa passada era o recordista, calçando 47. Hoje o recorde do Schlepper já foi igualado por Nicomakowsky, da Rússia, e Zambetovic, da Sérvia. E o recorde absoluto do chuteirão agora é indiscutivelmente do Wagenspinner.
– Que não gostou, porque o árbitro já havia invalidado o lance anterior ao chute dele, marcando impedimento do seu companheiro Wildeber. Para mim, não estava, eu acho que o Sakonakara dava condição ao Wildeber, bem ali do lado direito. Vamos rever aqui.
– Marcação perfeita. No instante do lançamento, o Wildeber estava quatro centímetros à frente do Sakonakara, em clara posição de impedimento. Acertou o árbitro, mais uma vez.
– É, realmente, quatro centímetros, dá pra ver aqui sem a menor sombra de dúvida. A arbitragem tem tido um padrão muito bom, nesta Copa, não tem?
– De modo geral, sim. Nesse caso mesmo, trata-se de um trio grego de muita tarimba. Os auxiliares, Oipopoulos Saidopoulos e Papapoulos Catapoulos, estão em sua primeira Copa, mas são muito experientes, cada um com mais de quinze anos na Liga Grega. E o árbitro principal, Seforpênaltis Eudoulos, está em sua segunda copa. Esse é um árbitro com grande história pessoal, neto do lendário Mandoulous Prochuveirous, que fez escola em toda a Europa balcânica, apitando pela Liga Macedônia. Seu neto pode não ser igual a ele, até porque são outros tempos, mas é um árbitro muito bom. E tem um senso de colocação também muito bom, você vê que ele está presente em todos os lances, mas não corre muito, desloca-se sempre na medida do necessário. Veja aqui, só correu até agora um total de 0,9 quilômetro, o que é muito pouco, quando se sabe que, nesta Copa, a média de distância percorrida pelos árbitros está bem acima de dois quilômetros e acho que quem cravou três quilômetros no bolão das distâncias percorridas pelos árbitros vai se dar bem, apesar da contenção aqui do sr. Eudoulos.
– É verdade, eu também tenho essa opinião. E quanto ao futebol que está sendo jogado no momento? Por enquanto, a posse de bola está bem equilibrada, com 51 por cento para os alemães e 49 por cento para os japoneses. Um instante, mudou agora! Ah, sim, a última verificação dá 52 por cento para alemães e 48 por cento para os japoneses, alterou-se o panorama!
– É, pode ser até empolgante, mas não creio que venha a se refletir no resultado da partida. Eu acho que o problema enfrentado pelas duas equipes, talvez um pouco mais pela japonesa, é uma questão de atitude.
– Que é isso, cara, a questão da atitude era na Copa passada, nesta é a qualidade.
– Tem razão, distração minha. Qualidade, claro. É óbvio que a seleção da Alemanha, até pela sua tradição futebolística, tem mais qualidade do que a japonesa. Mas…
– Termina o primeiro tempo! Não vá embora, porque no intervalo teremos a execução do Concerto Número Um para Vuvuzela e Orquestra, com o famoso solista Tispandongo Uzuvido, a Copa é uma festa!
{Observatório da Imprensa}
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June 21st, 2010Futebol
Fifa, empresa transnacional
por León Moraria
Cada cuatro años durante los meses de junio y julio toda actividad se impregna de la “Copa Mundial de Fútbol”. La saturación futbolística obnubila las mentes, las transporta de la realidad cotidiana a un mundo intrascendente. Las necedades de los comentaristas deportivos, con sus cábalas, pronósticos, filosóficas disquisiciones futboleras y publicidad insidiosa, elevan el fanatismo al clímax. La alienación del fútbol coloca, en segundo plano, los despidos laborales, rebaja del salario, pérdida de la seguridad social, que los gobiernos de Europa aplican para salvar sus maltrechas economías. De igual manera, la fútbol manía pretende hacer olvidar que en La Franja de Gaza hay millón y medio de palestinos sometidos al bloqueo genocida que les impone el sionismo. O el acto de guerra contra la “Flotilla de la Libertad” en aguas internacionales. O las provocaciones que ponen al borde de la guerra a Corea del Norte, Irán, Kirguistán. O la tragedia ecológica en el Golfo de México por el derrame petrolero. O la realidad social de Sudáfrica que, para cumplir el papel de anfitrión, construyó estadios monumentales, avenidas, trenes, hoteles cinco estrellas para deleite de turistas enardecidos de patrioterismo futbolero, en un país con el 70% de la población en situación de pobreza, sin trabajo, sin agua, sin vivienda y con cinco millones de enfermos de SIDA. Para solventar la crisis social nunca hay dinero.
La Fifa, transnacional del deporte, cumple dentro de la división del trabajo, la adecuación del espectáculo futbolístico a los intereses del capital y para ello blande, en lugar del látigo de cuero - como en el anfiteatro romano contra los gladiadores - el látigo de los euro/dólares. Todo jugador llega al mundial con la chequera llena, pero, con una historia médica bajo el brazo que detalla fracturas, intervenciones, reposos, tratamientos de rodilla, de tobillo, de ligamentos y distenciones musculares. En el rostro reflejan su condición física de cansancio, agotamiento mental y sicológico. Durante los meses y años anteriores a la “Copa Mundial” han sido exprimidos hasta la extenuación en campeonato de “Liga”, “de Campeones”, “Libertadores”, “Copa del Rey”, “de Europa”, de la “Uefa”, de “América”, de encuentros amistosos, del trajinar constante por los aeropuertos para cumplir compromisos deportivos con el club o la selección del país de origen. ¿Dónde queda el lema “mente sana en cuerpo sano”? El resultado de todo este empeño se condensa en los 2.3 mil millones de euros que la FIFA percibirá por este Mundial.
Se dice que en este Mundial el ruido estridente de las “vuvuzelas” dificulta a los jugadores oír el pito del árbitro, las ordenes del director técnico y el diálogo entre sí para coordinar las jugadas. ¿Será la extenuación de los jugadores o el ruido de las “vuvuzelas” la causa de la escasa producción de goles y el bajo rendimiento de la mayoría de los equipos? Ante la crisis económica mundial, el fútbol deja ¡Cero pan y mucho circo!
{Rebelión}
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